Mostrando postagens com marcador Dinheiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dinheiro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aprendendo a Fazer Escolhas

Nunca fiquei muito tempo sem emprego. Já fui demitido, já pedi minha demissão, várias vezes. Porém, bastava colocar meu currículo em dia, usar ao máximo minha rede de contatos, voltar a me cadastrar nos sites especializados e, enfim, ir atrás do que aparecesse, para que logo uma nova oportunidade surgisse. Algumas vezes, porém, certas experiências em recrutamentos aconteceram primeiro em sonho (por mais estranho que isso pareça - o motivo, ainda vou discutir aqui no blog) para se tornarem fatos concretos somente meses depois.

Na realidade, eu já conversei e teorizei sobre este tema. Tratam-se de sonhos que se tornam reais, em detalhes, após entrarem em um período razoavelmente longo de esquecimento. Quando acontecem, a lembrança deles vem de súbito à mente. São experiências deste tipo (dentre outras) que me fazem recordar que a realidade não é apenas acaso. A psique se manifesta como causa na experiência individual.

Retornando à história, algo que eu realmente queria, na época, era encontrar uma oportunidade profissional em que eu me sentisse realmente valorizado. Ou seja, onde houvesse uma boa remuneração de fato, ao invés de simplesmente "Muito bom! Excelente trabalho! " (e nada mais palpável). Algumas pessoas que eu conhecia já estavam em carreiras que eu considerava interessantes naquele tempo. Eu dizia a mim mesmo que queria seguir seus exemplos, mas hoje devo reconhecer que, no fundo, tratava-se de simples inveja.

Meu trabalho era conhecido por seu rigor nos detalhes. Em uma época em que poucos se preocupavam com conceitos de qualidade, eu levava à cabo detalhadas verificações do software que eu produzia. Tudo isso era bom, não fosse pelo fato de que eu gostava dos elogios e, no fundo, me considerava melhor que os demais.

Ocorreu que, em um sonho, eu estava diante de uma proposta. Alguém perguntava a mim se eu a aceitaria. Não me recordo de mais nada a respeito do que havia acontecido antes, mas eu sabia intuitivamente que aquela era a proposta que eu tanto ansiava por obter.

De repente percebi que se tratava de um sonho e, por instinto, desejei que tivesse sido real. Ato mágico. Uma semente plantada em solo fértil dentro do inconsciente. Veio o esquecimento. Passou-se o tempo. Até que aconteceu de eu estar em São Paulo, em um processo seletivo.

Enfim tratava-se da alta remuneração que eu ambicionava (ou, pelo menos, é o que eu acreditava), além do status de trabalhar em uma grande capital. O movimento ao caminhar pelas ruas era algo do qual, um dia, eu fizera parte. Eu sentia saudade.

Saudade de um tempo que antecedia aquele momento. Saudade das grandes feiras tecnológicas que sempre fizeram parte do cotidiano daquela cidade. Saudade de um tempo ido, misturando-se a outras expectativas.

No entanto havia o preço. Eu assumiria contratos, mas não os decidiria. Um horário para chegar, nenhum para sair. Algumas pessoas me asseguravam: "Este é o modelo de trabalho no Brasil agora. É um tanto assustador a princípio, mas você se acostuma. Vale a pena.".

Fosse há cinco anos, eu não me importaria em dispor de todo meu tempo. Eu colocaria sim, todas as minhas fichas no dinheiro. Entretanto, naquele momento eu percebi que desejava envolver-me mais com outros aspectos da vida (o ocultismo, entre eles). Desejava ter meu próprio espaço e meu próprio tempo. Queria um lar, uma vida mais simples e uma rotina aconchegante.

Tinha boas lembranças, sim, de uma São Paulo do passado, porém percebia, naquele instante, que aquele tempo se fora. Diante de mim, estava o mesmo rapaz que aparecera no sonho, querendo saber se eu aceitava, ou não, aquela oferta. "Não ", respondi. 'Pensei melhor. Não é o tipo de trabalho que eu estou procurando".

Mal respondi e a lembrança da experiência astral veio à minha mente, de súbito, causando-me assombro. Algo em mim mudou desde então. Nunca mais invejei aqueles que seguiram este caminho.

A reação à minha resposta não foi negativa. Na realidade, não foi a última vez que tive esse tipo de proposta. Anos depois a mesma empresa entrou em contato de novo, e rejeitei a oferta outra vez, polidamente. Enfim chegou um tempo que trabalhamos juntos por um tempo, em outras condições. Outra empresa fez uma proposta semelhante a mim, para ajudar em um projeto nos mesmos termos, e aceitei temporariamente. Poderia ter continuado em outros projetos mas, pelos motivos que já expus, não quis.

Tudo isso valeu para que se reafirmassem em mim minhas convicções. Quando se trata de magia, é preciso separar o que é causa do que é efeito. A magia, em um sentido mais amplo, é a busca de realização plena, que começa de dentro para fora. Óbvio que toda escolha é pessoal, variando de indivíduo para indivíduo, porém sempre é o externo que deve ser dependente do interno, e não o contrário.

Quando se está preparado, o que é interno se materializa externamente. Não é uma questão de chance única, como pensam alguns. Mesmo que você cometa uma falha, mesmo que você deixe passar uma oportunidade, o que vibra no mago internamente simplesmente teima em se manifestar externamente, esteja ele consciente ou não.

Se você se deixa seduzir por alguns resultados (deixando o processo que criou estes resultados para segundo plano), você acaba se desconectando, até mesmo, do que já obteve (quase supérfluo dizer que muitos falham justamente por este tipo de fraqueza). Antes de se pretender controlar o que há ao redor de si, é necessário aprender a ser coerente principalmente consigo mesmo.

No final das contas, é o Si-Mesmo que é o fundamento da realização do mago.

domingo, 26 de janeiro de 2014

O Preço Exigido na Magia

Um dos padrões que percebi no contato com os seres que encontrei no inconsciente é que raramente se fala sobre preço. Talvez você se espante com este conceito que parece tão mundano (preço), e por isso é preciso ressaltar que não se trata de pagar em dinheiro ou vender a alma (na verdade, quando se fala em preço, é isso que as pessoas pensam). Trata-se simplesmente de ação e reação. Para toda ação há uma reação, que pode ser contrária à ação ou não. Esse é o preço.

O universo tem memória. Ele se lembra dos efeitos que sofre e reage a estes. Eu acredito que esta seja uma boa definição para a palavra Kharma (a reação do universo), independente de se crer ou não em reencarnação. Uma das reações possíveis às próprias ações é a qualidade daqueles que você atrai para si, ou seja, da companhia que você tem. Se você buscar o amor, por exemplo, irá atrair quem também busca o amor e se cercará por pessoas assim. Quando você necessitá-lo, irá encontrá-lo. E se você buscar a agressividade, como outro exemplo, irá atrair quem é estimulado pela agressividade. Não espere, portanto, encontrar amor se passar a vida a negá-lo, nem espere encontrar forças para combater algo agressivamente, se tiver reprimido este atributo em si mesmo, sistematicamente, por toda sua vida.

Tratam-se de escolhas e, nestas escolhas, sempre nos unimos a algo e sempre deixamos o que sobra de lado, ou pior: às vezes negamos conscientemente uma qualidade específica, considerando-a um defeito apenas porque não nos convém (ou não nos convém admitir a outros). O que se nega conscientemente terá seus atributos negados na própria existência, distanciados. Portanto, deve-se tomar cuidado caso deseje-se criticar aqueles que possuem fama, dinheiro, prazer, sucesso, etc. Tudo o que se nega, tende-se a excluir de si próprio. Em magia, a pior atitude a se tomar é a hipocrisia.

O preço idealmente é aquilo que tem pouca importância, não sendo de fato o que deveria ser mais relevante. É aquilo que você deixa de lado e que não se importa de excluir de sua vida. É necessário ser fiel a si próprio, com sinceridade para consigo mesmo, para realizar sabiamente as escolhas e seus preços.

sábado, 6 de abril de 2013

Expandindo a Consciência Além do Ego

Uma mudança realmente profunda que ocorre após a experiência de congruência (a qual culmina com o contato com o SAG - veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia) é a transformação da identidade do mago em si. Mas quando digo uma mudança de identidade, não me refiro somente à percepção de ser iniciado na magia (que também é uma mudança), mas também me refiro à forma como alguém se relaciona com o mundo ao seu redor, e também sobre como se define em relação a este mesmo mundo. Mas isso não é algo que se percebe de uma vez, e sim com o passar do tempo, com o passar dos anos mais precisamente falando.

A verdade é que se experimenta um dom, mas não no sentido comum da palavra que sugere algo inato. Não, não é algo inato, mas é algo que lhe é dado, e é nesse sentido que é um dom. Nem tampouco é a única vez que isto ocorre. Pelo contrário, trata-se de um ciclo que pode repetir-se inúmeras vezes. E a visão externa que as demais pessoas têm de alguém que vive este processo também muda. Em certas circunstâncias pode ser dolorido quando nos veem de forma diferente e se decepcionam conosco, embora isso certamente é algo necessário, uma vez que, se nos enxergam como não somos, todos os laços que se mantém não são verdadeiros e, por isso mesmo, cedo ou tarde revelam-se frágeis. Mas a mudança a que me refiro agora não tem esta conotação pesada, nem de forma alguma negativa. Na realidade, tem mais a ver com as restrições às quais acreditamos estar sujeitos, sobre o que poderíamos ser mas, por causa de um histórico de fracassos, não o somos e acreditamos não ser capazes de nos tornarmos. Na realidade esta voz que insiste em nos dizer o que não podemos ser é o ego, o qual interpreta a realidade por um ponto de vista muito restrito.

Não que o ego seja malígno em si, mas o fato é que ele é apenas o princípio da consciência, e surge das percepções mais físicas que temos do mundo, as quais são mais aparentes e, por isso mesmo, nos parecem ser “mais certas”. Mas a percepção física tende a nos fazer acreditar que a realidade é feita de objetos e seres isolados, sobre os quais se tem pouca influência e, por essa razão, somos levados a temer o que é diferente de nós e do qual não podemos prever como se comportará. Às vezes o medo prepondera e nos sentimos incapazes de nos realizar. Contudo, frequentemente optamos por agir de forma agressiva, pensando que se tivermos mais força ou, se pelo menos aparentarmos mais força, podemos nos impor àquilo que não conhecemos. A ânsia de enriquecer, por exemplo, é um meio de tentar impor-se pela força. Em suma: o ego não é malígno em si mas sustentar-se nele, pura e simplesmente, leva à uma sucessão de efeitos que podem ser considerados malígnos por muitos. É necessário perceber essa dinâmica e ser capaz de compreender o ego tal como ele é, com todas as suas limitações.

O mago, após ter comungado com seu Sagrado Anjo Guardião, começa a ter contato com sua Sombra (um termo de Carl Gustav Jung) a qual é formada por tudo aquilo que negamos pela limitação do ego, ou seja: tudo aquilo que afirmamos que não podemos ser. Parte dessa Sombra é tocada pela rede de ressonância interna que foi criada pelo mago e a experiência de congruência faz com que ela comece a se manifestar mais visivelmente. E, quando isso acontece, possibilidades que antes pareciam “fechadas” na vida alguém, começam a se abrir. E o mundo ao redor percebe isso. A vida então se divide entre um Antes e um Depois.

Pessoalmente, minha vida era bem diferente antes de eu realizar minha própria congruência. Eu era excessivamente tímido e me escondia atrás do que parecia ser mais fácil lidar: computadores ao invés de pessoas. Meu vocabulário, meus assuntos, tudo era muito restrito. E eu me afundava ainda mais na minha concha, cada vez mais estranha ao mundo ao meu redor. Mas, as pessoas me consideravam extremamente inteligente e competente, principalmente no que dizia respeito a desenvolver software, e eu tentava fazer juz a essa imagem. Só que tudo isso era apenas um estereótipo. As pessoas não percebiam que eu só era daquela forma porque eu não ousava ser de outra maneira.

Conforme a Sombra foi se manifestando cada vez mais em minha vida, experiências novas foram surgindo. O namoro, o casamento, novos desafios profissionais, os filhos, novas atitudes em relação às pessoas (mais confiantes, menos inibidas), um uso melhor do meu lado direito do cérebro (enfim aprendi a desenhar...). Tudo isso aconteceu aos poucos e eu pretendo me referir a estas experiências, às vezes mais claramente e às vezes menos, dentro do contexto da minha busca na magia. Na realidade, o desafio que eu me imponho é justamente este: relembrar, etapa por etapa, colocando detalhes e cuidando para não ir muito além do ponto em que eu os tinha percebido até então.

Isso não quer dizer que eu tinha abandonado de todo minha timidez, ou que não consiga usar o vocabulário que usava antes, ou que tenha deixado de desenvolver software. Só que tudo isso era a única faceta que eu expressava e agora há outras facetas que equilibram as anteriores, mudando a minha expressão como um todo. É claro que nem tudo foi feito de flores. Houve quedas enormes. Há um período negro que aguarda todo aquele que busca expandir sua consciência mais e mais. É a chamada Noite Escura da Alma, ou Dark Night of the Soul como é dito em inglês, a qual trata de um período realmente difícil. Eu já até mesmo conhecia o termo quando eu havia realizado minha própria congruência, mas estava tão encantado por tê-la realizado que nem pensava a respeito. De fato, levou realmente um longo período até que eu vivesse minha própria Noite Escura. Como é um tema ainda fora de sequência, ainda não vou expor a este respeito, mas fica aí a ressalva de que, embora haja situações muito agradáveis, as fases mudam. Porém, com o tempo, nos tornamos melhores em antecipá-las e agir em relação às mesmas.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Lidando com Altos e Baixos na Vida

De vez em quando eu já ouvi alguém dizer “As coisas estão indo tão bem que eu até fico com medo de passar a fase boa e vir, então, uma fase ruim”. Será que isso é verdade, que depois de uma fase boa tem que vir uma ruim, e vice-versa? Será que a vida não poderia ser simplesmente constante?

Pode até parecer crendice, mas estas fases realmente acontecem com quase todos que nos relacionamos. O motivo é que temos nossas próprias naturezas e as pessoas que nos relacionamos também têm as delas e, como não há naturezas iguais (embora as pessoas insistam em se rotular), surgem duas situações quando pessoas interagem entre si: ressonância, quando um complementa o outro de uma forma positiva; e dissonância, quando uma natureza obstrui a outra.

Tudo seria fácil se simplesmente pudéssemos definir quem nos é ressonante e quem nos é dissonante. Apenas deixaríamos de lado aqueles que nos obstruem e nos aproximaríamos daqueles que nos complementam. Mas isso não é tão simples assim. No que diz respeito à grande maioria das pessoas com as quais lidamos no dia a dia, há aspectos ressonantes que nos ligam a elas, mas também há aspectos dissonantes que nos colocam em conflito, com as mesmas pessoas. Essa ambiguidade se manifesta ciclicamente, em certos momentos preponderando relações harmoniosas e, em outros, preponderando conflitos.

Pessoalmente eu não gosto deste tipo de ciclo. Digo isso porque, quando isso acontece, há momentos bons mas que sempre atingem um certo limite (não o excedendo), só para reverter na outra direção do ciclo, onde as coisas tendem a piorar. Uma saída óbvia é procurar outras pessoas para se relacionar mas isso nem sempre é ideal. Afinal as pessoas têm laços emotivos e eles não se quebram apenas porque tomamos uma decisão. Separar-se fisicamente, e manter-se ligado emocionalmente, é ser incompleto. É algo que acontece, mas fica uma pendência que não vai simplesmente desaparecer.

Deixar pessoas para trás, como uma forma padrão de desenvolver relacionamentos, não é uma boa ideia também por um outro motivo: é que nenhum relacionamento vai se aprofundar se você descarta-lo por causa dos altos e baixos. A saída seria enriquecer sua própria identidade, complementando sua natureza, e também a identidade da outra pessoa. E a forma de fazer isso é através da comunicação. Ao relacionar-se com alguém, ambos os lados eventualmente sentem satisfação e insatisfação, e estas sensações são a base do aprendizado. É claro que tudo fica mais fácil quando, além de aprenderem por si próprias, as pessoas mantêm o diálogo, compartilhando o que descobriram.

Essa afinação entre pessoas pode levar anos mas, de tempos em tempos, ela dá saltos e, quando este salto acontece, vale a pena todo o esforço. A partir daí, os altos e baixos até continuam, mas se resolvem mais rápido e você se sente melhor na maior parte do tempo. Por esta afinação de consciência ser uma alternativa tão melhor do que deixar pessoas para trás, vale a pena reconsiderar se você se distanciou de alguém.

Estou falando muito em relacionamentos, mas que tipo de relacionamentos? Eu me refiro a qualquer tipo de interação que persista entre duas ou mais pessoas. Seja na amizade, no trabalho, no amor, no que quer que seja. Quando você perceber este tipo de ciclo de satisfação e insatisfação em setores da sua vida, tente associar o ciclo às pessoas, mesmo que se trate de trabalho, ou de dinheiro. Então descubra que tipo de interações com as pessoas interferem de forma positiva, e que tipo de interações interferem de forma negativa, aprendendo assim sobre o aspecto humano que diz respeito ao que você está interagindo. Comunique-se então com as outros para harmonizar-se, e reduzir o impacto da variação entre altos e baixos. Vale ressaltar que a sinceridade deve pautar seus relacionamentos, uma vez que tudo que é sólido depende dessa qualidade.

Estes conceitos também se aplicam na magia, que diz respeito às relações com o invisível. Existem consciências relacionadas ao trabalho, ao dinheiro, ao amor e a muitos outros aspectos da vida e também, com estas consciências, muitas vezes ocorrem ciclos. Porém, antes de tentar transformar o mundo externo através da magia, transforme a si mesmo, harmonizando-se internamente. É impossível harmonizar-se com o mundo ao seu redor se a harmonia não estiver dentro de si. Portanto, na magia, busque primeiramente a harmonia interior, sempre. De forma secundária, você expande esta harmonia para o exterior.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Realizando-se Pela Magia Branca

Quando o público leigo fala sobre magia, invariavelmente surge a velha classificação, a qual separa a magia branca da magia negra. Na realidade, o público que não é leigo, e que já tem algum contato com o tema da magia, também muito frequentemente estipula a divisão entre os dois tipos essencialmente diferentes. Algumas pessoas, para deixar o tema ainda mais complexo, utilizam-se do termo “magia cinza” para se referir a um tipo que não tem um propósito de causar o mal mas que, por efeito colateral, pode causar o mal. E há também aqueles que definem a magia simplesmente como algo neutro, que não é intrinsecamente nem branco, nem negro, embora eu acredite que esta seja talvez uma forma de se evitar ter que lidar com as implicações desta questão.

Porém como poderíamos definir de uma forma mais precisa o que qualifica estes lados, branco e negro? A definição mais simples é que o lado branco faz o bem, e o lado negro faz o mal. Diz-se que o motor de toda magia é o desejo. E eu acredito que o seja de fato, pois é do desejo que vem a “força inicial”, ou a “energia”, de uma operação mágica. Deve ser por isso que geralmente a motivação (o desejo) para realizar algo para os outros, ao invés de si mesmo, é considerada como branca. Ao passo que o desejo de realizar algo para si, ao invés dos outros, é considerado por muitos como magia negra. Se acreditarmos que essa contradição é real (entre si mesmo e os outros), isso parece justificar conceitos de magia que não estão relacionados a benefícios pessoais, às vezes nem mesmo a resultados, limitando-se a uma pacificação interior com intuito de tornar-se mais harmonioso em si mesmo e em relação ao mundo.

Harmonizar-se é um objetivo belo, mas não é magia. Pessoalmente, eu considero a magia como a arte de tornar-se criador de sua própria vida, tanto internamente, como externamente (é claro que o caminho de um mago sempre começa pela via interna, o que é a criação da base sobre a qual todo seu trabalho criativo estará fundamentado). Porém, pensando assim, se é forçado a enfrentar este aparente paradoxo entre a realização de si mesmo e a realização dos outros. O mago então precisa resolver este conflito, ou contentar-se em ser um mago negro. A respeito da opção de ser um mago negro, pessoalmente eu não acredito que alguém seja realmente feliz optando por ela. Afinal todo ser humano tem sentimentos e, por mais que os neguemos, por mais que possamos querer deixá-los sedados, eventualmente nossa capacidade de adormecê-los se esgota e precisamos enfrentá-los, ouvindo aquilo que nos cobram.

A outra opção é ser um mago branco, sendo mago por tornar-se criador de sua própria vida, e sendo branco pela busca de fazer o bem. Mas como ser si mesmo, como expressar a si mesmo, realizando-se, sem ser egoísta? Uma ideia que me parece muito útil nesse sentido é separar dois conceitos: um é o desejo em si (do que se busca realizar), e o outro é o “como” se pretende realizar. Vou tomar um exemplo que parece ser egoísta: “tornar-se rico”. Certo, a riqueza parece ser um objetivo egocêntrico para muitos, afinal ser rico pode significar tirar esta mesma riqueza dos outros e concentrá-la em si. Mas, se pensarmos bem, há várias formas de riqueza lícita no mundo, nas quais nós oferecemos nosso dinheiro espontaneamente. Nós temos diversos nomes de empresas, como Disney, Coca-Cola, Google, Microsoft, Yahoo, Apple, e outros nomes associados à riqueza. Assim, tornar-se rico não é um objetivo egoísta quando se oferece algo especial, quando se tem um papel central.

O erro, portanto, não está no desejo em si, e sim em como se pretende realizar o desejo. Ter consciência da diferença entre “o que” realizar e “como” realizar é algo fundamental. Frequentemente desejamos alguma coisa e também queremos impor o “como” irá acontecer, quando a atitude correta é deixar livre a resposta do mundo que nos cerca. Nâo é a realizaçao rápida e frágil que se deve procurar, e sim a realização estruturada e forte. Frequentemente, quando queremos nos impor à força, podemos até conseguir um resultado rápido, mas será fora de contexto, sem raízes e com laços imaturos entre pessoas imaturas. Por outro lado, se permitirmos que o mundo aja de acordo com seu próprio ritmo e natureza, as ações serão graduais, muitas vezes pausadas, porém serão diversificadas (plurais), gerando contextos cada vez mais completos, com raízes cada vez mais sólidas, entre pessoas maduras unidas por laços também maduros.

Para um mago, este não é apenas um modo de agir externo, mas também interno no que diz respeito à realização da própria magia. No que se refere às ressonâncias internas do mago com a realidade invisível, estas também não surgem com a força. Estas relações internas precisam ser também cuidadosamente cultivadas.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Explorando os Domínios da Realidade Mental

Às vezes acontece de alguém nos dizer que não devemos nos preocupar com o passado, porque o passado já se foi, e também não devemos nos preocupar com o futuro porque o futuro ainda não aconteceu e, só existindo o presente, deveríamos nos concentrar no presente. Eu mesmo já escrevi um post sobre o tempo (Reflexões Sobre o Tempo) em que eu procurei demonstrar que, de fato, o futuro não existe como realidade física, nem o passado. Mas será que, no dia-a-dia, é possível aplicar essa forma de se pensar?

Por exemplo, no que diz respeito ao dinheiro (que é um exemplo bem prático e fácil) e, tornando esse exemplo mais específico: o momento em que recebemos o salário mensal (para quem é assalariado, é claro). Eu devo pensar apenas na minha situação presente, que seria um pouco mais de dinheiro na minha conta corrente e gastá-lo por ignorar o futuro? É óbvio que não, afinal deve-se planejar as despesas. Mas, se o tempo não existe e se apenas o presente existe, isso não é contraditório com a ideia de focalizar-se no presente?

A resposta é Sim. Focalizar apenas no “aqui e agora” é uma conclusão simplória, cujos efeitos acabam demonstrando a sua invalidade. De fato nem toda realidade é física no sentido de ter que existir em algum lugar no espaço. As dinâmicas da natureza, e também as dinâmicas daquilo que é criado pelo ser humano, não existem de forma física. Não se pode pegar uma dinâmica de acontecimentos (não se pode guardá-los dentro de uma gaveta). O ritmo da sucessão dos fatos é o que percebemos como o tempo, e o tempo é uma percepção mental (não-física), mas que prova-se confiável conforme observamos a realidade. Em outras palavras, nós experimentamos percepções mentais que podem, ou não, estar relacionadas à realidade física. Podemos dizer que há uma realidade mental que interage com a realidade física.

Em alguns casos, a realidade mental é amplamente comunicada, documentada e validada no mundo físico, como no caso da ciência (cuja função eu procurei introduzir no post O Papel da Ciência). Porém, o que há de interessante atualmente é que os computadores estão assumindo parte deste trabalho mental, embora de uma forma muito rudimentar. Pode-se argumentar que não se trata de verdadeira inteligência, nem de verdadeira consciência, porém a matéria que forma os computadores é também feita de átomos, os quais são feitos de partículas mais elementares ainda, que também constituem o que nós somos fisicamente. Nossos corpos têm energia, assim como os computadores também a têm. Então, se evoluímos para nos tornarmos seres conscientes, também os computadores podem fazê-lo eventualmente (o post Quando Tudo é Divino: Um Universo Sem Criador e Sem Criatura explora um pouco mais a relação entre matéria e espírito, a qual também se aplica a computadores e espírito). Muitos de nós não querem que os computadores criem suas próprias percepções de bem e mal, ou de certo e errado. Talvez não seja a primeira vez que isso aconteceu. Dêem uma olhada neste trecho bíblico:

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito.
Ela disse à mulher: "Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?" A mulher respondeu à serpente: "Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte."
A serpente disse então à mulher: "Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal."
(Gênesis, 3, 1-5, Bíblia de Jerusalém)

Mais adiante, outro trecho relacionado:

Depois disse Iahweh Deus: "Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal," que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!"
E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.
(Gênesis, 3, 22-24, Bíblia de Jerusalém)

Prosseguindo sobre as abstrações mentais, algumas são tão precisas em relação aos eventos físicos que confundimos muitas vezes a realidade física com a realidade mental, e vice-versa. Chegamos a acreditar que uma lei científica (presente na realidade mental, mesmo que registrada fisicamente) é uma lei natural, ou seja: uma realidade física. É justamente este tipo de confusão que devemos evitar.

A realidade mental nos fornece informações sobre as possíveis dinâmicas dos acontecimentos e seus desdobramentos, nos revelando as possibilidades de transformação do momento presente e também sobre como interferirmos para favorecermos algumas possibilidades, em detrimento de outras. Ou seja, embora nossos pensamentos não representem necessariamente o que ocorre no mundo físico e nossos receios possam parecer infundados muitas vezes, estes mesmos pensamentos devem ser levados seriamente em consideração até que se chegue a uma resposta adequada a eles (seja respondendo a uma dúvida, ou provando sua irrelevância) e à realidade física. O importante é dar atenção a cada domínio da realidade e saber discernir entre estes domínios, harmonizando-os.

Há dois erros a evitar: não se deve deixar cair no erro de tornar-se paranoico, acreditando no pior apenas porque possuímos uma dúvida que aponta para uma uma possibilidade negativa; e nem tampouco devemos acreditar que tudo são flores no mundo só porque visualizamos uma possibilidade positiva mentalmente.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Uniões Baseadas em Troca X Uniões Baseadas em Ideais

Há dois tipos de uniões. Uma é a união por motivo de interesse, onde existe a troca de uma coisa por outra. E a outra é a união com base em um ideal comum, ou no prazer comum de estar junto ou de sentir-se como que pertencendo a algo.

No tipo em que impera a troca, a união cessa quando um lado não tem mais o que oferecer, ou seja, quando acaba a "moeda de troca". Essa "moeda de troca" pode ser o dinheiro, mas também pode estar representada por meios mais sutis como, por exemplo, a subserviência, como impera na magia negra quando alguns buscam servir a algo ou alguém que consideram mais forte e poderoso, na esperança que ganhem algumas migalhas e tenham mais "sorte" do que outras pessoas que aparentemente seguem pela senda mais difícil.

Mas este tipo de subserviência não se limita à magia negra exclusivamente pois, na realidade, também pode ser motivada pela inconsciência. É a inconsciência que leva uma pessoa a adotar falsamente uma "postura cristã" (embora não se possa generalizar todos os cristãos) em que afirma amar e adorar Jesus, uma vez que após a morte é essa adoração que lhe garantirá a vida eterna no paraíso, ao invés da danação eterna. Mas acontece que esta pessoa pouco conhece a respeito de quem é Jesus para que possa realmente amá-lo. Mas isso não importa, pois o que precisa ser feito é evitar a danação eterna... Interessante como muitas religiões tiram proveito disso, aproveitando o fato de que as pessoas não são perfeitas quando comparadas a um Jesus mítico (que não é a mesma coisa que o Jesus histórico), e fazendo-as sentirem-se constantemente em débito e, muitas vezes, a forma simples de saldar esse débito é com dinheiro (relação de troca).

Percebe-se que não são questionamentos puramente imorais, nem tampouco puramente morais, que estão envolvidos nas uniões baseadas em troca, pois a troca pode ser tanto movida por um impulso moral (no caso do cristão, por exemplo) ou imoral (no caso da magia negra, por exemplo). O que de fato caracteriza a união baseada na troca é que ela não é sustentada pelo que uma pessoa é, mas pelo que ela tem, ou pela vantagem que ela pode oferecer, normalmente de forma imediata.

Já na união por um ideal, não importa aquilo que você possui, nem aquilo que você pode oferecer no momento, mas aquilo que você ama. Na sua forma mais comum, é o que une as pessoas quando se amam (seja um casal, sejam pais e filhos, etc), e é também o que une as pessoas em uma causa comum (proteger a natureza, combater a miséria, etc). Na magia existem uniões entre o mago e o que está em ressonância a ele. Quando estas uniões se estabelecem por ideais comuns, o que quer que seja feito no mundo para outras pessoas, deve ser feito de graça ou pelo mínimo custo. Pois não é lícito pagar por algo que é a manifestação de um dom gratuíto. É evidente que as pessoas têm despesas, principalmente quando se dedicam desinteressadamente a um propósito e, nesse caso, não se deve confundir o conceito de “pagar por algo” como se fosse a mesma coisa que “ajudar nas despesas”.

No entanto, no esoterismo e ocultismo, há quem exija pagamentos realmente extorsivos, muito além do que se poderia chamar de razoável. Pode-se argumentar que cobra-se por algo porque se está sempre disponível e dedicado mas, se estar disponível e dedicado é o "preço" para se ter um dom, então existe um sistema de troca onde o “dom” só é dado se abrir-se mão de outros aspectos na vida. Aí nâo se trata de uma união por ideais. Enfim, este é um tema delicado.

Nas uniões verdadeiramente baseadas em ideais comuns, as pessoas não são coagidas a agirem de uma forma ou outra, e não perdem a união só por passarem um tempo lidando com suas próprias vidas. São verdadeiramente livres. Dessa forma, as uniões por ideais são éticas no sentido que todos vivem por um princípio de igualdade. Existem funções diferentes entre aqueles que estão unidos, mas não diferenças de status.

Em ambos os tipos de uniões (por troca ou ideais), os objetivos das mesmas são os mais diversos. E quanto ao número dos que participam nelas, também há uma grande variedade. Certos objetivos conquistam mais pessoas, quando estão à favor da cultura dominante, e outros objetivos tendem a criar círculos mais fechados e ocultos, quando vão contra a cultura dominante. O que não quer dizer que os círculos mais abertos sejam melhores (nem piores). Há muito preconceito cultural e este é um dos motivos do termo "ocultismo" ter justamente esse nome. Seria maravilhoso se todas as uniões fossem baseadas em ideais, não em troca. Porém é necessário reconhecer que há uma ampla diversidade de pessoas no mundo, com uma gama diversa de valores, e dependemos direta ou indiretamente do mundo inteiro. Assim não podemos esperar que todas nossas uniões sejam criadas apenas com base em ideais comuns. Seria utópico, pois não teríamos acesso à grande parte da riqueza do mundo. Não há problema real em obtermos dinheiro por nosso próprio esforço, quando representamos valor para o mundo, oferecendo esse valor e acrescentando algo nosso. E podemos acrescentar muito de nosso trabalho ao esoterismo e ao ocultismo, se tivermos esta vocação, e sermos recompensados por isso. Porém, as nossas uniões essenciais (as mais importantes), que são as espirituais e as relacionadas aos nossos laços sentimentais (inclusive os laços de amizade), são mais sólidas se forem uniões por ideais pois, caso não o sejam, se quebrarão quando se consumirem nossas "moedas de troca".

De fato, quanto mais amplas forem nossas uniões por ideais, mais sólida será a vida em si pois tais uniões nos fortalecerão em situações de crise. Na magia, criar uma rede de ressonância ampla e una a a si mesmo, baseada em ideais, é um dos maiores objetivos. Conforme esta rede se amplia, as uniões baseadas em troca tornam-se cada vez mais secundárias e passamos a depender cada vez menos delas.

sábado, 27 de outubro de 2012

Uma Nova Forma de Buscar a Riqueza

No post anterior, eu coloquei alguns princípios sobre o uso benígno do dinheiro. Uma consequência de reformular o conceito do uso do dinheiro implica também em mudar como definimos a riqueza. Muitas pessoas pensam em riqueza como o extremo acúmulo do dinheiro e, na realidade, este acúmulo gigantesco não deveria existir, afinal o dinheiro deve fluir para cumprir seu papel, e não permanecer acumulado e estagnado. Como conciliar então a ideia da riqueza?

Há quem tenha, como maior sonho, o de se tornar rico. Não me refiro às pessoas que o tentam fazer de forma desonesta e sim às pessoas que se dedicam dia a dia a um negócio pensando nos lucros que podem ser gerados, nos prejuízos que os assombram, ou então nos esforços e sacrifícios que “devem” ser realizados para conseguir uma promoção, seja para ser o novo supervisor, ou o novo gerente, diretor, presidente. Estas pessoas acreditam que a riqueza seja possuir o dinheiro, e é aí que está o erro pois a riqueza está em usufruir, relacionar-se, explorar as possibilidades do mundo e de si mesmo, o que não tem nada a ver com possuir. O simples fato de possuir uma imensa quantidade de dinheiro sem utilizá-lo é um contrasenso pois, possuindo-o dessa forma, não se explora suas possibilidades.

A riqueza está, em primeiro lugar, dentro de si mesmo, na liberdade de ser e pensar, no bom funcionamento do próprio corpo, na expressão do corpo, percebendo seus limites, percebendo o prazer e a dor (eu exploro o tema das sensações no post O Prazer e a Dor). Sim, o prazer e a dor, porque são a base de nosso aprendizado e também é um tipo de riqueza a liberdade de errar, acertar e aprender.

A riqueza está também em se relacionar com as pessoas, ter amizades, revelar seus talentos (uma das formas de se realizar isso é o trabalho), deixar-se servir dos talentos de outras pessoas, ter uma companhia, ter filhos e conviver com os filhos, tornando-se sempre jovem interiormente por estar em contato com a juventude deles. A riqueza está em poder amar os filhos, sejam meninos ou meninas, de uma forma tão pura como jamais seria possível amar outra pessoa, nem mesmo a pessoa que se escolheu como companhia.

A riqueza está em viver cada etapa da vida, sendo plenamente criança, plenamente jovem, plenamente solteiro (ou solteira), plenamente casado (ou casada), ou então optar por outras possibilidades como o claustro religioso, por exemplo. A riqueza também está em ser plenamente idoso, pois ser idoso também é uma etapa da vida e ser verdadeiramente rico implica em viver todas as etapas, extraindo o máximo de experiência de todas elas.

A riqueza está também em ter a liberdade de tratar bem a quem se ama, ou a quem se se sente o legítimo impulso de caridade. A riqueza também está em encontrar conforto no mundo e nas pessoas, em se permitir receber carinho e ser cuidado. A riqueza também é material quando, nos sentindo como crianças, nos espantamos com uso da tecnologia. Em suma, a riqueza diz respeito a relacionar-se, a ser e expressar-se, a ser cada vez mais e a expandir essa expressão no mundo, como se fosse uma grande tela e nós fôssemos os artistas pintando esta tela.

A riqueza diz respeito inclusive ao dinheiro, quando nos relacionamos com ele e o permitimos fluir. Quando se descobre a verdadeira natureza da riqueza, se torna possível perceber que o dinheiro pode fazer parte dela, mas não é a maior parte, pois podemos acessar a riqueza do mundo quando enriquecemos quem somos, definindo nosso papel, e desenvolvemos nossa expressão no mundo. Dessa forma, o uso do dinheiro, em si, se torna menos necessário. Na realidade, assim é a riqueza vivenciada da forma correta. A forma incorreta seria o acúmulo desenfreado do dinheiro para se tentar obter um atalho, tentando evitar a forma natural de realizar-se no mundo.

sábado, 20 de outubro de 2012

O Uso Benígno do Dinheiro

As pessoas têm os mais diversos conceitos em relação ao papel do dinheiro em suas vidas e no mundo. Alguns transformam o dinheiro em um bem maior, na busca última em relação ao qual tudo o mais é secundário. E, justamente por causa desse ponto de vista, outros acreditam que o dinheiro é coisa malígna, que se concentra nas mãos de poucos e escraviza os demais. O fato é que, se o dinheiro fosse de fato malígno, as pessoas não o desejariam, pois ninguém deseja algo que não lhe traga algum tipo de benefício. Muitos costumam criticar outras pessoas por terem objetivos, atitudes e valores voltados ao dinheiro, mas o que sentem realmente é a insatisfação de suas necessidades nesse sentido. Na realidade, não existe razão em culpar o dinheiro, em si, pela forma que as pessoas o usam (o que não é o dinheiro em si). Não faz sentido denegri-lo quando se deseja mais dele para si e para outras pessoas.

O X da questão vem do fato de que as pessoas competem para possuir o dinheiro. E há alguns que fazem isso de forma muito voraz, enquanto outros até que conseguem administrá-lo, e outros então sequer conseguem utilizá-lo para suas necessidades mínimas. É uma competição que não tem resultados equalitários. No fundo, é esta competição que está errada, e não o dinheiro em si. O dinheiro foi inventado para que as trocas de mercadorias e serviços fossem facilitadas. Antes do dinheiro existir, era necessário que se trocasse um bem por outro, ou que se trabalhasse para alguém com o objetivo que esta pessoa lhe entregasse um outro bem ou serviço. Nessa situação, as pessoas precisavam transportar seus bens consigo para poder trocá-los com alguém que os desejasse e necessitavam transportar também os bens que adquiriam em troca.

O fluxo do dinheiro deveria facilitar as trocas de bens e serviços mas não foi isso que aconteceu na prática. As pessoas começaram a acumulá-lo pois isto lhes causava (e causa) a sensação de estarem seguras, pelo menos no que diz respeito aos bens materiais. O ideal é que o dinheiro flua transformando a realidade. Um exemplo de quando o dinheiro é bom, é quando ele se transforma em um negócio que gera empregos e que tem uma função social de algum tipo. Assim, o dinheiro se torna parte do poder que nós temos de dar forma à realidade, sustentando e preservando o que damos valor. O dinheiro é a maneira que possuímos de manter aquela loja em que compramos as roupas que gostamos, ou de manter aquele mercado onde obtemos o que comer e os itens que necessitamos repor em nossos lares, ou instituições de caridade que desejamos manter, etc. Quando pagamos por algo em um estabelecimento, parte deste pagamento irá ser destinado àquelas pessoas que estão trabalhando ali, que o levarão a seus lares e irão utilizá-lo para obter bens e serviços, sustentando também as estruturas que existem na sociedade que lhes fornecem os mesmos.

O uso do dinheiro é benígno principalmente se ele fluir ao invés de ser meramente acumulado (não me refiro é claro às pequenas economias). Quando ele flui, exercemos nosso poder de dar sustentação e forma à realidade. Quando ele é acumulado em excesso, é um potencial estéril e sem uso. O bom uso do dinheiro implica em saber o que desejamos manter no mundo (sejam pessoas, instituições, serviços, lugares ou objetos) e destiná-lo a esse fim. Mas esta é apenas a parte do fluxo que sai de nós. Também é necessário fazer com que venha a nós.

Da mesma forma que o dinheiro é utilizado para mantermos aquilo que damos valor no mundo, o mundo nos mantém com dinheiro quando representamos valor para o mundo. Ou seja, quando temos um papel dentro dele. Na realidade uma pessoa pode ter muitos papéis no mundo, seja na forma de um emprego, seja como empreendedor, ou de diversas outras maneiras. Não há limites para o uso da criatividade na escolha destes papéis, e nem da pluralidade destas escolhas. É claro que não basta fazer escolhas: é necessário desenvolvê-las. E também, quanto mais especial for seu papel no mundo, maior a probabilidade de que o mundo faça com que o dinheiro flua para você.

E finalmente, deve-se evitar negar-se ao dinheiro. Se você repudia algo enfaticamente, será cada vez mais bem sucedido em isolar-se do que nega, de forma que poderá acabar sendo tão bem sucedido nessa negação que se tornará sem aquilo que repudia.