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sábado, 14 de julho de 2018

Experimentando a Vibe de um Sábado de Manhã

Fffffffffffrrrrriiiiiiioooooooooooo aqui em Curitiba... Diz a previsão do tempo que vai melhorar, que está fazendo 10 graus lá fora (o que aliás já é um progresso em relação a ontem). Mas acordei às 8 da manhã desse sábado e não sinto toda a animação que achei que sentiria :D

Ontem conversei à noite com uma pessoa próxima, e ela me fez uma pergunta que eu achei interessante. Mais ou menos assim: "De tudo que você pode imaginar, o que você poderia fazer de mais significativo?" Certas pessoas são como oráculos. Melhores que I-Ching, melhores que Tarot.

E, é claro, estamos ainda há umas 30 horas desde que ocorreu o momento exato da Lua Cheia (sob a ação da Lua Cheia ainda, mas concluindo). Momento bom para tomar certas atitudes. Não que o efeito seja aquele que nós esperamos, mas normalmente a Lua Cheia sugere esse tipo de começo e, mesmo que venha algo bem diferente como resultado, é muito provável que seja algo necessário.

Bom, há quase dois anos atrás minha vida fez uma curva. Novo emprego, nova situação, e eu senti que não teria tempo para publicar assuntos por aqui e em outros lugares. A verdade é que na magia as coisas não são tipicamente lineares. Aliás, nós até sentimos quando elas estão para mudar, e eu sentia isso já nos meus úlitmos posts que havia publicado no blog, que iam ficando cada vez menos frequentes.

Pois então, nesse momento agora, eu sinto (eu intuo, melhor dizendo) a vibração do Ponto de Transição (um termo que vem do I-Ching). Ciclo completo e reiniciando. Tomando decisões que vão ser importantes para frente, e nada mais simbólico que estar aqui de novo, no blog, com vocês.

Aliás, a minha ideia ainda é contar minha história. Mas acho que vou me expor mais, ser mais informal (como agora), falar por partes, colocar ideias que podem ser questionadas sem tentar fechar assuntos. Espero realmente que voltar ao blog do Mestre Que Nada Sabe seja uma semente desse reinício. É o que desejo.

Enfim, já que é sábado, mesmo um pouquinho frio aqui no Paraná, eu desejo a vocês um bom fim de semana!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

2016 - Ano de Complementações

2016, ano novo chegando e trazendo consigo uma nova vibração, ressonando complementação. Certamente uma palavra muito promissora, mas com um significado um tanto sutil. Não se trata exatamente da materialização daquilo que almejamos, e sim daquele impulso que também deveríamos buscar se, conscientemente, por esforço próprio, procurássemos desenvolver as qualidades que nos permitiriam tornar real aquilo que mais almejamos que seja real.

Sutil demais, eu sei. Digamos que 2016 vai mostrar, bem diante de nossos narizes aquilo que nos falta, se algo nos falta (e sempre há algo por melhorar). Pode ser desconcertante descobrir a qualidade que precisamos desenvolver para concretizarmos nossos objetivos. Pode causar resistência de nossa parte. De fato, será um exercício de aprendizado. Uma chance de nos tornar mais sábios sobre o que realmente nos importa na vida. 

Agora, pode acontecer dessa lição já ter sido aprendida. Nesse caso, 2016 trará uma excitante materialização, tanto do que mais desejamos quanto do que completa e torna real aquilo que buscamos. Será, certamente, uma oportunidade de colheita para o indivíduo consciente de seus potenciais internos e das dinâmicas e mecanismos para que estes se concretizem, notadamente no que diz respeito à magia.

Ou seja, 2016 trará à tona aquilo que precisamos aprender a lidar para sermos completos. Intrigante se essa manifestação se traduzir em uma ou mais pessoas. Isso acaba por nos dar uma chance de conversamos com o que precisamos assimilar. Assim transformamos o que seria uma experiência de aprendizado numa oportunidade de harmonização. Pares podem se encontrar de uma forma bem interessante. E na magia, então? Contatos importantes, há muito tempo esperados, podem se desenvolver.

Óbvio que o que quer que 2016 revele, só irá complementar aquilo que temos realmente buscado. Se apenas reagimos às experiências do dia-a-dia, sem nos deixarmos motivar por deixar uma marca, nada acontecerá pois não haverá coisa alguma a ser complementada.

2016 vai trazer, portanto, muitas possibilidades. Espero, sinceramente, que você consiga aproveitá-lo ao máximo. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aprendendo a Fazer Escolhas

Nunca fiquei muito tempo sem emprego. Já fui demitido, já pedi minha demissão, várias vezes. Porém, bastava colocar meu currículo em dia, usar ao máximo minha rede de contatos, voltar a me cadastrar nos sites especializados e, enfim, ir atrás do que aparecesse, para que logo uma nova oportunidade surgisse. Algumas vezes, porém, certas experiências em recrutamentos aconteceram primeiro em sonho (por mais estranho que isso pareça - o motivo, ainda vou discutir aqui no blog) para se tornarem fatos concretos somente meses depois.

Na realidade, eu já conversei e teorizei sobre este tema. Tratam-se de sonhos que se tornam reais, em detalhes, após entrarem em um período razoavelmente longo de esquecimento. Quando acontecem, a lembrança deles vem de súbito à mente. São experiências deste tipo (dentre outras) que me fazem recordar que a realidade não é apenas acaso. A psique se manifesta como causa na experiência individual.

Retornando à história, algo que eu realmente queria, na época, era encontrar uma oportunidade profissional em que eu me sentisse realmente valorizado. Ou seja, onde houvesse uma boa remuneração de fato, ao invés de simplesmente "Muito bom! Excelente trabalho! " (e nada mais palpável). Algumas pessoas que eu conhecia já estavam em carreiras que eu considerava interessantes naquele tempo. Eu dizia a mim mesmo que queria seguir seus exemplos, mas hoje devo reconhecer que, no fundo, tratava-se de simples inveja.

Meu trabalho era conhecido por seu rigor nos detalhes. Em uma época em que poucos se preocupavam com conceitos de qualidade, eu levava à cabo detalhadas verificações do software que eu produzia. Tudo isso era bom, não fosse pelo fato de que eu gostava dos elogios e, no fundo, me considerava melhor que os demais.

Ocorreu que, em um sonho, eu estava diante de uma proposta. Alguém perguntava a mim se eu a aceitaria. Não me recordo de mais nada a respeito do que havia acontecido antes, mas eu sabia intuitivamente que aquela era a proposta que eu tanto ansiava por obter.

De repente percebi que se tratava de um sonho e, por instinto, desejei que tivesse sido real. Ato mágico. Uma semente plantada em solo fértil dentro do inconsciente. Veio o esquecimento. Passou-se o tempo. Até que aconteceu de eu estar em São Paulo, em um processo seletivo.

Enfim tratava-se da alta remuneração que eu ambicionava (ou, pelo menos, é o que eu acreditava), além do status de trabalhar em uma grande capital. O movimento ao caminhar pelas ruas era algo do qual, um dia, eu fizera parte. Eu sentia saudade.

Saudade de um tempo que antecedia aquele momento. Saudade das grandes feiras tecnológicas que sempre fizeram parte do cotidiano daquela cidade. Saudade de um tempo ido, misturando-se a outras expectativas.

No entanto havia o preço. Eu assumiria contratos, mas não os decidiria. Um horário para chegar, nenhum para sair. Algumas pessoas me asseguravam: "Este é o modelo de trabalho no Brasil agora. É um tanto assustador a princípio, mas você se acostuma. Vale a pena.".

Fosse há cinco anos, eu não me importaria em dispor de todo meu tempo. Eu colocaria sim, todas as minhas fichas no dinheiro. Entretanto, naquele momento eu percebi que desejava envolver-me mais com outros aspectos da vida (o ocultismo, entre eles). Desejava ter meu próprio espaço e meu próprio tempo. Queria um lar, uma vida mais simples e uma rotina aconchegante.

Tinha boas lembranças, sim, de uma São Paulo do passado, porém percebia, naquele instante, que aquele tempo se fora. Diante de mim, estava o mesmo rapaz que aparecera no sonho, querendo saber se eu aceitava, ou não, aquela oferta. "Não ", respondi. 'Pensei melhor. Não é o tipo de trabalho que eu estou procurando".

Mal respondi e a lembrança da experiência astral veio à minha mente, de súbito, causando-me assombro. Algo em mim mudou desde então. Nunca mais invejei aqueles que seguiram este caminho.

A reação à minha resposta não foi negativa. Na realidade, não foi a última vez que tive esse tipo de proposta. Anos depois a mesma empresa entrou em contato de novo, e rejeitei a oferta outra vez, polidamente. Enfim chegou um tempo que trabalhamos juntos por um tempo, em outras condições. Outra empresa fez uma proposta semelhante a mim, para ajudar em um projeto nos mesmos termos, e aceitei temporariamente. Poderia ter continuado em outros projetos mas, pelos motivos que já expus, não quis.

Tudo isso valeu para que se reafirmassem em mim minhas convicções. Quando se trata de magia, é preciso separar o que é causa do que é efeito. A magia, em um sentido mais amplo, é a busca de realização plena, que começa de dentro para fora. Óbvio que toda escolha é pessoal, variando de indivíduo para indivíduo, porém sempre é o externo que deve ser dependente do interno, e não o contrário.

Quando se está preparado, o que é interno se materializa externamente. Não é uma questão de chance única, como pensam alguns. Mesmo que você cometa uma falha, mesmo que você deixe passar uma oportunidade, o que vibra no mago internamente simplesmente teima em se manifestar externamente, esteja ele consciente ou não.

Se você se deixa seduzir por alguns resultados (deixando o processo que criou estes resultados para segundo plano), você acaba se desconectando, até mesmo, do que já obteve (quase supérfluo dizer que muitos falham justamente por este tipo de fraqueza). Antes de se pretender controlar o que há ao redor de si, é necessário aprender a ser coerente principalmente consigo mesmo.

No final das contas, é o Si-Mesmo que é o fundamento da realização do mago.

sábado, 15 de agosto de 2015

Quero que Você Seja Real

Certa vez vi uma mulher jovem, encostada à uma parede, vestindo uma jaqueta e sorrindo para mim. Simpatizei e, subitamente, tive consciência de que estava sonhando. Sim, era um sonho e visualizava uma pessoa dentro de um sonho.

Eu já sabia do poder imenso que se tem quando se expressa um desejo dentro de um sonho. Afinal, antes disso, eu já tivera outros que se tornaram reais, detalhe por detalhe, só porque, ainda imerso neles, eu havia afirmado que gostaria que fossem reais (ou, até mesmo, simplesmente que seria bom que fossem reais). E aconteceram, de fato, anos depois.

Pois então, eu estava sonhando, consciente. Sendo eu então um mago impulsivo (e ainda sou), passou uma ideia um tanto mirabolante por minha cabeça. A questão era: "Será possível? Será que eu posso alterar a malha da realidade nesse momento, orientando-a?". Nada tinha a perder. Fiz o teste. Olhei para os olhos da garota à minha frente e disse: "Eu quero que você seja real.".

Estava dito. Bastaria isso para torná-la real, ao longo do tempo? Ela sorriu de uma forma zombeteira e desapareceu diante de meus olhos. O que significou aquele sorriso? Parecia estar dizendo a mim: "Tolinho, eu já sou real.".

Este poderia ser um sonho como qualquer outro, mas acabou ficando entre aqueles dos quais jamais esqueci. O fato é que, anos depois, nasceu minha filha e cresceu com o passar do tempo, desenvolvendo-se. Cabelos negros, a cor de pele, o olhar, o sorriso matreiro e bem-humorado ao qual já me acostumei a ver tantas vezes. O jeito tímido, mas não excessivamente. Enquanto os anos se passaram, e particularmente nos últimos, comecei a me lembrar sem querer do sonho, mais e mais vezes, até que comecei a intuir porquê. Mas será? Será que a intuição está certa?

A maior parte destes sonhos em que eu planto uma semente, eu só recordo depois que acontecem, e nos detalhes. Porém alguns deles ficam em minha consciência desde o princípio. Servem como farol em diversas circunstâncias da minha vida. Parecem dizer-me: "Não se preocupe. O que quer que aconteça, irá levá-lo àquela direção. Basta continuar seguindo em frente".

Supondo que quem eu vi no sonho seja, de fato, minha filha, de onde nos conhecemos antes? É certo que minha alma sabe muito mais do que o que está aqui nos meus neurônios. Embora eu possa sentir algo (muitas vezes a falta de algo), não posso dizer o quê exatamente, pois não me recordo, mesmo que sinta. Procuro apenas estar receptivo ao que se passa na alma, deixando-a influenciar-me.

Quando nos tornamos receptivos ao que a alma nos faz ouvir, tomamos frequentemente as atitudes certas, porém sem conhecer os motivos certos. É como se agíssemos impulsivamente, de uma forma um tanto inconsequente, e é bem assim que me sentia no sonho. No entanto, não se trata de uma real inconsequência (não quando há um apelo da alma). É apenas um tipo de decisão que não encontra apoio na razão, nas memórias que existem ali no cérebro. O motivo de tudo vem de lembranças mais antigas do que o corpo, que não pertencem a ele. Acabamos então, realizando aquilo que viemos realizar nesse mundo e só depois de muito tempo (e com ajuda da intuição), entendemos que cumprimos nosso papel.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Olhando para Dentro de Si

Certa vez eu sonhei que estava em uma espécie de universidade. Ali cada um dos alunos (inclusive eu) tinha um apartamento para si e existiam imensos corredores mal iluminados, com a atmosfera característica dos prédios antigos. Já os apartamentos, estes tinham boa iluminação interna, transmitindo uma impressão mais jovial.

Os alunos se cumprimentavam dentro desses corredores quando estavam saindo ou chegando. Nesses momentos, breves conversas aconteciam. Por acaso eu e um colega estávamos chegando ao mesmo tempo e, enquanto tirávamos as chaves do bolso, eu o cumprimentei:
- Olá! Tudo bem?
- Olá, tudo - ele respondeu.

Prosseguiu:
- Você é novo por aqui?
- Sim, cheguei há pouco tempo.
- Pois então, há algumas vantagens de ficar por aqui. É muito confortável e você é bem assistido. Praticamente não há porquê se preocupar a respeito de suas necessidades básicas.
- Isso é realmente muito bom - assenti.
- O único detalhe é que você precisa estudar, e isso pode ser um tanto difícil para alguns alunos.
- Mesmo? Porque?
- Digamos que nem todos tem sangue frio para os conteúdos ensinados aqui. São um tanto demoníacos.

Fiquei em silêncio por alguns segundos e indaguei:
- Demoníacos?
- Sim, demoníacos. Mas agora preciso entrar. Depois conversamos mais.

Entrei em meu apartamento e encostei a porta. Aquela revelação me assustou. Sobre este trecho do sonho, me parece um tanto estranho. O fato é que, para alguém como eu, já acostumado às experiências relacionadas à goécia (a arte do contato com demônios internos), uma revelação deste tipo não deveria me perturbar tanto mas, enfim, era um sonho e os sonhos muitas vezes seguem por uma lógica própria, a qual nem sempre correponde ao que pensamos durante os momentos de vigília.

Retornando à narração do sonho, decidi então abandonar aquele lugar e fiquei algum tempo fora do campus (eu não tenho uma percepção exata de quanto tempo se passou). No entanto, mudei de opinião e resolvi voltar. Ao retornar, encontrei um dos professores da faculdade (ao menos me parecia assim). Cumprimentou-me e começou a conversar comigo. Em certo momento indagou:
- Posso lhe fazer uma pegunta, mesmo arriscando-me a ser indiscreto?
- Sim, é claro que pode - respondi.
- Percebi que você se ausentou por um tempo. Estava pensando em nos deixar, não estava?
- Estava - confessei.

Houve uma breve pausa, como se ele estivesse ponderando sobre o que me dizer. Prosseguiu:
- Muitos têm esse impulso, mas é preciso dizer-lhe que nenhum de nós deseja mantê-lo aqui à força. Você pode nos deixar ou pode resolver ficar, mas irá se beneficiar se passar alguns anos aqui conosco.
- Como assim? Explique.
- Você gostaria de ter um significado para as pessoas?
- Um significado?
- Sim. Você quer que seu nome represente algo para as pessoas? Quer que possam procurá-lo e encontrá-lo se de fato o desejarem?
- Quero - eu disse.
- Então fique conosco - concluiu.

***

O período em que tive este sonho (e outros) foi caracterizado por muitos contatos “demoníacos” (para mais detalhes confira o post Porque Escolhi o Caminho da Mão Esquerda). Estas experiências ocorreram dentro de um processo de imersão na goécia e estou relatando-as neste blog. O que talvez não esteja muito claro nestas narrações é o motivo destes contatos terem acontecido.

Para fornecer esta explicação, é necessário considerar que estou tratando aqui sobre como segui meu próprio caminho na magia, lembrando que a arte de um mago é, principalmente, um meio para alcançar a realização própria. Existe uma crença errada que se baseia no princípio de que é preciso fazer uma escolha entre servir a si mesmo ou servir aos seus semelhantes. Por esse princípio, aqueles que decidem servir a si próprios normalmente são rotulados como egoístas. Já os que decidem servir aos demais, sem pensarem em si mesmos, são considerados altruístas.

No entanto, será que esta escolha é realmente necessária? Será que é benéfica? Imaginem se todos negassem a si mesmos em prol de uma coletividade. Seriam felizes? Certamente que não. Da mesma forma, não haveria bem algum à humanidade se cada um de nós buscasse a realização individual sem considerar os demais. Pode-se deduzir que o verdadeiro desafio não é escolher focalizar seja o indivíduo, seja o coletivo. O objetivo mais importante é satifazer ambas condições, simultaneamente.

Difícil fazer isso? Nem tanto. Quando comparando o indivíduo versus o coletivo, o que exatamente consideramos ser este coletivo? A pluralidade é homogênea (todas as pessoas são iguais) ou é heterogênea (cada pessoa tem um objetivo diferente)? É óbvio que a coletividade é heterogênea. Portanto há quem tenha ressonância conosco e também há quem tenha dissonância. Só precisamos saber reconhecer qualitativamente o que nos cerca, isolando-nos de situações em que percebemos conflitos, e buscando unir-nos àqueles que nos completam. Dessa forma as necessidades individuais e coletivas se harmonizam.

No entanto, antes de buscarmos o que nos completa, precisamos saber o que somos. É basicamente disto que trata este sonho. É a necessidade imperativa de definir a si mesmo primeiro (assumindo um compromisso nesse sentido), antes de encontrar ressonâncias externas. Enquanto não nos definimos, somos parte do problema pois nenhuma solução que se apresente a nós nos satisfaz. Nessa condição, somos uma incógnita e não criamos sinergias. Colocamo-nos literalmente em cima do muro, tornando-nos sem expressão, sem significado e, por isso mesmo, desinteressantes.

As pessoas normalmente procuram as respostas para suas vidas, só que o fazem olhando para fora de si mesmas, quando deveriam olhar para dentro de si. É dentro de cada um que está a chave para a auto-realização. Essa é uma verdade tão insuspeita quem nem sequer é necessário ocultá-la dos incautos. Você pode espalhá-la pelos quatro cantos do mundo, mas as pessoas em geral não a ouvem. Teimam em acreditar que aquilo que são, de fato, não importa para atingirem o sucesso pois julgam-se ser “meras gotas de água dentro de um imenso oceano” e, por isso mesmo, tentam se conformar. Importa para essas pessoas conseguir uma promoção, ir bem nas provas, seguirem uma religião que lhes apresenta um modelo do que devem ser (ignorando por completo o que realmente são). Enfim, focalizam no que lhes é externo. Não lhes passa pela cabeça que a realidade externa pode se tornar a consequência de uma estruturação que começa internamente, expandindo-se depois.

Não parece um tanto absurdo tentar controlar tantas condições alheias a nós mesmos? Nunca sabemos exatamente o que outra pessoa pensa e sempre cometemos erros de julgamento. Não somos infalíveis na nossa forma de avaliar o mundo. Por outro lado sabemos quem somos. Porque não partir desse princípio?

É disso que trataram estas experiências que surgiram espontaneamente na minha vida: definir-me. Enquanto eu definia a mim mesmo, é claro que minha relação com o inconsciente ia se estruturando. Não era ainda um momento para ser eficaz na realização de ritos mágicos mas eu estava criando minhas relações com o invisível. Essas relações iriam influenciar o mundo visível no devido tempo. Mas isso eu vou contar mais para frente.

domingo, 26 de janeiro de 2014

O Preço Exigido na Magia

Um dos padrões que percebi no contato com os seres que encontrei no inconsciente é que raramente se fala sobre preço. Talvez você se espante com este conceito que parece tão mundano (preço), e por isso é preciso ressaltar que não se trata de pagar em dinheiro ou vender a alma (na verdade, quando se fala em preço, é isso que as pessoas pensam). Trata-se simplesmente de ação e reação. Para toda ação há uma reação, que pode ser contrária à ação ou não. Esse é o preço.

O universo tem memória. Ele se lembra dos efeitos que sofre e reage a estes. Eu acredito que esta seja uma boa definição para a palavra Kharma (a reação do universo), independente de se crer ou não em reencarnação. Uma das reações possíveis às próprias ações é a qualidade daqueles que você atrai para si, ou seja, da companhia que você tem. Se você buscar o amor, por exemplo, irá atrair quem também busca o amor e se cercará por pessoas assim. Quando você necessitá-lo, irá encontrá-lo. E se você buscar a agressividade, como outro exemplo, irá atrair quem é estimulado pela agressividade. Não espere, portanto, encontrar amor se passar a vida a negá-lo, nem espere encontrar forças para combater algo agressivamente, se tiver reprimido este atributo em si mesmo, sistematicamente, por toda sua vida.

Tratam-se de escolhas e, nestas escolhas, sempre nos unimos a algo e sempre deixamos o que sobra de lado, ou pior: às vezes negamos conscientemente uma qualidade específica, considerando-a um defeito apenas porque não nos convém (ou não nos convém admitir a outros). O que se nega conscientemente terá seus atributos negados na própria existência, distanciados. Portanto, deve-se tomar cuidado caso deseje-se criticar aqueles que possuem fama, dinheiro, prazer, sucesso, etc. Tudo o que se nega, tende-se a excluir de si próprio. Em magia, a pior atitude a se tomar é a hipocrisia.

O preço idealmente é aquilo que tem pouca importância, não sendo de fato o que deveria ser mais relevante. É aquilo que você deixa de lado e que não se importa de excluir de sua vida. É necessário ser fiel a si próprio, com sinceridade para consigo mesmo, para realizar sabiamente as escolhas e seus preços.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Uma Bruxinha e seus Livros

Já há um tempo eu venho falando aqui sobre a Goécia, conhecida como a arte de se entrar em contato com “demônios internos”, mas tenho procurado demonstrar que o termo “demônio” é apenas um estereótipo e, como tal, é só uma forma de se discriminar toda uma pluralidade oculta no inconsciente (veja o post Porque Escolhi o Caminho da Mão Esquerda).

É óbvio, portanto, que nem todas as imagens que surgem do inconsciente (dentro desse processo) são demoníacas. Afinal, não é apenas porque rotulamos algo que a experiência real deve se adequar a este rótulo. É o que aconteceu em um sonho que eu tive durante o período em que vivi minha imersão inicial na Goécia, quando vi-me diante de uma bruxa (muito simpática, por sinal) que propunha ensinar-me sobre magia.

Eu acredito que seja um padrão nestas experiências que algo sempre seja oferecido, e talvez seja por isso que pessoas mal intencionadas são atraídas para este caminho (na ânsia de obter coisas). No caso, o que estava sendo ofertado era o conhecimento, e eu o aceitei de bom grado. A bruxa simpática tinha em suas mãos diversos livros, e até mesmo alguns que eu já havia lido.

Estranho repensar um sonho que tive há tanto tempo. Penso principalmente em um livro que vi em suas mãos (Autobiografia de uma Feiticeira, de Lois Bourne) e que já conhecia. Na época em que o li, eu o considerei um tanto questionável, na verdade. Ele reportou alguns fatos que julguei um tanto mágicos demais, forçando um pouco contra a percepção do que se considera normal. Mas hoje em dia eu não sei mais o que pensar sobre o livro, afinal já se passaram treze anos que eu o li. Minha mente se abriu bastante desde aquela época e, se eu o reler, pode ser que eu me surpreenda.

Decidi. Vou relê-lo. Quem sabe eu descubra algo a mais sobre o real significado que aquele encontro com a bruxinha teve em minha vida?

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um Rito para o Começo de Ano

Ofereço a vocês um rito específico para o começo deste ano de 2014. Eu o publiquei inicialmente na comunidade Repensando a Magia e o Ocultismo. Clique aqui para ver o post original. 

***

O ano de 2014 está chegando e no dia 1 de janeiro haverá Lua Nova, começando já de manhã.
É um fenômeno um tanto incomum, a Lua Nova (que é um começo de ciclo que dura um mês) alinhar-se tão exatamente com o primeiro dia do ano (que é o começo do ciclo do ano). Pelo que sei, a última vez que aconteceu este fenômeno foi de 2005 para 2006.

São duas egrégoras agindo em conjunto. Um bom momento para realizar uma operação mágica. No entanto, como trata-se da Lua, eu não considero interessante realizar um rito de dia (mesmo com a Lua Nova começando de manhã). Este horário não seria respeitoso pois não tem a ver com a noite, que é associada ao simbolismo da Lua. Mas é claro que não se conseguirá ver a Lua à noite, afinal é Lua Nova. Melhor então esperar até tarde da noite para começar.

O objetivo de um rito neste momento seria uma conexão com o sagrado feminino (relacionado à Lua), apresentando-se com sinceridade e humildade (de joelhos pois trata-se do sagrado, em um ambiente sem interferência, e preferencialmente com vista ao ar livre se possível), colocando ali todas as dificuldades, as buscas pessoais, e também aquilo que se ama mais (sempre há algo que amamos e que vale qualquer sacrifício, não é?). Tudo isso representa um nó a ser desatado e às vezes não sabemos como fazer isso. Deve-se pedir neste rito também que este nó seja desfeito, seja qual for e, finalmente, deve-se agradecer. Note que o formalismo do rito não é importante, e sim sua essência.

A magia, quando envolve a Lua, pode produzir resultados iniciais muito rápidos. Isso porque o ciclo da Lua é veloz, levando um mês aproximadamente para se completar. Muitas vezes, já na primeira semana, os indícios iniciais começam a surgir, vindo a se confirmar no decorrer do ciclo lunar.

Só que a Lua Nova é um momento de conjunção da Lua com o Sol, e estamos falando justamente do início do período de um ano, onde o Sol será totalmente circulado pela Terra. Então podemos esperar também resultados neste período. Isso sem mencionar o poder das intenções de tantas pessoas para o novo ano ocorrendo simultaneamente.

Alguns de vocês já devem estar cultuando a alguma divindade especifica feminina que tem relação com a Lua Nova. Se for o caso, não percam o momento.

Caso desejem realizar o rito e obtenham resultados, sintam-se livres para compartilhá-los se assim tiverem intenção.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Encontrando AS - Frutos que Surgiram de um Insuspeito Sonho

Há algum tempo atrás eu comecei a contar a história de uma experiência em sonho, onde eu expressei um desejo, e esse desejo acabaria realizando-se nesse nosso mundo de fatos concretos. Defini esta experiência como um exemplo do que considero ser um contato com uma esfera mais ampla de consciência (cuja ação é capaz de transformar a realidade de uma forma complexa e extremamente precisa - confira o post Uma Esfera de Consciência Mais Ampla).

No sonho (descrito em Um Experimento em Sonho e Suas Consequências) o nome de um homem (AS) havia sido revelado a mim e eu demonstrei a intenção de encontrá-lo. A partir daí, algumas transformações em minha vida profissional começaram a ocorrer. Eu havia sido convidado a participar de um projeto que implicaria em uma mudança de residência para a cidade de Londrina (conforme o post Transições - Concluindo a Interpretação do Número 3). Sem que eu tivesse ciência, eu estava sendo conduzido ao encontro desta pessoa.

O primeiro passo para que eu mudasse de residência era pedir meu aviso prévio junto à empresa em que eu trabalhava. Cumpri o mês, despedi-me de meu amigo PC e, com ajuda de uma carona de meu pai, levei os poucos bens que possuía para Londrina (cabiam no porta-mala de um carro, para se ter uma ideia do que é ser solteiro dentro de uma kitnet). Assim voltei para a empresa J, onde já havia trabalhado durante muitos anos.

Entretanto, naquele momento meu papel seria algo completamente diferente do que eu já havia realizado até então. Eu era o intéprete entre JL (um conhecido que eu havia recomendado para um projeto desafiador) e os demais membros da equipe. O fato era que o QI de 135 de JL provocava um impacto psicológico nas pessoas em geral. Dificilmente discutiam com ele. Não que eu me saísse melhor ao argumentar, mas eu nunca me importei de fazer perguntas, por mais tolas que parececem ser, até que recebesse uma resposta satisfatória. Eles se sentiam mais seguros comigo.

O tempo passou e um certo dia resolvi utilizar a hora de almoço (que na realidade eram duas horas) para resolver alguns assuntos pessoais. No retorno ao trabalho, estava voltando a pé. De repente, um carro para ao meu lado e um senhor inicia um diálogo comigo:
- Oi! Você trabalha na J, não trabalha?
- Sim. Eu trabalho lá - respondi.
- Então, estou indo naquela direção. Quer carona?

Como aquele senhor sabia que eu trabalhava na empresa J, senti-me seguro para aceitar a carona. Quando eu já estava dentro do carro, ele prosseguiu:
- Meu nome é AS.

Surpreso, lembrei-me de imediato do nome. AS, um nome aparentemente estrangeiro, o mesmo que havia sido referido no sonho (sobre o qual eu havia esquecido completamente, mas que naquele instante retornava à mente como se tivesse sido na noite anterior). Sem demonstrar o assombro que sentia, continuei a conversa:
- Meu nome é Paulo. Faz pouco tempo que comecei trabalhar na J (não comentei sobre os anos anteriores em que havia trabalhado ali).
- Eu também estou na J há pouco tempo - ele continuou. Na realidade eu fui contratado para uma consultoria (sua linguagem corporal revelava certo desapontamento enquanto concluía estas palavras).
- Percebi que você tem uma Estrela de Davi pendurada no espelho do carro - comentei.
- Não. O nome correto não é esse. Na realidade trata-se do Penta de Salomão. As pessoas normalmente denominam este símbolo de Estrela de Davi, mas é incorreto chamá-lo assim.

Conversamos por um tempo. Na realidade mais ouvi do que falei. Ele contou-me a respeito da cabala e inclusive sobre a pronúncia correta (que não é cabala como usualmente falamos, e sim cabalá). Adentramos o recinto da empresa e fomos cada um para o respectivo setor onde estávamos alocados.

AS não ficou muito tempo na empresa. Não havia porquê, afinal tratava-se de um consultor (os consultores apenas intervêm até um certo ponto para que as empresas prossigam a partir daí por si mesmas). Muitos anos depois, quando eventualmente nos encontramos, confidenciou-me que não tinha se sentido satisfeito com a receptividade da empresa J.

Muitas vezes questionei-me sobre o motivo de um sonho ter revelado seu nome a mim e sobre qual seria o sentido das transformações profissionais que surgiram logo depois da intenção que manifestei no sonho, de encontrá-lo. Pelo que sei, AS não compreendia coisa alguma de magia. Aliás, hoje em dia acredito que a magia é apenas uma das aplicações da cabala, não sendo sequer a principal. Muitos aplicam cabala em suas vidas sem considerarem usos mágicos de qualquer tipo. Mas, enfim, sou leigo demais sobre este assunto.

Houve uma época, quando eu estava fragilizado por estar vivendo minha Noite Escura da Alma, em que decidi revelar-lhe toda esta história. Acabei assustando-o. Mas eu precisava dizer-lhe o que pensava. Precisava saber se ele intuía algo a este respeito e não me dizia. Simplesmente descobri que não, que ele não intuía. Ou pelo menos, se intuiu algo a este respeito, nunca deu muita atenção a este fato.

Considerando o que foi dito, qual foi o significado disso tudo? Cheguei à conclusão de que a experiência em sonho apenas indicou-me uma possibilidade do meu destino (que eu poderia aceitar ou não, e aceitei), e que tratou-se apenas de um marco no meu caminho (um ponto de referência, por assim dizer), e não do caminho em si. Eu não deveria ater-me àquele ponto. Houve outras experiências de contato com uma esfera de consciência mais ampla que também levaram a fatos que se materializaram em minha vida (e vou contá-las no devido tempo). Entretanto esta que descrevi é uma das poucas em que eu soube precisar o momento exato em que foi plantada a semente original da intenção no sonho, a semente que se tornaria realidade.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Minha Primeira Vivência Com o Samhain

Reproduzo aqui um post de minha autoria, originalmente publicado na comunidade Repensando a Magia e o Ocultismo: 

Samhain. 31 de outubro.
Halloween, de acordo com a cultura americana.
Dia das Bruxas, aqui no Brasil.
As crianças adoram esta data. Minha filhinha, em particular, por causa do desenho animado "Monster High".

A primeira vez que considerei o Samhain com um pouco mais de interesse foi no final de 2006. Naquela época eu tinha uma tendência caoísta um pouco mais acentuada. Nâo que eu costumasse praticar o uso de sigilos (que é bem característico da magia do caos), mas atraí-me principalmente pelo conceito de KIA, que tem uma certa relação com o que rotularam como HGA (Holy Guardian Angel), sendo este contato considerado como talvez o mais importante na magia (pelo menos cronologicamente é o primeiro dos mais importantes).

Naquela época pensei em comunicar-me com esta egrégora (tal como muitos magos caoístas procuram se comunicar com a egrégora do carnaval, do Papai Noel, e etc), definindo livremente egrégora como a consciência geral formada por muitas outras consciências (e possivelmente através de diversas épocas). Foi algo bem experimental.

Eu nem sabia o que significava o Samhain. Não sabia que se tratava de uma celebração refente à chegada do inverno, onde a vida aparentemente morre na natureza, debaixo do gelo, para só então brotar de novo na primavera. É claro, tudo isso a ver com o hemisfério Norte (pois aqui no Sul há uma egrégora específica, e eu também não sabia disso).

Fiz um pequeno rito, sincero e improvisado (meus ritos são, na maioria, sinceros e improvisados - coisa de caoísta), para fazer o contato. No dia seguinte percebi propósitos vãos e inúteis na minha vida, que necessitavam ser deixados para trás. Necessitavam morrer. Aquele período de um ano que se seguiu marcou-me com uma consciência renovada.

Foi no mesmo período em que o destino decidiu levar-me à Inglaterra por alguns meses, onde tive uma iniciação que considero muito especial. Como se a egrégora tivesse me puxado mais intensamente para si. Nota: às vezes acontece de nos iniciarmos mais de uma vez, mas isso não quer dizer que podemos ignorar o que já nos iniciamos anteriormente.

Hoje em dia não me considero mais um caoísta (pelo menos não inteiramente, ou não de forma típica). Com o passar do tempo, certas crenças tornaram-se importantes para mim (em contradição ao fato de que muitos caoístas tendem a adotar crenças como meras ferramentas, descartando-as facilmente). Houve um período em que eu desconhecia muita coisa (e ainda desconheço), mas é quase irresistível crer em algo à medida que vivemos este algo.

Esse assunto não acaba aí. Mas em outra oportunidade falo mais.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Buscando Objetivos e Superando Obstáculos - Introduzindo o Número 4

Após finalizar a descrição do número 3 (no post Transições - Concluindo a Interpretação do Número 3) dentro de um sistema numerológico de 18 símbolos, pretendo agora introduzir o número 4. Como demonstrei anteriormente (em Algumas Bases Numerológicas), tal como na astrologia, os números podem ser qualificados como cardinais (cujas influências objetivam criar resultados idealizados que ainda não se manifestaram), fixos (que têm como objetivo sustentar, manter e fortalecer algo que já se estabeleceu) e mutáveis (que objetivam quebrar um padrão já consolidado, desestagnando estruturas sólidas e criando uma certa dose de caos necessária para que uma mudança seja possível).

O número 1 é cardinal (veja o post Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos), seguido pelo número 2 o qual é fixo (descrito no post O Número 2 e sua Relação com Meus Primeiros Contatos com a Bruxaria), e então pelo número 3 que é mutável (abordado em A Deterioração e sua Relação com o Número 3). Como trata-se de um ciclo, deduz-se que a natureza do número 4 também é cardinal.

Assim, sob um ponto de vista sequencial, após concluída a deterioração de padrões antigos (caracterizada pelo número 3) segue-se o estímulo do número 4, favorecendo o esforço de se assumir novos propósitos, ao mesmo tempo que firma o intento da superação de obstáculos que eventualmente surjam em oposição a estes. Ressalta-se que, embora a essência do número 4 não trate de qualquer tipo de garantia de sucesso em relação ao propósito que se almeja, ainda assim constitui uma perspectiva extremamente favorável em virtude da determinação de atingir algo, mesmo quando as situações apresentam dificuldades. De uma forma geral, esta determinação acaba por “fazer a diferença”, culminando em transformações reais.

Alguém que possua a data de nascimento ressonante com o número 4 (cujo método de verificação encontra-se no post Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos) se identifica com os atributos numerológicos relacionados ao mesmo (no que diz respeito às suas atitudes e à forma de pensar e agir em geral). A natureza cardinal estimula esta pessoa no sentido de ser proativa, tornando-se particularmente motivada quando encontrando-se em situações que desafiam seus objetivos e metas. São pessoas determinadas que não se deixam abater por obstáculos.

Na história pessoal de meu caminho na magia (a qual venho narrando) alguns objetivos se destacaram enquanto ocorriam os estímulos do número 4. Houve aqueles que foram mais nítidos como, por exemplo, com respeito ao desenvolvimento de meu relacionamento amoroso (sobre o qual comecei a descrever no post Primeiros Passos no Amor) ou então com relação à minha carreira (mudanças que começam a ser descritas em Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências). Porém algumas experiências foram mais sutis, sendo relacionadas à realidade invisível da magia.

Eu irei tratar a respeito de todos estes desenvolvimentos, mas pretendo começar pelos eventos não-físicos, ligados à exploração do inconsciente. No post Goécia: Refletindo Sobre o que Marginalizamos no Inconsciente, descrevi como a goécia é comumente mal interpretada, sendo em geral considerada negra (pois trata-se do contato com o que costuma-se definir como demônios internos, e o termo demônio geralmente produz este tipo de julgamento). É claro que todo tipo de intenções emerge a este respeito, sendo que alguns enxergam nestas interações meios possíveis para que possam tirar proveitos puramente egoistas (entretanto este tema é muito mais amplo do que estas considerações superficiais).

Mas qual a relação entre o número 4 e o contato com demônios internos? É uma relação sutil, a qual pretendo explorar em detalhes, porém posso adiantar que todos os aspectos deste número estão “mesclados” de uma forma ou outra a estas interações (principalmente porque suscitam desejos que podem traduzir-se como objetivos e metas, mas também porque implicam no desafio de manter-se íntegro e evitar corromper-se na busca dos mesmos). Se por um lado tais contatos revelam causas (ou ideais) que podem ser consideradas egocêntricas, esta impressão apenas é assim porque não sabemos conciliar estes propósitos com o bem coletivo. Se de fato não desejássemos a realização que nos parece egoísta, esta não nos faria falta alguma. O desafio é justamente transcender a própria forma de buscar (aperfeiçoando-a a ponto de torna-la benígna), ao invés de pura e simplesmente nos negarmos a prosseguir. Portanto, este tipo de contato tem um caráter enigmático, exigindo uma solução da qual sempre nos aproximamos, mas que talvez jamais cheguemos à uma conclusão definitiva, pautando-se assim pela reflexão constante. Dessa forma, redefine-se os limites entre o que se considera como o bem e o mal, criando-se um contexto cada vez mais permissivo, menos imposto, mais livre e menos restritivo. Trata-se, então, de participar do processo da renovação moral do mundo, descartando rótulos de “certo” e “errado” (os quais não são estáticos e imutáveis), e substituindo-os por relações mais éticas (onde valoriza-se a unidade dentro da diversidade). Quando a consciência individual se amplia (e se comunica com os demais, sendo esta uma condição necessária), todos se beneficiam.

Obviamente, este post diz respeito ao número 4, em um sistema numerológico de 18 símbolos. Para quem deseja ver outros posts relacionados à numerologia, fica aqui este link.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Transições - Concluindo a Interpretação do Número 3

No post anterior (Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências) eu expus como plantei uma semente dentro de um sonho, a qual iria me levar a encontrar AS (uma pessoa sobre a qual eu nada sabia, exceto o nome) através de mudanças em minha carreira profissional. Agora pretendo dar continuidade aos eventos que se seguiram àquela experiência (causados pela mesma, pois sem os quais não se concretizaria).

Eu começava a namorar com C (veja o post Primeiros Passos no Amor) e já estava diante de um obstáculo no que dizia respeito a este meu relacionamento: C estava apenas de licença em Curitiba, na casa de uma amiga, e logo teria que retornar para trabalhar em Londrina. Como eu trabalhava em Curitiba, isso significava que nos veríamos com uma frequência muito pequena (o que não era algo que eu desejava). Recebi, então, um telefonema da empresa J (a qual eu havia deixado havia mais de dois anos) e tive uma esperança de que se tratasse de uma nova oferta de trabalho (pois se situava em Londrina), mesmo sabendo que havia saído de lá justamente pela falta de perspectivas profissionais.

Mas não era disso que se tratava. Na realidade a empresa J passava por um desafio comum a grande parte das empresas do mundo naquele período (no início desse século). Eles possuíam um sistema informatizado (um software aplicativo de alta complexidade) que atendia aos mais diversos setores de empresas de médio e grande porte. Ocorria que havia sido projetado e construído na época em que não existiam monitores gráficos. Todos os caracteres tinham o mesmo tamanho, ocupando uma grade de 80 colunas por 25 linhas. O desafio que aquela empresa experimentava naquele momento era transformar esse software em outro novo, só que desta vez utilizando uma interface gráfica (o Windows), com caracteres de tamanho variável, com imagens, botões para se clicar, etc. Mas não era a intenção deles chamar a mim para este trabalho, afinal eu não tinha experiência em uma conversão deste porte. Eles queriam que eu indicasse alguém.

Eu não conhecia ninguém que possuísse a experiência que eles desejavam (e eu relatei isso a eles), mas eu tinha um conhecido cujo nome era JL. Ele simplesmente era a melhor referência técnica para desenvolver sistemas com quem eu já travei contato pessoalmente. Era do tipo que era capaz de fazer “mágica” no que diz respeito a software, pois o que criava causava uma admiração espantosa em mim e em outros por seus resultados. Como eu tinha um grande conceito por JL e gostaria que meus amigos o conhececem, eu propus a eles que se encontrassem e trocassem ideias. As pessoas da empresa J concordaram e mais tarde JL aceitou e viajou para Londrina (ele também residia em Curitiba).

Dias depois a empresa J entrou em contato por telefone. Haviam gostado de JL, porém estavam inseguros. O fato é que JL tem um QI de 135 e é muito difícil ganhar dele em uma discussão (digo, o tipo de discussão produtiva). Qualquer desentendimento se assemelhava a um jogo de xadrez em que você perde, no máximo, em dois minutos, não passando de alguns poucos lances ao todo. Eles queriam alguém junto a eles para intermediar com JL e confiavam em mim para isso. Ofereceram-me um emprego para que pudesse ajudar no início e depois na continuidade desse novo projeto. É claro que esta era apenas a perspectiva daquele momento (o destino ainda daria muitas voltas), mas estava assegurado que eu poderia pedir demissão do emprego que tinha até então e começar a trabalhar na empresa J após o aviso prévio, se eu assim desejasse. E eu aceitei a proposta.

Chego agora ao ponto em que eu já posso concluir a descrição do número 3 no sistema numerológico de 18 símbolos. Como eu havia colocado no post A Deterioração e sua Relação com o Número 3, este número marca um período em que relações obsoletas são gradualmente desfeitas, até que começa a surgir um núcleo sólido, o qual serve como uma base para o que se seguirá daí então. Na história pessoal que venho contando, esta deterioração não foi exatamente gradual (pois há uma certa diferença entre a influência numerológica e a reação individual à mesma), tendo se manifestado de uma forma intensa em meu encontro com Choronzon (siga este link para os posts relacionados a esta experiência). Já no que diz respeito às bases sólidas que surgiram, foram diversas: o nome “O Mestre Que Nada Sabe” (o qual pode ser considerado como uma referência para o que se seguiria no meu caminho na magia), o princípio da vida amorosa, e enfim um novo rumo profissional surgindo (eu relacionei links sobre estes temas no post anterior: Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências).

A descrição do número 3 foi densa e, justamente por isso, demorou bastante tempo. Mas este blog não conterá exatamente um minicurso de numerologia baseado apenas em informações resumidas. Eu pretendo passar aqui a experiência da forma que eu a vivi para que o leitor possa entendê-la e, assim, compreender com mais profundidade a essência de cada número.

No próximo post, eu irei começar a descrever o número 4. Este número diz respeito (entre outros assuntos) ao meu encontro com AS e, por isso, desculpo-me pelo suspense que a antecipação desse momento pode causar e peço também um pouquinho mais de paciência até que eu lhes passe os detalhes finais de como realmente ocorreu. Sinto dizer que não vou concluir este relato tão logo pois irei priorizar um conteúdo mais relacionado à magia e ao ocultismo nos próximos posts, uma vez que não quero perder este foco e acredito que o leitor também não deseja perdê-lo. Espero, assim, equilibrar o conteúdo do blog, mostrando tanto aspectos internos (relacionados ao inconsciente e às causas no que diz respeito à magia) quanto aspectos externos (eventos na realidade física, mais relacionados aos efeitos da magia).

Obviamente o post atual ainda faz parte da descrição do número 3 em um sistema numerológico de 18 números. Para quem deseja ver outros posts relacionados à numerologia, fica aqui este link.