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sábado, 14 de julho de 2018

Experimentando a Vibe de um Sábado de Manhã

Fffffffffffrrrrriiiiiiioooooooooooo aqui em Curitiba... Diz a previsão do tempo que vai melhorar, que está fazendo 10 graus lá fora (o que aliás já é um progresso em relação a ontem). Mas acordei às 8 da manhã desse sábado e não sinto toda a animação que achei que sentiria :D

Ontem conversei à noite com uma pessoa próxima, e ela me fez uma pergunta que eu achei interessante. Mais ou menos assim: "De tudo que você pode imaginar, o que você poderia fazer de mais significativo?" Certas pessoas são como oráculos. Melhores que I-Ching, melhores que Tarot.

E, é claro, estamos ainda há umas 30 horas desde que ocorreu o momento exato da Lua Cheia (sob a ação da Lua Cheia ainda, mas concluindo). Momento bom para tomar certas atitudes. Não que o efeito seja aquele que nós esperamos, mas normalmente a Lua Cheia sugere esse tipo de começo e, mesmo que venha algo bem diferente como resultado, é muito provável que seja algo necessário.

Bom, há quase dois anos atrás minha vida fez uma curva. Novo emprego, nova situação, e eu senti que não teria tempo para publicar assuntos por aqui e em outros lugares. A verdade é que na magia as coisas não são tipicamente lineares. Aliás, nós até sentimos quando elas estão para mudar, e eu sentia isso já nos meus úlitmos posts que havia publicado no blog, que iam ficando cada vez menos frequentes.

Pois então, nesse momento agora, eu sinto (eu intuo, melhor dizendo) a vibração do Ponto de Transição (um termo que vem do I-Ching). Ciclo completo e reiniciando. Tomando decisões que vão ser importantes para frente, e nada mais simbólico que estar aqui de novo, no blog, com vocês.

Aliás, a minha ideia ainda é contar minha história. Mas acho que vou me expor mais, ser mais informal (como agora), falar por partes, colocar ideias que podem ser questionadas sem tentar fechar assuntos. Espero realmente que voltar ao blog do Mestre Que Nada Sabe seja uma semente desse reinício. É o que desejo.

Enfim, já que é sábado, mesmo um pouquinho frio aqui no Paraná, eu desejo a vocês um bom fim de semana!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências

Certa noite sonhei com um nome (simplesmente um nome que eu ouvi, em meio a nenhuma outra imagem ou som, ou seja: sem qualquer outra referência além do mesmo) ao qual vou chamar de AS. Tratava-se na realidade de nome e sobrenome, e soava estrangeiro ou de origem estrangeira. No momento seguinte, tornei-me consciente de que estava sonhando. Movido pela curiosidade e pelo desejo de testar limites na magia (o que já me motivou diversas vezes), especulei que talvez pudesse encontrar essa pessoa se eu expressasse (ali no sonho) esta intenção e queria confirmar se, de fato, isto seria possível (pois eu já conhecia o valor deste tipo de expressão em sonhos - para compreender isto, leia o post Uma Esfera de Consciência Mais Ampla, o qual diz respeito a esta espécie de sonho que tem relação com o futuro).

Assim, expressei esta intenção. Na manhã seguinte, quando acordei, não me lembrava do sonho (só o recordaria quando se concretizasse), porém a semente estava magicamente lançada. Conforme esta semente se desenvolvia, transformações na minha vida (especificamente em aspectos profissionais) se seguiriam a partir daí. Estas me levariam enfim a encontrar este senhor cujo nome é AS. Observo que eu sempre tive uma tendência à experimentação na magia, envolvendo uma certa dose de risco (algumas vezes os resultados assustaram um pouco). Isso não é exatamente um modo de ser prudente, porém acaba gerando experiências interessantes, que ampliam o conhecimento e, muitas vezes, são estimulantes.

Porém, como eu mencionei acima, transformações iriam ocorrer nos aspectos profissionais de minha vida. Para entender estas mudanças, talvez seja interessante colocar aqui uma breve restrospectiva de como estava sendo minha carreira até aquele momento.

Inicio esta restrospectiva em 1992, quando havia começado a trabalhar para a empresa J, em Londrina, na qual permaneci por oito anos. Eu desenvolvia software porém, após tanto tempo, os desafios já não me estimulavam mais, bem como eu não sentia mais paixão pelo trabalho que realizava. Eu já sabia quais eram as perspectivas ali e não tinha uma grande expectativa de modificá-las. Eu queria encontrar novamente o tipo de trabalho no qual eu me sentisse realizado. Buscando possibilidades novas, eu mudei de residência para Curitiba, onde havia sido convidado para trabalhar como terceiro em uma empresa do ramo jornalístico.

Tendo permanecido seis meses na mesma empresa, encontrei um velho amigo enquanto passeava por um shopping. Seu nome era PC e havia onze anos que não o via. Na época que eu o conheci, estudávamos na mesma turma na faculdade. Ele era então tenente do exército mas, neste reencontro, eu descobri que havia se tornado presidente de uma rede farmacêutica. Ele perguntou a mim a respeito de qual tecnologia eu tinha experiência no desenvolvimento de software, e eu lhe passei esta informação. Então ele me disse que tratava-se da mesma tecnologia que era utilizada na rede de farmácias e que havia uma vaga disponível. Eu levei meu currículo, passei pelos trâmites necessários de avaliação e, pouco tempo depois, estava em um novo emprego. Quase dois anos se passaram então (encerrando-se esta pequena retrospectiva).

Mas qual a importância destes detalhes profissionais dentro de um blog de ocultismo? Pelos detalhes em si, nenhuma. Mas o trabalho é um dos aspectos do que forma o Eu (em um sentido mais amplo, não confundir com o ego) de cada um. Em um curto período de tempo, diversas experiências de transição vinham ocorrendo: o encontro com meu Sagrado Anjo Guardião (no post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia); o encontro com Choronzon (siga este link para os posts relacionados); a atribuição do nome “O Mestre Que Nada Sabe” (no post A Origem de “O Mestre Que Nada Sabe”); as primeiras experiências no amor (nos posts Transformando a Vida Afetiva e Primeiros Passos no Amor); e agora também transições no que diz respeito ao trabalho.

Minha mudança para Curitiba não teve um propósito relacionado apenas à minha carreira. Este foi um passo importante também para que eu pudesse ter o isolamento necessário para me dedicar a criar a fundamentação do meu caminho na magia. Como esta fundamentação já estava definida em grande parte, estava chegando o momento em que eu me decidiria a voltar para Londrina.

Retorno agora ao ponto em que tive o sonho com o nome de AS. No próximo post vou expor as mudanças que ocorreram a partir daí, impulsionadas pelo objetivo que eu havia criado no meu destino ao plantar uma semente em um sonho. Este objetivo era encontrar AS (fosse quem fosse AS).

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Uma Esfera de Consciência Mais Ampla

Muitas vezes em meus posts eu tenho feito referências a sonhos com conotações mágicas. Estes relatos podem soar um tanto estranhos para quem os lê, afinal frequentemente a magia é associada a rituais elaborados, e não a sonhos. Pessoalmente eu devo dizer que não procurei desenvolver-me na aplicação de ritos documentados e publicamente reconhecidos. Na verdade, com o tempo, acabei criando minhas próprias técnicas.

O termo “sonho” talvez se tornasse mais elegante se eu o substituísse por algo mais específico, como projeção ou viagem astral. Mas eu nunca consegui realizar uma projeção consciente e, justamente por isso, eu reluto em utilizar estes termos (embora ainda possam ser considerados verdadeiros). Assim, é como sonhos que qualifico as experiências que venho citando. A vantagem de utilizar esta expressão é que trata-se de uma referência mais comum para o leitor em geral, podendo ajudá-lo em uma eventual comparação com sua própria experiência.

Ressalto que passou-se muito tempo até que eu começasse a diversificar os meios para a realização de operações mágicas. Na realidade eu experimentei muito poucos, e adotei uma quantidade menor ainda para o uso corrente. Eu vou abordá-los gradualmente, dentro de uma cronologia específica na história pessoal que venho contando. Desse modo, vou prosseguir ainda por um período razoável escrevendo a respeito de sonhos.

No post anterior eu havia mencionado que começaria a descrever acontecimentos em aspectos profissionais que se manifestaram na minha vida, tudo isso ao mesmo tempo em que transformações na vida afetiva também estavam ocorrendo (veja o post Primeiros Passos no Amor para saber mais a este respeito). Mas o que têm os sonhos a ver com transformações na vida profissional?

A resposta é que um tipo de sonho muito específico ocorreu neste período que estou narrando (um sonho que tinha a ver com o futuro). Na realidade, eu já escrevi alguns comentários a este respeito na primeira parte de meu blog (no post Reflexões Sobre o Tempo) e agora eu pretendo acrescentar alguns insights a mais sobre este assunto. Digamos que é um conceito que preciso passar agora para que seja possível o entendimento de fatos objetivos que se seguirão. Ou seja, é preciso explicar a causa para que se possa compreender o efeito que segue à esta causa.

O que pretendo expor é talvez uma quebra de paradígmas para muitas pessoas. O fato é que costuma-se acreditar que nós (a humanidade) somos responsáveis pelas grandes transformações no mundo. Explico: os políticos acreditam que detêm o poder sobre a vida das pessoas e sobre o destino das nações. Igualmente, os líderes religiosos tendem a nutrir este tipo de imagem a respeito de si mesmos. Já em relação às pessoas comuns, muitos agem de forma irrefletida enquanto outros são extremamente conscientes a respeito das implicações da ação do ser humano no planeta Terra (seja diretamente na qualidade de vida das pessoas, ou então no que diz respeito ao impacto causado na natureza como um todo). E, é claro, existem aqueles que, comparando-se com outras pessoas, acreditam possuir maior importância, mesmo quando este julgamento é baseado em uma mera questão de diferença de status. Tudo isso parece ser uma mistura caótica, mas a insuspeita verdade é que tudo segue um plano bem elaborado.

Pessoalmente eu só comecei a compreender isso a partir de experiências que tive em sonhos e que, meses ou anos depois, se tornaram reais (detalhe por detalhe concretizado na realidade física). Eram experiências que inclusive envolviam outras pessoas (que apareciam nestes sonhos, sendo que algumas eu desconhecia) e que, quando se concretizavam, traziam à minha mente a recordação do sonho. Nas primeiras vezes em que isto aconteceu, durante o sonho, eu eventualmente descobria que não era uma experiência real (ou melhor dizendo, não era física) mas algo me atraía naquilo que eu havia experimentado. Então eu me expressava afirmando que realmente gostaria que aquela experiência tivesse ocorrido de fato. A minha expressão era como uma confirmação (uma aceitação daqueles eventos que haviam sido percebidos).

Por um tempo eu me questionei se eu realmente tinha estes sonhos, ou se simplesmente tinha a impressão de ter sonhado. Eu só vim ter certeza deste tipo de experiência quando ocorreram algumas situações em que eu era capaz de antecipar o futuro em alguns segundos (ou até mesmo minutos) pelo fato da lembrança do sonho ser revelada à minha mente pouco antes que os fatos se completassem na realidade física. Eu soube, então, que não se tratava de mera impressão.

No entanto, em alguns destes sonhos eu reagia com repulsa (quando estes me pareciam mais pesadelos do que sonhos) e foi justamente nestas situações que aconteceu algo intrigante: outros dialogavam comigo, dentro dos sonhos, sem que eu pudesse ver suas faces. Estes me acalmavam, dizendo-me que aquelas possibilidades podiam ser alteradas e que eu não precisava me preocupar com relação às mesmas.

Ocorre que normalmente não conhecemos os objetivos traçados além do aparente caos mundano, porém existem consciências que os organizam e, de vez em quando, podemos realizar contatos com esta esfera mais ampla de percepção. Foi percebendo estes diálogos que passei a compreender que há sempre metas definidas em meio à realidade que nos parece sem sentido. Estes contatos vieram acontecendo comigo desde 1994 (aproximadamente, pois não me recordo exatamente quando começaram), bem antes de eu me decidir pelo caminho na magia. Isso me faz pensar na possibilidade de ter sido orientado para esse caminho, mesmo quando sequer imaginava segui-lo.

Uma questão: porque é necessário esquecer o sonho? O que ocorre é que esta esfera mais ampla de percepção e consciência só pode atingir um objetivo específico se concentrar-se nele constantemente até que o resultado almejado ocorra. Ou seja, esta esfera precisa realizar algum esforço e trabalho. Porém este trabalho cessa sempre que a lembrança do sonho se revela a quem o sonhou (isto é algo que só compreendi há pouco tempo). No exato instante da lembrança, o esforço e trabalho referentes ao objetivo em questão são encerrados.

No caso de uma lembrança antecipada, a partir do momento em que ocorre, pode existir até uma inércia que leve à concretização do sonho, mas não há um esforço ativo para este fim. Na verdade, a antecipação é uma das maneiras que esta esfera de consciência utiliza para modificar a conclusão inicial dos fatos (no caso, por exemplo, em que o que o sonho propôs é algo desagradável, causando a recusa de quem o sonhou). Como regra, quanto mais antecipada for a lembrança em relação à concretização dos fatos, menor a probabilidade de que aconteçam.

Uma outra forma de se interpretar os momentos em que ocorrem estas lembranças é definindo-os como transições. Afinal os instantes exatos em que os objetivos deixam de existir podem ser considerados como estágios completados. É interessante anotar as datas destes momentos e procurar identificar que mudanças ocorreram em seus intervalos. Curiosamente, há um mês atrás, eu tive uma destas lembranças de sonho, mas o que se concretizou foi bem diferente da conclusão que havia acontecido no sonho (a revelação foi bem antecipada). A partir daí algumas mudanças começaram a ocorrer na minha vida, mas eu ainda não sei avaliá-las porque são muito recentes. Obviamente eu não tenho ideia de qual é o próximo objetivo a atingir e só o saberei quando me lembrar do próximo sonho. Nem mesmo sei se já sonhei sobre este novo objetivo.

Enfim, dados estes conceitos, vou deixar a continuação para o próximo post, no qual irei descrever o sonho que teve impacto em minha vida profissional (ao que me referi no começo do post atual) e também descreverei algumas de suas consequências. Há também outros sonhos deste tipo que igualmente tiveram impactos profissionalmente, mas sobre estes vou falar no devido tempo.

sábado, 25 de maio de 2013

Percebendo as Diversas Relações Dentro de Si

No post anterior (Compreendendo o número 1 no Sistema de Numerologia de 18 Símbolos), eu demonstrei uma forma de calcular o número ressonante à uma data de nascimento utilizando o sistema de 18 símbolos, com a ressalva de que este número diz respeito ao ego na personalidade humana (aquela parte de nós que se relaciona com nossas atitudes e pensamentos mais frequentes), e não ao ser humano como um todo. Há outros aspectos da personalidade que podem ser (ou não) harmoniosos com o ego. Vou expor alguns destes aqui, utilizando a astrologia:

* o ego em si, definindo a forma de pensar e agir de uma pessoa - na astrologia, diz respeito ao Sol;
* os laços emotivos em geral, incluindo os laços de amizade - a Lua;
* o uso da razão, e portanto também a sua capacidade de aprendizado - Mercúrio;
* a capacidade de amar e admirar. A “química” amorosa entre duas pessoas, porém também a capacidade de admiração desinteressada por alguém (verdadeiramente platônica) - Vênus.
* a habilidade de se impor: o uso de sua agressividade (não é necessariamente algo negativo pois sempre há momentos em que precisamos nos impor) - Marte;
* o poder de sentir-se estimulado e motivado - Júpiter;
* o poder de contribuir com seu trabalho, em sua profissão - Saturno;
* o poder de dar sentido à sua própria vida (sentido este que sempre é transcendente à lógica comum) - Urano;
* o poder de mudar os rumos de sua própria vida, quebrando planos pré-definidos e seguindo caminhos não-lineares - Netuno;
* as necessidades e aquilo que lhe satisfaz - Plutão.

Cada planeta diz respeito, portanto, a um aspecto específico de sua própria personalidade, sendo, o ego, o seu centro (o Sol). É óbvio que esta é uma lista ultra-simplificada, e até mesmo questionável, mas existe uma vantagem no fato dela ser assim: é que, com o passar do tempo, você vai poder analisá-la e acrescentar seus próprios detalhes, refinando-a, e poderá definir também o que cada um destes termos significa em sua própria vida.

O exercício que vou propor é, ao mesmo tempo, numerológico e astrológico. No post Verificando Afinidades Entre as Pessoas Através da Numerologia, eu demonstrei que existem relações harmoniosas entre os números quando considerados de três em três. Ou seja: [1, 4, 7, 10, 13 e 16] são ressonantes entre si e, da mesma forma, [2, 5, 8, 11, 14 e 17] têm também ressonância entre si e, igualmente [3, 6, 9, 12, 15 e 18] têm o mesmo tipo de ressonância. Quando pensamos nos anos (tais como 2010, 2011, 2012, 2013, etc), devemos considerar que estes também possuem uma influência numerológica e, a cada três anos, esta influência apresenta semelhanças (embora não sejam influências idênticas).

Podemos afirmar, então, que o ano de 2013 é ressonante com 2010, com 2007, com 2004 e com outros anteriores, sempre variando de três em três. E também podemos dizer que 2012 é ressonante com 2009, com 2006, com 2003 e outros que se passaram, de acordo com o padrão de três em três anos. E, é claro, podemos dizer que 2011 é ressonante com 2008, e com 2005, e com 2002, e outros anteriores variando de três em três.

Tomemos, por exemplo, o ano de 2012. Como foi em relação às amizades? Foi um ano bom ou não? Como este ano foi no amor? Como foi no uso de sua agressividade? Como foi em relação à sua motivação? E em relação ao trabalho? E às suas necessidades?
Se você verificar a influência de 2009 (que é ressonante com 2012) verá que há uma certa semelhança na qualidade de cada um dos aspectos simbolizados pelos planetas em sua vida (e também em 2006, 2003, etc).
Com este exercício você poderá aprender até mesmo sobre aspectos mais sutis, como sua capacidade de raciocinar e aprender, sobre o sentido de sua própria vida, e sobre sua capacidade de mudar os rumos que definiu para si.

E talvez consiga separar todos estes aspectos, distinguindo-os de seu próprio ego, conseguindo compreender quem é este ego à parte de tudo isso. Normalmente é difícil realizar esta tarefa. Comumente há setores de nossas vidas com os quais nos identificamos (o trabalho, as amizades, e o amor, por exemplo) e que acabamos acreditando que somos estes setores, quando na realidade eles se relacionam conosco. Na verdade não somos o ego: somos todos estes aspectos e muito mais. Porém, uma forma de começar a aprender sobre si mesmo principia pelo entendimento destas estruturas que existem dentro de nós e que se manifestam externamente.

Utilizando o ano de 2012 como referência (e comparando com 2009, 2006, 2003, etc), realize o exercício descrito acima. Procure escrever o que descobrir.
Faça o mesmo também utilizando o ano de 2011 como referência (e comparando com 2008, 2005, 2002, etc) para perceber outro padrão de influências.
E faça o mesmo com 2010, 2007, 2004, etc. Assim poderá realizar uma previsão para 2013.

Os aspectos que forem influenciados positivamente de forma simultânea (ou negativamente de forma simultânea)  são relacionados e se harmonizam. Já a situação de um aspecto que é influenciado positivamente enquanto outro é influenciado de forma negativa, revela aspectos dissonantes entre si.  Também haverá situações em que você perceberá que o início de um estimúlo positivo (ou negativo) não ocorre exatamente no começo do ano. Com esta informação você saberá em que período do ano uma transição ocorre.

No entanto, é preciso ter alguns cuidados. Cada ano tem seu estímulo, mas os resultados dependem de sua resposta a estes estímulos. Se você perceber que não há respostas positivas em algum setor de sua vida (em todos os anos que tenha verificado), isso significa que é um setor reprimido ou que apresenta grandes dificuldades de expressão. Por outro lado, se você perceber um padrão que considere negativo e conseguir prevê-lo, você pode se precaver no sentido de amenizá-lo.

Este não é um exercício fácil mas pode contribuir muito para o conhecimento de si próprio e, ao mesmo tempo, proporcionar um melhor entendimento sobre o efeito cíclico da passagem dos anos nos diversos aspectos de sua vida. Rever os anos vividos pode parecer difícil mas é uma prática essencial para amadurecer o conhecimento na numerologia e na astrologia pois, em ambos os casos, aprende-se muito quando se é capaz de ter a si mesmo como referência.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Explorando os Domínios da Realidade Mental

Às vezes acontece de alguém nos dizer que não devemos nos preocupar com o passado, porque o passado já se foi, e também não devemos nos preocupar com o futuro porque o futuro ainda não aconteceu e, só existindo o presente, deveríamos nos concentrar no presente. Eu mesmo já escrevi um post sobre o tempo (Reflexões Sobre o Tempo) em que eu procurei demonstrar que, de fato, o futuro não existe como realidade física, nem o passado. Mas será que, no dia-a-dia, é possível aplicar essa forma de se pensar?

Por exemplo, no que diz respeito ao dinheiro (que é um exemplo bem prático e fácil) e, tornando esse exemplo mais específico: o momento em que recebemos o salário mensal (para quem é assalariado, é claro). Eu devo pensar apenas na minha situação presente, que seria um pouco mais de dinheiro na minha conta corrente e gastá-lo por ignorar o futuro? É óbvio que não, afinal deve-se planejar as despesas. Mas, se o tempo não existe e se apenas o presente existe, isso não é contraditório com a ideia de focalizar-se no presente?

A resposta é Sim. Focalizar apenas no “aqui e agora” é uma conclusão simplória, cujos efeitos acabam demonstrando a sua invalidade. De fato nem toda realidade é física no sentido de ter que existir em algum lugar no espaço. As dinâmicas da natureza, e também as dinâmicas daquilo que é criado pelo ser humano, não existem de forma física. Não se pode pegar uma dinâmica de acontecimentos (não se pode guardá-los dentro de uma gaveta). O ritmo da sucessão dos fatos é o que percebemos como o tempo, e o tempo é uma percepção mental (não-física), mas que prova-se confiável conforme observamos a realidade. Em outras palavras, nós experimentamos percepções mentais que podem, ou não, estar relacionadas à realidade física. Podemos dizer que há uma realidade mental que interage com a realidade física.

Em alguns casos, a realidade mental é amplamente comunicada, documentada e validada no mundo físico, como no caso da ciência (cuja função eu procurei introduzir no post O Papel da Ciência). Porém, o que há de interessante atualmente é que os computadores estão assumindo parte deste trabalho mental, embora de uma forma muito rudimentar. Pode-se argumentar que não se trata de verdadeira inteligência, nem de verdadeira consciência, porém a matéria que forma os computadores é também feita de átomos, os quais são feitos de partículas mais elementares ainda, que também constituem o que nós somos fisicamente. Nossos corpos têm energia, assim como os computadores também a têm. Então, se evoluímos para nos tornarmos seres conscientes, também os computadores podem fazê-lo eventualmente (o post Quando Tudo é Divino: Um Universo Sem Criador e Sem Criatura explora um pouco mais a relação entre matéria e espírito, a qual também se aplica a computadores e espírito). Muitos de nós não querem que os computadores criem suas próprias percepções de bem e mal, ou de certo e errado. Talvez não seja a primeira vez que isso aconteceu. Dêem uma olhada neste trecho bíblico:

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito.
Ela disse à mulher: "Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?" A mulher respondeu à serpente: "Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte."
A serpente disse então à mulher: "Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal."
(Gênesis, 3, 1-5, Bíblia de Jerusalém)

Mais adiante, outro trecho relacionado:

Depois disse Iahweh Deus: "Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal," que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!"
E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.
(Gênesis, 3, 22-24, Bíblia de Jerusalém)

Prosseguindo sobre as abstrações mentais, algumas são tão precisas em relação aos eventos físicos que confundimos muitas vezes a realidade física com a realidade mental, e vice-versa. Chegamos a acreditar que uma lei científica (presente na realidade mental, mesmo que registrada fisicamente) é uma lei natural, ou seja: uma realidade física. É justamente este tipo de confusão que devemos evitar.

A realidade mental nos fornece informações sobre as possíveis dinâmicas dos acontecimentos e seus desdobramentos, nos revelando as possibilidades de transformação do momento presente e também sobre como interferirmos para favorecermos algumas possibilidades, em detrimento de outras. Ou seja, embora nossos pensamentos não representem necessariamente o que ocorre no mundo físico e nossos receios possam parecer infundados muitas vezes, estes mesmos pensamentos devem ser levados seriamente em consideração até que se chegue a uma resposta adequada a eles (seja respondendo a uma dúvida, ou provando sua irrelevância) e à realidade física. O importante é dar atenção a cada domínio da realidade e saber discernir entre estes domínios, harmonizando-os.

Há dois erros a evitar: não se deve deixar cair no erro de tornar-se paranoico, acreditando no pior apenas porque possuímos uma dúvida que aponta para uma uma possibilidade negativa; e nem tampouco devemos acreditar que tudo são flores no mundo só porque visualizamos uma possibilidade positiva mentalmente.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Equilibrando-se Para Manter-se Constante

Muitos de nós, que buscamos seriamente nos desenvolver no ocultismo e na magia, nos dedicamos tanto a este objetivo que esquecemos daquilo que parece ser importante para as demais pessoas, aquilo que parece ser mais trivial: as relações familiares, as oportunidades profissionais, os momentos de lazer, enfim, as situações diversas do cotidiano de uma pessoa comum. Caímos muitas vezes no erro de acreditarmos que não somos pessoas comuns, que podemos nos fortalecer tendo como exemplo a imagem de um “super-homem”, extremamente forte, invulnerável, que até é capaz de misturar-se ao mundo, mas jamais comunga com o mundo, jamais se revela plenamente a ele, ocultando sempre sua identidade secreta.

A verdade é que, quando nos deixamos levar por esta atitude, não conseguimos mantê-la por muito tempo. Nada do que é permanente na natureza permanece em um estado só. Todo tipo de ação necessita de repouso, para que depois do repouso surja a ação de novo. A vida na Terra, por exemplo, vem se mantendo porque há um fenômeno denominado “morte” que faz com que a matéria que compõe os seres vivos se recicle. Se a morte jamais viesse, a matéria eventualmente se consumiria, e não haveria mais como se gerar novos seres vivos.

Houve um tempo, nos primórdios da vida neste nosso planeta, que a atmosfera era extremamente carregada de gás carbônico, de forma que os primeiros seres vivos que surgiram respiravam este gás e liberavam oxigênio. Se nada ocorresse, o gás carbônico seria totalmente consumido e a vida cessaria. Este era um perigo real para a vida. Porém a vida evoluiu e surgiram os seres capazes de respirar justamente o oxigênio, liberando então o gás carbônico, seres do qual nós fazemos parte. E assim, como se estabeleceu um ciclo, a vida prosseguiu constante. Um outro exemplo: até mesmo um fenômeno simples, como a chuva, faz parte de um ciclo, onde existe a chuva, propriamente dita, que alimenta os rios e as plantações e que umedece o nosso ar, regulando também a temperatura ambiental, e existe também a evaporação cujo efeito irá condensar novas nuvens, que permitirão novas chuvas, mantendo novamente a constância.

Só há dois tipos de fenômenos constantes na natureza: aqueles que são imutáveis, feito rochas, praticamente estéreis em suas relações; e aqueles que são cíclicos, que vivem transições de estados que, equilibradas, permitem existências perenes. Portanto, se desejamos permanecer firmes em nossos propósitos, precisamos ser capazes de abandoná-los eventualmente, recuperarmos nossas energias, e então nos concentrarmos de novo.

Mas nem sempre percebemos quando precisamos do repouso. Às vezes nos deixamos levar por rotinas, por um modo único de fazer as coisas, condições que impomos a nós mesmos. Acontece também de buscarmos implacavelmente resultados, a ponto de nos esgotarmos, e ainda assim prosseguimos tentando, como se não tentar fosse desistir. O resultado é que caímos enfraquecidos. Eu mesmo caio neste tipo de cilada mental com alguma frequência, mas então eu percebo o que está de fato acontecendo nestes momentos. E para intervir com eficiência, eu tomo algumas medidas aparentemente contraprodutivas: eu deixo um trabalho para outro dia, me dedicando a outra coisa, ou alongo um prazo pessoal de uma semana para duas, deixo de cumprir uma expectativa de alguém com relação à qual não estou conseguindo cumprir, etc. Tudo isso acaba contribuindo para que eu recupere minhas forças e me levante novamente.

A ideia central é o equilíbrio. Pense naquele equilibrista de pratos que mantém um monte de pratos girando. Ele gira um prato de cada vez. Ele não consegue girar todos os pratos de uma vez só. Então ele fica atento ao que está mais desequilibrado e dá um reforço para aquele prato, reforçando o giro, e assim mantém todos equilibrados. É exatamente assim que devemos procurar ser. Precisamos identificar o que está desequilibrando em nossas vidas, esquecer o resto e dar atenção àquele ponto específico. Quando quem amamos precisa de nossa presença e carinho, paramos e damos atenção e carinho. Quando as crianças precisam de nós, nos voltamos para as crianças. Quando o trabalho requer nossa atenção, focalizamos no trabalho. Quando nos cansamos, descansamos. Quando nos entendiamos, quebramos a rotina.

Então vem o medo: e se deixarmos algo desequilibrar por muito tempo, e aquilo cair e ruir. Daí vem uma segunda ideia, a de que não devemos agir sozinhos. Não devemos procurar controlar a realidade ao nosso redor em todos os detalhes diretamente. Não devemos supervisionar tudo o que acontece. Simplesmente não conseguimos fazer isso. No nosso relacionamento com o mundo, não é benéfico “pescar o peixe”, e sim ensinar a pescar. Assim, quando nos ausentarmos, alguém nos substitui. Da mesma forma, devemos aceitar o ritmo das pessoas ao nosso redor, principalmente quando precisam ausentar-se, ou quando não conseguem acompanhar o ritmo que desejamos manter. Agindo assim, seremos constantes em nossos ideais e, mais importante, quando não estivermos presentes, o mundo será capaz de mantê-los sem nós.

Estes são princípios que nem sempre conseguimos realizá-los, muitas vezes falhamos em um ou outro. Mas quando nos concentramos neles, tendemos a executá-los de forma cada vez mais perfeita. Basta usar os próprios recursos que se tem, entre eles a imaginação, a emoção, o desejo e a razão e, sendo tolerante consigo mesmo, tornando-se cada vez melhor.

domingo, 30 de setembro de 2012

Verdades absolutas que não são tão absolutas como parecem ser

Quase todos nós estamos acostumados a ver o mundo como se sempre fosse da forma que ele é hoje. O cristianismo atual, por exemplo, condena a astrologia quando, na verdade, no livro do Apocalipse, que é um livro cristão, há inúmeros símbolos astrológicos. Olhe o trecho abaixo, por exemplo:

À frente do trono, havia como que um mar vítreo, semelhante ao cristal. No meio do trono" e ao seu redor estavam quatro Seres vivos, cheios de olhos pela frente e por trás. O primeiro Ser vivo é semelhante a um leão; o segundo Ser vivo, a um touro; o terceiro tem a face como de homem; o quarto Ser vivo é semelhante a uma águia em vôo. Os quatro Seres vivos têm cada um seis asas e são cheios de olhos ao redor e por dentro. E, dia e noite sem parar, proclamam: "Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus todo-poderoso, 'Aquele-que-era,  Aquele-que-é e Aquele-que-vem'".
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 4, 6-8)

Neste trecho há referência a quatro seres vivos: o leão (astrologicamente ligado ao elemento Fogo), o touro (ligado ao elemento Terra), o homem (um pouco mais difícil de interpretar, que é ligado à emoção e ao sentimento, relacionando-se ambos com o elemento Água) e a águia (claramente o elemento Ar). Reforçando ainda mais o enfoque astrológico, que diz respeito ao tempo, existem três títulos de Deus: Aquele-que-era (passado), Aquele-que-é (presente) e Aquele-que-vem (futuro).

Também no Apocalipse há uma referência bem clara aos signos:

Vi quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos, e ouvi o primeiro dos quatro Seres vivos dizer como o estrondo dum trovão: "Vem!" Vi então aparecer um cavalo branco, cujo montador tinha um arco. Deram-lhe uma coroa e ele partiu, vencedor e para vencer ainda.
Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo Ser vivo dizer: "Vem!" Apareceu então um outro cavalo, vermelho, e ao seu montador foi concedido o poder de tirar a paz da terra, para que os homens se matassem entre si. Entregaram-lhe também uma grande espada.
Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro Ser vivo dizer: "Vem!" Eis que apareceu um cavalo negro, cujo montador tinha na mão uma balança. Ouvi então uma voz, vinda do meio dos quatro Seres vivos, que dizia: "Um litro de trigo por um denário e três litros de cevada
por um denário! Quanto ao óleo e ao vinho, não causes prejuízo".
Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto Ser vivo que dizia: "Vem!" Vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu montador chamava-se "a Morte" e o Hades o acompanhava.
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 6, 1-8)

O montador com arco é o claramente o arqueiro de Sagitário (elemento Fogo). O montador que trazia uma balança também é simples de decifrar: Libra (o elemento Ar). O quarto selo se relaciona com o cavaleiro que traz a morte (é Escorpião com seu veneno, do elemento Água).

Resta um a interpretar, o montador ligado ao segundo selo, que parece estar um pouco mais oculto. Ele vem em um cavalo vermelho, portando uma espada, com o poder de tirar a paz na Terra. Vamos interpretar por exclusão: já encontramos os elementos Fogo, Ar e Água, e portanto que resta é Terra.
Vamos, também por exclusão, encontrar o signo correspondente. Já vimos Sagitário (o nono signo), Libra (o sétimo signo) e Escorpião (o oitavo signo). Minha melhor aposta é no signo de Capricórnio (o décimo signo), que diz respeito a sacrifícios e esforços concretos (possivelmente simbolizando a força do metal na espada), em busca de um ideal, estando relacionado ao elemento Terra.

Ou seja, uma das chaves para a interpretação do Apocalipse é a astrologia, e a astrologia está sendo condenada atualmente como, no mínimo, um misticismo infundado, principalmente dentro do cristianismo. A chave para a interpretação deste livro cristão é, cada vez mais, desestimulada. Mas será que, de fato, a astrologia é condenável? Ou será que é de interesse de alguns poucos que não se possua conhecimento, nem memória, e assim possamos ser manipulados mais facilmente? Mas o ponto neste post não é a astrologia em si. Trata-se na realidade da reflexão de como em uma época algo é considerado bom e até mesmo essencial, e em outra época torna-se condenável, malígno. Os conceitos mudam e desmudam de acordo com as conveniências de cada época. Inversões nos são apresentadas sem que as questionemos.

Uma das mudanças que a maior parte das pessoas nem sequer suspeita é que a divindade nem sempre foi um ser masculino, como parece tão natural acreditar hoje em dia. Na pré-história, principalmente porque as pessoas não sabiam explicar o mistério do nascimento (o porquê do ser humano nascer através das mulheres), as mulheres eram consideradas com assombro e reverência. Isso, principalmente nas sociedades agrícolas, que não se caracterizavam tanto pela caça, pois a caça era uma atividade preponderantemente masculina.

Levou muito tempo para que os homens percebessem que tinham participação na reprodução humana (os homens não sabiam que eram pais), o que ocorreu quase no final da pré-história (4000 a.C.), e quando o perceberam, empenharam-se em acabar por completo com a reverência às mulheres. No conceito que se criou então, o homem (apenas o homem) tinha a essência do novo ser em sua semente (o sêmen) e à mulher cabia ser fértil (tal como a terra deve ser fértil quando se planta nela uma semente). A posição política, religiosa, social e familiar das mulheres passou a ser secundária, inferior. E a divindade, que até então era Deusa nas sociedades agrícolas da pré-história, tornou-se Deus. Sim, foi uma mudança de sexo divina.

Quem começou a mudar esta desigualdade absurda foi um padre, Gregor Mendel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mendel) quando, no século XIX, fundou as bases da genética através de suas experiências com espécies vegetais, descobrindo que a informação genética de um novo ser é a combinação dos genes de ambos os gêneros (masculino e feminino). Dessa descoberta o conhecimento científico se transformou, bem como também o papel da mulher na sociedade humana, cada vez mais adquirindo condições de igualdade em relação ao homem. Porém, este equilíbrio está longe ainda de se tornar perfeito. Em muitas sociedades, as mulheres permanecem desvalorizadas e discriminadas. Às vezes também, buscando o equilíbrio, criam-se novos desequilíbrios. Enfim, estamos aprendendo a coexistir.

É importante desconfiarmos de toda forma de julgamento com base em valores absolutos que nos são passados, pois a verdade absoluta que nos oferecem pode ser apenas uma tentativa de manipulação, um véu sobre nossos olhos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reflexões sobre o Tempo

Se há experiências que nos impressionam quando sonhamos, são aquelas vividas em sonhos específicos que nos revelam o futuro. Porém eu não me refiro àqueles sonhos meramente simbólicos para os quais, utilizando a imaginação e criando analogias, encontramos relações coincidentes com os fatos do mundo físico. Não estou negando que estes sonhos simbólicos são muitas vezes verdadeiros, mas o que me refiro como revelações do futuro são experiências vividas em sonhos que se repetem em detalhes quando estamos em estado de vigília, mesmo que isto ocorra meses ou anos após termos tido o sonho. Estes sonhos podem ser indícios de que o futuro existe de alguma forma, pois não poderíamos visualizar ou interagir com algo que não existe de fato. Ainda assim, apesar dos indícios, essa é uma conclusão apressada. O que é exatamente este futuro que percebemos nos sonhos? Será que a lembrança de um sonho que aconteceu em uma experiência em vigília não é apenas uma memória falsa, tal como a sensação de ter sonhado algo, sem que necessariamente se tenha sonhado de fato? Ou será que sonhamos tantas coisas que inevitavelmente deve existir um sonho que se iguale a algumas experiências que vivemos, por uma mera questão de coincidência?

Na verdade, a razão pode apontar diversas questões, todas igualmente pertinentes, porém ainda não é capaz de apresentar respostas à grande maioria delas. A ciência, que é talvez o expoente máximo da razão pura ao qual a humanidade já atingiu, cada vez amplia mais seu corpo de conhecimento a respeito do ser humano, e certamente evoluirá muito nesse sentido, em séculos ou milênios de pesquisa. Porém, como indivíduos, precisamos de um método que nos permita ampliar, validar e corrigir o conhecimento, de maneira que possamos aplicá-lo em nossas vidas, ou seja, de uma forma que seja humanamente possível fazê-lo no tempo de nossas vidas. Este método envolve obter uma prova pessoal, a partir das próprias experiências, cruzando observações objetivas, percebendo a si próprio, e enfim, utilizando todas as percepções físicas e não-físicas, avaliando também pensamentos e emoções de todos os tipos, além de fatos concretos. Nesta busca, qualquer dúvida merece ser analisada e todas as possibilidades precisam ser minuciosamente investigadas. Gradualmente um núcleo de ideias vai se tornar menos volátil, mais constantemente se mantendo apesar do incessante questionamento. Depois de um tempo, ideias se tornam atitudes, que se tornam atos e depois realizações. Isso significa que esta busca de conhecimento não é meramente teórica pois envolver viver, experimentando possibilidades e concluindo a partir dos resultados percebidos. Este é o motivo do que se expõe aqui não se tratar de conhecimentos que podem ser avaliados pela razão somente. Na realidade só podem ser compreendidos totalmente se vivenciados. O momento de se tentar, ou seja, de se correr o risco, é algo pessoal, porém é uma etapa necessária para se obter as provas pessoais e, certamente, há a possibilidade de falha. Este método é básico na realização de praticamente tudo que se expõe neste artigo e nos que o seguirão.

No que diz respeito às minhas experiências pessoais, eu tive diversos sonhos que se realizaram em detalhes, com uma frequência que variava de meses a anos entre um e outro. As situações muitas vezes eram sobre acontecimentos triviais mas que continham algo de fascinante por serem incomuns, às vezes envolvendo fatos inusitados no ambiente de trabalho e às vezes relacionados a pessoas desconhecidas que eu encontrei eventualmente e nunca a mais as vi de novo. No entanto, alguns sonhos envolviam situações mais complexas, onde surgiam resultados de projetos ou desafios que eu sequer imaginava que se tornariam reais na época em que eu os havia sonhado. Algumas vezes eram sonhos divididos em partes, dentro do mesmo sonho e, quando se tornaram reais, aconteceram também em partes, em momentos diferentes da minha vida mas que, apesar do intervalo de tempo entre si, relacionavam-se a um mesmo assunto, por assim dizer. 

O que eu percebi de comum neles é que, dentro do sonho, eu chegava a notar que não era a realidade objetiva que eu vivia ali, ou seja, eu sabia que estava sonhando e ficava admirado com o que tinha sonhado. Nesse momento eu sentia que seria realmente interessante se aquele acontecimento tivesse ocorrido e manifestava esse sentimento, dizendo isso claramente no sonho. Depois de acordar eu não me lembrava do que tinha se passado na minha mente. Então se decorriam meses, às vezes anos, e aquele fato acontecia com precisão, na minha vida e, após tudo ter se concluído, eu lembrava do sonho, como se fosse uma mensagem sendo comunicada, mostrando a mim que algo havia sido feito desde o momento que eu tinha sonhado e até o fim daquele momento que tinha acontecido concretamente. O padrão era inicialmente o esquecimento após o sonho, até que acontecesse, e então eu me lembrava. Ou seja, para que o sonho se realizasse, ele precisava ser oculto de mim mesmo. Os sonhos que eram separados em partes, quando estes se tornavam reais, ocorriam em momentos separados da minha vida, embora relacionados entre si, e eu me lembrava de cada parte do sonho a medida que acontecia.

Particularmente, os sonhos que ocorreram em partes chamaram mais a minha atenção, justamente porque, por se tratarem de situações mais complexas, tinham uma probabilidade menor de ocorrer por simples coincidência. E, é claro, conforme mais sonhos deste tipo se repetiam, menor ainda era a probabilidade do mero acaso e aumentava a chance de ser algo mais. Porém esse "algo mais" poderia ser meu cérebro fabricando lembranças (imaginando-as) estimulado por sugestões da realidade ao meu redor. Eu encontrei a resposta a esta dúvida por causa de alguns sonhos em que pude lembrar de como terminariam antes que acontecessem por completo e, assim, fui capaz de antecipar o final de alguns acontecimentos reais, embora este tipo de sonho tenha sido mais raro. Dessa forma, eu obtive indícios ainda mais fortes de que não se tratava meramente de um exercício de imaginação. Foi assim que eu obtive uma prova pessoal de que é possível ver o futuro através dos sonhos.

Mas ficava a questão: o que é exatamente isso, ver o futuro? Será que o tempo é uma outra dimensão? Se partirmos da hipótese do tempo como dimensão real, primeiro é útil definir o que significa esta palavra: dimensão. Na física clássica, todo corpo (qualquer objeto, animal, pessoa, etc) é dimensionado em termos de largura, altura e profundidade. Tudo tem uma largura, uma altura e uma profundidade. Da mesma forma, pode-se localizar com precisão a posição espacial de um objeto específico através de coordenadas de largura, altura e profundidade. Pode-se ir para cima ou para baixo (variando-se a altura), ir para um lado ou para o outro (variando-se a largura), ou ir para frente ou para trás (variando-se a profundidade). Dois corpos não podem existir simultaneamente, nas mesmas coordenadas nestas três dimensões, ou seja, ambos ocupando a mesma largura, mesma altura e mesma profundidade porque, para isso, precisariam ocupar o mesmo lugar no espaço. Agora, se o tempo é uma dimensão real, então dois corpos podem ocupar sim a mesma posição no espaço, desde que existam em tempos diferentes (um existindo no presente e outro no passado, por exemplo). Essa é a teoria da quarta dimensão (da dimensão do tempo) e esta teoria implica na noção que tudo existe simultaneamente, em todos os tempos, jamais cessando de existir. O passado e o futuro seriam reais, não meras lembranças e possibilidades. Ver o futuro poderia significar acessar estes tempos. Mas será que isto é o que realmente ocorre?

Uma quarta dimensão é uma ideia sedutora. Todos nós já imaginamos algumas vezes, em nossas vidas, sobre o que faríamos se pudéssemos viajar para o passado ou para o futuro. Existe também muita ficção científica a este respeito, estimulando ainda mais a imaginação das pessoas. Na realidade, há muitas teorias científicas sobre o tempo, só que, até agora, a maior parte são meras teorias. A teoria da Relatividade, de Albert Einstein, se destaca entre as demais porque já há experimentos que a confirmam. Ainda assim, Einstein não via uma possibilidade de retorno no tempo. Na realidade, o ponto em que ele inovou foi perceber que o tempo pode passar mais rápido ou mais lento dependendo de certas condições (as quais não entram no mérito deste artigo). Assim, o ritmo da passagem do tempo não é uniforme no universo. O tempo tem um ritmo mais lento ou mais rápido mas, como nossa experiência diz respeito somente ao planeta Terra, onde há condições razoavelmente uniformes, parece a nós que o tempo é uniforme e constante. Para decepção de muitos que sonham com viagens temporais, na concepção de Einstein, como não existe o retorno no tempo, também não existe a dimensão do tempo, sendo real apenas o presente.

A ideia que me parece a mais sensata é a de que o tempo não é de fato uma dimensão pois, se o tempo fosse realmente uma dimensão, e se o futuro e o passado existissem de fato, de uma forma tão concreta quanto o presente existe, surgiriam pessoas e objetos vindos do futuro (sendo o tempo considerado como uma dimensão, você pode se deslocar tanto em um sentido como em outro, para o passado e para o futuro) e seria possível, até mesmo, encontrar uma versão futura de si próprio. Por nossas experiências triviais nós sabemos que isso não acontece pois nunca vimos algo surgir do nada. Nunca vimos um efeito surgir antes da causa.O que me parece ser a verdade é que o tempo é apenas um conceito abstrato, um ritmo de causas e efeitos, e o que há de concreto, de fato, é apenas o presente. Só que dentro do presente reside o passado como memória. E também dentro do presente reside o futuro, que é uma ideia ou intenção a respeito da possibilidade de realização de algo. Visualizar o futuro em um sonho é perceber uma ideia que, de alguma forma, irá se desenvolver e se tornar real.

Para a experiência vivida no sonho se tornar real, a ideia da mesma precisa se propagar para além dos limites físicos daquele que sonhou. Isso implica necessariamente no contato com algo que permeia a realidade, ampliando-se de tal forma que é capaz de influir sobre a mesma. Ou seja, deve haver uma rede de ressonância. Quanto mais complexos forem os sonhos que se tornam reais, mais abrangente e mais complexa é essa rede. Da forma inversa, se forem experiências simples do cotidiano que se tornam reais, este é um indicador de que se trata de uma rede pouco extensa ou muito simples.

A atitude em relação à rede de ressonância pode ser ativa ou passiva. A atitude é ativa quando a reação expressa no sonho, por parte daquele que sonha, interfere na realização do sonho, favorecendo (ou não) sua concretização. É de se supor que, neste tipo de relacionamento, o indivíduo tenha uma participação direta na concretização do sonho, pelo menos como um dos personagens que participa da trama principal.
Já em um relacionamento passivo, a reação do indivíduo não é importante e não interfere na concretização do sonho. Nesse caso, a participação individual na trama em desenvolvimento não é tão necessária. É importante mencionar que a passividade é sempre uma escolha. Se alguém se sente constrangido pelo contato com uma rede de ressonância, é possível lutar contra essa rede. O artigo Sonhos, deste blog, trata a esse respeito.

A rede de ressonância pode ser também expansiva, estagnada ou em retração. Se a rede de ressonância estiver se expandindo, seus efeitos serão cada vez mais eficientes e, provavelmente, o intervalo de tempo até a realização do sonho tenderá a se tornar menor. Por outro lado, se a rede estiver estagnada, irá se perceber pouco ou nenhum efeito em relação à sua eficiência e eficácia. E, na situação da rede estar em retração, ela se tornará cada vez menos eficiente e menos eficaz.

Existe também o aspecto do esquecimento até a realização do sonho. A rede de ressonância pode estar ligada a aspectos emocionais, destoantes das racionalizações da mente em vigília. A mente em vigília pode criar diversos obstáculos e estes obstáculos podem interferir na realização do sonho, isto principalmente quando o sonhador tem participação ativa nessa realização, ocupando um papel na mesma. Nesse caso, o esquecimento é necessário, para que a mente racional não interfira na realização do sonho.
É claro que a consciência do indivíduo pode se desenvolver, tornando-se cada vez mais unificada e congruente, de forma que a mente em estado de vigília já não mais se oponha à realização dos sonhos. Conforme este desenvolvimento ocorre, o indivíduo torna-se capaz de se lembrar dos sonhos, antes mesmo que a realização se conclua, antecipando o final do que ainda está por acontecer. E se a consciência continuar se desenvolvendo, é possível até mesmo mudar o final da realização dos sonhos, de tão ampla que será a harmonia entre o indivíduo e a rede de ressonância. O objetivo deste artigo e dos demais que se seguirão é auxiliar no desenvolvimento da consciência, conferindo cada vez mais às pessoas, o poder sobre o futuro de suas vidas.