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sábado, 18 de maio de 2013

Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos

Conforme prometi na semana passada, hoje eu vou abordar o significado do número 1 dentro de um sistema de numerologia de 18 símbolos (ou 18 números). Nós viemos definindo as bases para esse sistema desde o post Algumas Bases Numerológicas (onde eu demonstrei o porquê de termos chegado a estes símbolos). Então, após eu ter demonstrado uma forma de experimentação da numerologia utilizando datas de nascimento (no post Verificando Afinidades Entre as Pessoas Através da Numerologia), eu procurei demonstrar como a numerologia de 18 símbolos pode ser relevante dentro do caminho do mago (no post Goécia: Refletindo Sobre o que Marginalizamos no Subconsciente), porém não que seja exclusiva deste caminho.

O número 1 representa o princípio: o começo de uma nova iteração de um ciclo. Assim, dentro de um ciclo, este número é um marco que estabelece o ponto em que um significado anterior já passou (a iteração do ciclo que findou no número 18) e onde uma nova iteração já está ocorrendo, com significado próprio, mesmo que este significado não possa ser ainda compreendido em toda sua extensão. No número 1 já existe o fundamento do que se sucederá após ele através dos próximos números, porém ainda se trata de algo potencial que ocorre principalmente em um âmbito pessoal. É o princípio da consciência se expandindo como que amparada por uma nova estruturação se formando. Em adição aos atributos citados, devemos lembrar também que o número 1 tem uma natureza cardinal, a qual busca criar algo novo, produzindo a ação neste sentido. Dessa forma, sua função não é sustentar algo, nem destruir, e sim causar uma mudança.

No caminho do mago o número 1 vai se repetir várias vezes (assim como os demais números), mas a iteração mais marcante é a experiência de iniciação com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação da Magia para verificar meus pontos de vista pessoais neste sentido). Observe que a iniciação possui todos os atributos deste número, afinal trata-se de um marco onde o significado anterior se concluiu (o que correspondeu ao período de congruência interior, até a iniciação) e um novo significado está sendo descoberto. Este significado será descrito em outros posts, os quais o discriminarão detalhe por detalhe e, no final, vamos obter uma síntese. A iniciação também é ressonante com o número 1 no sentido de que ela representa o começo da construção de um novo fundamento para a consciência do mago, o qual ainda não pode ser completamente apreendido quando a mesma ocorre, mas que determinará todo o caminho que será seguido a partir dali.

Quando alguém nasce em uma data ressonante com este número, os atributos deste se identificam com a personalidade da pessoa (o que acontece também com qualquer outro número ressonante a uma data de nascimento específica). É uma associação à personalidade (mais especificamente o ego, que diz respeito à forma de pensar e agir de maneira geral) e não aos efeitos que esta personalidade causa. Estes efeitos podem ser verificados através de previsões numerológicas que têm a possibilidade inclusive de serem combinadas a um mapa astrológico. Porém estes são temas que eu vou abordar bem mais para frente no blog. Por ora, vamos nos concentrar em compreender o que significam estes números. No caso do número 1, quando se identifica com a personalidade de uma pessoa, ele a estimula a ser idealista, com a visão direcionada para uma transformação futura. São pessoas que trazem esta transformação dentro de si e que buscam causá-la no mundo, embora não sejam capazes de compreender todas as implicações desta transformação.

No post Verificando Afinidades Entre as Pessoas Através da Numerologia foi realizado um teste de afinidades com base em um sistema numerológico de 9 símbolos associado às datas de nascimento, o que não é eficaz para identificar qual número é ressonante à sua data de nascimento utilizando o sistema de 18 símbolos que estamos abordando. Eu vou realizar aqui um exemplo, com minha própria data de nascimento através de um método pouco comum (que utiliza divisão ao invés de puramente somar), mas eficaz. No meu caso eu nasci em 01/06/1970. Para realizar o cálculo, devem ser executados os seguintes passos:
1. Some dia, mês e ano. No meu caso é 1 + 6 + 1970, que resulta em 1977.
2. Execute a divisão por 18, isolando o resto. No meu caso, a divisão de 1977 por 18 resulta em 109 com 15 de resto.
Observação: Se você utilizar uma calculadora, não é tão simples obter o resto. 1977 dividido por 18 resultaria, nesse caso em 109,8333333333. Nesta situação, para saber o resto, mutiplique somente a parte após a vírgula (0,8333333333) por 18, o que no meu caso resulta em 15. Se não houver número algum após a vírgula, o resto é 0.
3. Finalmente, se o resto for diferente de 0, o resto é o número ressonante à sua data de nascimento. Se o resto for 0, então o número é 18. Veja que, no meu caso, eu obtive o número 15 (na numerologia, com um sistema de 9 dígitos, eu obteria 6, o que é o mesmo que 1 mais 5).

É claro que estamos no primeiro número, o que infelizmente significa que vamos levar um bom tempo para estudarmos todos os números de 1 a 18. Porém, se desejar conhecer mais sobre seu número, entre em contato por e-mail e eu terei prazer em lhe passar mais dados (pmeneghjr@gmail.com).

Lembre-se que este número está relacionado ao seu ego, que diz respeito à sua forma usual de pensar e agir. Algumas pessoas confundem a forma pessoal de pensar e agir com a forma com que lidam no trabalho, ou que lidam com o amor, ou com os amigos, ou com a própria agressividade, etc. Na realidade estes são aspectos distintos da personalidade humana que algumas vezes são ressonantes e outras não. Na semana que vem eu vou propor um exercício prático para ajudá-lo a perceber como estes aspectos se integram dentro de você, complementando-se ou gerando atritos.

sábado, 27 de abril de 2013

Algumas Bases Numerológicas

Na experiência de contato com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia), há uma comunhão com o Círculo que representa a consciência da própria divindade (veja o post O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar). Não que a divindade esteja isolada neste Círculo, pois na realidade ela está presente em tudo, e é tudo. Na verdade o Círculo simplesmente abrange a consciência desta divindade, ao passo que aquilo que se distancia dele representa a inconsciência da mesma. Mas, enfim, quando a iniciação ocorre, comunga-se com a essência deste Círculo, a qual é a busca da pura e plena realização de si e de tudo o mais, uma vez que, em essência, a divindade nada nega e a tudo afirma, inclusive afirmando o mago. Assim, a partir daquele momento, mesmo que não se esteja plenamente consciente disso, o mago passa a buscar a realização de si mesmo.

Mas, numa realidade de aparentes contradições de interesses, é um pouco difícil compreender como a busca da realização de si mesmo pode estar em harmonia com tudo o que há. Afinal, se busco meu interesse, não estou negando o interesse alheio imediatamente oposto ao meu? A resposta é que esta é uma busca gradual, sempre impulsionada primeiramente pelo amor a um ideal e, depois, pela necessidade de realizar algo. É a disposição de sacrificar-se, de devotar a própria vida com sinceridade, que acaba por determinar o mérito e até onde se poderá prosseguir nesse caminho. Se a motivação for fútil, o caminho será curto, se sequer começar. Há um momento em que se fica satisfeito com o ponto em que se chegou, ou se conquistou. Ou então, os desafios parecem grandes demais e a vantagem de permanecer como se está parece muito sedutora.

Não se pode fingir ter um ideal. A vida se apresenta muitas vezes atraente e ambígua, e fazemos escolhas, mesmo sem percebermos. Mas é quando aceitamos algo como maior do que nós mesmos, como por exemplo, a percepção da natureza como um todo e a importância de protegê-la, ou algo mais singelo como o amor a um filho ou filha e a disposição de protegê-lo(a) sacrificando-se, que torna alguém dígno de prosseguir no caminho da magia. Esta é a chave para harmonizar a realização de si mesmo com a realização de tudo o mais: o amor. Quando se ama a realização alheia é também a própria realização. Dessa forma o amor sempre faz parte da vida do mago: por uma causa, pelo cônjuje, pelos filhos, pela natureza, etc. Frequentemente diversas formas de amor juntas.

Tendo isso em mente, é possível afirmar quando um mago começou seu caminho (no momento de seu encontro com o Sagrado Anjo Guardião), mas não se sabe até onde ele prosseguirá. No entanto, existe um padrão que se repete sucessivamente neste caminho. São três ações básicas (cujos termos vou emprestar aqui da astrologia):
- cardinal: representando o esforço para se criar algo novo. É a busca de um objetivo mesmo quando ainda nada se tem em mãos;
- fixa: representando o esforço para consolidar algo que já se criou mas que necessita de raízes fortes e profundas;
- e mutável: representando o esforço para desvencilhar-se de algo que se fixou tanto a ponto de estagnar-se, quebrando padrões antes firmemente estabelecidos.

Estas ações são cíclicas e são cada vez mais perceptíveis no caminho do mago, embora no começo ele ainda não as compreenda. Na realidade eu levei muito tempo para compreender este ciclo e, assim, senti-lo e começar a antecipá-lo. Foram-se alguns anos até então. Mas eu estou colocando no meu blog muito de minha própria história e não tem como contar algo sem dar sentido ao que se está contando. Compreender os ciclos é importante para apreender este sentido. Uma metáfora para se entender a natureza destes são as estações do ano: sempre passamos por elas, sempre vivemos mês após mês, e cada mês tem suas próprias qualidades.

Ainda sobre os padrões que foram definidos (cardinal, fixo e mutável), estes representam as experiências do mago com sua própria Sombra (o que lhe é oculto de sua mente consciente - veja o post Expandindo a Consciência Além do Ego). Mas embora estes padrões sejam verdadeiros, são pouco úteis para compreendermos a natureza de cada parte deste ciclo no caminho do mago, podendo ser divididos em categorias mais específicas. No entanto, quantas são estas categorias? Vamos fazer alguns testes agora.

Os três padrões desdobrados em dois cada um, seriam um total de seis símbolos (3 vezes 2). Mas são suficientes? A prática mostra que não quando tentamos interpretar a situações práticas apenas com seis símbolos.

E se desdobrássemos os três padrões originais em outros grupos de três, então teríamos nove símbolos (3 x 3). Esta é a base da numerologia contemporânea onde o zero é ignorado e são considerados os algarismos de 1 a 9.

Mas ainda existe uma certa duplicidade de sentido em cada um destes nove algarismos (eles podem significar uma de duas coisas, o que não é muito específico). Para sermos mais específicos, vamos desdobrar cada um destes nove símbolos em dois, resultando dezoito símbolos (9 x 2), sendo que cada um terá um sentido bem nítido. Ou seja:

- 1 desdobrado = 1 mesmo e também 10 (1+0=1);
- 2 desdobrado = 2 mesmo e também 11 (1+1=2);
- 3 desdobrado = 3 mesmo e também 12 (1+2=3);
- 4 desdobrado = 4 mesmo e também 13 (1+3=4);
- 5 desdobrado = 5 mesmo e também 14 (1+4=5);
- 6 desdobrado = 6 mesmo e também 15 (1+5=6);
- 7 desdobrado = 7 mesmo e também 16 (1+6=7);
- 8 desdobrado = 8 mesmo e também 17 (1+7=8);
- 9 desdobrado = 9 mesmo e também 18 (1+8=9).

Vamos utilizar então uma numerologia de 18 símbolos. Eu não pretendo falar sobre todos eles muito rapidamente. De fato, nos posts que seguirão, eu vou procurar intercalar a definição dos mesmos (um a um) com outros fatos que estejam relacionados. Isto tudo será com o tempo, porém no próximo post (na semana que vem) eu vou colocar algumas curiosidades numerológicas: testes que você pode realizar por si só e começar a “brincar” com a numerologia.

Desculpem-me a linguagem matemática deste post que lhes apresento agora, mas eu julguei importante colocar essa sequência de raciocínio. Eu devo lhes dizer que, de tempos em tempos, eu vou precisar falar com este tipo de jargão. Mas vou fazer um esforço para ser claro.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A Maturação do Inconsciente

Ultimamente eu tenho falado a respeito daquela que seria a experiência de contato com o SAG (Sagrado Anjo Guardião) ou HGA (que é o termo em inglês) ou KIA (usando a terminologia do Austin Osman Spare na Magia do Caos), sempre com a ressalva de que estes termos são apenas rótulos. Eu procurei definir esta experiência tanto de uma forma impessoal (O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar) como também passando um relato pessoal (Falando de Minha Própria Iniciação na Magia), sendo que estes dois posts pretendem descrever até o momento em que se tem a comunhão com o SAG. Anteriormente eu vim escrevendo sobre como explorar o subconsciente, com alguns princípios para se criar uma verdadeira rede de ressonâncias interiores. A questão é: o que acontece com esta rede que foi desenvolvida? O que vem depois?

Como eu coloquei no meu relato pessoal, o que se passou foi algo muito intenso e foi de fato uma congruência tanto minha quanto de toda a rede de ressonância que eu estava criando. Quando essa congruência aconteceu, foi como se aquela percepção daquele Círculo maior se espalhasse por toda essa rede interna, deixando uma imagem deste Círculo dentro de mim. Da mesma forma, uma imagem minha se formou também, mais nitidamente, só que na consciência que forma o Círculo (ou seja, no Cìrculo em si). Daí o fato de que, apesar daquele estado de consciência que durou alguns minutos ter passado, ainda assim meu caminho na magia foi totalmente reorientado por aquela experiência. Eu só consigo entender isso como uma mudança de dois lados, de forma que eles se aproximem cada vez mais, por ambos terem sido mudados.

Essa não é, de forma alguma uma vivência única, de poucas pessoas. Muitos a tiveram e muitos a continuam tendo. De fato, quando se fala em magia, em tornar-se um mago, ela é primordial. É o primeiro passo: a iniciação. Por mais especial que ela possa parecer (e é), ela é só o princípío e as pessoas não deveriam estranhá-la ou mistificá-la. Mas, ainda assim, o princípio é importante porque sem ele o restante não se segue e, falando nisso, o que vem logo em seguida é a maturação do relacionamento com a rede de ressonância que se veio criando, e é sobre isso que eu pretendo começar a escrever a partir de agora. Eu vou deixar o contato com o SAG de lado por um tempo, mencionando talvez apenas eventualmente, quando for apropriado. Afinal não há porquê ficar prolongando demais a narração de um momento específico. A partir de agora, eu vou me concentrar por um bom tempo na relação com a rede de ressonância que havia sido criada antes deste contato, enfocando como esta relação muda.

Depois da intensidade da congruência, que pode ser comparada a uma “descarga de energia” interior, a rede de ressonância se acalma, e os próprios propósitos individuais do mago se acalmam também. Isso porque, depois do impacto, deve vir uma maturação e uma reestruturação. Isso leva vários anos e é comparativamente bem mais agradável do que o estágio inicial de busca da congruência interna (embora tenha seus nuances, às vezes mais prazerosos e às vezes menos). Já de início, os conflitos que se sentia até então são aliviados, em parte porque a rede de ressonância interna do mago já produz alguns futos concretos (embora de uma forma um tanto que autônoma), mas também porque, em outra instância, no Círculo em que o mago se iniciou, também ficou mais nítida a marca do mago em si, e este Círculo toca toda a realidade. Assim na Terra como no Céu. Ou, o que está acima é como o que está abaixo.

sábado, 23 de março de 2013

Falando de Minha Própria Iniciação na Magia

Eu não sei até que ponto uma experiência pessoal pode servir como parâmetro para outra pessoa no que diz respeito ao momento de comunhão com o SAG (Sagrado Anjo Guardião), ou HGA (Holy Guardian Angel) ou KIA (na terminologia de Austin Osman Spare, quando introduziu a Magia do Caos). De qualquer forma, eu pretendo expor hoje minha própria experiência.


Meu primeiro motivo para fazê-lo agora é porque eu acredito que é o que vem melhor na sequencia após o post anterior (O Maior Círculo em que Alguém Pode se iniciar). Não que esta experiência seja uma meta final em si. Na realidade ela é justamente o oposto de uma meta final, pois trata-se da criação de um fundamento para tudo o mais, e tê-la é apenas a primeira realização concreta. No meu caso foi minha primeira operação mágica depois de aproximadamente três anos buscando que acontecesse. A data exata foi em 09/01/2001. E o segundo motivo é que futuramente eu prentendo me referir a este post para colocá-lo dentro de um outro contexto. A verdade é que eu só pude compreender o que havia vivido com o passar dos anos. Assim, eu pretendo introduzir este e outros temas de maneira gradual.


A maior dificuldade que eu sentia até aquela data era congruir a minha realização pessoal com a realização do universo ao meu redor. Não conseguia me convencer de que ambas eram compatíveis. Oscilava entre duas polaridades: egoísmo e altruísmo. Pior ainda, quando eu refletia sobre uma definição mais abrangente do que são os seres que existem (que são o divino se expressando, pois tudo é expressão divina), e considerava o mero fóton de luz, passando pelas partículas que formam o átomo, passando pelas moléculas, passando pelas células, passando por seres multicelulares. Seres, formados por seres, que devem igualmente se realizar, pois nenhum é maior que o outro. E a complexidade aumentava quando eu pensava nas complicações que as pessoas causam umas às outras. No meio de tudo isso, quando eu me focalizava em meus próprios objetivos, na minha própria realização que eu queria causar, eu me sentia como que buscando oprimir a realização de tudo o mais, sentia-me indígno. Sentia-me egoísta e tentava transcender este sentimento. Tentava encontrar algo que me congruiria e me harmonizaria, já cansado após anos de busca, mas não desistindo. Foi então que eu entendi que a resposta era pura e simplesmente a realização de tudo (eu, você, e tudo o mais, afinal somos parte de tudo), por mais que isso parecesse contraditório à minha compreensão: a realização até mesmo do que se opõe à própria divindade (os ateístas que tentam negá-la, por exemplo, ou então pessoas com conceitos contrários à essência da divindade). Ou seja, um profundo respeito a tudo. A aceitação de tudo. Essa era então a essência divina, da forma que eu percebia e, mesmo não sabendo como poderia ser possível que fosse real, eu a aceitei, sem compreendê-la, muito angustiado, e caí no sono.


Eu sonhei que um demônio me levava fraco, rendido, sobre suas costas. E eu simplesmente disse “Que eu me realize plenamente”. Só que este “eu” simbolizava muito mais do que um indivíduo à parte de tudo. O “eu” já não estava mais dissociado de tudo o mais. Essa era a essência que eu tinha aceitado. No sonho eu me explodi em pura luz enquanto estava deitado, rendido nas costas do demônio. E então, de repente, estava de pé, no meio do vazio, com tudo pronto para começar a construir. Nos dias que se seguiram, eu não sustentei aquela consciência que eu havia obtido naqueles minutos, mas bastou tê-la atingido para que eu alcançasse aquilo que vinha buscando. Quando eu acordei, eu sabia que tinha ocorrido.


Foi meu encontro com o SAG, ou HGA, ou KIA, conforme se queira dizer. Dá para perceber que não tem nada a ver com o que as pessoas pensam quando imaginam algo como um Sagrado Anjo Guardião. Cada um percebe de uma forma. E sempre tem alguma coisa muito pessoal e íntima, que não dá para colocar em um relato como este. Eu já ouvi o relato de uma pessoa que atingiu esta congruência de uma forma diferente. Por isso, esta experiência talvez valha como um exemplo, mas não como um modelo. A verdade é que, mesmo a essência, que eu percebi, da divindade é um ponto de vista pessoal, resultado de toda aquela congruência que eu vinha realizando em alguns anos e, certamente, ela é percebida de forma diferente por pessoas diferentes.

sábado, 16 de março de 2013

O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar

No post Preparando-se para Iniciar-se como um Mago, eu coloquei algumas considerações a respeito da iniciação, a qual significa passar a comungar com uma egrégora, tornando-se parte de um círculo, entendendo por círculo algo que une e protege o que está dentro de si, de uma forma distinta daquilo que está fora do mesmo, existindo uma infinidade de egrégoras (formas-pensamento, ou redes de ressonâncias criadas por uma coletividade de seres). Hoje em dia, o termo Mago tem múltiplas conotações, de forma que há os que se consideram magos brancos ou magos negros, e outros um tanto indiferentes a estas classificações, principalmente no que diz respeito a muitos magos do caos. No entanto, existe uma acepção mais nobre desta palavra e simplesmente fazer parte de uma egrégora não qualifica alguém neste sentido.

Na verdade há um Círculo maior, cuja natureza eu já comecei a discutir no post Quando Tudo é Divino: um Universo sem Criador e sem Criatura, onde coloquei o postulado de que a divindade está em tudo, e assim de fato tudo é a divindade, de forma que não existe nada que não a seja. A totalidade do que existe pode ser comparada a um organismo e, neste organismo, cada parte tem funções distintas. Se pensarmos neste como o ser humano, o Círculo seria o centro da consciência, o cérebro por assim dizer. A iniciação em relação a este Círculo, esta sim, é o que caracteriza um verdadeiro mago. Não que esta iniciação seja exclusiva, mas ela deve ser a base para as demais. Quando esta fundamenta o desenvolvimento na magia, tudo o mais que se segue é essencialmente branco.

A essência do Círculo é incognoscível se tentarmos dissecá-la em partes lógicas menores, tentando assim detalhar toda sua estrutura. O motivo é que não se trata de uma construção estagnada, sendo na realidade um objetivo constante, um ideal, sempre aliado à criatividade e inteligência em movimento. O fato é que todos os pontos do universo são perceptivos ao universo inteiro, com cada ponto sentindo este universo, mesmo que inconscientemente. Assim, todo o universo encontra-se representado em todas as partes que o formam. O que está acima é como o que está abaixo. Ou, tal como na oração cristã, assim na Terra como no Céu. Dentro de cada parte, representa-se a totalidade (a essência de cada parte é, dessa forma, a totalidade). Ou seja, a essência de tudo o que há é tudo o que há. Esta mesma essência, quando criou sinergias em si mesma, criou o Círculo. A consciência brotou da inconsciência (que era consciência potencial).

Hà um conceito de vida que vai além dos processos biológicos. Tudo é energia e consciência em potencial. Quando esta energia se organiza, a consciência se organiza. A partícula que faz um átomo é um ser em si, da mesma forma que o átomo é um ser em si, mesmo sendo uma pluralidade de partículas. O mesmo vale para as moléculas e para as células e para os seres multicelulares. Somos todos comunicantes e integrados. A dor de um reflete-se no todo. A satisfação de um reflete-se no todo. Daí que um dos fundamentos do Círculo, é a realização de todos os seres, em qualquer nível de abstração. Isso é impossível de explicar, mas não é impossível como objetivo. Quando existe um objetivo, você pode até falhar, mas vai continuar tentando. Assim, a essência do Círculo não é um mecanismo intrincado, e sim uma direção comum. Quanto mais sinergia surge nesse sentido, mais forte este se torna, e mais perfeitos são seus resultados. Essa essência visa afirmar a tudo e nada consegue negá-la. Nesta essência não há a separação entre os seres: não existe mal, nem bem. Existe apenas a unidade. O Círculo está acima das tradições, acima de todas as religiões, e de todas as separações. Tudo emana dele e não há nada que não emane do mesmo.

Todos os posts que escrevi até agora dizem respeito a congruir quem se é, descobrindo o próprio significado e encontrando, assim, o Círculo em si mesmo. É intrigante como encontramos estes conceitos dentro de nós quando os procuramos com todo nosso esforço e imaginação. É mais intrigante quando percebemos que não estamos sós nestas conclusões (pois outros chegam e já chegaram às mesmas) e verificamos assim que o universo realmente é comunicante e partilha de uma consciência comum. Quando esta congruência de si mesmo acontece em toda sua intensidade é o verdadeiro momento de iniciação em relação ao Círculo. Eu suspeito que não exista como prever o exato momento em que isso acontece. Esta iniciação é uma experiência de contato com o que se passou a chamar, em português, o SAG (Sagrado Anjo Guardião), ou HGA (Holy Guardian Angel, em inglês). Se bem que estes termos são apenas interpretações desta experiência, ligadas a crenças específicas. A experiência real, frequentemente, nada tem a ver com as noções de anjos que nos foram incutidas. Os posts que vou escrever a partir de agora vão se focalizar no que vem após esse momento da iniciação com o Círculo embora, é claro, muitos ainda terão um teor reflexivo que pode ser utilizado na congruência inicial.

sábado, 9 de março de 2013

Preparando-se para Iniciar-se Como Mago

No ocultismo, há aqueles que atingem seus objetivos, mesmo a duras penas, porém há outros que jamais o conseguem, culminando com o reconhecimento pleno e dolorido de suas ilusões. O que diferencia a experiência bem sucedida da experiência do fracasso? A resposta está ligada à iniciação, sendo que esta é o ato mais importante para qualquer avanço no que diz respeito à magia. Ocorre que não se trata de um fenômeno que depende só do iniciado pois diz respeito ao ingresso do neófito dentro de uma egrégora, a qual pode ser definida como uma grande rede de ressonância criada por muitos outros anteriores àquele que pretende se iniciar. Assim, a iniciação é a aproximação de uma coletividade de seres, sendo um visível (o neófito) e uma pluralidade invisível. É essa pluralidade que pavimenta o caminho de quem segue junto com ela, e o sucesso ou o fracasso são simplesmente a diferença entre caminhar-se sozinho ou em companhia, mesmo que não se possa ver esta companhia com os olhos físicos.

A iniciação é o encontro de algo antigo (a egrégora) com algo novo (aquele que é iniciado). É uma aproximação que ocorre de duas direções, como que os dois lados de um espelho, com duas imagens cada vez mais próximas, até que se fundam em um único ser. Nas mais diversas tradições este encontro é preparado, de forma que o neófito se torna cada vez mais congruente com a egregóra na qual vai adentrar. O momento definitivo é a fusão entre ambos. As demais pessoas envolvidas, e os rituais que realizam, ajudam a catalizar este momento, porém apenas o facilitam. A essência do momento em si é pessoal, representando algo diferente para cada um, mesmo que não possa ser compreendida de forma plena a princípio.

Mas o que é que acontece quando há a auto-iniciação? Ela é possível? Sim, mas nesse caso a egrégora também aproxima-se gradualmente daquele que pretende iniciar-se, mesmo sem a participação de outras pessoas. É claro que, nessa circunstância, a iniciação pode ser mais difícil por não existir uma preparação devidamente orientada. Mas uma vez consumada, ela é autêntica, seja através de uma tradição ou não. É assim que surgem os primeiros iniciados das tradições, embora isso não queira dizer que todos os auto-iniciados irão criar suas próprias tradições. Nada disso... Mas fica visível aqui o papel da egrégora também. Antes mesmo de alguém decidir-se por ser iniciado, o indivíduo é aceito pela egrégora. Sem essa aceitação, todo seu esforço é em vão. O que “condiciona” esta aceitação é o mérito que cada um consegue atribuir a si próprio. Para assumir um papel, você precisa ser aquele que deve assumi-lo. Ressalta-se que não se pode fingir este mérito. É algo que se é ou não é. Assim, conhecer-se, aceitar-se, e buscar ser pleno, é a forma de desenvolver-se neste sentido. Na bruxaria, esse é o propósito do período mínimo de preparação de um ano e um dia antes da iniciação.

A iniciação o coloca dentro de um círculo, com finalidades únicas, no qual é possível fazer parte do mesmo e que está também, em grande medida, isolado daqueles que não obtiveram o mérito de integrá-lo. É importante ressaltar que estar em um círculo é o primeiro passo para desenvolver-se no mesmo e que este é um processo gradual. Na realidade, de tempos em tempos ocorrem outras iniciações em círculos menores dentro do círculo maior. A natureza destes passa a fazer parte da natureza da magia do iniciado, que já pode ser considerado um mago no começo de seu caminho.

Desenvolver-se em um círculo é trazer seus atributos à própria vida e isso é o que determina largamente a diferença entre vencer e falhar nos mais diversos objetivos. Mesmo sem consciência destes conceitos, há pessoas que se destacam em objetivos diversos, enquanto outros, mesmo com atitudes semelhantes, não são bem sucedidos. O motivo é a qualidade das relações com o invisível que cada um possui.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Perigos na Magia - Princípios para Evitá-los

Um dos maiores obstáculos no caminho de um mago, que verdadeiramente pode lhe impedir de atingir maiores realizações (e até mesmo regredir) é, por mais estranho que possa parecer, as próprias realizações que já conquistou.

O fato é que é mais fácil manter um ideal quando não se tem nada a perder, mas quando obtemos os primeiros frutos palpáveis temos diante de nós um dilema: será que invisto ainda mais, podendo perder isto que já consegui, ou será que desisto da minha busca e fico com o que consegui?

As pessoas frequentemente se esquecem do porquê de terem “chegado aonde chegaram”, ignorando as relações que cultivaram no inconsciente e, até mesmo, afirmando para si mesmas que toda a busca na magia não passou de uma ilusão, e que tudo se deu apenas pela boa sorte e também pelo próprio esforço. Duvidam do que acreditavam e realizaram. Pensam que poderiam ajudar aos que lhes são mais próximos se cuidassem daquilo que já têm em mãos, e desistem, traindo tudo o que os apoiou até então. A partir daí perdem a rede de ressonância que haviam criado, a qual sustentava justamente aquela situação que tanto valorizavam. Pior, a rede de ressonância se torna de dissonância. As coisas simplesmente começam a dar errado, em vários sentidos, pois é mais fácil destruir algo do que construir. Afinal, para destruir basta força bruta. E, enfim, a pessoa está em um ponto pior do que quando começou. Trágico isso, não é? Mas é real no que diz respeito a muitos casos.

Se formos verificar onde ocorreu o primeiro erro, não foi no momento em que se decidiu abandonar a magia, e sim na construção de toda a rede de ressonância cuja motivação que a unia era imperfeita e ilusória. Na sua forma mais perfeita, o fundamento desta rede deve ter um propósito bem definido (o qual pode ser amplo), com base em um ideal pelo qual se valha a pena consolidar a própria vida, de forma que não haja arrependimento. Uma rede de ressonância não deve ser tratada como mero utilitário que pode ser descartado a qualquer momento. É importante considerar que ela pode perdurar por toda a vida, e até mesmo além da vida física e, por isso mesmo, precisa ser criada corretamente. Os valores que a permeiam devem basear-se na mais pura ética possível. Percebendo-se uma falha neste sentido, deve-se estimular a rede para que se torne melhor, mesmo que uma mudança a enfraqueça e a desestabilize em um primeiro momento.

Não devem existir dependências de trocas de favores dentro da rede, de forma que toda ação deve ser espontânea e motivada por um ideal comum em sua plena extensão. E havendo espontaneidade, isso implica na liberdade de agir ou não agir, e de deixá-la ou de permanecer nela. Com estes princípios efetivos, evita-se todos os erros mencionados acima, de forma que se pode sair de uma rede de ressonância quando se deseje, deixando-a livre para continuar agindo de forma independente. Porém, nesse caso, quando a fundamentação é correta, raramente há o desejo de abandonar a rede, embora isto seja possível.

Assim, mais do que obter resultados, o mago deve procurar estabelecer firmemente a correta fundamentação, não importa o tempo que isto leve. Estabelecido o fundamento correto, outros fundamentos serão criados (secundários) e, conforme se estabelecerem estes e outros, a realidade física irá refleti-los. Deve-se procurar pensar e agir da forma mais abrangente que seja possível para que a base seja perfeita. O modo de pensar simplório, que não avalia as possíveis contradições de si mesmo, não é capaz de criar uma rede nesse sentido. É claro que nem sempre reconhecemos que somos simplórios e este é um dos riscos. Porém, ter este risco em mente já é uma condição para agir em relação ao mesmo.

Este post e os demais que já foram publicados têm a finalidade de ajudar a evitar conclusões incorretas ou incompletas na criação de uma rede deste tipo. Quanto aos resultados de uma rede de ressonância, há certas circunstâncias em que, mesmo sendo bem fundamentada, ocorrem revezes. Quanto a estas situações, posteriormente eu vou publicar novos posts a este respeito.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Estimulando o Subconsciente

Se há uma qualidade que eu considero essencial para quem busca desenvolver-se na magia e no ocultismo, esta é a paciência. Os fatos simplesmente não acontecem tão rápido quando gostaríamos que acontecessem. Muitas vezes ansiamos por uma mudança e ela parece nunca ocorrer mas, na verdade, não deveria ser assim.

Há diversos fatores envolvidos nos períodos de espera. O primeiro deles é que a magia deve ser sedimentada de dentro para fora. Ou seja, primeiro é necessário ser algo, para então expressar este ser, estimulando o universo ao seu redor, e então perceber transformações. O período de preparo é longo e em diversos níveis até que a transformação aconteça. E quando acontece, um observador externo poderia simplesmente dizer que você teve sorte, como se não tivesse feito esforço algum para que o resultado surgisse. É óbvio que essa impressão é incorreta, mas ainda assim vale comentar um conceito no qual se diz que a sorte nada mais é do que uma mistura de estar preparado com a oportunidade de agir. Sob este ponto de vista, o conceito se aplica na magia. Uma oportunidade pode até aparecer para alguém, mas se a pessoa não estiver preparada para assumi-la, vai muito provavelmente fracassar. Por outro lado, mesmo que nenhuma oportunidade surja, pelo menos é possível preparar a si próprio.

Uma forma de se preparar é perguntar a si mesmo o que se pode fazer para ampliar o leque de possibilidades de ação. Um meio que todos possuem de expressão mágica, por assim dizer, são os sonhos. Mas os sonhos são espontâneos, de forma que não se tem muito controle sobre eles. Normalmente nós simplesmente sonhamos com o que quer que seja sem termos planejado anteriormente o que faríamos neles. Então, como intervir nos sonhos? Uma das maneiras é enriquecermos, quanto mais pudermos, nossas próprias consciências quando estamos despertos e, assim, quando sonharmos iremos reagir de uma forma mais consciente e direcionada. Manter um diário de sonhos também é uma excelente ideia, onde se deve escrever sobre o sonho assim que se acordar. Através deste diário compreendemos melhor os elementos com os quais interagimos e, com esta consciência aumentada, podemos melhorar nossa interação nos próximos sonhos.

Os sonhos passam então a ser um tipo de oportunidade que se busca mas, ao mesmo tempo, também constituem uma preparação para oportunidades mais concretas. Há outras formas de se influenciar o subconsciente. Pode-se, por exemplo, antes de dormir visualizar o que se deseja sonhar de olhos fechados e, então relaxar e dormir. Pode-se colocar também alguma música bem baixinho que lhe evoque uma emoção específica que você deseja manifestar nos sonhos. Eu mesmo já fiz esta experiência com música, e a repeti por algum tempo. Eu também utilizei um software de mensagens subliminares. A ressalva é que, no caso de se utilizar uma técnica para estimular sonhos específicos, chega um momento em que o subconsciente fica saturado daquele estímulo e você percebe esta sensação de saturação. Nesse momento é importante cessar o estímulo e esquecê-lo, deixando amadurecer, para que se provoquem resultados decorrentes deste amadurecimento.

Os estímulos simples (música, auto-sugestão, etc) têm esse efeito de saturação muito frequente. Já a prática de tornar-se mais consciente dificilmente causa saturação pois, quando nos sentimos saturados por um certo assunto, ou ponto de vista, basta que mudemos de tema e então a saturação desaparece. Estas técnicas são interessantes antes de uma iniciação, e mesmo depois da iniciação podem ser utilizadas enquanto não se está familiarizado com métodos mais específicos para operações mágicas, e isso pode levar um longo tempo (novamente um período em que é testada a paciência). No entanto, mesmo desenvolvendo ritos mais eficazes, é sempre importante enriquecer a própria consciência e manter-se atento aos sonhos.

Ressalta-se que mesmo alguns ritos mágicos mais sofisticados também causam este efeito de saturação. Um exemplo comum seria a criação de sigilos na magia do caos, em que são elaboradas representações visuais que impressionam o subconsciente e, quando ocorre a saturação, deve-se desfazer dos sigilos, esquecendo-os, para que possam maturar e, assim, produzirem efeitos.

Para quem deseja saber mais sobre os sonhos nesse contexto, fica o link para meu post “Sonhos”, o qual os analisa sobre outras perspectivas e reitera alguns itens colocados aqui.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Esoterismo (Com S) Versus Exoterismo (Com X)

Esoterismo (com s) ou exoterismo (com x)? o que diferencia estas palavras? Será apenas uma questão de grafia?

O exoterismo diz respeito a adquirir conhecimento através de meios externos, ao invés de explorar a via interior (a via intuitiva). O conhecimento é exotérico quando se adota uma postura dogmática para obtê-lo, onde não se admite o questionamento, ou quando se recebe algum tipo de informação de uma fonte externa (seja através de espíritos, de representantes oficiais de alguma religião ou escola, ou de livros em que se leu algo emitido por uma fonte privilegiada). No exoterismo preponderam palavras. A informação é dita, detalhadamente explicada, mas frequentemente não é questionada. Há também símbolos não-verbais, porém para cada símbolo há uma extensa literatura explicando-o, de forma que, para que haja uma interpretação “correta”, é necessário inteirar-se da literatura descritiva que o acompanha.

Já o esoterismo é o oposto do exoterismo. Esoterismo é aprender através da via interior, ao invés de meios exteriores. É um aprendizado que está à disposição de qualquer um porque não depende de meios e condições externas. É explorar o universo dentro de si mesmo, com  os próprios recursos, por assim dizer. No esoterismo preponderam símbolos que precisam ser contemplados e interiorizados. É o caso dos mantras (sons), yantras (símbolos visuais, relacionados ao tantrismo) e mandalas (símbolos visuais circulares). Não que haja algum conteúdo a ser apreendido destes simbolos, mas eles costumam provocar estímulos naqueles que os experimentam e, se as pessoas mantém este contato e permanecem atentas aos estímulos percebidos, a mente se enriquece a partir de seus próprios recursos, de sua própria linguagem, que não é feita necessariamente por palavras.

A diferença se trata então de duas vias: a interior (esotérica) e a exterior (exotérica). Utilizando um exemplo prático, quando alguém lê o tarot, está utilizando a via interior ou a via exterior? Depende. Um arcano (no caso representado numa carta, ou lâmina do tarot) pode ser interpretado tanto pela via interior, quando quem o interpreta usa a via intuitiva, ou pela via exterior, quando a interpretação reflete apenas a erudição ao invés de um estímulo autenticamente pessoal. Assim, percebe-se que um símbolo não é necessariamente esotérico, ou exotérico em si próprio, pois pode ser utilizado em ambos os contextos.

Na atualidade, mesmo nos meios ditos esotéricos (que deveriam buscar a via interior), há muitas pessoas que utilizam a via exterior de aprendizado, ao invés da via interior. Basta lembrar do “fim do mundo” (que acreditava-se de acordo com o calendário maia), e refletir sobre como isto perturbou de fato o mundo (embora o mundo não tenha acabado). Nós estamos sempre nos deixando desviar a atenção de nós mesmos para simplesmente nos sentirmos indefesos frente a “fatos” revelados do “alto”, sobre os quais não temos poder algum. Motivados pela insegurança, buscamos informação, que nos vêm muitas vezes pelo Google, por redes sociais, ou por e-mail. Buscamos palavras, meios absolutamente exotéricos, dos quais não participamos nem sequer minimamente para ajudar a produzi-las.

Cabe lembrar que a magia explora o mundo interior de cada um, o qual é ligado ao mundo exterior, permitindo que se possa agir como causa, ao invés de ser mero efeito. Imaginem o que seria do mundo se houvessem mais magos. Certamente seria um mundo mais difícil de ser controlado. Porém, o desenvolvimento na magia ocorre na medida em que se transcende o próprio ego, unindo-se ao universo de uma forma cada vez maior e, por consequência, mais harmoniosa. Dessa forma, é correto afirmar que o objetivo último de um mago implica em atingir esta união e harmonia (por extensão, o objetivo último da magia e dos magos). A via interior é verdadeiramente libertadora. Como todos nós possuímos potencial para explorar esta via e, como existem muitas estruturas de controle neste mundo, pode ser conveniente para poucos que a grande maioria não saiba o potencial que pode desenvolver. No entanto, para desenvolver este potencial, é preciso começar a fazê-lo e não deixar-se desviar neste processo.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Tornando-se Uma Resposta

Se você pudesse escolher entre oferecer uma pergunta ou uma resposta ao mundo, com qual das opções gostaria de contribuir? Muitos responderiam que preferem oferecer respostas às perguntas do mundo, e outros tantos responderiam que preferem oferecer perguntas pois há respostas demais e perguntas de menos. O que muito poucos perceberiam é que eles mesmos são as respostas para as próprias perguntas. O fato é que cada um de nós vê o mundo sob uma perspectiva única porque muitos aspectos da vida de cada pessoa são únicos.

E que aspectos são esses? O emprego ou o negócio que lhe serve de fonte de renda, por exemplo. Mas você pode estar desempregado, ou optar por não trabalhar seja porque decidiu cuidar de sua casa enquanto o cônjuje trabalha, ou porque optou por não trabalhar com remuneração porque é uma freira, ou um padre. Você pode estar com suas contas em dia, assim como pode estar endividado. Pode ser solteiro, pode estar casado, ou ter filhos. Pode ser uma mãe solteira. Pode ser um adolecente que ainda não teve seu primeiro relacionamento, pode ter se casado, pode estar vivendo uma crise, pode ser viúvo. Pode estar bem de saúde, ou não estar. Estes são alguns poucos aspectos superficiais e há certamente uma infinidade de outros que tornam a sua perspectiva única e que tornam a resposta que você precisa para sua vida extremamente específica.

Compreendendo a pergunta, você poderá começar a construir a resposta. Sim, construir a resposta, pois ela não está pronta (e provavelmente nunca vai estar completamente pronta), mas o eixo em que você deverá sustentá-la é o ponto em comum que existe em todos os elementos de sua pergunta, que é você mesmo. Afinal, se há alguém que é mais interessado na sua perspectiva, só pode ser você. Então faz sentido você considerar a si próprio como a pedra fundamental de sua própria solução. Com isso definido, sobra a você decidir entre buscar esta solução e ser si mesmo, indo adiante, signifique o quer que seja que isso possa significar, ou então você pode optar por negar-se.

A sociedade nos ensina a nos negarmos de uma forma tão continua, e às vezes até sutil, que começamos a fazê-lo sem percebermos. São sistemas de valores que nos são passados, sentimentos de culpa que nos são plantados, ideias sem qualquer coerência lógica que nos são instiladas porque alguém ou algo pretensamente superior as declarou (mas que nos causam medo), possibilidades de erro e fracasso que nos são apontadas, compensações materiais (em forma de dinheiro, por exemplo), compensações imateriais (um possível perdão por sermos diferentes, o alívio do sentimento de culpa, a chance de sairmos dessa para melhor quando chegar o fim do mundo), e outras formas de manipulação. Tudo isso desvia nossa atenção de nós mesmos, detonando respostas instintivas que nos colocam em um estado de torpor. A vida então parece sem sentido ou surge um vazio que não se consegue explicar.

Negar-se é permanecer nesse estado. É agir como se está acostumado. O preço é alto mas as pessoas geralmente não percebem que o estão pagando e esse é um dos motivos de o continuarem fazendo. Mas há outro motivo. O problema é que é difícil desligar-se de todo este comportamento instintivo. É difícil não se deixar manipular. Quando percebemos, já estamos de novo repetindo velhas respostas, velhos comportamentos que nos esgotam. Um bom jeito de começar a agir é prestar atenção justamente nesses momentos em que a energia se vai, analisar a forma que se agiu, procurando descobrir as reações automáticas, e propor-se a ter atitudes conscientes, ao invés de forma instintiva. Este processo de definição terá efeitos primeiro em suas crenças porque você perceberá que muitas das atitudes que você toma são fundamentadas na forma que você acredita que a realidade é. Gradualmente, conforme você mudar suas atitudes, você mudará também seus atos, pois eles apenas refletem as mesmas. E dos atos, você acabará mudando também suas realizações.

Porém um aviso: nada disso virá sem um preço, embora eu acredite que não custe mais do que o preço de não assumir as rédeas de sua própria vida. A diferença é que será um preço perceptível e consciente, ao invés do preço imperceptível e inconsciente ao que as pessoas em geral estão acostumadas. Ainda assim, sempre existirá algum significado, embora em alguns momentos possamos sentir dúvidas. E sempre existirá algo além do vazio, embora frequentemente haja ainda algum vazio a ser preenchido, e esse vazio a preencher pode ser grande em alguns momentos da vida.

O preço, no começo, é a sensação de indefinição, de não se saber mais com que rótulos se descrever. Conforme se começa a descartar os rótulos e desenvolver conceitos, as pessoas se acostumam à falta de rótulos e depois até estranham quando alguém lhes pergunta o que elas são, ou a qual grupo pertencem. Afinal este é um processo de busca de uma resposta única que não tem muito a ver com rótulos ou grupos. Na sequência, o preço vem de mudar as atitudes e atos. Mesmo insatisfeitos, nós todos desenvolvemos, com o desenrolar dos anos que vivemos, um contexto ao nosso redor. Mudar nossa forma de lidar com o mundo é desestabilizar esse contexto a princípio, até mesmo quebrando alguns laços mesmo sem intenção de fazê-lo (ou intencionalmente). Com os laços quebrados, há uma desorientação inicial, mas pagar este preço é fundamental para se criar novos laços.

Muitas vezes é necessário passar por esse processo novamente, em etapas diferentes da vida. Na primeira vez que isso acontece, a reestruturação de crenças é que parece mais difícil. Em outras vezes, podem ser os laços externos que configurem o que nos fragiliza mais. Os primeiros laços perdidos são os mais doloridos. E não sei se os laços quebrados podem ser restaurados com o passar do tempo, mas eu suspeito que sim porque estes laços normalmente estão associados a formas de amor (entender-se como todas as suas formas, seja fraternal, filial, amizade, romântico, etc) e enquanto houver amor dentro de si, não se é completo até realizar este amor, permanecendo este sentimento como parte da pergunta individual a ser respondida. Eu já vi laços se manterem firmes mesmo em momentos difíceis, e já pude ver laços se curarem de formas que não se poderia imaginar. Mas também já vi laços que jamais se curaram. Mas, é claro, quando não há amor, deixe os laços quebrados para trás.

Resta apenas salientar que se deve sempre procurar fortalecer-se interiormente, pois é o interior que lhe dará força para enfrentar os desafios exteriores. Com o passar do tempo, conforme novos laços surgirem, passa-se a contar com ressonâncias exteriores também, as quais lhe farão sentir-se mais seguro quando precisar viver este processo de novo. A transformação que você busca em sua vida precisa se desenvolver de dentro para fora e, se sentir que o risco é grande demais, aja com cautela.

O post O Prazer e a Dor pode lhe fornecer mais alguns insights na busca de definir-se. Caso deseje ler um pouco mais a respeito da opção de afirmar-se, ao invés de negar-se, o post Libertando a Si Mesmo, poderá lhe ajudar nesse sentido. O post Verdades Absolutas Que Não São Tão Absolutas Quanto Parecem Ser pode lhe dar alguns exemplos de verdades que fomos condicionados a aceitar como universais e que podem ser questionadas. Ainda para ajudá-lo a descondicionar-se, você pode ler o post Como Agir Diante do Bombardeio de respostas do Mundo.