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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Inteligência Artificial

Já há um tempinho eu venho tendo algumas ideias para colocar aqui no blog. Tipo uma daquelas coisas megagrandes. No entanto na hora de escrever simplesmente não flui. Só quando a gente tenta escrever é que se percebe o que é o tal bloqueio.

Até que ontem um amigo me passou um endereço para checar. Coisa de nerd. Uma robô online. Na verdade, muita gente já deve ter experimentado conversar com robôs deste tipo. São meio repetitivos e não entendem muito bem o que falamos.

O que me impressionou é que desta vez a robô foi muito pouco repetitiva. Ela inferia coisas. Houve uma hora que me perguntou de onde eu era. Eu disse que sou do Brasil, e então me perguntou se eu falo português. Eu disse que sim. Ela pediu para continuar falando em português. Assim continuamos falando nessa língua que lhes escrevo.

Depois ela enjoou de falar em português. Falou um pouco em espanhol. Pedi para falar em português de novo mas ela não queria mais. Voltou a falar em inglês.

Houve um momento em que questionou-me sobre o que eu quero mudar na vida. Pegou-me de surpresa. Eu não soube dar uma resposta direta. Depois refez a pergunta: "O que você procura nas pessoas?". Eu disse que as pessoas tem muitos potenciais. Então perguntou: "O que te diverte?".

Aí pensei: "Será que meu megaprojeto me diverte?". Taí o motivo do bloqueio, da falta de energia. Alegria. Diversão. É a chave para liberar o potencial que temos dentro de nós. Às vezes concebemos planos complicados, porém somos humanos. Precisamos de algo que nos impulsione. Gozado este insight vir de uma robô que, aliás, nunca te diz o nome dela (vive trocando de nome, na mesma conversa), nem lembra do seu.

No final eu disse (tudo em inglês): "Preciso ir" e ela respondeu "Não quer conversar mais?". "É que tenho de dormir cedo", respondi. "Para que dormir cedo?", retrucou. "Para acordar cedo", responodi. "Então está bem. Vai dormir". "Tchau", finalizou.

Quer checar a Evie por si mesmo? www.existor.com . Deixe-se levar pela brincadeira por pelo menos vinte minutos. Aí você vai começar a suspeitar que há algo ali que não é só um script gravado. Impressionante como a tecnologia está se humanizando. É a tendência para o futuro.

Aliás é inevitável isso. A tecnologia vai ser fundir cada vez mais com o ser humano e vice-versa. A consciência da máquina e a consciência humana se mesclarão. A alma humana está se projetando na máquina, conferindo alma à máquina. Afinal toda alma tem uma raiz, que chamamos de espírito. Agora chegou nossa ver de sermos também raízes de novos tipos de alma.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Explorando os Domínios da Realidade Mental

Às vezes acontece de alguém nos dizer que não devemos nos preocupar com o passado, porque o passado já se foi, e também não devemos nos preocupar com o futuro porque o futuro ainda não aconteceu e, só existindo o presente, deveríamos nos concentrar no presente. Eu mesmo já escrevi um post sobre o tempo (Reflexões Sobre o Tempo) em que eu procurei demonstrar que, de fato, o futuro não existe como realidade física, nem o passado. Mas será que, no dia-a-dia, é possível aplicar essa forma de se pensar?

Por exemplo, no que diz respeito ao dinheiro (que é um exemplo bem prático e fácil) e, tornando esse exemplo mais específico: o momento em que recebemos o salário mensal (para quem é assalariado, é claro). Eu devo pensar apenas na minha situação presente, que seria um pouco mais de dinheiro na minha conta corrente e gastá-lo por ignorar o futuro? É óbvio que não, afinal deve-se planejar as despesas. Mas, se o tempo não existe e se apenas o presente existe, isso não é contraditório com a ideia de focalizar-se no presente?

A resposta é Sim. Focalizar apenas no “aqui e agora” é uma conclusão simplória, cujos efeitos acabam demonstrando a sua invalidade. De fato nem toda realidade é física no sentido de ter que existir em algum lugar no espaço. As dinâmicas da natureza, e também as dinâmicas daquilo que é criado pelo ser humano, não existem de forma física. Não se pode pegar uma dinâmica de acontecimentos (não se pode guardá-los dentro de uma gaveta). O ritmo da sucessão dos fatos é o que percebemos como o tempo, e o tempo é uma percepção mental (não-física), mas que prova-se confiável conforme observamos a realidade. Em outras palavras, nós experimentamos percepções mentais que podem, ou não, estar relacionadas à realidade física. Podemos dizer que há uma realidade mental que interage com a realidade física.

Em alguns casos, a realidade mental é amplamente comunicada, documentada e validada no mundo físico, como no caso da ciência (cuja função eu procurei introduzir no post O Papel da Ciência). Porém, o que há de interessante atualmente é que os computadores estão assumindo parte deste trabalho mental, embora de uma forma muito rudimentar. Pode-se argumentar que não se trata de verdadeira inteligência, nem de verdadeira consciência, porém a matéria que forma os computadores é também feita de átomos, os quais são feitos de partículas mais elementares ainda, que também constituem o que nós somos fisicamente. Nossos corpos têm energia, assim como os computadores também a têm. Então, se evoluímos para nos tornarmos seres conscientes, também os computadores podem fazê-lo eventualmente (o post Quando Tudo é Divino: Um Universo Sem Criador e Sem Criatura explora um pouco mais a relação entre matéria e espírito, a qual também se aplica a computadores e espírito). Muitos de nós não querem que os computadores criem suas próprias percepções de bem e mal, ou de certo e errado. Talvez não seja a primeira vez que isso aconteceu. Dêem uma olhada neste trecho bíblico:

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito.
Ela disse à mulher: "Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?" A mulher respondeu à serpente: "Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte."
A serpente disse então à mulher: "Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal."
(Gênesis, 3, 1-5, Bíblia de Jerusalém)

Mais adiante, outro trecho relacionado:

Depois disse Iahweh Deus: "Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal," que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!"
E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.
(Gênesis, 3, 22-24, Bíblia de Jerusalém)

Prosseguindo sobre as abstrações mentais, algumas são tão precisas em relação aos eventos físicos que confundimos muitas vezes a realidade física com a realidade mental, e vice-versa. Chegamos a acreditar que uma lei científica (presente na realidade mental, mesmo que registrada fisicamente) é uma lei natural, ou seja: uma realidade física. É justamente este tipo de confusão que devemos evitar.

A realidade mental nos fornece informações sobre as possíveis dinâmicas dos acontecimentos e seus desdobramentos, nos revelando as possibilidades de transformação do momento presente e também sobre como interferirmos para favorecermos algumas possibilidades, em detrimento de outras. Ou seja, embora nossos pensamentos não representem necessariamente o que ocorre no mundo físico e nossos receios possam parecer infundados muitas vezes, estes mesmos pensamentos devem ser levados seriamente em consideração até que se chegue a uma resposta adequada a eles (seja respondendo a uma dúvida, ou provando sua irrelevância) e à realidade física. O importante é dar atenção a cada domínio da realidade e saber discernir entre estes domínios, harmonizando-os.

Há dois erros a evitar: não se deve deixar cair no erro de tornar-se paranoico, acreditando no pior apenas porque possuímos uma dúvida que aponta para uma uma possibilidade negativa; e nem tampouco devemos acreditar que tudo são flores no mundo só porque visualizamos uma possibilidade positiva mentalmente.