Um
dos maiores obstáculos no caminho de um mago, que verdadeiramente pode
lhe impedir de atingir maiores realizações (e até mesmo regredir) é, por
mais estranho que possa parecer, as próprias realizações que já
conquistou.
O
fato é que é mais fácil manter um ideal quando não se tem nada a
perder, mas quando obtemos os primeiros frutos palpáveis temos diante de
nós um dilema: será que invisto ainda mais, podendo perder isto que já
consegui, ou será que desisto da minha busca e fico com o que consegui?
As
pessoas frequentemente se esquecem do porquê de terem “chegado aonde
chegaram”, ignorando as relações que cultivaram no inconsciente e, até
mesmo, afirmando para si mesmas que toda a busca na magia não passou de
uma ilusão, e que tudo se deu apenas pela boa sorte e também pelo
próprio esforço. Duvidam do que acreditavam e realizaram. Pensam que
poderiam ajudar aos que lhes são mais próximos se cuidassem daquilo que
já têm em mãos, e desistem, traindo tudo o que os apoiou até então. A
partir daí perdem a rede de ressonância que haviam criado, a qual
sustentava justamente aquela situação que tanto valorizavam. Pior, a
rede de ressonância se torna de dissonância. As coisas simplesmente
começam a dar errado, em vários sentidos, pois é mais fácil destruir
algo do que construir. Afinal, para destruir basta força bruta. E,
enfim, a pessoa está em um ponto pior do que quando começou. Trágico
isso, não é? Mas é real no que diz respeito a muitos casos.
Se
formos verificar onde ocorreu o primeiro erro, não foi no momento em
que se decidiu abandonar a magia, e sim na construção de toda a rede de
ressonância cuja motivação que a unia era imperfeita e ilusória. Na sua
forma mais perfeita, o fundamento desta rede deve ter um propósito bem
definido (o qual pode ser amplo), com base em um ideal pelo qual se
valha a pena consolidar a própria vida, de forma que não haja
arrependimento. Uma rede de ressonância não deve ser tratada como mero
utilitário que pode ser descartado a qualquer momento. É importante
considerar que ela pode perdurar por toda a vida, e até mesmo além da
vida física e, por isso mesmo, precisa ser criada corretamente. Os
valores que a permeiam devem basear-se na mais pura ética possível.
Percebendo-se uma falha neste sentido, deve-se estimular a rede para que
se torne melhor, mesmo que uma mudança a enfraqueça e a desestabilize
em um primeiro momento.
Não
devem existir dependências de trocas de favores dentro da rede, de
forma que toda ação deve ser espontânea e motivada por um ideal comum em
sua plena extensão. E havendo espontaneidade, isso implica na liberdade
de agir ou não agir, e de deixá-la ou de permanecer nela. Com estes
princípios efetivos, evita-se todos os erros mencionados acima, de forma
que se pode sair de uma rede de ressonância quando se deseje,
deixando-a livre para continuar agindo de forma independente. Porém,
nesse caso, quando a fundamentação é correta, raramente há o desejo de
abandonar a rede, embora isto seja possível.
Assim,
mais do que obter resultados, o mago deve procurar estabelecer
firmemente a correta fundamentação, não importa o tempo que isto leve.
Estabelecido o fundamento correto, outros fundamentos serão criados
(secundários) e, conforme se estabelecerem estes e outros, a realidade
física irá refleti-los. Deve-se procurar pensar e agir da forma mais
abrangente que seja possível para que a base seja perfeita. O modo de
pensar simplório, que não avalia as possíveis contradições de si mesmo,
não é capaz de criar uma rede nesse sentido. É claro que nem sempre
reconhecemos que somos simplórios e este é um dos riscos. Porém, ter
este risco em mente já é uma condição para agir em relação ao mesmo.
Este
post e os demais que já foram publicados têm a finalidade de ajudar a
evitar conclusões incorretas ou incompletas na criação de uma rede deste
tipo. Quanto aos resultados de uma rede de ressonância, há certas
circunstâncias em que, mesmo sendo bem fundamentada, ocorrem revezes.
Quanto a estas situações, posteriormente eu vou publicar novos posts a
este respeito.
Um blog que pretende investigar as possibilidades do ser humano. Cronologicamente, estou contando nele a história de meu próprio caminho na magia.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Estimulando o Subconsciente
Se
há uma qualidade que eu considero essencial para quem busca
desenvolver-se na magia e no ocultismo, esta é a paciência. Os fatos
simplesmente não acontecem tão rápido quando gostaríamos que
acontecessem. Muitas vezes ansiamos por uma mudança e ela parece nunca
ocorrer mas, na verdade, não deveria ser assim.
Há diversos fatores envolvidos nos períodos de espera. O primeiro deles é que a magia deve ser sedimentada de dentro para fora. Ou seja, primeiro é necessário ser algo, para então expressar este ser, estimulando o universo ao seu redor, e então perceber transformações. O período de preparo é longo e em diversos níveis até que a transformação aconteça. E quando acontece, um observador externo poderia simplesmente dizer que você teve sorte, como se não tivesse feito esforço algum para que o resultado surgisse. É óbvio que essa impressão é incorreta, mas ainda assim vale comentar um conceito no qual se diz que a sorte nada mais é do que uma mistura de estar preparado com a oportunidade de agir. Sob este ponto de vista, o conceito se aplica na magia. Uma oportunidade pode até aparecer para alguém, mas se a pessoa não estiver preparada para assumi-la, vai muito provavelmente fracassar. Por outro lado, mesmo que nenhuma oportunidade surja, pelo menos é possível preparar a si próprio.
Uma forma de se preparar é perguntar a si mesmo o que se pode fazer para ampliar o leque de possibilidades de ação. Um meio que todos possuem de expressão mágica, por assim dizer, são os sonhos. Mas os sonhos são espontâneos, de forma que não se tem muito controle sobre eles. Normalmente nós simplesmente sonhamos com o que quer que seja sem termos planejado anteriormente o que faríamos neles. Então, como intervir nos sonhos? Uma das maneiras é enriquecermos, quanto mais pudermos, nossas próprias consciências quando estamos despertos e, assim, quando sonharmos iremos reagir de uma forma mais consciente e direcionada. Manter um diário de sonhos também é uma excelente ideia, onde se deve escrever sobre o sonho assim que se acordar. Através deste diário compreendemos melhor os elementos com os quais interagimos e, com esta consciência aumentada, podemos melhorar nossa interação nos próximos sonhos.
Os sonhos passam então a ser um tipo de oportunidade que se busca mas, ao mesmo tempo, também constituem uma preparação para oportunidades mais concretas. Há outras formas de se influenciar o subconsciente. Pode-se, por exemplo, antes de dormir visualizar o que se deseja sonhar de olhos fechados e, então relaxar e dormir. Pode-se colocar também alguma música bem baixinho que lhe evoque uma emoção específica que você deseja manifestar nos sonhos. Eu mesmo já fiz esta experiência com música, e a repeti por algum tempo. Eu também utilizei um software de mensagens subliminares. A ressalva é que, no caso de se utilizar uma técnica para estimular sonhos específicos, chega um momento em que o subconsciente fica saturado daquele estímulo e você percebe esta sensação de saturação. Nesse momento é importante cessar o estímulo e esquecê-lo, deixando amadurecer, para que se provoquem resultados decorrentes deste amadurecimento.
Os estímulos simples (música, auto-sugestão, etc) têm esse efeito de saturação muito frequente. Já a prática de tornar-se mais consciente dificilmente causa saturação pois, quando nos sentimos saturados por um certo assunto, ou ponto de vista, basta que mudemos de tema e então a saturação desaparece. Estas técnicas são interessantes antes de uma iniciação, e mesmo depois da iniciação podem ser utilizadas enquanto não se está familiarizado com métodos mais específicos para operações mágicas, e isso pode levar um longo tempo (novamente um período em que é testada a paciência). No entanto, mesmo desenvolvendo ritos mais eficazes, é sempre importante enriquecer a própria consciência e manter-se atento aos sonhos.
Ressalta-se que mesmo alguns ritos mágicos mais sofisticados também causam este efeito de saturação. Um exemplo comum seria a criação de sigilos na magia do caos, em que são elaboradas representações visuais que impressionam o subconsciente e, quando ocorre a saturação, deve-se desfazer dos sigilos, esquecendo-os, para que possam maturar e, assim, produzirem efeitos.
Para quem deseja saber mais sobre os sonhos nesse contexto, fica o link para meu post “Sonhos”, o qual os analisa sobre outras perspectivas e reitera alguns itens colocados aqui.
Há diversos fatores envolvidos nos períodos de espera. O primeiro deles é que a magia deve ser sedimentada de dentro para fora. Ou seja, primeiro é necessário ser algo, para então expressar este ser, estimulando o universo ao seu redor, e então perceber transformações. O período de preparo é longo e em diversos níveis até que a transformação aconteça. E quando acontece, um observador externo poderia simplesmente dizer que você teve sorte, como se não tivesse feito esforço algum para que o resultado surgisse. É óbvio que essa impressão é incorreta, mas ainda assim vale comentar um conceito no qual se diz que a sorte nada mais é do que uma mistura de estar preparado com a oportunidade de agir. Sob este ponto de vista, o conceito se aplica na magia. Uma oportunidade pode até aparecer para alguém, mas se a pessoa não estiver preparada para assumi-la, vai muito provavelmente fracassar. Por outro lado, mesmo que nenhuma oportunidade surja, pelo menos é possível preparar a si próprio.
Uma forma de se preparar é perguntar a si mesmo o que se pode fazer para ampliar o leque de possibilidades de ação. Um meio que todos possuem de expressão mágica, por assim dizer, são os sonhos. Mas os sonhos são espontâneos, de forma que não se tem muito controle sobre eles. Normalmente nós simplesmente sonhamos com o que quer que seja sem termos planejado anteriormente o que faríamos neles. Então, como intervir nos sonhos? Uma das maneiras é enriquecermos, quanto mais pudermos, nossas próprias consciências quando estamos despertos e, assim, quando sonharmos iremos reagir de uma forma mais consciente e direcionada. Manter um diário de sonhos também é uma excelente ideia, onde se deve escrever sobre o sonho assim que se acordar. Através deste diário compreendemos melhor os elementos com os quais interagimos e, com esta consciência aumentada, podemos melhorar nossa interação nos próximos sonhos.
Os sonhos passam então a ser um tipo de oportunidade que se busca mas, ao mesmo tempo, também constituem uma preparação para oportunidades mais concretas. Há outras formas de se influenciar o subconsciente. Pode-se, por exemplo, antes de dormir visualizar o que se deseja sonhar de olhos fechados e, então relaxar e dormir. Pode-se colocar também alguma música bem baixinho que lhe evoque uma emoção específica que você deseja manifestar nos sonhos. Eu mesmo já fiz esta experiência com música, e a repeti por algum tempo. Eu também utilizei um software de mensagens subliminares. A ressalva é que, no caso de se utilizar uma técnica para estimular sonhos específicos, chega um momento em que o subconsciente fica saturado daquele estímulo e você percebe esta sensação de saturação. Nesse momento é importante cessar o estímulo e esquecê-lo, deixando amadurecer, para que se provoquem resultados decorrentes deste amadurecimento.
Os estímulos simples (música, auto-sugestão, etc) têm esse efeito de saturação muito frequente. Já a prática de tornar-se mais consciente dificilmente causa saturação pois, quando nos sentimos saturados por um certo assunto, ou ponto de vista, basta que mudemos de tema e então a saturação desaparece. Estas técnicas são interessantes antes de uma iniciação, e mesmo depois da iniciação podem ser utilizadas enquanto não se está familiarizado com métodos mais específicos para operações mágicas, e isso pode levar um longo tempo (novamente um período em que é testada a paciência). No entanto, mesmo desenvolvendo ritos mais eficazes, é sempre importante enriquecer a própria consciência e manter-se atento aos sonhos.
Ressalta-se que mesmo alguns ritos mágicos mais sofisticados também causam este efeito de saturação. Um exemplo comum seria a criação de sigilos na magia do caos, em que são elaboradas representações visuais que impressionam o subconsciente e, quando ocorre a saturação, deve-se desfazer dos sigilos, esquecendo-os, para que possam maturar e, assim, produzirem efeitos.
Para quem deseja saber mais sobre os sonhos nesse contexto, fica o link para meu post “Sonhos”, o qual os analisa sobre outras perspectivas e reitera alguns itens colocados aqui.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Questionando o Modelo de Sucesso do Mundo
Muitas
vezes eu escrevo sobre realização, em ser um artista que transforma o
mundo ao redor a partir de si próprio, enfatizando que a realização não
deve ser considerada um atributo meramente interno, mas também externo,
para que seja completa. Porém, de uma forma inversa ao que muitos podem
imaginar, a realização externa não significa adaptar-se plenamente aos
padrões de sucesso no mundo. Não se trata de tornar-se excelente nas
exigências exteriores, e sim de perceber sua própria essência, quem você
é de fato, e de levar esta essência ao mundo. É apresentar algo novo ao
invés de adaptar-se ao que foi definido por outros, e este algo novo a
ser apresentado é você mesmo.
Alguns dizem, por exemplo, que uma pessoa de sucesso precisa estar motivada para trabalhar doze horas por dia e sete dias por semana e que, para se ter sucesso, é preciso dedicar tudo de si, sacrificando até mesmo as suas férias anuais e seu contato com a família. Ou então dizem que você deve aprender sobre todas as novidades para manter-se atualizado profissionalmente. Ou então algo mais banal, como a roupa que você veste que, em tese, condiz ou não com a imagem e o efeito que você quer causar. A ideia comum é que se deve estar sempre à frente de tudo o mais, competindo com tudo o mais, e vencer sempre, por mais difícil que isso seja.
De fato, este modelo comum de sucesso é algo cada vez mais difícil de ser realizado e, quando as pessoas questionam se está difícil demais, a resposta é que não há outra direção a seguir, senão esta, e que a única escolha está em ceder à fraqueza, e falhar, ou vencer os obstáculos e permanecer bem sucedido. E muitos acreditam nesta resposta, buscando expandir suas influências cada vez mais agindo de acordo com este conceito. A falha deste modelo é que é baseado em competição e, quanto mais se é capaz de expandir-se, mais competidores se encontra pelo caminho. Assim, eventualmente, não se é possível crescer mais. Neste ponto alguns ainda tentam crescer contra a oposição esmagadora, consumindo o que ainda têm.
Não que esteja errado trabalhar muito, seja em horas por dia, ou dias por semana. Tampouco está errado sacrificar-se por algo. Também não está errado buscar melhores qualificações profissionais. E, é claro, não há erro algum em você escolher o tipo de roupa que você considera mais adequada. O erro não está no que se faz e sim no porquê se faz. O trabalho deve ser motivado pela própria satisfação de realizá-lo. O sacrifício sempre deve ser por um ideal, por algo que se ama. O aprendizado sempre deve corresponder ao verdadeiro interesse. Você deve verdadeiramente se sentir bem com a roupa que veste (ou sentir-se coerente consigo mesmo em relação ao seu trabalho, caso tenha de estar uniformizado). A raiz de seus atos precisa estar ligada à você, aos seus propósitos, e não aos propósitos de outros.
Nenhuma das atitudes citadas é essencial, por mais que alguns apregoem que sejam. O mundo está cheio de possibilidades, com toda uma pluralidade de consciências que buscam outras que pretendam colaborar em seus objetivos, ao invés de competir. Há uma infinidade de caminhos que podem ser seguidos, ao invés dos poucos que tantos se empenham em fazer que acreditemos serem os únicos. O X da questão é procurar estes caminhos, encontrá-los, e embrenhar-se neles.
Na magia, há três etapas na busca destes caminhos. Na primeira etapa prepondera a preparação potencial interna, correspondendo ao esforço de congruência de si mesmo que culmina com a iniciação, passando então ao desenvolvimento das relações com o próprio inconsciente.
Na segunda etapa, há o impulso de expansão do que há dentro de si para fora, para o mundo que o cerca. Existe um ponto de equilíbrio perigoso, quando estruturas e relações externas quebram, ao mesmo tempo que uma estrutura nova se expande. É quando se aprende o que difere você de todos os demais que, até então, considerava que sempre fariam parte de seu caminho. Seria bom se essa lição pudesse ser aprendida sem erros e sem motivo de arrependimento causado pelos erros, mas não é o que acontece com frequência. É a desintegração da imagem que tem para que a mesma seja reconstruída.
Na terceira etapa, as novas estruturas amadurecem e se expandem mais ainda, e você vê sua realização em progresso. O que eu considero interessante neste ponto é que fatos improváveis acontecem (sob o ponto de vista de outras pessoas) pois o que liga você a tudo o que lhe realiza é uma conexão de essências (sua e de tudo o mais), contra todas as aparências, a despeito da ausência dos símbolos de status que o mundo costuma relacionar ao sucesso.
Em suma, o mundo busca apenas a opção para a qual está condicionado se direcionar. Não há nada de especial nesta opção, que está sob o olhar de muitos que competem por ela. A única forma de vencer nestas condições é sendo o melhor competidor, o que se torna cada vez mais difícil quanto mais se consegue expandir (pela expansão igual da oposição), mas não precisa ser assim. Quando uma pessoa especial encontra outra pessoa também especial, que compartilhe de seus ideais, não há competição, tratando-se de uma ligação única. E quando estas duas pessoas encontram uma terceira que compartilha do mesmo ideal, os laços se expandem, e prosseguem se expandindo conforme mais pessoas se unem, nas mesmas condições.
Alguns dizem, por exemplo, que uma pessoa de sucesso precisa estar motivada para trabalhar doze horas por dia e sete dias por semana e que, para se ter sucesso, é preciso dedicar tudo de si, sacrificando até mesmo as suas férias anuais e seu contato com a família. Ou então dizem que você deve aprender sobre todas as novidades para manter-se atualizado profissionalmente. Ou então algo mais banal, como a roupa que você veste que, em tese, condiz ou não com a imagem e o efeito que você quer causar. A ideia comum é que se deve estar sempre à frente de tudo o mais, competindo com tudo o mais, e vencer sempre, por mais difícil que isso seja.
De fato, este modelo comum de sucesso é algo cada vez mais difícil de ser realizado e, quando as pessoas questionam se está difícil demais, a resposta é que não há outra direção a seguir, senão esta, e que a única escolha está em ceder à fraqueza, e falhar, ou vencer os obstáculos e permanecer bem sucedido. E muitos acreditam nesta resposta, buscando expandir suas influências cada vez mais agindo de acordo com este conceito. A falha deste modelo é que é baseado em competição e, quanto mais se é capaz de expandir-se, mais competidores se encontra pelo caminho. Assim, eventualmente, não se é possível crescer mais. Neste ponto alguns ainda tentam crescer contra a oposição esmagadora, consumindo o que ainda têm.
Não que esteja errado trabalhar muito, seja em horas por dia, ou dias por semana. Tampouco está errado sacrificar-se por algo. Também não está errado buscar melhores qualificações profissionais. E, é claro, não há erro algum em você escolher o tipo de roupa que você considera mais adequada. O erro não está no que se faz e sim no porquê se faz. O trabalho deve ser motivado pela própria satisfação de realizá-lo. O sacrifício sempre deve ser por um ideal, por algo que se ama. O aprendizado sempre deve corresponder ao verdadeiro interesse. Você deve verdadeiramente se sentir bem com a roupa que veste (ou sentir-se coerente consigo mesmo em relação ao seu trabalho, caso tenha de estar uniformizado). A raiz de seus atos precisa estar ligada à você, aos seus propósitos, e não aos propósitos de outros.
Nenhuma das atitudes citadas é essencial, por mais que alguns apregoem que sejam. O mundo está cheio de possibilidades, com toda uma pluralidade de consciências que buscam outras que pretendam colaborar em seus objetivos, ao invés de competir. Há uma infinidade de caminhos que podem ser seguidos, ao invés dos poucos que tantos se empenham em fazer que acreditemos serem os únicos. O X da questão é procurar estes caminhos, encontrá-los, e embrenhar-se neles.
Na magia, há três etapas na busca destes caminhos. Na primeira etapa prepondera a preparação potencial interna, correspondendo ao esforço de congruência de si mesmo que culmina com a iniciação, passando então ao desenvolvimento das relações com o próprio inconsciente.
Na segunda etapa, há o impulso de expansão do que há dentro de si para fora, para o mundo que o cerca. Existe um ponto de equilíbrio perigoso, quando estruturas e relações externas quebram, ao mesmo tempo que uma estrutura nova se expande. É quando se aprende o que difere você de todos os demais que, até então, considerava que sempre fariam parte de seu caminho. Seria bom se essa lição pudesse ser aprendida sem erros e sem motivo de arrependimento causado pelos erros, mas não é o que acontece com frequência. É a desintegração da imagem que tem para que a mesma seja reconstruída.
Na terceira etapa, as novas estruturas amadurecem e se expandem mais ainda, e você vê sua realização em progresso. O que eu considero interessante neste ponto é que fatos improváveis acontecem (sob o ponto de vista de outras pessoas) pois o que liga você a tudo o que lhe realiza é uma conexão de essências (sua e de tudo o mais), contra todas as aparências, a despeito da ausência dos símbolos de status que o mundo costuma relacionar ao sucesso.
Em suma, o mundo busca apenas a opção para a qual está condicionado se direcionar. Não há nada de especial nesta opção, que está sob o olhar de muitos que competem por ela. A única forma de vencer nestas condições é sendo o melhor competidor, o que se torna cada vez mais difícil quanto mais se consegue expandir (pela expansão igual da oposição), mas não precisa ser assim. Quando uma pessoa especial encontra outra pessoa também especial, que compartilhe de seus ideais, não há competição, tratando-se de uma ligação única. E quando estas duas pessoas encontram uma terceira que compartilha do mesmo ideal, os laços se expandem, e prosseguem se expandindo conforme mais pessoas se unem, nas mesmas condições.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Lidando com Altos e Baixos na Vida
De
vez em quando eu já ouvi alguém dizer “As coisas estão indo tão bem que
eu até fico com medo de passar a fase boa e vir, então, uma fase ruim”.
Será que isso é verdade, que depois de uma fase boa tem que vir uma
ruim, e vice-versa? Será que a vida não poderia ser simplesmente
constante?
Pode até parecer crendice, mas estas fases realmente acontecem com quase todos que nos relacionamos. O motivo é que temos nossas próprias naturezas e as pessoas que nos relacionamos também têm as delas e, como não há naturezas iguais (embora as pessoas insistam em se rotular), surgem duas situações quando pessoas interagem entre si: ressonância, quando um complementa o outro de uma forma positiva; e dissonância, quando uma natureza obstrui a outra.
Tudo seria fácil se simplesmente pudéssemos definir quem nos é ressonante e quem nos é dissonante. Apenas deixaríamos de lado aqueles que nos obstruem e nos aproximaríamos daqueles que nos complementam. Mas isso não é tão simples assim. No que diz respeito à grande maioria das pessoas com as quais lidamos no dia a dia, há aspectos ressonantes que nos ligam a elas, mas também há aspectos dissonantes que nos colocam em conflito, com as mesmas pessoas. Essa ambiguidade se manifesta ciclicamente, em certos momentos preponderando relações harmoniosas e, em outros, preponderando conflitos.
Pessoalmente eu não gosto deste tipo de ciclo. Digo isso porque, quando isso acontece, há momentos bons mas que sempre atingem um certo limite (não o excedendo), só para reverter na outra direção do ciclo, onde as coisas tendem a piorar. Uma saída óbvia é procurar outras pessoas para se relacionar mas isso nem sempre é ideal. Afinal as pessoas têm laços emotivos e eles não se quebram apenas porque tomamos uma decisão. Separar-se fisicamente, e manter-se ligado emocionalmente, é ser incompleto. É algo que acontece, mas fica uma pendência que não vai simplesmente desaparecer.
Deixar pessoas para trás, como uma forma padrão de desenvolver relacionamentos, não é uma boa ideia também por um outro motivo: é que nenhum relacionamento vai se aprofundar se você descarta-lo por causa dos altos e baixos. A saída seria enriquecer sua própria identidade, complementando sua natureza, e também a identidade da outra pessoa. E a forma de fazer isso é através da comunicação. Ao relacionar-se com alguém, ambos os lados eventualmente sentem satisfação e insatisfação, e estas sensações são a base do aprendizado. É claro que tudo fica mais fácil quando, além de aprenderem por si próprias, as pessoas mantêm o diálogo, compartilhando o que descobriram.
Essa afinação entre pessoas pode levar anos mas, de tempos em tempos, ela dá saltos e, quando este salto acontece, vale a pena todo o esforço. A partir daí, os altos e baixos até continuam, mas se resolvem mais rápido e você se sente melhor na maior parte do tempo. Por esta afinação de consciência ser uma alternativa tão melhor do que deixar pessoas para trás, vale a pena reconsiderar se você se distanciou de alguém.
Estou falando muito em relacionamentos, mas que tipo de relacionamentos? Eu me refiro a qualquer tipo de interação que persista entre duas ou mais pessoas. Seja na amizade, no trabalho, no amor, no que quer que seja. Quando você perceber este tipo de ciclo de satisfação e insatisfação em setores da sua vida, tente associar o ciclo às pessoas, mesmo que se trate de trabalho, ou de dinheiro. Então descubra que tipo de interações com as pessoas interferem de forma positiva, e que tipo de interações interferem de forma negativa, aprendendo assim sobre o aspecto humano que diz respeito ao que você está interagindo. Comunique-se então com as outros para harmonizar-se, e reduzir o impacto da variação entre altos e baixos. Vale ressaltar que a sinceridade deve pautar seus relacionamentos, uma vez que tudo que é sólido depende dessa qualidade.
Estes conceitos também se aplicam na magia, que diz respeito às relações com o invisível. Existem consciências relacionadas ao trabalho, ao dinheiro, ao amor e a muitos outros aspectos da vida e também, com estas consciências, muitas vezes ocorrem ciclos. Porém, antes de tentar transformar o mundo externo através da magia, transforme a si mesmo, harmonizando-se internamente. É impossível harmonizar-se com o mundo ao seu redor se a harmonia não estiver dentro de si. Portanto, na magia, busque primeiramente a harmonia interior, sempre. De forma secundária, você expande esta harmonia para o exterior.
Pode até parecer crendice, mas estas fases realmente acontecem com quase todos que nos relacionamos. O motivo é que temos nossas próprias naturezas e as pessoas que nos relacionamos também têm as delas e, como não há naturezas iguais (embora as pessoas insistam em se rotular), surgem duas situações quando pessoas interagem entre si: ressonância, quando um complementa o outro de uma forma positiva; e dissonância, quando uma natureza obstrui a outra.
Tudo seria fácil se simplesmente pudéssemos definir quem nos é ressonante e quem nos é dissonante. Apenas deixaríamos de lado aqueles que nos obstruem e nos aproximaríamos daqueles que nos complementam. Mas isso não é tão simples assim. No que diz respeito à grande maioria das pessoas com as quais lidamos no dia a dia, há aspectos ressonantes que nos ligam a elas, mas também há aspectos dissonantes que nos colocam em conflito, com as mesmas pessoas. Essa ambiguidade se manifesta ciclicamente, em certos momentos preponderando relações harmoniosas e, em outros, preponderando conflitos.
Pessoalmente eu não gosto deste tipo de ciclo. Digo isso porque, quando isso acontece, há momentos bons mas que sempre atingem um certo limite (não o excedendo), só para reverter na outra direção do ciclo, onde as coisas tendem a piorar. Uma saída óbvia é procurar outras pessoas para se relacionar mas isso nem sempre é ideal. Afinal as pessoas têm laços emotivos e eles não se quebram apenas porque tomamos uma decisão. Separar-se fisicamente, e manter-se ligado emocionalmente, é ser incompleto. É algo que acontece, mas fica uma pendência que não vai simplesmente desaparecer.
Deixar pessoas para trás, como uma forma padrão de desenvolver relacionamentos, não é uma boa ideia também por um outro motivo: é que nenhum relacionamento vai se aprofundar se você descarta-lo por causa dos altos e baixos. A saída seria enriquecer sua própria identidade, complementando sua natureza, e também a identidade da outra pessoa. E a forma de fazer isso é através da comunicação. Ao relacionar-se com alguém, ambos os lados eventualmente sentem satisfação e insatisfação, e estas sensações são a base do aprendizado. É claro que tudo fica mais fácil quando, além de aprenderem por si próprias, as pessoas mantêm o diálogo, compartilhando o que descobriram.
Essa afinação entre pessoas pode levar anos mas, de tempos em tempos, ela dá saltos e, quando este salto acontece, vale a pena todo o esforço. A partir daí, os altos e baixos até continuam, mas se resolvem mais rápido e você se sente melhor na maior parte do tempo. Por esta afinação de consciência ser uma alternativa tão melhor do que deixar pessoas para trás, vale a pena reconsiderar se você se distanciou de alguém.
Estou falando muito em relacionamentos, mas que tipo de relacionamentos? Eu me refiro a qualquer tipo de interação que persista entre duas ou mais pessoas. Seja na amizade, no trabalho, no amor, no que quer que seja. Quando você perceber este tipo de ciclo de satisfação e insatisfação em setores da sua vida, tente associar o ciclo às pessoas, mesmo que se trate de trabalho, ou de dinheiro. Então descubra que tipo de interações com as pessoas interferem de forma positiva, e que tipo de interações interferem de forma negativa, aprendendo assim sobre o aspecto humano que diz respeito ao que você está interagindo. Comunique-se então com as outros para harmonizar-se, e reduzir o impacto da variação entre altos e baixos. Vale ressaltar que a sinceridade deve pautar seus relacionamentos, uma vez que tudo que é sólido depende dessa qualidade.
Estes conceitos também se aplicam na magia, que diz respeito às relações com o invisível. Existem consciências relacionadas ao trabalho, ao dinheiro, ao amor e a muitos outros aspectos da vida e também, com estas consciências, muitas vezes ocorrem ciclos. Porém, antes de tentar transformar o mundo externo através da magia, transforme a si mesmo, harmonizando-se internamente. É impossível harmonizar-se com o mundo ao seu redor se a harmonia não estiver dentro de si. Portanto, na magia, busque primeiramente a harmonia interior, sempre. De forma secundária, você expande esta harmonia para o exterior.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Criando a Mudança em Sua Vida
Seja
alguém iniciante na busca de seu caminho de realização pessoal, ou
esteja já há muito tempo no mesmo, sempre há situações em que se
pretende explorar algo novo e desenvolver-se em algum ponto que ainda
não se fortaleceu. Movido pelo desafio, procura-se e encontra-se
opções. Surgem algumas possibilidades realmente atraentes, e também
outras mais simples, e sempre há um risco envolvido, sendo às vezes
muito grande, e outras vezes quase desprezível. E há a questão do
quanto investir, do quanto arriscar de si mesmo, do quanto
comprometer-se. Este post busca definir algumas diretrizes com o intuito
de ajudar as pessoas nesta busca de realizar algo novo.
O primeiro passo é investir inicialmente, mesmo que o mínimo, na direção que se pretende ir, seja através de pesquisas ou realizando contatos. É preciso obter algum material, qualquer que seja, e começar a avaliá-lo. Este material será uma pequena amostra do que existe no mundo e, com um pouco de sensibilidade, percebe-se que há muitos interesses que não o apoiam em sua mudança, de muitas pessoas, seja porque são concorrentes aos seus interesses, ou porque não o compreendem (da mesma forma que você possivelmente também não os compreende). Causar uma mudança em sua própria vida é, com frequência, ir contra a maré de interesses que tenta mantê-lo na direção que você já vem seguindo, e que você quer mudar.
No início não é recomendável expor-se e arriscar-se demais. Com um pouco de sorte, há alguns pontos em sua ideia que têm uma probabilidade maior de serem bem sucedidos com alguma ação prática, mas é muito frequente que haja apenas uma boa ideia, ainda sem raizes para se manter. Mas, se nem sequer uma boa ideia existe em mãos, e se ainda se pretende causar uma mudança bem sucedida, deve-se continuar a pesquisa inicial, reciclando-se, até que se reconheça algo surgindo.
Mesmo quando se tem alguma ação prática que possa ser realizada, ou já haja alguma ressonância concreta em relação ao que se busca, normalmente deve-se investir moderadamente a princípio. É necessário estar consciente de que há outras pessoas, com interesses conflitantes aos seus, e que estas pessoas já estão desenvolvendo-se talvez há muito tempo, estando algumas (com grande probabilidade) melhor estruturadas. Opor-se de frente a estes interesses, em um estágio inicial, é ter o fracasso como resultado quase certo. Durante a maior parte do tempo, o progresso é lento, às vezes ocorrendo retrocessos, mas o que o mantém progredindo é seu interesse e persistência na mudança.
Frequentemente surgem dois ou mais cursos de ação, cada um com perspectivas interessantes, sendo alguns bem atraentes porém arriscados, e outros mais seguros porém menos arriscados. Não se deve desprezar uma posição forte e segura, caso venha a ser obtida, mas também não se deve ignorar possibilidades maiores. Se o investimento pessoal manter-se moderado, não há muito o que se perder em uma nova possibilidade, e ela pode se desenvolver gradualmente, desde que se esteja aberto a novos estímulos.
Conforme for possível, deve-se também desvencilhar-se das pessoas que não têm interesses ressonantes ao seus. O ideal é deixá-los ir em seus próprios caminhos, jamais adotando uma postura de oposição a estes. Não se trata de criar um conflito, mas de sair de dentro do conflito, tornando-se invisível a este e também não o enxergando mais, por estar fora dele. Com menos oposição aos seus interesses, as suas chances de sucesso aumentam e suas ideias se tornam mais prováveis. Uma boa situação passa a ter, então, um ótimo resultado, e uma ótima situação passa a ter, então, um excelente resultado. É necessário ressaltar que sempre existe uma possibilidade de falha, e esta possibilidade diminui ou aumenta com o contexto em que sua ideia está inserida, que pode favorecê-la ou combatê-la. Sempre é necessário avaliar riscos e é recomendável arriscar-se pouco.
De tempos em tempos, uma possibilidade rara e difícil se mantém e se estabelece, ressaltando a importância de se procurar não apenas o que é seguro, mas também aquilo é especial. Quando algo se consolida, pode-se investir mais, expondo-se mais. Esta transformação é algo que ocorre em momentos realmente especiais, não sendo algo rotineiro. Mas sempre é necessário lembrar-se que há interesses que concorrem com os seus e que alguns desses interesses, embora sejam minoria, também se baseiam em oportunidades raras e difíceis que se consolidaram. Assim, sempre se deve lembrar que não se é invulnerável, em situação alguma.
Os sucessos se acumulam e a mudança vai se tornando visível na sua vida, cada vez mais consistente e forte. Essa consistência coloca você em uma situação diametralmente oposta ao início da sua busca pois você não está mais frágil como estava a princípio. No entanto, há alguns valores que devem ser preservados em todo este processo.
A sinceridade é um destes valores perenes. Não se deve mostrar uma imagem falsa de si mesmo, embora muitos que encontre no seu caminho de mudança não sigam este princípio. Tudo o que se constroi, com base em uma imagem falsa, é falso na base e irá ruir eventualmente.
Outro valor perene é a ética. Por mais que se cresça, por mais que se desenvolva, sempre é necessário dar aos outros a liberdade de não fazerem parte da mudança que se cria, de forma que possam procurar a própria mudança. A liberdade de escolha é o verdadeiro fundamento do início de uma busca e é um direito inalienável de todas as pessoas.
A aplicação prática destas diretrizes é clara nas questões objetivas do mundo, porém também podem ser utilizadas nas relações invisíveis que ocorrem na magia, pois somos nós que criamos estas relações, solidificando-as gradualmente. O mago pode aplicá-las tanto internamente, ao desenvolver suas ressonâncias que fundamentarão suas operações mágicas, quanto externamente, como consequência do que se criou internamente.
O primeiro passo é investir inicialmente, mesmo que o mínimo, na direção que se pretende ir, seja através de pesquisas ou realizando contatos. É preciso obter algum material, qualquer que seja, e começar a avaliá-lo. Este material será uma pequena amostra do que existe no mundo e, com um pouco de sensibilidade, percebe-se que há muitos interesses que não o apoiam em sua mudança, de muitas pessoas, seja porque são concorrentes aos seus interesses, ou porque não o compreendem (da mesma forma que você possivelmente também não os compreende). Causar uma mudança em sua própria vida é, com frequência, ir contra a maré de interesses que tenta mantê-lo na direção que você já vem seguindo, e que você quer mudar.
No início não é recomendável expor-se e arriscar-se demais. Com um pouco de sorte, há alguns pontos em sua ideia que têm uma probabilidade maior de serem bem sucedidos com alguma ação prática, mas é muito frequente que haja apenas uma boa ideia, ainda sem raizes para se manter. Mas, se nem sequer uma boa ideia existe em mãos, e se ainda se pretende causar uma mudança bem sucedida, deve-se continuar a pesquisa inicial, reciclando-se, até que se reconheça algo surgindo.
Mesmo quando se tem alguma ação prática que possa ser realizada, ou já haja alguma ressonância concreta em relação ao que se busca, normalmente deve-se investir moderadamente a princípio. É necessário estar consciente de que há outras pessoas, com interesses conflitantes aos seus, e que estas pessoas já estão desenvolvendo-se talvez há muito tempo, estando algumas (com grande probabilidade) melhor estruturadas. Opor-se de frente a estes interesses, em um estágio inicial, é ter o fracasso como resultado quase certo. Durante a maior parte do tempo, o progresso é lento, às vezes ocorrendo retrocessos, mas o que o mantém progredindo é seu interesse e persistência na mudança.
Frequentemente surgem dois ou mais cursos de ação, cada um com perspectivas interessantes, sendo alguns bem atraentes porém arriscados, e outros mais seguros porém menos arriscados. Não se deve desprezar uma posição forte e segura, caso venha a ser obtida, mas também não se deve ignorar possibilidades maiores. Se o investimento pessoal manter-se moderado, não há muito o que se perder em uma nova possibilidade, e ela pode se desenvolver gradualmente, desde que se esteja aberto a novos estímulos.
Conforme for possível, deve-se também desvencilhar-se das pessoas que não têm interesses ressonantes ao seus. O ideal é deixá-los ir em seus próprios caminhos, jamais adotando uma postura de oposição a estes. Não se trata de criar um conflito, mas de sair de dentro do conflito, tornando-se invisível a este e também não o enxergando mais, por estar fora dele. Com menos oposição aos seus interesses, as suas chances de sucesso aumentam e suas ideias se tornam mais prováveis. Uma boa situação passa a ter, então, um ótimo resultado, e uma ótima situação passa a ter, então, um excelente resultado. É necessário ressaltar que sempre existe uma possibilidade de falha, e esta possibilidade diminui ou aumenta com o contexto em que sua ideia está inserida, que pode favorecê-la ou combatê-la. Sempre é necessário avaliar riscos e é recomendável arriscar-se pouco.
De tempos em tempos, uma possibilidade rara e difícil se mantém e se estabelece, ressaltando a importância de se procurar não apenas o que é seguro, mas também aquilo é especial. Quando algo se consolida, pode-se investir mais, expondo-se mais. Esta transformação é algo que ocorre em momentos realmente especiais, não sendo algo rotineiro. Mas sempre é necessário lembrar-se que há interesses que concorrem com os seus e que alguns desses interesses, embora sejam minoria, também se baseiam em oportunidades raras e difíceis que se consolidaram. Assim, sempre se deve lembrar que não se é invulnerável, em situação alguma.
Os sucessos se acumulam e a mudança vai se tornando visível na sua vida, cada vez mais consistente e forte. Essa consistência coloca você em uma situação diametralmente oposta ao início da sua busca pois você não está mais frágil como estava a princípio. No entanto, há alguns valores que devem ser preservados em todo este processo.
A sinceridade é um destes valores perenes. Não se deve mostrar uma imagem falsa de si mesmo, embora muitos que encontre no seu caminho de mudança não sigam este princípio. Tudo o que se constroi, com base em uma imagem falsa, é falso na base e irá ruir eventualmente.
Outro valor perene é a ética. Por mais que se cresça, por mais que se desenvolva, sempre é necessário dar aos outros a liberdade de não fazerem parte da mudança que se cria, de forma que possam procurar a própria mudança. A liberdade de escolha é o verdadeiro fundamento do início de uma busca e é um direito inalienável de todas as pessoas.
A aplicação prática destas diretrizes é clara nas questões objetivas do mundo, porém também podem ser utilizadas nas relações invisíveis que ocorrem na magia, pois somos nós que criamos estas relações, solidificando-as gradualmente. O mago pode aplicá-las tanto internamente, ao desenvolver suas ressonâncias que fundamentarão suas operações mágicas, quanto externamente, como consequência do que se criou internamente.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Esoterismo (Com S) Versus Exoterismo (Com X)
Esoterismo (com s) ou exoterismo (com x)? o que diferencia estas palavras? Será apenas uma questão de grafia?
O exoterismo diz respeito a adquirir conhecimento através de meios externos, ao invés de explorar a via interior (a via intuitiva). O conhecimento é exotérico quando se adota uma postura dogmática para obtê-lo, onde não se admite o questionamento, ou quando se recebe algum tipo de informação de uma fonte externa (seja através de espíritos, de representantes oficiais de alguma religião ou escola, ou de livros em que se leu algo emitido por uma fonte privilegiada). No exoterismo preponderam palavras. A informação é dita, detalhadamente explicada, mas frequentemente não é questionada. Há também símbolos não-verbais, porém para cada símbolo há uma extensa literatura explicando-o, de forma que, para que haja uma interpretação “correta”, é necessário inteirar-se da literatura descritiva que o acompanha.
Já o esoterismo é o oposto do exoterismo. Esoterismo é aprender através da via interior, ao invés de meios exteriores. É um aprendizado que está à disposição de qualquer um porque não depende de meios e condições externas. É explorar o universo dentro de si mesmo, com os próprios recursos, por assim dizer. No esoterismo preponderam símbolos que precisam ser contemplados e interiorizados. É o caso dos mantras (sons), yantras (símbolos visuais, relacionados ao tantrismo) e mandalas (símbolos visuais circulares). Não que haja algum conteúdo a ser apreendido destes simbolos, mas eles costumam provocar estímulos naqueles que os experimentam e, se as pessoas mantém este contato e permanecem atentas aos estímulos percebidos, a mente se enriquece a partir de seus próprios recursos, de sua própria linguagem, que não é feita necessariamente por palavras.
A diferença se trata então de duas vias: a interior (esotérica) e a exterior (exotérica). Utilizando um exemplo prático, quando alguém lê o tarot, está utilizando a via interior ou a via exterior? Depende. Um arcano (no caso representado numa carta, ou lâmina do tarot) pode ser interpretado tanto pela via interior, quando quem o interpreta usa a via intuitiva, ou pela via exterior, quando a interpretação reflete apenas a erudição ao invés de um estímulo autenticamente pessoal. Assim, percebe-se que um símbolo não é necessariamente esotérico, ou exotérico em si próprio, pois pode ser utilizado em ambos os contextos.
Na atualidade, mesmo nos meios ditos esotéricos (que deveriam buscar a via interior), há muitas pessoas que utilizam a via exterior de aprendizado, ao invés da via interior. Basta lembrar do “fim do mundo” (que acreditava-se de acordo com o calendário maia), e refletir sobre como isto perturbou de fato o mundo (embora o mundo não tenha acabado). Nós estamos sempre nos deixando desviar a atenção de nós mesmos para simplesmente nos sentirmos indefesos frente a “fatos” revelados do “alto”, sobre os quais não temos poder algum. Motivados pela insegurança, buscamos informação, que nos vêm muitas vezes pelo Google, por redes sociais, ou por e-mail. Buscamos palavras, meios absolutamente exotéricos, dos quais não participamos nem sequer minimamente para ajudar a produzi-las.
Cabe lembrar que a magia explora o mundo interior de cada um, o qual é ligado ao mundo exterior, permitindo que se possa agir como causa, ao invés de ser mero efeito. Imaginem o que seria do mundo se houvessem mais magos. Certamente seria um mundo mais difícil de ser controlado. Porém, o desenvolvimento na magia ocorre na medida em que se transcende o próprio ego, unindo-se ao universo de uma forma cada vez maior e, por consequência, mais harmoniosa. Dessa forma, é correto afirmar que o objetivo último de um mago implica em atingir esta união e harmonia (por extensão, o objetivo último da magia e dos magos). A via interior é verdadeiramente libertadora. Como todos nós possuímos potencial para explorar esta via e, como existem muitas estruturas de controle neste mundo, pode ser conveniente para poucos que a grande maioria não saiba o potencial que pode desenvolver. No entanto, para desenvolver este potencial, é preciso começar a fazê-lo e não deixar-se desviar neste processo.
O exoterismo diz respeito a adquirir conhecimento através de meios externos, ao invés de explorar a via interior (a via intuitiva). O conhecimento é exotérico quando se adota uma postura dogmática para obtê-lo, onde não se admite o questionamento, ou quando se recebe algum tipo de informação de uma fonte externa (seja através de espíritos, de representantes oficiais de alguma religião ou escola, ou de livros em que se leu algo emitido por uma fonte privilegiada). No exoterismo preponderam palavras. A informação é dita, detalhadamente explicada, mas frequentemente não é questionada. Há também símbolos não-verbais, porém para cada símbolo há uma extensa literatura explicando-o, de forma que, para que haja uma interpretação “correta”, é necessário inteirar-se da literatura descritiva que o acompanha.
Já o esoterismo é o oposto do exoterismo. Esoterismo é aprender através da via interior, ao invés de meios exteriores. É um aprendizado que está à disposição de qualquer um porque não depende de meios e condições externas. É explorar o universo dentro de si mesmo, com os próprios recursos, por assim dizer. No esoterismo preponderam símbolos que precisam ser contemplados e interiorizados. É o caso dos mantras (sons), yantras (símbolos visuais, relacionados ao tantrismo) e mandalas (símbolos visuais circulares). Não que haja algum conteúdo a ser apreendido destes simbolos, mas eles costumam provocar estímulos naqueles que os experimentam e, se as pessoas mantém este contato e permanecem atentas aos estímulos percebidos, a mente se enriquece a partir de seus próprios recursos, de sua própria linguagem, que não é feita necessariamente por palavras.
A diferença se trata então de duas vias: a interior (esotérica) e a exterior (exotérica). Utilizando um exemplo prático, quando alguém lê o tarot, está utilizando a via interior ou a via exterior? Depende. Um arcano (no caso representado numa carta, ou lâmina do tarot) pode ser interpretado tanto pela via interior, quando quem o interpreta usa a via intuitiva, ou pela via exterior, quando a interpretação reflete apenas a erudição ao invés de um estímulo autenticamente pessoal. Assim, percebe-se que um símbolo não é necessariamente esotérico, ou exotérico em si próprio, pois pode ser utilizado em ambos os contextos.
Na atualidade, mesmo nos meios ditos esotéricos (que deveriam buscar a via interior), há muitas pessoas que utilizam a via exterior de aprendizado, ao invés da via interior. Basta lembrar do “fim do mundo” (que acreditava-se de acordo com o calendário maia), e refletir sobre como isto perturbou de fato o mundo (embora o mundo não tenha acabado). Nós estamos sempre nos deixando desviar a atenção de nós mesmos para simplesmente nos sentirmos indefesos frente a “fatos” revelados do “alto”, sobre os quais não temos poder algum. Motivados pela insegurança, buscamos informação, que nos vêm muitas vezes pelo Google, por redes sociais, ou por e-mail. Buscamos palavras, meios absolutamente exotéricos, dos quais não participamos nem sequer minimamente para ajudar a produzi-las.
Cabe lembrar que a magia explora o mundo interior de cada um, o qual é ligado ao mundo exterior, permitindo que se possa agir como causa, ao invés de ser mero efeito. Imaginem o que seria do mundo se houvessem mais magos. Certamente seria um mundo mais difícil de ser controlado. Porém, o desenvolvimento na magia ocorre na medida em que se transcende o próprio ego, unindo-se ao universo de uma forma cada vez maior e, por consequência, mais harmoniosa. Dessa forma, é correto afirmar que o objetivo último de um mago implica em atingir esta união e harmonia (por extensão, o objetivo último da magia e dos magos). A via interior é verdadeiramente libertadora. Como todos nós possuímos potencial para explorar esta via e, como existem muitas estruturas de controle neste mundo, pode ser conveniente para poucos que a grande maioria não saiba o potencial que pode desenvolver. No entanto, para desenvolver este potencial, é preciso começar a fazê-lo e não deixar-se desviar neste processo.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Realizando-se Pela Magia Branca
Quando
o público leigo fala sobre magia, invariavelmente surge a velha
classificação, a qual separa a magia branca da magia negra. Na
realidade, o público que não é leigo, e que já tem algum contato com o
tema da magia, também muito frequentemente estipula a divisão entre os
dois tipos essencialmente diferentes. Algumas pessoas, para deixar o
tema ainda mais complexo, utilizam-se do termo “magia cinza” para se
referir a um tipo que não tem um propósito de causar o mal mas que, por
efeito colateral, pode causar o mal. E há também aqueles que definem a
magia simplesmente como algo neutro, que não é intrinsecamente nem
branco, nem negro, embora eu acredite que esta seja talvez uma forma de
se evitar ter que lidar com as implicações desta questão.
Porém como poderíamos definir de uma forma mais precisa o que qualifica estes lados, branco e negro? A definição mais simples é que o lado branco faz o bem, e o lado negro faz o mal. Diz-se que o motor de toda magia é o desejo. E eu acredito que o seja de fato, pois é do desejo que vem a “força inicial”, ou a “energia”, de uma operação mágica. Deve ser por isso que geralmente a motivação (o desejo) para realizar algo para os outros, ao invés de si mesmo, é considerada como branca. Ao passo que o desejo de realizar algo para si, ao invés dos outros, é considerado por muitos como magia negra. Se acreditarmos que essa contradição é real (entre si mesmo e os outros), isso parece justificar conceitos de magia que não estão relacionados a benefícios pessoais, às vezes nem mesmo a resultados, limitando-se a uma pacificação interior com intuito de tornar-se mais harmonioso em si mesmo e em relação ao mundo.
Harmonizar-se é um objetivo belo, mas não é magia. Pessoalmente, eu considero a magia como a arte de tornar-se criador de sua própria vida, tanto internamente, como externamente (é claro que o caminho de um mago sempre começa pela via interna, o que é a criação da base sobre a qual todo seu trabalho criativo estará fundamentado). Porém, pensando assim, se é forçado a enfrentar este aparente paradoxo entre a realização de si mesmo e a realização dos outros. O mago então precisa resolver este conflito, ou contentar-se em ser um mago negro. A respeito da opção de ser um mago negro, pessoalmente eu não acredito que alguém seja realmente feliz optando por ela. Afinal todo ser humano tem sentimentos e, por mais que os neguemos, por mais que possamos querer deixá-los sedados, eventualmente nossa capacidade de adormecê-los se esgota e precisamos enfrentá-los, ouvindo aquilo que nos cobram.
A outra opção é ser um mago branco, sendo mago por tornar-se criador de sua própria vida, e sendo branco pela busca de fazer o bem. Mas como ser si mesmo, como expressar a si mesmo, realizando-se, sem ser egoísta? Uma ideia que me parece muito útil nesse sentido é separar dois conceitos: um é o desejo em si (do que se busca realizar), e o outro é o “como” se pretende realizar. Vou tomar um exemplo que parece ser egoísta: “tornar-se rico”. Certo, a riqueza parece ser um objetivo egocêntrico para muitos, afinal ser rico pode significar tirar esta mesma riqueza dos outros e concentrá-la em si. Mas, se pensarmos bem, há várias formas de riqueza lícita no mundo, nas quais nós oferecemos nosso dinheiro espontaneamente. Nós temos diversos nomes de empresas, como Disney, Coca-Cola, Google, Microsoft, Yahoo, Apple, e outros nomes associados à riqueza. Assim, tornar-se rico não é um objetivo egoísta quando se oferece algo especial, quando se tem um papel central.
O erro, portanto, não está no desejo em si, e sim em como se pretende realizar o desejo. Ter consciência da diferença entre “o que” realizar e “como” realizar é algo fundamental. Frequentemente desejamos alguma coisa e também queremos impor o “como” irá acontecer, quando a atitude correta é deixar livre a resposta do mundo que nos cerca. Nâo é a realizaçao rápida e frágil que se deve procurar, e sim a realização estruturada e forte. Frequentemente, quando queremos nos impor à força, podemos até conseguir um resultado rápido, mas será fora de contexto, sem raízes e com laços imaturos entre pessoas imaturas. Por outro lado, se permitirmos que o mundo aja de acordo com seu próprio ritmo e natureza, as ações serão graduais, muitas vezes pausadas, porém serão diversificadas (plurais), gerando contextos cada vez mais completos, com raízes cada vez mais sólidas, entre pessoas maduras unidas por laços também maduros.
Para um mago, este não é apenas um modo de agir externo, mas também interno no que diz respeito à realização da própria magia. No que se refere às ressonâncias internas do mago com a realidade invisível, estas também não surgem com a força. Estas relações internas precisam ser também cuidadosamente cultivadas.
Porém como poderíamos definir de uma forma mais precisa o que qualifica estes lados, branco e negro? A definição mais simples é que o lado branco faz o bem, e o lado negro faz o mal. Diz-se que o motor de toda magia é o desejo. E eu acredito que o seja de fato, pois é do desejo que vem a “força inicial”, ou a “energia”, de uma operação mágica. Deve ser por isso que geralmente a motivação (o desejo) para realizar algo para os outros, ao invés de si mesmo, é considerada como branca. Ao passo que o desejo de realizar algo para si, ao invés dos outros, é considerado por muitos como magia negra. Se acreditarmos que essa contradição é real (entre si mesmo e os outros), isso parece justificar conceitos de magia que não estão relacionados a benefícios pessoais, às vezes nem mesmo a resultados, limitando-se a uma pacificação interior com intuito de tornar-se mais harmonioso em si mesmo e em relação ao mundo.
Harmonizar-se é um objetivo belo, mas não é magia. Pessoalmente, eu considero a magia como a arte de tornar-se criador de sua própria vida, tanto internamente, como externamente (é claro que o caminho de um mago sempre começa pela via interna, o que é a criação da base sobre a qual todo seu trabalho criativo estará fundamentado). Porém, pensando assim, se é forçado a enfrentar este aparente paradoxo entre a realização de si mesmo e a realização dos outros. O mago então precisa resolver este conflito, ou contentar-se em ser um mago negro. A respeito da opção de ser um mago negro, pessoalmente eu não acredito que alguém seja realmente feliz optando por ela. Afinal todo ser humano tem sentimentos e, por mais que os neguemos, por mais que possamos querer deixá-los sedados, eventualmente nossa capacidade de adormecê-los se esgota e precisamos enfrentá-los, ouvindo aquilo que nos cobram.
A outra opção é ser um mago branco, sendo mago por tornar-se criador de sua própria vida, e sendo branco pela busca de fazer o bem. Mas como ser si mesmo, como expressar a si mesmo, realizando-se, sem ser egoísta? Uma ideia que me parece muito útil nesse sentido é separar dois conceitos: um é o desejo em si (do que se busca realizar), e o outro é o “como” se pretende realizar. Vou tomar um exemplo que parece ser egoísta: “tornar-se rico”. Certo, a riqueza parece ser um objetivo egocêntrico para muitos, afinal ser rico pode significar tirar esta mesma riqueza dos outros e concentrá-la em si. Mas, se pensarmos bem, há várias formas de riqueza lícita no mundo, nas quais nós oferecemos nosso dinheiro espontaneamente. Nós temos diversos nomes de empresas, como Disney, Coca-Cola, Google, Microsoft, Yahoo, Apple, e outros nomes associados à riqueza. Assim, tornar-se rico não é um objetivo egoísta quando se oferece algo especial, quando se tem um papel central.
O erro, portanto, não está no desejo em si, e sim em como se pretende realizar o desejo. Ter consciência da diferença entre “o que” realizar e “como” realizar é algo fundamental. Frequentemente desejamos alguma coisa e também queremos impor o “como” irá acontecer, quando a atitude correta é deixar livre a resposta do mundo que nos cerca. Nâo é a realizaçao rápida e frágil que se deve procurar, e sim a realização estruturada e forte. Frequentemente, quando queremos nos impor à força, podemos até conseguir um resultado rápido, mas será fora de contexto, sem raízes e com laços imaturos entre pessoas imaturas. Por outro lado, se permitirmos que o mundo aja de acordo com seu próprio ritmo e natureza, as ações serão graduais, muitas vezes pausadas, porém serão diversificadas (plurais), gerando contextos cada vez mais completos, com raízes cada vez mais sólidas, entre pessoas maduras unidas por laços também maduros.
Para um mago, este não é apenas um modo de agir externo, mas também interno no que diz respeito à realização da própria magia. No que se refere às ressonâncias internas do mago com a realidade invisível, estas também não surgem com a força. Estas relações internas precisam ser também cuidadosamente cultivadas.
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