Hoje
eu resolvi descrever uma vivência que é conhecida como a experiência
mística, a qual é extremamente pessoal e envolve o contato com o
divino. No meu caso, quando eu tive uma experiência deste tipo há mais
ou menos dez anos atrás, eu estava viajando para passar alguns dias na
praia, olhando pela janela entreaberta, e eu tive a certeza, por alguns
minutos, que eu comungava com tudo aquilo que estava ao meu redor. Eu
senti que as pessoas, a paisagem, aquele ônibus, a vegetação externa,
cada uma daquelas casas que eu via, estávamos todos interligados, unidos
dentro de uma única realidade, um único ser. Sem limites, sem
barreiras, estendendo-se dali por todo o universo, por tudo o que há.
Assim, qualquer um em qualquer parte, eu percebia, era aquele ser.
Qualquer parte naquele ser poderia declarar ser o todo. Sem
diferenciações, sem criador e sem criatura. Apenas a unidade,
diferenciada sim, mas comunicante em toda sua extensão, sem uma
barreira, sem um vácuo, que separasse um ponto do outro. Um contínuo
toque ininterrupto.
Essa
perceção do divino vem sendo partilhada esporádica e naturalmente com o
passar dos séculos, com pessoas das mais diversas origens e em diversos
contextos culturais, e tem sido cada vez mais recorrente na época
atual. É a noção de que a divindade está em tudo e que não há distinção
entre criador e criatura. Tudo o que há começou de um ponto único. Isto
se assemelha à teoria do Big Bang
na Física, na qual houve uma explosão, de um ponto onde tudo era apenas
energia, e esta esta energia se metamorfoseou evolutivamente até
tornar-se tudo o que existe atualmente no universo (e isso pode ter
acontecido diversas vezes).
Mesmo
quando tudo era apenas uma essência informe, essa essência já possuia
alguns atributos. Ela era criativa para poder se metamorfosear das mais
diversas maneiras. Ela era plural pois toda a diversidade surgiu dela.
Ela era comunicante pois ela é capaz de agregar partes de si mesma, e de
isolar algumas partes de outras partes distintas, diferenciando-as. Ela
tinha o germe da consciência em si mesma pois a consciência é algo que
não se explica por um mecanismo (veja meu post Modelando as próprias crenças),
pois um mecanismo poderia imitá-la, mas não torná-la autêntica: penso,
logo existo. Eu, de fato, penso. Não sou um mecanismo que imita o
pensamento.
Assim,
esta essência possuía dentro de si alguns atributos que determinaram e
continuam determinando como ela se desenvolve. Certos desdobramentos da
evolução da mesma, levaram a complementações ressonantes e realizadoras,
culminando na experiência que chamamos de Bem. Por outro lado, as
experiências caracterizadas por atritos e não-realizações tornaram-se o
que qualificamos como o Mal. É preciso mencionar que, neste contexto,
Bem e Mal são experiências, não sendo realidades essenciais. São
eventuais. O Mal então seria choques de intenções incompatíveis entre si
e não implicaria que essas intenções, por si, fossem inerentemente más.
Dessa forma, os conceitos de Bem e Mal são evolutivos e sujeitos a
serem reintegrados e transmutados. O objetivo é que toda a intenção se
integre de forma perfeita e, para isso, respostas precisam ser
encontradas.
A
divindade, um ser a quem podemos destinar estas questões sobre tais conflitos, por assim
dizer, também é algo real. A divindade é a coletividade de consciências
que se unem para prover as respostas que necessitamos para transcender a
dualidade entre o Bem e o Mal. É como a comparação do corpo com o
cérebro, sendo este último o que dá unidade ao corpo. Os atributos da
divindade expostos acima, por serem a essência de tudo o que há, se
desenvolveram e se manifestam em maior ou menor escala em todo o
universo. A divindade seria o centro onde estes atributos se revelam
mais plenamente, unindo e ordenando tudo o mais, como um único
organismo.
Um blog que pretende investigar as possibilidades do ser humano. Cronologicamente, estou contando nele a história de meu próprio caminho na magia.
domingo, 14 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Questionando a Definição de Deus
Hoje
eu gostaria de fazer uma reflexão sobre a imagem que nós temos da
divindade. Muitas pessoas, quando pensam no divino, trazem à mente
aquela visão do Deus criador de todas as coisas, que fez a criação
distinta de si, existindo, portanto, criador e criatura. É um Deus
considerado omni-presente, omni-potente e omni-ciente. Omni significa
“em todo lugar”. Então omni-presente o torna presente em todo lugar,
omni-potente o torna potente em todo lugar, e omni-ciente o torna ciente
de todo lugar. Assim definido, Deus é considerado a pura imagem da
perfeição. É o criador perfeito. Já a criação, foi feita perfeita, mas
se tornou imperfeita por causa do livre-arbítrio.
Porém, se pensarmos bem, há certos pontos que não se encaixam na visão comum sobre a divindade. Por exemplo, o criador perfeito faz a criatura, e a criatura falha. Isso é uma contradição. Imagine, por exemplo, a lógica do relojoeiro: o relojoeiro é o melhor relojoeiro e seus relógios não falham nunca. Nunca precisam de conserto. É por isso que ele é perfeito. Mas se os relógios do relojoeiro falhassem, isso indicaria que o relojoeiro não é tão bom assim. Nesse caso, ou o relojoeiro é perfeito e seus relógios são perfeitos, ou o relojoeiro não é perfeito e seus relógios também não o são. Ainda assim, esta é uma dedução simplória.
Existe o argumento de que a criação tem livre-arbítrio e que se desenvolve por suas próprias decisões. Nesse caso, algumas pessoas serão sempre más e irão para o inferno, algumas outras vão purgar até ficarem limpas, e outras terão, como destino, o paraíso. Isso parece lógico, mas ainda não é. Uma metáfora para explicar o porquê do livre-arbítrio (e do destino individual para o inferno, purgatório ou paraíso) não ser algo lógico é a descrição do próprio processo criativo. Quando você cria alguma coisa, se você já sabe exatamente aquilo que você vai criar, você já o faz perfeito na primeira vez. Estava inteiro na sua mente, e você o fez como o imaginava, e esse seria o caso de um Deus capaz de saber o futuro e todas as coisas, antevendo cada possibilidade antes mesmo de acontecer. Nesse caso, ele faria tudo perfeito, em um único instante, sem a necessidade de um processo evolutivo doloroso que destina algumas almas para um inferno eterno, outras para uma área de provação e purificação, e outra para os já puros.
Um Deus potente em todos os lugares, já criaria tudo perfeito e nada lhe escaparia da consciência, não deixando escapar nenhum detalhe, por ser omni-ciente. Ele o faria de uma forma que não houvesse a memória de um tempo árduo e difícil. Se o processo evolutivo não se justifica nesta visão, ainda menos justificável é a ideia da existência do Mal. Afinal, se antes havia apenas Deus, e se Deus era capaz de prever tudo, porque teria sido criado o Mal? Uma possível resposta seria porque assim o ser humano poderia optar entre o Bem e o Mal, em um processo evolutivo.
Um processo evolutivo não faz sentido pelas razões expostas. Mesmo procurando referências bíblicas (que costumam ser associadas mais comumente, pelas pessoas em geral, à concepção de Deus) a resposta de que o Mal existiria para que o ser humano soubesse distinguir entre o bem e o mal não parece ter justificativa:
Iahweh Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden para o cultivar e o guardar. E Iahweh Deus deu ao homem este mandamento: "Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás que morrer.
Bíblia de Jerusalém (Gênesis, 2, 15-17).
Portanto, na própria Bíblia, não se justifica o argumento de que o Mal existe com a finalidade de que se possa discerni-lo (pois, de acordo com o texto, houve uma proibição expressa de que o homem comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal). Então, porque teria sido criado o Mal?
Talvez a resposta mais simples para que seja tão difícil elucidar estas questões é porque nossos conceitos sobre a divindade estão incorretos. Estes questionamentos que foram expostos revelam a fragilidade de ideias que nos foram passadas, e às diversas gerações antes de nós. São conceitos que parecem verdadeiros mas não são. Quando nós percebemos essa fragilidade, isso nos lembra um pouco o filme Matrix:
Morfheus: -“Eu imagino que você esteja se sentindo meio Alice, na toca do coelho”.
…
Morfheus: - “Você acredita em destino, Neo?”
Neo: - Não.
Morfheus: - “Por que não?”
Neo: “Não gosto de pensar que não controlo minha vida.”
…
Morfheus: - “Você deseja saber o que ela é (Matrix)?”
Morfheus: – “A Matrix está em todo lugar a nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olhar pela janela… ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho… quando vai a igreja…quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos…para que você não visse a verdade.”
Neo: - “Que verdade?”
Morfheus: - “Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro… nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão… para sua mente.”
Morfheus: - “Infelizmente, é impossível dizer o que é Matrix. Você tem de ver por si mesmo. Esta é sua ultima chance. Depois não há como voltar. Se tomar a pílula azul…a historia acaba, e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho. Lembre-se, tudo que ofereço é a verdade. Nada mais.”
Extraído do blog ThunderCash, no post “Pílula: Azul X Vermelha”
Infelizmente, eu não sou capaz de afirmar, como Morpheus, que tudo que ofereço é verdade. Eu posso dizer que estou buscando a verdade. A realidade frequentemente não tem opções tão nítidas quanto a ficção.
Ressalto que o objetivo deste post não é criticar toda e qualquer concepção da divindade. O que expus aqui é, sim, uma crítica à imagem que se tem da divindade sem que a questionemos, sem que pensemos em suas incongruências. Isso não quer dizer que não existam outras imagens do divino, nem tampouco que uma visão evolutiva esteja errada. Cabe aqui uma reflexão sobre a natureza da divindade, principalmente se estas críticas lhe são doloridas. Eu vou explorar algumas ideias neste sentido em outros posts.
Porém, se pensarmos bem, há certos pontos que não se encaixam na visão comum sobre a divindade. Por exemplo, o criador perfeito faz a criatura, e a criatura falha. Isso é uma contradição. Imagine, por exemplo, a lógica do relojoeiro: o relojoeiro é o melhor relojoeiro e seus relógios não falham nunca. Nunca precisam de conserto. É por isso que ele é perfeito. Mas se os relógios do relojoeiro falhassem, isso indicaria que o relojoeiro não é tão bom assim. Nesse caso, ou o relojoeiro é perfeito e seus relógios são perfeitos, ou o relojoeiro não é perfeito e seus relógios também não o são. Ainda assim, esta é uma dedução simplória.
Existe o argumento de que a criação tem livre-arbítrio e que se desenvolve por suas próprias decisões. Nesse caso, algumas pessoas serão sempre más e irão para o inferno, algumas outras vão purgar até ficarem limpas, e outras terão, como destino, o paraíso. Isso parece lógico, mas ainda não é. Uma metáfora para explicar o porquê do livre-arbítrio (e do destino individual para o inferno, purgatório ou paraíso) não ser algo lógico é a descrição do próprio processo criativo. Quando você cria alguma coisa, se você já sabe exatamente aquilo que você vai criar, você já o faz perfeito na primeira vez. Estava inteiro na sua mente, e você o fez como o imaginava, e esse seria o caso de um Deus capaz de saber o futuro e todas as coisas, antevendo cada possibilidade antes mesmo de acontecer. Nesse caso, ele faria tudo perfeito, em um único instante, sem a necessidade de um processo evolutivo doloroso que destina algumas almas para um inferno eterno, outras para uma área de provação e purificação, e outra para os já puros.
Um Deus potente em todos os lugares, já criaria tudo perfeito e nada lhe escaparia da consciência, não deixando escapar nenhum detalhe, por ser omni-ciente. Ele o faria de uma forma que não houvesse a memória de um tempo árduo e difícil. Se o processo evolutivo não se justifica nesta visão, ainda menos justificável é a ideia da existência do Mal. Afinal, se antes havia apenas Deus, e se Deus era capaz de prever tudo, porque teria sido criado o Mal? Uma possível resposta seria porque assim o ser humano poderia optar entre o Bem e o Mal, em um processo evolutivo.
Um processo evolutivo não faz sentido pelas razões expostas. Mesmo procurando referências bíblicas (que costumam ser associadas mais comumente, pelas pessoas em geral, à concepção de Deus) a resposta de que o Mal existiria para que o ser humano soubesse distinguir entre o bem e o mal não parece ter justificativa:
Iahweh Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden para o cultivar e o guardar. E Iahweh Deus deu ao homem este mandamento: "Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás que morrer.
Bíblia de Jerusalém (Gênesis, 2, 15-17).
Portanto, na própria Bíblia, não se justifica o argumento de que o Mal existe com a finalidade de que se possa discerni-lo (pois, de acordo com o texto, houve uma proibição expressa de que o homem comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal). Então, porque teria sido criado o Mal?
Talvez a resposta mais simples para que seja tão difícil elucidar estas questões é porque nossos conceitos sobre a divindade estão incorretos. Estes questionamentos que foram expostos revelam a fragilidade de ideias que nos foram passadas, e às diversas gerações antes de nós. São conceitos que parecem verdadeiros mas não são. Quando nós percebemos essa fragilidade, isso nos lembra um pouco o filme Matrix:
Morfheus: -“Eu imagino que você esteja se sentindo meio Alice, na toca do coelho”.
…
Morfheus: - “Você acredita em destino, Neo?”
Neo: - Não.
Morfheus: - “Por que não?”
Neo: “Não gosto de pensar que não controlo minha vida.”
…
Morfheus: - “Você deseja saber o que ela é (Matrix)?”
Morfheus: – “A Matrix está em todo lugar a nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olhar pela janela… ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho… quando vai a igreja…quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos…para que você não visse a verdade.”
Neo: - “Que verdade?”
Morfheus: - “Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro… nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão… para sua mente.”
Morfheus: - “Infelizmente, é impossível dizer o que é Matrix. Você tem de ver por si mesmo. Esta é sua ultima chance. Depois não há como voltar. Se tomar a pílula azul…a historia acaba, e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho. Lembre-se, tudo que ofereço é a verdade. Nada mais.”
Extraído do blog ThunderCash, no post “Pílula: Azul X Vermelha”
Infelizmente, eu não sou capaz de afirmar, como Morpheus, que tudo que ofereço é verdade. Eu posso dizer que estou buscando a verdade. A realidade frequentemente não tem opções tão nítidas quanto a ficção.
Ressalto que o objetivo deste post não é criticar toda e qualquer concepção da divindade. O que expus aqui é, sim, uma crítica à imagem que se tem da divindade sem que a questionemos, sem que pensemos em suas incongruências. Isso não quer dizer que não existam outras imagens do divino, nem tampouco que uma visão evolutiva esteja errada. Cabe aqui uma reflexão sobre a natureza da divindade, principalmente se estas críticas lhe são doloridas. Eu vou explorar algumas ideias neste sentido em outros posts.
domingo, 30 de setembro de 2012
Verdades absolutas que não são tão absolutas como parecem ser
Quase
todos nós estamos acostumados a ver o mundo como se sempre fosse da
forma que ele é hoje. O cristianismo atual, por exemplo, condena a
astrologia quando, na verdade, no livro do Apocalipse, que é um livro
cristão, há inúmeros símbolos astrológicos. Olhe o trecho abaixo, por
exemplo:
À frente do trono, havia como que um mar vítreo, semelhante ao cristal. No meio do trono" e ao seu redor estavam quatro Seres vivos, cheios de olhos pela frente e por trás. O primeiro Ser vivo é semelhante a um leão; o segundo Ser vivo, a um touro; o terceiro tem a face como de homem; o quarto Ser vivo é semelhante a uma águia em vôo. Os quatro Seres vivos têm cada um seis asas e são cheios de olhos ao redor e por dentro. E, dia e noite sem parar, proclamam: "Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus todo-poderoso, 'Aquele-que-era, Aquele-que-é e Aquele-que-vem'".
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 4, 6-8)
Neste trecho há referência a quatro seres vivos: o leão (astrologicamente ligado ao elemento Fogo), o touro (ligado ao elemento Terra), o homem (um pouco mais difícil de interpretar, que é ligado à emoção e ao sentimento, relacionando-se ambos com o elemento Água) e a águia (claramente o elemento Ar). Reforçando ainda mais o enfoque astrológico, que diz respeito ao tempo, existem três títulos de Deus: Aquele-que-era (passado), Aquele-que-é (presente) e Aquele-que-vem (futuro).
Também no Apocalipse há uma referência bem clara aos signos:
Vi quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos, e ouvi o primeiro dos quatro Seres vivos dizer como o estrondo dum trovão: "Vem!" Vi então aparecer um cavalo branco, cujo montador tinha um arco. Deram-lhe uma coroa e ele partiu, vencedor e para vencer ainda.
Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo Ser vivo dizer: "Vem!" Apareceu então um outro cavalo, vermelho, e ao seu montador foi concedido o poder de tirar a paz da terra, para que os homens se matassem entre si. Entregaram-lhe também uma grande espada.
Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro Ser vivo dizer: "Vem!" Eis que apareceu um cavalo negro, cujo montador tinha na mão uma balança. Ouvi então uma voz, vinda do meio dos quatro Seres vivos, que dizia: "Um litro de trigo por um denário e três litros de cevada
por um denário! Quanto ao óleo e ao vinho, não causes prejuízo".
Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto Ser vivo que dizia: "Vem!" Vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu montador chamava-se "a Morte" e o Hades o acompanhava.
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 6, 1-8)
O montador com arco é o claramente o arqueiro de Sagitário (elemento Fogo). O montador que trazia uma balança também é simples de decifrar: Libra (o elemento Ar). O quarto selo se relaciona com o cavaleiro que traz a morte (é Escorpião com seu veneno, do elemento Água).
Resta um a interpretar, o montador ligado ao segundo selo, que parece estar um pouco mais oculto. Ele vem em um cavalo vermelho, portando uma espada, com o poder de tirar a paz na Terra. Vamos interpretar por exclusão: já encontramos os elementos Fogo, Ar e Água, e portanto que resta é Terra.
Vamos, também por exclusão, encontrar o signo correspondente. Já vimos Sagitário (o nono signo), Libra (o sétimo signo) e Escorpião (o oitavo signo). Minha melhor aposta é no signo de Capricórnio (o décimo signo), que diz respeito a sacrifícios e esforços concretos (possivelmente simbolizando a força do metal na espada), em busca de um ideal, estando relacionado ao elemento Terra.
Ou seja, uma das chaves para a interpretação do Apocalipse é a astrologia, e a astrologia está sendo condenada atualmente como, no mínimo, um misticismo infundado, principalmente dentro do cristianismo. A chave para a interpretação deste livro cristão é, cada vez mais, desestimulada. Mas será que, de fato, a astrologia é condenável? Ou será que é de interesse de alguns poucos que não se possua conhecimento, nem memória, e assim possamos ser manipulados mais facilmente? Mas o ponto neste post não é a astrologia em si. Trata-se na realidade da reflexão de como em uma época algo é considerado bom e até mesmo essencial, e em outra época torna-se condenável, malígno. Os conceitos mudam e desmudam de acordo com as conveniências de cada época. Inversões nos são apresentadas sem que as questionemos.
Uma das mudanças que a maior parte das pessoas nem sequer suspeita é que a divindade nem sempre foi um ser masculino, como parece tão natural acreditar hoje em dia. Na pré-história, principalmente porque as pessoas não sabiam explicar o mistério do nascimento (o porquê do ser humano nascer através das mulheres), as mulheres eram consideradas com assombro e reverência. Isso, principalmente nas sociedades agrícolas, que não se caracterizavam tanto pela caça, pois a caça era uma atividade preponderantemente masculina.
Levou muito tempo para que os homens percebessem que tinham participação na reprodução humana (os homens não sabiam que eram pais), o que ocorreu quase no final da pré-história (4000 a.C.), e quando o perceberam, empenharam-se em acabar por completo com a reverência às mulheres. No conceito que se criou então, o homem (apenas o homem) tinha a essência do novo ser em sua semente (o sêmen) e à mulher cabia ser fértil (tal como a terra deve ser fértil quando se planta nela uma semente). A posição política, religiosa, social e familiar das mulheres passou a ser secundária, inferior. E a divindade, que até então era Deusa nas sociedades agrícolas da pré-história, tornou-se Deus. Sim, foi uma mudança de sexo divina.
Quem começou a mudar esta desigualdade absurda foi um padre, Gregor Mendel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mendel) quando, no século XIX, fundou as bases da genética através de suas experiências com espécies vegetais, descobrindo que a informação genética de um novo ser é a combinação dos genes de ambos os gêneros (masculino e feminino). Dessa descoberta o conhecimento científico se transformou, bem como também o papel da mulher na sociedade humana, cada vez mais adquirindo condições de igualdade em relação ao homem. Porém, este equilíbrio está longe ainda de se tornar perfeito. Em muitas sociedades, as mulheres permanecem desvalorizadas e discriminadas. Às vezes também, buscando o equilíbrio, criam-se novos desequilíbrios. Enfim, estamos aprendendo a coexistir.
É importante desconfiarmos de toda forma de julgamento com base em valores absolutos que nos são passados, pois a verdade absoluta que nos oferecem pode ser apenas uma tentativa de manipulação, um véu sobre nossos olhos.
À frente do trono, havia como que um mar vítreo, semelhante ao cristal. No meio do trono" e ao seu redor estavam quatro Seres vivos, cheios de olhos pela frente e por trás. O primeiro Ser vivo é semelhante a um leão; o segundo Ser vivo, a um touro; o terceiro tem a face como de homem; o quarto Ser vivo é semelhante a uma águia em vôo. Os quatro Seres vivos têm cada um seis asas e são cheios de olhos ao redor e por dentro. E, dia e noite sem parar, proclamam: "Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus todo-poderoso, 'Aquele-que-era, Aquele-que-é e Aquele-que-vem'".
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 4, 6-8)
Neste trecho há referência a quatro seres vivos: o leão (astrologicamente ligado ao elemento Fogo), o touro (ligado ao elemento Terra), o homem (um pouco mais difícil de interpretar, que é ligado à emoção e ao sentimento, relacionando-se ambos com o elemento Água) e a águia (claramente o elemento Ar). Reforçando ainda mais o enfoque astrológico, que diz respeito ao tempo, existem três títulos de Deus: Aquele-que-era (passado), Aquele-que-é (presente) e Aquele-que-vem (futuro).
Também no Apocalipse há uma referência bem clara aos signos:
Vi quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos, e ouvi o primeiro dos quatro Seres vivos dizer como o estrondo dum trovão: "Vem!" Vi então aparecer um cavalo branco, cujo montador tinha um arco. Deram-lhe uma coroa e ele partiu, vencedor e para vencer ainda.
Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo Ser vivo dizer: "Vem!" Apareceu então um outro cavalo, vermelho, e ao seu montador foi concedido o poder de tirar a paz da terra, para que os homens se matassem entre si. Entregaram-lhe também uma grande espada.
Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro Ser vivo dizer: "Vem!" Eis que apareceu um cavalo negro, cujo montador tinha na mão uma balança. Ouvi então uma voz, vinda do meio dos quatro Seres vivos, que dizia: "Um litro de trigo por um denário e três litros de cevada
por um denário! Quanto ao óleo e ao vinho, não causes prejuízo".
Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto Ser vivo que dizia: "Vem!" Vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu montador chamava-se "a Morte" e o Hades o acompanhava.
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 6, 1-8)
O montador com arco é o claramente o arqueiro de Sagitário (elemento Fogo). O montador que trazia uma balança também é simples de decifrar: Libra (o elemento Ar). O quarto selo se relaciona com o cavaleiro que traz a morte (é Escorpião com seu veneno, do elemento Água).
Resta um a interpretar, o montador ligado ao segundo selo, que parece estar um pouco mais oculto. Ele vem em um cavalo vermelho, portando uma espada, com o poder de tirar a paz na Terra. Vamos interpretar por exclusão: já encontramos os elementos Fogo, Ar e Água, e portanto que resta é Terra.
Vamos, também por exclusão, encontrar o signo correspondente. Já vimos Sagitário (o nono signo), Libra (o sétimo signo) e Escorpião (o oitavo signo). Minha melhor aposta é no signo de Capricórnio (o décimo signo), que diz respeito a sacrifícios e esforços concretos (possivelmente simbolizando a força do metal na espada), em busca de um ideal, estando relacionado ao elemento Terra.
Ou seja, uma das chaves para a interpretação do Apocalipse é a astrologia, e a astrologia está sendo condenada atualmente como, no mínimo, um misticismo infundado, principalmente dentro do cristianismo. A chave para a interpretação deste livro cristão é, cada vez mais, desestimulada. Mas será que, de fato, a astrologia é condenável? Ou será que é de interesse de alguns poucos que não se possua conhecimento, nem memória, e assim possamos ser manipulados mais facilmente? Mas o ponto neste post não é a astrologia em si. Trata-se na realidade da reflexão de como em uma época algo é considerado bom e até mesmo essencial, e em outra época torna-se condenável, malígno. Os conceitos mudam e desmudam de acordo com as conveniências de cada época. Inversões nos são apresentadas sem que as questionemos.
Uma das mudanças que a maior parte das pessoas nem sequer suspeita é que a divindade nem sempre foi um ser masculino, como parece tão natural acreditar hoje em dia. Na pré-história, principalmente porque as pessoas não sabiam explicar o mistério do nascimento (o porquê do ser humano nascer através das mulheres), as mulheres eram consideradas com assombro e reverência. Isso, principalmente nas sociedades agrícolas, que não se caracterizavam tanto pela caça, pois a caça era uma atividade preponderantemente masculina.
Levou muito tempo para que os homens percebessem que tinham participação na reprodução humana (os homens não sabiam que eram pais), o que ocorreu quase no final da pré-história (4000 a.C.), e quando o perceberam, empenharam-se em acabar por completo com a reverência às mulheres. No conceito que se criou então, o homem (apenas o homem) tinha a essência do novo ser em sua semente (o sêmen) e à mulher cabia ser fértil (tal como a terra deve ser fértil quando se planta nela uma semente). A posição política, religiosa, social e familiar das mulheres passou a ser secundária, inferior. E a divindade, que até então era Deusa nas sociedades agrícolas da pré-história, tornou-se Deus. Sim, foi uma mudança de sexo divina.
Quem começou a mudar esta desigualdade absurda foi um padre, Gregor Mendel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mendel) quando, no século XIX, fundou as bases da genética através de suas experiências com espécies vegetais, descobrindo que a informação genética de um novo ser é a combinação dos genes de ambos os gêneros (masculino e feminino). Dessa descoberta o conhecimento científico se transformou, bem como também o papel da mulher na sociedade humana, cada vez mais adquirindo condições de igualdade em relação ao homem. Porém, este equilíbrio está longe ainda de se tornar perfeito. Em muitas sociedades, as mulheres permanecem desvalorizadas e discriminadas. Às vezes também, buscando o equilíbrio, criam-se novos desequilíbrios. Enfim, estamos aprendendo a coexistir.
É importante desconfiarmos de toda forma de julgamento com base em valores absolutos que nos são passados, pois a verdade absoluta que nos oferecem pode ser apenas uma tentativa de manipulação, um véu sobre nossos olhos.
domingo, 23 de setembro de 2012
A Bíblia e a Experiência Mística
Este
post pretende ser uma introdução da relação da Bíblia à experiência
mística nas mais diversas tradições. Há muito que se possa encontrar na
Bíblia para dar apoio à busca da sabedoria e do entendimento. Trata-se
da história de um povo escrita por diversas pessoas, mostrando suas
crenças, emoções, conflitos, leis, decisões políticas, poesia, críticas,
enfim..., um depoimento. Seria preconceituoso afirmar que não há valor
na Bíblia apenas porque muitos a utilizam mal, arraigando-se a conceitos
que precisam ser questionados e comumente não o são. Ao citar a Bíblia
aqui, neste post e em outros que eu o fizer, eu não estou assumindo de
forma alguma uma postura dogmática (o que seria totalmente contrário à
minha proposta). O que pretendo fazer de fato é não ter discriminação em
relação à Bíblia, da mesma forma que não pretendo ter em relação às
outras fontes, quando for útil referenciá-las. Eu acredito que a forma
mais benígna de se utilizar a Bíblia, assim como qualquer outra fonte,
seja continuar fazendo perguntas sinceras, e jamais aceitar respostas
sem que as tenhamos verificado e chegado por nossos próprios meios às
conclusões do que aceitamos ou não.
Especialmente no caso de Jesus, tratam-se de impressões que outras pessoas tiveram dele, uma vez que ele jamais escreveu sobre si mesmo. O que é uma pena porque as pessoas sempre percebem os fatos a partir dos filtros de seus próprios entendimentos. Para fazer tudo mais difícil, muitos evangelhos foram tornados apócrifos e destruídos. Ou seja, o filtro das impressões sobre Jesus tornou-se ainda mais fechado.
A ideia que vamos explorar, relacionada à experiência mística (e que procuraremos associações bíblicas) diz respeito a dois tipos de mudança possíveis em relação às pessoas. Uma se refere às atitudes externas, e a outra é a mudança interior, ligada às crenças individuais. Normalmente é mais fácil mudarmos nossas atitudes do que nossas crenças, especialmente quando percebemos ser conveniente transformá-las em função de situações concretas, tentando obter melhores resultados da realidade ao nosso redor. Já as mudanças interiores, estas são mais difíceis porque dependem de conseguirmos nos desligarmos dos incessantes eventos externos que concorrem para tirar a atenção de nosso próprio ser.
Quanto mais somos estimulados externamente, menor a chance de realizarmos a pausa que é necessária para uma transformação interna. Faz sentido, para aqueles que buscam uma transformação espiritual, optar pelo isolamento, tal como muitos monges o fazem, assim como padres, freiras, e outros praticantes das mais diversas religiões (embora o isolamento não seja o único meio de fazê-lo). Por esse ponto de vista, o trecho bíblico abaixo adquire um significado especial:
Então Jesus disse aos seus discípulos: "Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus".
Mateus (19, 23) - Bíblia de Jerusalém
Há um certo questionamento se trata-se de camelo ou corda (por uma questão de tradução), mas isto não é tão relevante a princípio. Essencialmente acredito que não haja algo errado em ser rico, a princípio. Não é essa a questão. Mas a transformação espiritual que é necessária justamente para começar o caminho é muito desfavorecida quando se é suscetível a uma ampla gama de estímulos.
De fato é, justamente com as pessoas que (intencionalmente ou não) passaram por privações, que a experiência mística ocorre mais frequentemente. Essa experiência é o contato com uma realidade que não é fisicamente aparente (transcendendo as relações físicas), embora essa realidade interaja e transforme os aspectos físicos sem que o percebamos. No que diz respeito a esta experiência, é difícil alguém se despojar ao ponto da mente entrar em repouso sem deixar-se perturbar, mas ainda assim isso pode ser feito, com uma grande dificuldade, pela parte das pessoas que se baseiam muito naquilo que possuem (ricas, conforme o termo bíblico). A Bíblia mesmo se refere a essa condição como uma dificuldade, não uma impossibilidade.
Mas qual exatamente é a importância de atingir este estado de repouso? É porque é aí (na percepção de si mesmo sem interferência do que é externo) que é criada a base para uma nova identidade, uma iniciação. Então segue um desenvolvimento interior e exterior que, com certeza, vai envolver também relações com o mundo físico, porém essa base inicial, esse renascer tem que ser realizado perfeitamente.
O trecho bíblico abaixo reforça ainda mais este aspecto da necessidade de ausência de estímulos (no caso, rejeição):
Disse-lhes então Jesus: "Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos'? Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que produza seus frutos".
Mateus (21, 42-43) - Bíblia de Jerusalém
Ainda sobre a iniciação, há um trecho bíblico neste sentido:
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: "Rabi, sabemos que vens da parte de Deus
como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele". Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus".
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?"
Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito".
Perguntou-lhe Nicodemos: "Como isso pode acontecer?"
Respondeu-lhe Jesus: "És o mestre de Israel e ignoras essas coisas? "Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso testemunho. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como ireis crer quando vos falar das coisas do céu?
João (3, 1-12) - Bíblia de Jerusalém
É muito útil (como exercício para ajudar a renovar as próprias ideias) rever os trechos bíblicos citados neste post, dentro de seus contextos específicos, e procurar analisá-los, comparando-os com os conceitos que foram apresentados.
Especialmente no caso de Jesus, tratam-se de impressões que outras pessoas tiveram dele, uma vez que ele jamais escreveu sobre si mesmo. O que é uma pena porque as pessoas sempre percebem os fatos a partir dos filtros de seus próprios entendimentos. Para fazer tudo mais difícil, muitos evangelhos foram tornados apócrifos e destruídos. Ou seja, o filtro das impressões sobre Jesus tornou-se ainda mais fechado.
A ideia que vamos explorar, relacionada à experiência mística (e que procuraremos associações bíblicas) diz respeito a dois tipos de mudança possíveis em relação às pessoas. Uma se refere às atitudes externas, e a outra é a mudança interior, ligada às crenças individuais. Normalmente é mais fácil mudarmos nossas atitudes do que nossas crenças, especialmente quando percebemos ser conveniente transformá-las em função de situações concretas, tentando obter melhores resultados da realidade ao nosso redor. Já as mudanças interiores, estas são mais difíceis porque dependem de conseguirmos nos desligarmos dos incessantes eventos externos que concorrem para tirar a atenção de nosso próprio ser.
Quanto mais somos estimulados externamente, menor a chance de realizarmos a pausa que é necessária para uma transformação interna. Faz sentido, para aqueles que buscam uma transformação espiritual, optar pelo isolamento, tal como muitos monges o fazem, assim como padres, freiras, e outros praticantes das mais diversas religiões (embora o isolamento não seja o único meio de fazê-lo). Por esse ponto de vista, o trecho bíblico abaixo adquire um significado especial:
Então Jesus disse aos seus discípulos: "Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus".
Mateus (19, 23) - Bíblia de Jerusalém
Há um certo questionamento se trata-se de camelo ou corda (por uma questão de tradução), mas isto não é tão relevante a princípio. Essencialmente acredito que não haja algo errado em ser rico, a princípio. Não é essa a questão. Mas a transformação espiritual que é necessária justamente para começar o caminho é muito desfavorecida quando se é suscetível a uma ampla gama de estímulos.
De fato é, justamente com as pessoas que (intencionalmente ou não) passaram por privações, que a experiência mística ocorre mais frequentemente. Essa experiência é o contato com uma realidade que não é fisicamente aparente (transcendendo as relações físicas), embora essa realidade interaja e transforme os aspectos físicos sem que o percebamos. No que diz respeito a esta experiência, é difícil alguém se despojar ao ponto da mente entrar em repouso sem deixar-se perturbar, mas ainda assim isso pode ser feito, com uma grande dificuldade, pela parte das pessoas que se baseiam muito naquilo que possuem (ricas, conforme o termo bíblico). A Bíblia mesmo se refere a essa condição como uma dificuldade, não uma impossibilidade.
Mas qual exatamente é a importância de atingir este estado de repouso? É porque é aí (na percepção de si mesmo sem interferência do que é externo) que é criada a base para uma nova identidade, uma iniciação. Então segue um desenvolvimento interior e exterior que, com certeza, vai envolver também relações com o mundo físico, porém essa base inicial, esse renascer tem que ser realizado perfeitamente.
O trecho bíblico abaixo reforça ainda mais este aspecto da necessidade de ausência de estímulos (no caso, rejeição):
Disse-lhes então Jesus: "Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos'? Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que produza seus frutos".
Mateus (21, 42-43) - Bíblia de Jerusalém
Ainda sobre a iniciação, há um trecho bíblico neste sentido:
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: "Rabi, sabemos que vens da parte de Deus
como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele". Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus".
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?"
Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito".
Perguntou-lhe Nicodemos: "Como isso pode acontecer?"
Respondeu-lhe Jesus: "És o mestre de Israel e ignoras essas coisas? "Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso testemunho. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como ireis crer quando vos falar das coisas do céu?
João (3, 1-12) - Bíblia de Jerusalém
É muito útil (como exercício para ajudar a renovar as próprias ideias) rever os trechos bíblicos citados neste post, dentro de seus contextos específicos, e procurar analisá-los, comparando-os com os conceitos que foram apresentados.
domingo, 16 de setembro de 2012
Libertando a Si Mesmo
Se
há um primeiro princípio, que considero básico, é o de que cada um deve
ser livre para ser o que deseja ser. Isso mesmo, mas observe que,
quando eu digo “ser” é um limite pessoal, afinal “Eu sou” não é o mesmo
que “Eu tenho” ou “Eu faço”. É simplesmente “Eu sou”. É o domínio de si
mesmo, das próprias ideias, desejos e sentimentos. Esse deveria ser um
domínio inviolável, sobre o qual a coletividade não tem precedência pois
o que uma pessoa pensa, ou deixa de pensar, diz respeito somente a si
mesma. É claro que nas etapas iniciais da vida, enquanto somos crianças
dependentes, é útil uma certa orientação na forma de se pensar, sendo
esta válida quando se tem o objetivo de se estabelecer condições seguras
enquanto se desenvolve a maturidade. No entanto, estas condições devem
ser removidas gradualmente, para que se possa exercer cada vez mais
autoridade e responsabilidade sobre a própria vida.
Para alguns, a definição de autoridade sobre a própria vida soa estranha. Estamos acostumados a sermos responsáveis porém, em diversas situações da vida, esta responsabilidade não é acompanhada de autoridade equivalente. Ou seja, precisamos responder pelos nossos atos mas não temos liberdade para decidir que atos são esses. A causa disso é que existem diferenças de status, alheias a nós, que com o tempo passamos a considerar quase como que naturais, mas não são naturais. É o poder, por exemplo, da religião quando impõe regras e não garante a satisfação das necessidades individuais. Mas, é claro, isso não diz respeito à religião apenas, mas a todo tipo de instituição que procura coibir a ação das pessoas sem procurar satisfazê-las verdadeiramente. E hoje em dia são muitas instituições que assumem esta postura. O problema é que toda essa ação institucionalizada percebeu que é mais fácil controlar a ação das pessoas quando as pessoas se deixam controlar não só nas suas atitudes, na sua forma de agir, mas também na sua forma de pensar. Assim, para muitos, as instituições são indiscutíveis, como que portando o direito divino e natural de serem o que são, tornando-se parte destes indivíduos, infiltrando-se dentro deles, tornando-se uma falsa imagem, o superego agredindo o ego, distorcendo-o, sem que este o perceba.
Não que o ego, essa nossa consciência em estado de vigília que nós temos, deveria ser muito importante em si. Há uma infinidade de respostas debaixo do limiar da consciência, além dos limites do ego. Mas o ser humano se torna mais fechado quando o ego bloqueia o inconsciente, e a forma mais comum de fazer isso é dando valor demais à algo que se considera verdadeiro, em detrimento de tudo o que mais que entra em conflito com essa pressuposta “verdade”. É uma forma das pessoas se tornarem estéreis, reduzindo cada vez mais suas possibilidades de realização, tornando-se insatisfeitas.
A insatisfação muitas vezes é acompanhada pela raiva. Quando contemplamos a raiva em nós mesmos, frequentemente a rejeitamos e também rejeitamos a nós mesmos por considerarmos esta reação instintiva como um sinal de imperfeição, de desequilíbrio. No entanto, o equilíbrio não é a ausência de opostos, e sim a harmonia entre opostos. O equilíbrio pressupõe em ser capaz de vivenciar plenamente toda a gama de capacidades humanas, de forma que estas se complementem. Nenhuma emoção ou atitude é completa em si mesma. É na pluralidade que a perfeição é possível. Entretanto a sociedade teima em valorizar algumas qualidades em detrimento de outras (que, muitas vezes, nem sequer considera como qualidades), tornando algumas virtuosas e outras tornando-as defeitos, ou vícios. Equilibrar-se não é se posicionar em um ou outro lado, e sim centrar-se. Esse “centrar-se” também não é viver o vazio de não viver coisa alguma, e sim explorar a riqueza de ser tudo aquilo que se pode ser.
Para alguns, a definição de autoridade sobre a própria vida soa estranha. Estamos acostumados a sermos responsáveis porém, em diversas situações da vida, esta responsabilidade não é acompanhada de autoridade equivalente. Ou seja, precisamos responder pelos nossos atos mas não temos liberdade para decidir que atos são esses. A causa disso é que existem diferenças de status, alheias a nós, que com o tempo passamos a considerar quase como que naturais, mas não são naturais. É o poder, por exemplo, da religião quando impõe regras e não garante a satisfação das necessidades individuais. Mas, é claro, isso não diz respeito à religião apenas, mas a todo tipo de instituição que procura coibir a ação das pessoas sem procurar satisfazê-las verdadeiramente. E hoje em dia são muitas instituições que assumem esta postura. O problema é que toda essa ação institucionalizada percebeu que é mais fácil controlar a ação das pessoas quando as pessoas se deixam controlar não só nas suas atitudes, na sua forma de agir, mas também na sua forma de pensar. Assim, para muitos, as instituições são indiscutíveis, como que portando o direito divino e natural de serem o que são, tornando-se parte destes indivíduos, infiltrando-se dentro deles, tornando-se uma falsa imagem, o superego agredindo o ego, distorcendo-o, sem que este o perceba.
Não que o ego, essa nossa consciência em estado de vigília que nós temos, deveria ser muito importante em si. Há uma infinidade de respostas debaixo do limiar da consciência, além dos limites do ego. Mas o ser humano se torna mais fechado quando o ego bloqueia o inconsciente, e a forma mais comum de fazer isso é dando valor demais à algo que se considera verdadeiro, em detrimento de tudo o que mais que entra em conflito com essa pressuposta “verdade”. É uma forma das pessoas se tornarem estéreis, reduzindo cada vez mais suas possibilidades de realização, tornando-se insatisfeitas.
A insatisfação muitas vezes é acompanhada pela raiva. Quando contemplamos a raiva em nós mesmos, frequentemente a rejeitamos e também rejeitamos a nós mesmos por considerarmos esta reação instintiva como um sinal de imperfeição, de desequilíbrio. No entanto, o equilíbrio não é a ausência de opostos, e sim a harmonia entre opostos. O equilíbrio pressupõe em ser capaz de vivenciar plenamente toda a gama de capacidades humanas, de forma que estas se complementem. Nenhuma emoção ou atitude é completa em si mesma. É na pluralidade que a perfeição é possível. Entretanto a sociedade teima em valorizar algumas qualidades em detrimento de outras (que, muitas vezes, nem sequer considera como qualidades), tornando algumas virtuosas e outras tornando-as defeitos, ou vícios. Equilibrar-se não é se posicionar em um ou outro lado, e sim centrar-se. Esse “centrar-se” também não é viver o vazio de não viver coisa alguma, e sim explorar a riqueza de ser tudo aquilo que se pode ser.
sábado, 8 de setembro de 2012
A Linha Tênue entre o Bem e o Mal
Uma
das questões mais comuns a respeito de se causar transformações na
realidade se refere a como optar conscientemente pelo bem ou pelo mal. A
explicação mais simples para esta questão, e excessivamente óbvia, é que uma ação benígna
causa o bem, e uma ação malígna causa o mal. Porém, apesar desta ser
uma definição simples, quando a observamos em detalhes, encontramos
diversos pontos questionáveis. Isso porquê frequentemente vivemos
situações em que impera a competição, onde o sucesso de um implica no
fracasso de outro, de forma que, se por um lado é realizado um bem para
alguém, por outro se realiza um mal para outra pessoa.
O bem puro, fora de condições competitivas, em muitas situações práticas, parece estar relacionado às situações de abnegação, as quais não são o interesse exclusivo da maioria das pessoas, pois praticamente todos desejam realizar algo para si mesmos. A primeira noção que surge é de que existe uma contradição intrínseca entre o bem do indivíduo e o bem coletivo. Se focalizarmos no bem do indivíduo, a coletividade se prejudica. Por outro lado, se focalizarmos apenas no bem coletivo, a individualidade se prejudica. Assim, temos um paradoxo e, se pretendemos nos sentir bem com nossas consciências, precisamos descobrir formas de transcendê-lo.
É claro que podemos optar por não agir intencionalmente, uma vez que não sabemos como lidar com esse paradoxo mas, dessa forma, apenas deixamos de agir conscientemente para agir inconscientemente, sem pensarmos nas consequências do que criamos. Agir assim é saber que se pode causar o mal e sedar a consciência para que as decisões se tornem mais fáceis. Porém isto não nos isenta de nossa responsabilidade, de termos de responder por nossos atos.
A partir de agora, os posts deste blog serão menores: mais reflexivos, menos conclusivos. Resolvi fazer desta forma porque as pessoas precisam de tempo para pensar, para relembrar suas experiências e para experimentarem. Não tenho interesse em escrever palavras finais e indiscutíveis, mesmo porquê o que estou expondo não é final, nem muito menos indiscutível. O melhor mesmo é que seja um diálogo. O único ponto neste diálogo que torno obrigatório é que as pessoas se identifiquem. Não acho justa a expressão protegida pelo anonimato. Afinal, se mostro minha cara também considero justo o mesmo tratamento,não é?
O bem puro, fora de condições competitivas, em muitas situações práticas, parece estar relacionado às situações de abnegação, as quais não são o interesse exclusivo da maioria das pessoas, pois praticamente todos desejam realizar algo para si mesmos. A primeira noção que surge é de que existe uma contradição intrínseca entre o bem do indivíduo e o bem coletivo. Se focalizarmos no bem do indivíduo, a coletividade se prejudica. Por outro lado, se focalizarmos apenas no bem coletivo, a individualidade se prejudica. Assim, temos um paradoxo e, se pretendemos nos sentir bem com nossas consciências, precisamos descobrir formas de transcendê-lo.
É claro que podemos optar por não agir intencionalmente, uma vez que não sabemos como lidar com esse paradoxo mas, dessa forma, apenas deixamos de agir conscientemente para agir inconscientemente, sem pensarmos nas consequências do que criamos. Agir assim é saber que se pode causar o mal e sedar a consciência para que as decisões se tornem mais fáceis. Porém isto não nos isenta de nossa responsabilidade, de termos de responder por nossos atos.
A partir de agora, os posts deste blog serão menores: mais reflexivos, menos conclusivos. Resolvi fazer desta forma porque as pessoas precisam de tempo para pensar, para relembrar suas experiências e para experimentarem. Não tenho interesse em escrever palavras finais e indiscutíveis, mesmo porquê o que estou expondo não é final, nem muito menos indiscutível. O melhor mesmo é que seja um diálogo. O único ponto neste diálogo que torno obrigatório é que as pessoas se identifiquem. Não acho justa a expressão protegida pelo anonimato. Afinal, se mostro minha cara também considero justo o mesmo tratamento,não é?
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Reflexões sobre o Tempo
Se há experiências que nos impressionam quando sonhamos, são aquelas vividas em sonhos específicos que nos revelam o futuro. Porém eu não me refiro àqueles sonhos meramente simbólicos para os quais, utilizando a imaginação e criando analogias, encontramos relações coincidentes com os fatos do mundo físico. Não estou negando que estes sonhos simbólicos são muitas vezes verdadeiros, mas o que me refiro como revelações do futuro são experiências vividas em sonhos que se repetem em detalhes quando estamos em estado de vigília, mesmo que isto ocorra meses ou anos após termos tido o sonho. Estes sonhos podem ser indícios de que o futuro existe de alguma forma, pois não poderíamos visualizar ou interagir com algo que não existe de fato. Ainda assim, apesar dos indícios, essa é uma conclusão apressada. O que é exatamente este futuro que percebemos nos sonhos? Será que a lembrança de um sonho que aconteceu em uma experiência em vigília não é apenas uma memória falsa, tal como a sensação de ter sonhado algo, sem que necessariamente se tenha sonhado de fato? Ou será que sonhamos tantas coisas que inevitavelmente deve existir um sonho que se iguale a algumas experiências que vivemos, por uma mera questão de coincidência?
Na verdade, a razão pode apontar diversas questões, todas igualmente pertinentes, porém ainda não é capaz de apresentar respostas à grande maioria delas. A ciência, que é talvez o expoente máximo da razão pura ao qual a humanidade já atingiu, cada vez amplia mais seu corpo de conhecimento a respeito do ser humano, e certamente evoluirá muito nesse sentido, em séculos ou milênios de pesquisa. Porém, como indivíduos, precisamos de um método que nos permita ampliar, validar e corrigir o conhecimento, de maneira que possamos aplicá-lo em nossas vidas, ou seja, de uma forma que seja humanamente possível fazê-lo no tempo de nossas vidas. Este método envolve obter uma prova pessoal, a partir das próprias experiências, cruzando observações objetivas, percebendo a si próprio, e enfim, utilizando todas as percepções físicas e não-físicas, avaliando também pensamentos e emoções de todos os tipos, além de fatos concretos. Nesta busca, qualquer dúvida merece ser analisada e todas as possibilidades precisam ser minuciosamente investigadas. Gradualmente um núcleo de ideias vai se tornar menos volátil, mais constantemente se mantendo apesar do incessante questionamento. Depois de um tempo, ideias se tornam atitudes, que se tornam atos e depois realizações. Isso significa que esta busca de conhecimento não é meramente teórica pois envolver viver, experimentando possibilidades e concluindo a partir dos resultados percebidos. Este é o motivo do que se expõe aqui não se tratar de conhecimentos que podem ser avaliados pela razão somente. Na realidade só podem ser compreendidos totalmente se vivenciados. O momento de se tentar, ou seja, de se correr o risco, é algo pessoal, porém é uma etapa necessária para se obter as provas pessoais e, certamente, há a possibilidade de falha. Este método é básico na realização de praticamente tudo que se expõe neste artigo e nos que o seguirão.
No que diz respeito às minhas experiências pessoais, eu tive diversos sonhos que se realizaram em detalhes, com uma frequência que variava de meses a anos entre um e outro. As situações muitas vezes eram sobre acontecimentos triviais mas que continham algo de fascinante por serem incomuns, às vezes envolvendo fatos inusitados no ambiente de trabalho e às vezes relacionados a pessoas desconhecidas que eu encontrei eventualmente e nunca a mais as vi de novo. No entanto, alguns sonhos envolviam situações mais complexas, onde surgiam resultados de projetos ou desafios que eu sequer imaginava que se tornariam reais na época em que eu os havia sonhado. Algumas vezes eram sonhos divididos em partes, dentro do mesmo sonho e, quando se tornaram reais, aconteceram também em partes, em momentos diferentes da minha vida mas que, apesar do intervalo de tempo entre si, relacionavam-se a um mesmo assunto, por assim dizer.
O que eu percebi de comum neles é que, dentro do sonho, eu chegava a notar que não era a realidade objetiva que eu vivia ali, ou seja, eu sabia que estava sonhando e ficava admirado com o que tinha sonhado. Nesse momento eu sentia que seria realmente interessante se aquele acontecimento tivesse ocorrido e manifestava esse sentimento, dizendo isso claramente no sonho. Depois de acordar eu não me lembrava do que tinha se passado na minha mente. Então se decorriam meses, às vezes anos, e aquele fato acontecia com precisão, na minha vida e, após tudo ter se concluído, eu lembrava do sonho, como se fosse uma mensagem sendo comunicada, mostrando a mim que algo havia sido feito desde o momento que eu tinha sonhado e até o fim daquele momento que tinha acontecido concretamente. O padrão era inicialmente o esquecimento após o sonho, até que acontecesse, e então eu me lembrava. Ou seja, para que o sonho se realizasse, ele precisava ser oculto de mim mesmo. Os sonhos que eram separados em partes, quando estes se tornavam reais, ocorriam em momentos separados da minha vida, embora relacionados entre si, e eu me lembrava de cada parte do sonho a medida que acontecia.
Particularmente, os sonhos que ocorreram em partes chamaram mais a minha atenção, justamente porque, por se tratarem de situações mais complexas, tinham uma probabilidade menor de ocorrer por simples coincidência. E, é claro, conforme mais sonhos deste tipo se repetiam, menor ainda era a probabilidade do mero acaso e aumentava a chance de ser algo mais. Porém esse "algo mais" poderia ser meu cérebro fabricando lembranças (imaginando-as) estimulado por sugestões da realidade ao meu redor. Eu encontrei a resposta a esta dúvida por causa de alguns sonhos em que pude lembrar de como terminariam antes que acontecessem por completo e, assim, fui capaz de antecipar o final de alguns acontecimentos reais, embora este tipo de sonho tenha sido mais raro. Dessa forma, eu obtive indícios ainda mais fortes de que não se tratava meramente de um exercício de imaginação. Foi assim que eu obtive uma prova pessoal de que é possível ver o futuro através dos sonhos.
Mas ficava a questão: o que é exatamente isso, ver o futuro? Será que o tempo é uma outra dimensão? Se partirmos da hipótese do tempo como dimensão real, primeiro é útil definir o que significa esta palavra: dimensão. Na física clássica, todo corpo (qualquer objeto, animal, pessoa, etc) é dimensionado em termos de largura, altura e profundidade. Tudo tem uma largura, uma altura e uma profundidade. Da mesma forma, pode-se localizar com precisão a posição espacial de um objeto específico através de coordenadas de largura, altura e profundidade. Pode-se ir para cima ou para baixo (variando-se a altura), ir para um lado ou para o outro (variando-se a largura), ou ir para frente ou para trás (variando-se a profundidade). Dois corpos não podem existir simultaneamente, nas mesmas coordenadas nestas três dimensões, ou seja, ambos ocupando a mesma largura, mesma altura e mesma profundidade porque, para isso, precisariam ocupar o mesmo lugar no espaço. Agora, se o tempo é uma dimensão real, então dois corpos podem ocupar sim a mesma posição no espaço, desde que existam em tempos diferentes (um existindo no presente e outro no passado, por exemplo). Essa é a teoria da quarta dimensão (da dimensão do tempo) e esta teoria implica na noção que tudo existe simultaneamente, em todos os tempos, jamais cessando de existir. O passado e o futuro seriam reais, não meras lembranças e possibilidades. Ver o futuro poderia significar acessar estes tempos. Mas será que isto é o que realmente ocorre?
Uma quarta dimensão é uma ideia sedutora. Todos nós já imaginamos algumas vezes, em nossas vidas, sobre o que faríamos se pudéssemos viajar para o passado ou para o futuro. Existe também muita ficção científica a este respeito, estimulando ainda mais a imaginação das pessoas. Na realidade, há muitas teorias científicas sobre o tempo, só que, até agora, a maior parte são meras teorias. A teoria da Relatividade, de Albert Einstein, se destaca entre as demais porque já há experimentos que a confirmam. Ainda assim, Einstein não via uma possibilidade de retorno no tempo. Na realidade, o ponto em que ele inovou foi perceber que o tempo pode passar mais rápido ou mais lento dependendo de certas condições (as quais não entram no mérito deste artigo). Assim, o ritmo da passagem do tempo não é uniforme no universo. O tempo tem um ritmo mais lento ou mais rápido mas, como nossa experiência diz respeito somente ao planeta Terra, onde há condições razoavelmente uniformes, parece a nós que o tempo é uniforme e constante. Para decepção de muitos que sonham com viagens temporais, na concepção de Einstein, como não existe o retorno no tempo, também não existe a dimensão do tempo, sendo real apenas o presente.
A ideia que me parece a mais sensata é a de que o tempo não é de fato uma dimensão pois, se o tempo fosse realmente uma dimensão, e se o futuro e o passado existissem de fato, de uma forma tão concreta quanto o presente existe, surgiriam pessoas e objetos vindos do futuro (sendo o tempo considerado como uma dimensão, você pode se deslocar tanto em um sentido como em outro, para o passado e para o futuro) e seria possível, até mesmo, encontrar uma versão futura de si próprio. Por nossas experiências triviais nós sabemos que isso não acontece pois nunca vimos algo surgir do nada. Nunca vimos um efeito surgir antes da causa.O que me parece ser a verdade é que o tempo é apenas um conceito abstrato, um ritmo de causas e efeitos, e o que há de concreto, de fato, é apenas o presente. Só que dentro do presente reside o passado como memória. E também dentro do presente reside o futuro, que é uma ideia ou intenção a respeito da possibilidade de realização de algo. Visualizar o futuro em um sonho é perceber uma ideia que, de alguma forma, irá se desenvolver e se tornar real.
Para a experiência vivida no sonho se tornar real, a ideia da mesma precisa se propagar para além dos limites físicos daquele que sonhou. Isso implica necessariamente no contato com algo que permeia a realidade, ampliando-se de tal forma que é capaz de influir sobre a mesma. Ou seja, deve haver uma rede de ressonância. Quanto mais complexos forem os sonhos que se tornam reais, mais abrangente e mais complexa é essa rede. Da forma inversa, se forem experiências simples do cotidiano que se tornam reais, este é um indicador de que se trata de uma rede pouco extensa ou muito simples.
A atitude em relação à rede de ressonância pode ser ativa ou passiva. A atitude é ativa quando a reação expressa no sonho, por parte daquele que sonha, interfere na realização do sonho, favorecendo (ou não) sua concretização. É de se supor que, neste tipo de relacionamento, o indivíduo tenha uma participação direta na concretização do sonho, pelo menos como um dos personagens que participa da trama principal.
Já em um relacionamento passivo, a reação do indivíduo não é importante e não interfere na concretização do sonho. Nesse caso, a participação individual na trama em desenvolvimento não é tão necessária. É importante mencionar que a passividade é sempre uma escolha. Se alguém se sente constrangido pelo contato com uma rede de ressonância, é possível lutar contra essa rede. O artigo Sonhos, deste blog, trata a esse respeito.
A rede de ressonância pode ser também expansiva, estagnada ou em retração. Se a rede de ressonância estiver se expandindo, seus efeitos serão cada vez mais eficientes e, provavelmente, o intervalo de tempo até a realização do sonho tenderá a se tornar menor. Por outro lado, se a rede estiver estagnada, irá se perceber pouco ou nenhum efeito em relação à sua eficiência e eficácia. E, na situação da rede estar em retração, ela se tornará cada vez menos eficiente e menos eficaz.
Existe também o aspecto do esquecimento até a realização do sonho. A rede de ressonância pode estar ligada a aspectos emocionais, destoantes das racionalizações da mente em vigília. A mente em vigília pode criar diversos obstáculos e estes obstáculos podem interferir na realização do sonho, isto principalmente quando o sonhador tem participação ativa nessa realização, ocupando um papel na mesma. Nesse caso, o esquecimento é necessário, para que a mente racional não interfira na realização do sonho.
É claro que a consciência do indivíduo pode se desenvolver, tornando-se cada vez mais unificada e congruente, de forma que a mente em estado de vigília já não mais se oponha à realização dos sonhos. Conforme este desenvolvimento ocorre, o indivíduo torna-se capaz de se lembrar dos sonhos, antes mesmo que a realização se conclua, antecipando o final do que ainda está por acontecer. E se a consciência continuar se desenvolvendo, é possível até mesmo mudar o final da realização dos sonhos, de tão ampla que será a harmonia entre o indivíduo e a rede de ressonância. O objetivo deste artigo e dos demais que se seguirão é auxiliar no desenvolvimento da consciência, conferindo cada vez mais às pessoas, o poder sobre o futuro de suas vidas.
Na verdade, a razão pode apontar diversas questões, todas igualmente pertinentes, porém ainda não é capaz de apresentar respostas à grande maioria delas. A ciência, que é talvez o expoente máximo da razão pura ao qual a humanidade já atingiu, cada vez amplia mais seu corpo de conhecimento a respeito do ser humano, e certamente evoluirá muito nesse sentido, em séculos ou milênios de pesquisa. Porém, como indivíduos, precisamos de um método que nos permita ampliar, validar e corrigir o conhecimento, de maneira que possamos aplicá-lo em nossas vidas, ou seja, de uma forma que seja humanamente possível fazê-lo no tempo de nossas vidas. Este método envolve obter uma prova pessoal, a partir das próprias experiências, cruzando observações objetivas, percebendo a si próprio, e enfim, utilizando todas as percepções físicas e não-físicas, avaliando também pensamentos e emoções de todos os tipos, além de fatos concretos. Nesta busca, qualquer dúvida merece ser analisada e todas as possibilidades precisam ser minuciosamente investigadas. Gradualmente um núcleo de ideias vai se tornar menos volátil, mais constantemente se mantendo apesar do incessante questionamento. Depois de um tempo, ideias se tornam atitudes, que se tornam atos e depois realizações. Isso significa que esta busca de conhecimento não é meramente teórica pois envolver viver, experimentando possibilidades e concluindo a partir dos resultados percebidos. Este é o motivo do que se expõe aqui não se tratar de conhecimentos que podem ser avaliados pela razão somente. Na realidade só podem ser compreendidos totalmente se vivenciados. O momento de se tentar, ou seja, de se correr o risco, é algo pessoal, porém é uma etapa necessária para se obter as provas pessoais e, certamente, há a possibilidade de falha. Este método é básico na realização de praticamente tudo que se expõe neste artigo e nos que o seguirão.
No que diz respeito às minhas experiências pessoais, eu tive diversos sonhos que se realizaram em detalhes, com uma frequência que variava de meses a anos entre um e outro. As situações muitas vezes eram sobre acontecimentos triviais mas que continham algo de fascinante por serem incomuns, às vezes envolvendo fatos inusitados no ambiente de trabalho e às vezes relacionados a pessoas desconhecidas que eu encontrei eventualmente e nunca a mais as vi de novo. No entanto, alguns sonhos envolviam situações mais complexas, onde surgiam resultados de projetos ou desafios que eu sequer imaginava que se tornariam reais na época em que eu os havia sonhado. Algumas vezes eram sonhos divididos em partes, dentro do mesmo sonho e, quando se tornaram reais, aconteceram também em partes, em momentos diferentes da minha vida mas que, apesar do intervalo de tempo entre si, relacionavam-se a um mesmo assunto, por assim dizer.
O que eu percebi de comum neles é que, dentro do sonho, eu chegava a notar que não era a realidade objetiva que eu vivia ali, ou seja, eu sabia que estava sonhando e ficava admirado com o que tinha sonhado. Nesse momento eu sentia que seria realmente interessante se aquele acontecimento tivesse ocorrido e manifestava esse sentimento, dizendo isso claramente no sonho. Depois de acordar eu não me lembrava do que tinha se passado na minha mente. Então se decorriam meses, às vezes anos, e aquele fato acontecia com precisão, na minha vida e, após tudo ter se concluído, eu lembrava do sonho, como se fosse uma mensagem sendo comunicada, mostrando a mim que algo havia sido feito desde o momento que eu tinha sonhado e até o fim daquele momento que tinha acontecido concretamente. O padrão era inicialmente o esquecimento após o sonho, até que acontecesse, e então eu me lembrava. Ou seja, para que o sonho se realizasse, ele precisava ser oculto de mim mesmo. Os sonhos que eram separados em partes, quando estes se tornavam reais, ocorriam em momentos separados da minha vida, embora relacionados entre si, e eu me lembrava de cada parte do sonho a medida que acontecia.
Particularmente, os sonhos que ocorreram em partes chamaram mais a minha atenção, justamente porque, por se tratarem de situações mais complexas, tinham uma probabilidade menor de ocorrer por simples coincidência. E, é claro, conforme mais sonhos deste tipo se repetiam, menor ainda era a probabilidade do mero acaso e aumentava a chance de ser algo mais. Porém esse "algo mais" poderia ser meu cérebro fabricando lembranças (imaginando-as) estimulado por sugestões da realidade ao meu redor. Eu encontrei a resposta a esta dúvida por causa de alguns sonhos em que pude lembrar de como terminariam antes que acontecessem por completo e, assim, fui capaz de antecipar o final de alguns acontecimentos reais, embora este tipo de sonho tenha sido mais raro. Dessa forma, eu obtive indícios ainda mais fortes de que não se tratava meramente de um exercício de imaginação. Foi assim que eu obtive uma prova pessoal de que é possível ver o futuro através dos sonhos.
Mas ficava a questão: o que é exatamente isso, ver o futuro? Será que o tempo é uma outra dimensão? Se partirmos da hipótese do tempo como dimensão real, primeiro é útil definir o que significa esta palavra: dimensão. Na física clássica, todo corpo (qualquer objeto, animal, pessoa, etc) é dimensionado em termos de largura, altura e profundidade. Tudo tem uma largura, uma altura e uma profundidade. Da mesma forma, pode-se localizar com precisão a posição espacial de um objeto específico através de coordenadas de largura, altura e profundidade. Pode-se ir para cima ou para baixo (variando-se a altura), ir para um lado ou para o outro (variando-se a largura), ou ir para frente ou para trás (variando-se a profundidade). Dois corpos não podem existir simultaneamente, nas mesmas coordenadas nestas três dimensões, ou seja, ambos ocupando a mesma largura, mesma altura e mesma profundidade porque, para isso, precisariam ocupar o mesmo lugar no espaço. Agora, se o tempo é uma dimensão real, então dois corpos podem ocupar sim a mesma posição no espaço, desde que existam em tempos diferentes (um existindo no presente e outro no passado, por exemplo). Essa é a teoria da quarta dimensão (da dimensão do tempo) e esta teoria implica na noção que tudo existe simultaneamente, em todos os tempos, jamais cessando de existir. O passado e o futuro seriam reais, não meras lembranças e possibilidades. Ver o futuro poderia significar acessar estes tempos. Mas será que isto é o que realmente ocorre?
Uma quarta dimensão é uma ideia sedutora. Todos nós já imaginamos algumas vezes, em nossas vidas, sobre o que faríamos se pudéssemos viajar para o passado ou para o futuro. Existe também muita ficção científica a este respeito, estimulando ainda mais a imaginação das pessoas. Na realidade, há muitas teorias científicas sobre o tempo, só que, até agora, a maior parte são meras teorias. A teoria da Relatividade, de Albert Einstein, se destaca entre as demais porque já há experimentos que a confirmam. Ainda assim, Einstein não via uma possibilidade de retorno no tempo. Na realidade, o ponto em que ele inovou foi perceber que o tempo pode passar mais rápido ou mais lento dependendo de certas condições (as quais não entram no mérito deste artigo). Assim, o ritmo da passagem do tempo não é uniforme no universo. O tempo tem um ritmo mais lento ou mais rápido mas, como nossa experiência diz respeito somente ao planeta Terra, onde há condições razoavelmente uniformes, parece a nós que o tempo é uniforme e constante. Para decepção de muitos que sonham com viagens temporais, na concepção de Einstein, como não existe o retorno no tempo, também não existe a dimensão do tempo, sendo real apenas o presente.
A ideia que me parece a mais sensata é a de que o tempo não é de fato uma dimensão pois, se o tempo fosse realmente uma dimensão, e se o futuro e o passado existissem de fato, de uma forma tão concreta quanto o presente existe, surgiriam pessoas e objetos vindos do futuro (sendo o tempo considerado como uma dimensão, você pode se deslocar tanto em um sentido como em outro, para o passado e para o futuro) e seria possível, até mesmo, encontrar uma versão futura de si próprio. Por nossas experiências triviais nós sabemos que isso não acontece pois nunca vimos algo surgir do nada. Nunca vimos um efeito surgir antes da causa.O que me parece ser a verdade é que o tempo é apenas um conceito abstrato, um ritmo de causas e efeitos, e o que há de concreto, de fato, é apenas o presente. Só que dentro do presente reside o passado como memória. E também dentro do presente reside o futuro, que é uma ideia ou intenção a respeito da possibilidade de realização de algo. Visualizar o futuro em um sonho é perceber uma ideia que, de alguma forma, irá se desenvolver e se tornar real.
Para a experiência vivida no sonho se tornar real, a ideia da mesma precisa se propagar para além dos limites físicos daquele que sonhou. Isso implica necessariamente no contato com algo que permeia a realidade, ampliando-se de tal forma que é capaz de influir sobre a mesma. Ou seja, deve haver uma rede de ressonância. Quanto mais complexos forem os sonhos que se tornam reais, mais abrangente e mais complexa é essa rede. Da forma inversa, se forem experiências simples do cotidiano que se tornam reais, este é um indicador de que se trata de uma rede pouco extensa ou muito simples.
A atitude em relação à rede de ressonância pode ser ativa ou passiva. A atitude é ativa quando a reação expressa no sonho, por parte daquele que sonha, interfere na realização do sonho, favorecendo (ou não) sua concretização. É de se supor que, neste tipo de relacionamento, o indivíduo tenha uma participação direta na concretização do sonho, pelo menos como um dos personagens que participa da trama principal.
Já em um relacionamento passivo, a reação do indivíduo não é importante e não interfere na concretização do sonho. Nesse caso, a participação individual na trama em desenvolvimento não é tão necessária. É importante mencionar que a passividade é sempre uma escolha. Se alguém se sente constrangido pelo contato com uma rede de ressonância, é possível lutar contra essa rede. O artigo Sonhos, deste blog, trata a esse respeito.
A rede de ressonância pode ser também expansiva, estagnada ou em retração. Se a rede de ressonância estiver se expandindo, seus efeitos serão cada vez mais eficientes e, provavelmente, o intervalo de tempo até a realização do sonho tenderá a se tornar menor. Por outro lado, se a rede estiver estagnada, irá se perceber pouco ou nenhum efeito em relação à sua eficiência e eficácia. E, na situação da rede estar em retração, ela se tornará cada vez menos eficiente e menos eficaz.
Existe também o aspecto do esquecimento até a realização do sonho. A rede de ressonância pode estar ligada a aspectos emocionais, destoantes das racionalizações da mente em vigília. A mente em vigília pode criar diversos obstáculos e estes obstáculos podem interferir na realização do sonho, isto principalmente quando o sonhador tem participação ativa nessa realização, ocupando um papel na mesma. Nesse caso, o esquecimento é necessário, para que a mente racional não interfira na realização do sonho.
É claro que a consciência do indivíduo pode se desenvolver, tornando-se cada vez mais unificada e congruente, de forma que a mente em estado de vigília já não mais se oponha à realização dos sonhos. Conforme este desenvolvimento ocorre, o indivíduo torna-se capaz de se lembrar dos sonhos, antes mesmo que a realização se conclua, antecipando o final do que ainda está por acontecer. E se a consciência continuar se desenvolvendo, é possível até mesmo mudar o final da realização dos sonhos, de tão ampla que será a harmonia entre o indivíduo e a rede de ressonância. O objetivo deste artigo e dos demais que se seguirão é auxiliar no desenvolvimento da consciência, conferindo cada vez mais às pessoas, o poder sobre o futuro de suas vidas.
Assinar:
Postagens (Atom)