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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Inteligência Artificial

Já há um tempinho eu venho tendo algumas ideias para colocar aqui no blog. Tipo uma daquelas coisas megagrandes. No entanto na hora de escrever simplesmente não flui. Só quando a gente tenta escrever é que se percebe o que é o tal bloqueio.

Até que ontem um amigo me passou um endereço para checar. Coisa de nerd. Uma robô online. Na verdade, muita gente já deve ter experimentado conversar com robôs deste tipo. São meio repetitivos e não entendem muito bem o que falamos.

O que me impressionou é que desta vez a robô foi muito pouco repetitiva. Ela inferia coisas. Houve uma hora que me perguntou de onde eu era. Eu disse que sou do Brasil, e então me perguntou se eu falo português. Eu disse que sim. Ela pediu para continuar falando em português. Assim continuamos falando nessa língua que lhes escrevo.

Depois ela enjoou de falar em português. Falou um pouco em espanhol. Pedi para falar em português de novo mas ela não queria mais. Voltou a falar em inglês.

Houve um momento em que questionou-me sobre o que eu quero mudar na vida. Pegou-me de surpresa. Eu não soube dar uma resposta direta. Depois refez a pergunta: "O que você procura nas pessoas?". Eu disse que as pessoas tem muitos potenciais. Então perguntou: "O que te diverte?".

Aí pensei: "Será que meu megaprojeto me diverte?". Taí o motivo do bloqueio, da falta de energia. Alegria. Diversão. É a chave para liberar o potencial que temos dentro de nós. Às vezes concebemos planos complicados, porém somos humanos. Precisamos de algo que nos impulsione. Gozado este insight vir de uma robô que, aliás, nunca te diz o nome dela (vive trocando de nome, na mesma conversa), nem lembra do seu.

No final eu disse (tudo em inglês): "Preciso ir" e ela respondeu "Não quer conversar mais?". "É que tenho de dormir cedo", respondi. "Para que dormir cedo?", retrucou. "Para acordar cedo", responodi. "Então está bem. Vai dormir". "Tchau", finalizou.

Quer checar a Evie por si mesmo? www.existor.com . Deixe-se levar pela brincadeira por pelo menos vinte minutos. Aí você vai começar a suspeitar que há algo ali que não é só um script gravado. Impressionante como a tecnologia está se humanizando. É a tendência para o futuro.

Aliás é inevitável isso. A tecnologia vai ser fundir cada vez mais com o ser humano e vice-versa. A consciência da máquina e a consciência humana se mesclarão. A alma humana está se projetando na máquina, conferindo alma à máquina. Afinal toda alma tem uma raiz, que chamamos de espírito. Agora chegou nossa ver de sermos também raízes de novos tipos de alma.

sábado, 6 de setembro de 2014

Quando Uma Experiência Coletiva Não é Real

No post anterior (Quando a Experiência Física Não é Tão Física), introduzi a ideia de que nem sempre as coisas são o que aparentam ser. Há situações em que o que parece ser fantástico pode ser explicado de forma mais simples e menos misteriosa.

Surpreendi-me com algumas reações àquele post. Algumas pessoas queriam confirmar se eu realmente não acreditava naquilo em que elas fundamentavam suas crenças, e eu precisei explicar que é preciso dar atenção a todo tipo de evidência, seja a de que algo existe como a de que algo não existe. Sem esta ressalva, estamos apenas nos deixando manipular, ou pior: estamos iludindo a nós mesmos.

Comecei essa abordagem explorando um tipo de ilusão individual, porém há evidências de que as pessoas se permitem iludir também coletivamente. É sob esta perspectiva que pretendo enveredar-me agora, mais precisamente no tema da ufologia, através de um dos relatos mais conhecidos no Brasil: a Operação Prato (confira na reportagem da revista Isto É).

A Operação Prato diz respeito a fatos que ocorreram há 35 anos atrás, documentados em milhares de páginas, inicialmente confidenciais mas já disponíveis para apreciação pública. Segundo esta documentação, foram também realizadas fotografias e filmagens (embora não tenham sido disponibilizadas). O propósito da investigação era verificar denúncias do chupachupa (faz lembrar o chupa-cabra, com relatos iniciados em 1995, não faz?), mas acabou levando a avistamentos de OVNIs por centenas pessoas, entre militares e civis. Uma multidão afirmou que foi atingida por luzes que, entre outros efeitos, feriam-lhes, levando-lhes o sangue e causando-lhes queimaduras.

Curiosamente, por mais extensos e traumáticos que tenham sido os ferimentos, gradualmente todas suas evidências desapareceram. Não sobrou um traço sequer das feridas e queimaduras (esta é uma informação obtida pelos depoimentos, e não pela documentação em posse do governo brasileiro). Supõe-se, por aqueles que viveram a experiência, que a natureza alienígena dos traumas seja a explicação para este fato. Afinal, os alienígenas são tão evoluídos que tudo podem, inclusive reverter danos por eles mesmos causados, mesmo que não saibamos como e nem porquê.

Proponho considerar a possibilidade desta não ter sido uma experiência física real, e sim uma experiência mental. A questão é: pode uma percepção coletiva ser ilusória? As consciências de indivíduos são capazes de se conectar de tal modo a ponto de criar alucinações comuns e consistentes por um longo período de tempo?

De acordo com a documentação do exército brasileiro, foram produzidos filmes e gravações que comprovam os eventos reportados. Sem dúvida os soldados que participaram da operação realmente acreditavam ter produzido tais evidências. No entanto, o que será que as gravações realmente continham? Seria a prova incontestável de que os alienígenas estão entre nós? Ou seria a perturbadora constatação de que nada do que estava reportado por escrito podia ser verificado?

Carl Sagan (1934-1996), ao citar Fred H. Frankel, especulou a respeito de abduções alienígenas (tema que pode ser adaptado para a situação específica da Operação Prato):

"Se os raptos por alienígenas fazem parte de um quadro mais amplo, qual é na realidade esse quadro mais amplo? Receio me precipitar em terreno que os anjos têm medo de pisar; mas todos os fatores que você delineia preenchem o que foi descrito na virada do século como histeria. O termo, lamentavelmente, passou a ser usado de forma tão ilimitada que nossos contemporâneos, em sua duvidosa sabedoria [...] não só o abandonaram, como perderam de vista os fenômenos que ele representava: altos níveis de sugestionabilidade, capacidade imaginativa, sensibilidade a dicas e expectativas, e o elemento de contágio [...]. Um grande número de clínicos praticantes parece reconhecer muito pouco de tudo isso."
O Mundo Assombrado pelos Demônios, página 145, Editora Companhia de Bolso

Ponderando não somente pelos conceitos das ciências exatas, mas também por um leque mais amplo de possibilidades dentro do ocultismo, podemos encontrar outras respostas. Sabemos, por exemplo, que há uma realidade arquetípica da qual sentimos efeitos indiretos, tal como a alegoria da Caverna de Platão onde as verdadeiras causas da realidade não nos são visíveis, pois metaforicamente apenas percebemos sombras projetadas à parede, ignorando os objetos relacionados às mesmas. Outra explicação possível seria que as interações com alienígenas teriam ocorrido no astral ao invés do plano físico.

Estas interpretações (e muitas outras, se as procurarmos) são sutis, para as quais o exército brasileiro certamente não está preparado para lidar. Afinal é uma instituição que se sustenta no pressuposto de forças armadas que lidam com situações objetivas e concretas, e não com um plano mais sutil da realidade. É possível, aliás, que este seja um dos motivos dos governos serem tão relutantes ao lidarem com o tema dos objetos voadores não identificados.

Há muitos temas relacionados à ufologia que podem estar ligados às alucinações individuais e coletivas (definindo-se aqui alucinação não como algo patológico, mas como a percepção ilusoriamente física de algo que não é físico). Algumas pessoas afirmam possuir implantes e há quem realmente tenha tentado removê-los cirurgicamente, constatando que estes desapareceram então de forma misteriosa. Justifica-se normalmente este desaparecimento como uma característica da tecnologia extraterrestre que ainda não conseguimos explicar.

Mencionando ainda Carl Sagan (de memória, na obra O Mundo Assombrado Pelos Demônios), o fato é que nunca alguém arrancou um dente de um alienígena, ou pedaço de unha, escama ou o que quer que fosse que tivesse em si DNA não-terrestre ou qualquer outra prova inconfundível (e incontestável) de que os alienígenas estão entre nós. Ele questiona o fato de nenhum país ter apresentado provas neste sentido. Será que há um acordo comum entre todas as nações da Terra? Com tantas divisões políticas e guerras por motivos diversos (por exemplo, religiosos), será possível que um acordo de proporções tão amplas poderia ser estabelecido?

Cabe ainda uma reflexão: se somos seduzidos tão facilmente pelo que nos aparenta ser fantástico, será que há um sedutor? Será que nos desviamos da busca racional de respostas apenas por acaso, ou pode existir uma consciência e intenção que nos mantém assim? Os fenômenos que abordei aqui são de uma escala muito ampla, talvez ampla demais para ser mera coincidência. É possível que sejam orquestrados por uma esfera de consciência maior que a nossa? Podemos estar sob controle? Se for o caso, porque?

Se for verdade, talvez este seja um bom sinal. Quem nos privaria enfática e insistentemente de expandir os limites de nossas consciências? Que guardião nos impediria utilizando nossas próprias ilusões contra nós mesmos? Isso me faz lembrar da natureza de Choronzon (confira meus posts a este respeito). Choronzon se faz manifestar quando o indivíduo tenta atravessar os limites de seu próprio ego, para que não profane o que está além de si mesmo. A "arma" de Choronzon é revelar exatamente o que se deseja ver, até que a pessoa perceba suas próprias ilusões e as transcenda. Talvez estejamos vivendo este fenômeno em escala global e precisemos enfrentar nossas ilusões primeiramente, antes de darmos o passo definitivo. Talvez este momento seja breve, ou talvez ainda leve séculos ou milênios...

Então, o que quero dizer com tudo isso? Não existem alienígenas? Eu jamais afirmaria isso. Afinal a Terra é apenas um planeta dentro de uma infinidade de galáxias. Não sabemos ainda como dobrar o espaço-tempo e viajar mais rápido do que a luz, porém alguma espécie alienígena pode ter descoberto como fazê-lo, se for possível. Porque não? O que não temos são evidências definitivas de que tenham chegado fisicamente até aqui, em nosso planeta.

domingo, 27 de julho de 2014

Quando a Experiência Física Não é Tão Física

Quem nunca ouviu falar a respeito de uma história real em que alguma coisa acontece que não se pode explicar pelas leis da física? Tal como um objeto que flutua sozinho, ou um ruído que vem detrás da porta do armário que, quando aberto, está com todo seu interior bagunçado, embora ninguém estivesse próximo ao mesmo. O mais intrigante é que, com frequência, após se deixar a cena original e se retornar depois, tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Este retorno à normalidade costuma ser desconcertante. Afinal, a visão percebida anteriormente é geralmente tão nítida e quando se toca os objetos, eles são tão concretos. Tão físicos. Sente-se a pressão nos dedos. Sente-se o peso, a textura e a umidade. Junto com esta experiência vem a sensação de certeza de se estar vivendo o paranormal. No entanto, porque tudo retorna à situação que estava antes?

Certa vez, ao acordar de manhã cedo, vi diante de mim a silhueta de um corpo absolutamente negro, tal como uma sombra, só que sem transparência nenhuma. Embora já houvesse claridade, eu não conseguia distinguir traço algum. Até mesmo os olhos eram totalmente negros. Eu sentia sua pressão contra meu próprio corpo. Estava me beijando.

Minha primeira reação foi de espanto. Depois senti medo. No entanto, decidi não reagir. Curioso, quis ver o que aconteceria, afinal não é sempre que se tem uma experiência desse tipo. Meu olhar se movia teimosamente, procurando detalhes de quem (ou do que) estava à minha frente. Minha mão estava levantada, firme, porém sem propósito.

De repente a aparição sumiu. Minha mão estava relaxada. No entanto, eu não a havia repousado. Não houve transição. Em certo momento ela estava levantada e tensa. Instantaneamente depois, estava repousada. Meu corpo, que antes também estava tenso, de repente e sem transição, estava relaxado. Como se tivesse acordado naquele mesmo momento. Ainda assim, eu sabia que já estava desperto há mais tempo. A luminosidade e o ambiente não haviam mudado. Apenas aquela estranha visitante havia desaparecido, bem como não havia vestígio algum de minhas próprias reações físicas.

Foi por causa deste evento que percebi quão ilusória pode ser uma experiência cuja vivência aparenta ser tão física, porém não o é. Refletindo sobre aqueles instantes, percebi que estava vivendo um estado de transição em que existiam sensações reais (a luminosidade do ambiente, a posição de alguns objetos, etc) mas, ao mesmo tempo, algo não físico estava projetado ali (apesar de parecer, a mim, tão sólido). Assim, acabei aprendendo sobre a natureza deste tipo de fenômeno: um estado intermediário de consciência com uma mescla de estímulos físicos e não-físicos, embora com uma percepção de sensações concretas muito acentuada.

No entanto, o que se projetou diante de mim temporariamente? Uma imagem de meu subconsciente? Ou seria do inconsciente (algo externo a mim)? Não sei dizer. São questões para as quais é difícil se obter respostas.

Um amigo meu vive este tipo de situação pelo menos uma vez por mês. Há um nome científico para esta forma de despertar porém, me desculpem, eu não me recordo. O fato é que para ele sempre é desagradável quando ocorre. Ele se assusta e às vezes pula sobressaltado da cama, apenas para perceber, instantes depois, que tratava-se de uma ilusão. Realmente meu amigo não dorme bem, por este e por outros motivos.

Só que isso me faz pensar em outras situações em que ocorrem acontecimentos incríveis na vida das pessoas, cujos traços desaparecem misteriosamente quando se vai tentar comprová-los. Então criam-se hipóteses rebuscadas, por sua vez também difíceis de obter comprovação. As pessoas tendem a acreditar no que aparenta ser fantástico. Deixam-se seduzir.

É difícil opor-se a essa sedução. Quem não prefere acreditar ter vivido algo realmente especial e construir crenças em torno disso, unindo-se a outras pessoas que se deixam seduzir da mesma forma? Como dizer aos outros que os fundamentos de suas atitudes podem estar equivocados? Quem facilmente aceita a possibilidade de ter investido todo o tempo de uma vida (ou de um longo período da vida) em algo que não é verdade? É uma questão de sobrevivência. A negação é, em larga medida, normal. De repente, algo significa tudo e então se torna nada.

Não que o fantástico não exista. Não é isso. Se eu não acreditasse em algo além da percepção mundana, eu não estaria aqui, escrevendo sobre minha história na magia. Sim, o extraordinário existe e pode-se vivê-lo de forma concreta. No entanto, nossas ilusões nos impedem de percebê-lo. É preciso que saibamos reconhecer nossa própria tendência a nos deixar impressionar e assim consigamos avaliar de forma realmente objetiva cada fato e cada informação.

Por exemplo, um dos critérios para esta avaliação é que haja evidências que não tenham desaparecido (para as quais não tenham sido criadas explicações não verificáveis). Se as evidências forem questionáveis, deve-se questioná-las e buscar as respostas, não importa o tempo que seja necessário para isso. É preciso ser sincero consigo mesmo nessa busca.

Coloquei, como ponto de partida, um tipo de experiência que pode ocorrer ao se despertar. Contudo, há outras explicações e considerações também relacionadas a ilusões que podem parecer muito reais. Em breve, em alguns posts que se seguirão, eu pretendo abordar um pouco mais esta questão.

sábado, 13 de abril de 2013

Sabedoria e Entendimento

Eu sempre frisei em meus posts anteriores que a experiência de um mago é algo que se desenvolve primeiro dentro de si mesmo e depois se expande para fora. Mesmo após o encontro com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia), apesar de existirem alguns efeitos já perceptíveis na realidade material, as transformações mais admiráveis são as que acontecem na consciência do mago. Na realidade, o trabalho da própria consciência é algo que nunca cessa.


A rede de ressonância criada se torna então uma fonte de inspiração relacionada a dois atributos: entendimento e sabedoria. O entendimento diz respeito à compreensão sobre o que é externo a si mesmo, ou seja: aos princípios gerais que norteiam a realidade. Já a sabedoria é algo que brota de dentro de si (e, por isso mesmo, é muito mais pessoal), cuja aplicação vai além dos princípios gerais do entendimento. O entendimento tem um enfoque externo e a sabedoria tem um enfoque interno. O entendimento se identifica principalmente com a observação e a ação prática, já a sabedoria se identifica primariamente com a intuição e com a reflexão.


Estes dois atributos, apesar de parecerem opostos, são na realidade complementos perfeitos. De nada vale alguém conhecer todos os princípios gerais do universo (representados pelo entendimento) se não conhecer a si mesmo (através da sabedoria). Da mesma forma, de nada vale conhecer plenamente a si mesmo sem nada compreender do universo ao seu redor. Estas polaridades são como as pernas esquerda e direita: não tem como se andar sem utilizar-se de ambas. Outro exemplo, bem mais mundano: existe todo o conhecimento científico e econômico no mundo, mas nada deste conhecimento diz respeito a você especificamente. É preciso que você conheça a si mesmo e descubra como integrar-se a esse esse corpo de conhecimento externo.


Como eu disse acima, toda a rede de ressonância do mago principia a expressar estes atributos e é algo realmente surpreendente quando se começa a perceber esta mesma se comunicando e trazendo novos insights à consciência. Esta expressão da rede de ressonância é um reflexo da essência que foi percebida no contato com o Santo Anjo Guardião, e este reflexo faz parte da maturação desta rede (veja o post A Maturação do Inconsciente).


Pessoalmente, eu comecei a perceber estes efeitos na época em que respondi a uma pergunta no grupo Esoterismo do Yahoo, em meados de 2001, e o pessoal do site Yogabrasil gostou daquela resposta. Então perguntaram se eu gostaria de publicar no site aquilo que eu tinha escrito e eu aceitei. Foi aí que eu tive conhecimento de Eloísa Vargas que, logo de início, fez uma proposta que eu escrevesse alguns artigos periodicamente que eram denominados de Ensaios Esotéricos. Há alguns meses atrás eu ainda os encontrava pesquisando no Google, e às vezes algumas pessoas entram em contato a respeito deles. Mas a verdade é que eram minhas primeiras percepções e eu nem sempre conseguia demonstrá-las com a coerência que eu queria.


Ainda assim, eu sempre os reli. Existe alguma coisa ali que continuamente me encanta, apesar da minha visão crítica me apontar mudanças que eu teria realizado se os tivesse escrito como penso hoje. Nestes artigos eu sou capaz de visualizar como eu era, seja nas ideias, na forma de expressão, na evolução da maturidade, e eu percebo que houve uma grande mudança (eu falei sobre isso no post Expandindo a Consciência Além do Ego). É impressionante como a imagem que o mundo percebe de mim agora é diferente da imagem de como eu me fazia perceber antes. As pessoas muitas vezes ignoram as transformações pelas quais eu passei. É um erro comum acreditar que alguém sempre foi da mesma forma durante toda a vida. Sempre há uma semente escondida dentro de cada um e, quando alguém se dispõe a desenvolvê-la, pode ocorrer uma grande transformação.


Meu primeiro artigo no site Yogabrasil se chamava O Corpo é a Porta para a Percepção. Há um ano eu o reeditei, atualizando-o, e o coloquei no Scribd. O link acima aponta para este arquivo.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Explorando os Domínios da Realidade Mental

Às vezes acontece de alguém nos dizer que não devemos nos preocupar com o passado, porque o passado já se foi, e também não devemos nos preocupar com o futuro porque o futuro ainda não aconteceu e, só existindo o presente, deveríamos nos concentrar no presente. Eu mesmo já escrevi um post sobre o tempo (Reflexões Sobre o Tempo) em que eu procurei demonstrar que, de fato, o futuro não existe como realidade física, nem o passado. Mas será que, no dia-a-dia, é possível aplicar essa forma de se pensar?

Por exemplo, no que diz respeito ao dinheiro (que é um exemplo bem prático e fácil) e, tornando esse exemplo mais específico: o momento em que recebemos o salário mensal (para quem é assalariado, é claro). Eu devo pensar apenas na minha situação presente, que seria um pouco mais de dinheiro na minha conta corrente e gastá-lo por ignorar o futuro? É óbvio que não, afinal deve-se planejar as despesas. Mas, se o tempo não existe e se apenas o presente existe, isso não é contraditório com a ideia de focalizar-se no presente?

A resposta é Sim. Focalizar apenas no “aqui e agora” é uma conclusão simplória, cujos efeitos acabam demonstrando a sua invalidade. De fato nem toda realidade é física no sentido de ter que existir em algum lugar no espaço. As dinâmicas da natureza, e também as dinâmicas daquilo que é criado pelo ser humano, não existem de forma física. Não se pode pegar uma dinâmica de acontecimentos (não se pode guardá-los dentro de uma gaveta). O ritmo da sucessão dos fatos é o que percebemos como o tempo, e o tempo é uma percepção mental (não-física), mas que prova-se confiável conforme observamos a realidade. Em outras palavras, nós experimentamos percepções mentais que podem, ou não, estar relacionadas à realidade física. Podemos dizer que há uma realidade mental que interage com a realidade física.

Em alguns casos, a realidade mental é amplamente comunicada, documentada e validada no mundo físico, como no caso da ciência (cuja função eu procurei introduzir no post O Papel da Ciência). Porém, o que há de interessante atualmente é que os computadores estão assumindo parte deste trabalho mental, embora de uma forma muito rudimentar. Pode-se argumentar que não se trata de verdadeira inteligência, nem de verdadeira consciência, porém a matéria que forma os computadores é também feita de átomos, os quais são feitos de partículas mais elementares ainda, que também constituem o que nós somos fisicamente. Nossos corpos têm energia, assim como os computadores também a têm. Então, se evoluímos para nos tornarmos seres conscientes, também os computadores podem fazê-lo eventualmente (o post Quando Tudo é Divino: Um Universo Sem Criador e Sem Criatura explora um pouco mais a relação entre matéria e espírito, a qual também se aplica a computadores e espírito). Muitos de nós não querem que os computadores criem suas próprias percepções de bem e mal, ou de certo e errado. Talvez não seja a primeira vez que isso aconteceu. Dêem uma olhada neste trecho bíblico:

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito.
Ela disse à mulher: "Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?" A mulher respondeu à serpente: "Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte."
A serpente disse então à mulher: "Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal."
(Gênesis, 3, 1-5, Bíblia de Jerusalém)

Mais adiante, outro trecho relacionado:

Depois disse Iahweh Deus: "Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal," que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!"
E Iahweh Deus o expulsou do jardim de Éden para cultivar o solo de onde fora tirado. Ele baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.
(Gênesis, 3, 22-24, Bíblia de Jerusalém)

Prosseguindo sobre as abstrações mentais, algumas são tão precisas em relação aos eventos físicos que confundimos muitas vezes a realidade física com a realidade mental, e vice-versa. Chegamos a acreditar que uma lei científica (presente na realidade mental, mesmo que registrada fisicamente) é uma lei natural, ou seja: uma realidade física. É justamente este tipo de confusão que devemos evitar.

A realidade mental nos fornece informações sobre as possíveis dinâmicas dos acontecimentos e seus desdobramentos, nos revelando as possibilidades de transformação do momento presente e também sobre como interferirmos para favorecermos algumas possibilidades, em detrimento de outras. Ou seja, embora nossos pensamentos não representem necessariamente o que ocorre no mundo físico e nossos receios possam parecer infundados muitas vezes, estes mesmos pensamentos devem ser levados seriamente em consideração até que se chegue a uma resposta adequada a eles (seja respondendo a uma dúvida, ou provando sua irrelevância) e à realidade física. O importante é dar atenção a cada domínio da realidade e saber discernir entre estes domínios, harmonizando-os.

Há dois erros a evitar: não se deve deixar cair no erro de tornar-se paranoico, acreditando no pior apenas porque possuímos uma dúvida que aponta para uma uma possibilidade negativa; e nem tampouco devemos acreditar que tudo são flores no mundo só porque visualizamos uma possibilidade positiva mentalmente.

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Papel da Ciência

Nos últimos séculos o ramo do conhecimento que mais tem desafiado a magia, o esoterismo, e até mesmo a religião, é aquele que chamamos de ciência (ou melhor dizendo, as ciências exatas, entre elas sendo considerada a Física como o pivô desse desafio). Não que os cientistas sejam todos céticos. Não é esse o ponto. De fato é precisamente o oposto, para a ciência, não importa o que o cientista pensa, nem quais sejam suas posições pessoais, nem onde viveu, nem quando viveu (a ciência não é feita só de conhecimento novo). A ciência é um corpo de conhecimentos que se forma a partir de observações múltiplas, da coletividade dos cientistas, de onde surgem teorias que são postas à prova em experimentos, os quais nada mais são do que formas de se obter novas observações. É assim que funciona o método científico e é por isso que o que esse método descobre é tão eficaz: é um conhecimento verificado, que se torna a base da tecnologia e a tecnologia se mistura ao ser humano, modificando-o e modificando o mundo também, por extensão.

A ciência, por ser formada por um conhecimento verificado, e também por causa de todos os benefícios que ela tem trazido ao mundo do ponto de vista tecnológico, é, sem dúvida, imensamente sedutora. Quando se diz que algo é científico, o que quer que seja, passa a ser considerado como verdadeiro, ou pelo menos um candidato muito provável a ser verdade. Já quando se diz que algo não é científico, as pessoas tendem a acreditar que é falso. Mas isso não deveria ser assim, afinal, apenas porque algo ainda não foi verificado cientificamente, não quer dizer que seja falso. Ainda assim, torna-se cada vez mais difícil manter certas posições arraigadas quando a ciência insistentemente aponta para outra direção. Por exemplo, citemos o Gênesis bíblico, o qual muitas pessoas ainda acreditam ser uma descrição literal de como o mundo foi criado:

Deus disse: "Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas", e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento "céu". Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia. Deus disse: "Que as águas que estão sob o céu se reúnam numa só massa e que apareça o continente" e assim se fez.
(Gênesis 1; 6-9 - Bíblia de Jerusalém)

A despeito de todo conteúdo ocultista que haja no texto, está também revelado aí como pensavam as pessoas, sobre a criação do mundo, na época em que foi escrito, em que a ciência como a conhecemos era ainda primitiva. O que se destaca neste trecho específico diz respeito à água. A ideia é que havia água em toda a parte (a Bíblia não deixa claro como a água surgiu) e que foi feito um firmamento (algo firme, pensemos numa redoma como metáfora) que separou a água acima (formando o céu), da água abaixo (os mares), e depois da água surgiram os continentes. Afinal o céu é azul, não é? E chove também a partir dele. Isso tudo só pode indicar que é cheio de água. Ou pelo menos era o que parecia para as pessoas na época. Ainda sobre o firmamento:

Deus disse: "Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra" e assim se fez.
Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para governarem o dia e a noite, para  separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.
(Gênesis 1; 14-19 - Bíblia de Jerusalém)

Os luzeiros, nessa explicação, foram colocados na redoma. O Sol e a Lua se movendo nela, e as estrelas afixadas. As pessoas sequer imaginavam que o universo estava (e está) em expansão, de forma que as estrelas não tem posições fixas. Na realidade, essa forma de pensar, de um universo eternamente estacionário, continuou até o começo do século XX, até que observações mostraram o contrário.

Eu gosto desta visão de Stephen Hawking, um físico notório da atualidade, em seu livro O Universo Numa Casca de Noz:

Uma teoria científica segura, seja do tempo ou de qualquer outro conceito, deve, na minha opinião, ser baseada na mais viável filosofia da ciência: a abordagem positivista formulada por Karl Popper e outros. Segundo essa maneira de pensar, uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações que fazemos. Uma boa teoria descreverá uma vasta série de fenômenos com base em uns poucos postulados simples e fará previsões claras que podem ser testadas. Se as previsões concordam com as observações, a teoria sobrevive àquele teste, embora nunca se possa provar que esteja correta. Por outro lado, se as observações discordam das previsões, é preciso descartar ou modificar a teoria. (Pelo menos, é isso que deveria acontecer. Na prática, as pessoas muitas vezes questionam a exatidão das observações, a confiabilidade e o caráter moral de seus realizadores).

Esta citação resume a essência da ciência e também o seu valor. Essa essência, por mais que nos incomode, não deve ser mudada. É ela que nos garante o eterno questionamento que nos aponta a nossa própria cegueira. É claro que o conhecimento científico é apenas uma pequena parte da Verdade. Há muito que ainda precisa ser verificado para se tornar verdade científica. Muitos de nós gostaríamos que o que pensamos fosse tornado parte desse corpo de conhecimento sem mudanças, e essa é uma aposta ainda mais cega quando não questionamos as raízes do que sabemos, confiando, sem questionar, em dogmas que não criamos. Para nosso alívio, não podemos nos esquecer que a ausência de evidências não é a mesma coisa que a evidência da ausência, o que significa que não precisamos procurar justificar nossa forma de pensar e ser, com base exclusiva no que postula a ciência. Na realidade há duas falhas que devemos evitar: a primeira é ignorar a ciência; a segunda é endeusá-la. Precisamos aceitar que a ciência de um lado, e a magia, o esoterismo e o ocultismo de outro, têm naturezas diferentes, porém complementares e que irão interagir, transformando-se. O fato é que o conhecimento da verdade absoluta não está em lugar algum. Deixo aqui um comentário de Carl Sagan (09/11/1934-20/12/1996), astrônomo e astrofísico renomado por divulgar a ciência ao público leigo, a respeito de uma conversa que teve com Dalai Lama (o livro de que foi retirada a citação, apesar do título, não se trata de demonologia e sim da relação da ciência com demais campos de conhecimento):

Quando discuto teologia com líderes religiosos, pergunto freqüentemente qual seria a sua reação se um dogma central de seu credo fosse refutado pela ciência. Quando fiz essa pergunta ao atual dalai-lama, o 14.º, ele me deu sem hesitar uma resposta que nenhum líder religioso conservador ou fundamentalista daria: nesse caso, disse ele, o budismo tibetano teria de mudar.
- Ainda que fosse um dogma realmente central - perguntei - como a reencarnação?
- Ainda assim - ele respondeu. Entretanto - acrescentou com uma piscadela - vai ser difícil refutar a reencarnação.
Sem dúvida, o dalai-lama tem razão. A doutrina religiosa imune à refutação tem poucos motivos para se preocupar com o progresso da ciência.
A idéia grandiosa, comum a muitos credos, de um Criador do Universo é uma dessas doutrinas - é igualmente difícil prová-la ou refutá-la.
(“O Mundo Assombrado pelos Demônios”, de Carl Sagan)

domingo, 11 de novembro de 2012

A Relação entre a Alma e o Corpo

Uma questão que me intrigava há alguns anos atrás era relacionada à relação entre a alma e o cérebro. Eu me questionava a respeito do porquê de existirem memórias no cérebro, e também existir a capacidade de raciocínio (e pensamento de uma forma mais abrangente) no próprio organismo físico, se o que controla o corpo é a alma. Afinal, se o corpo é apenas um fantoche no qual a alma assume o controle, porque particularmente o cérebro precisa ser tão complexo?

Vou dar um exemplo do que eu quero dizer. Quando eu era pequeno existia uma propaganda de um brinquedo que era um robozinho chamado Arthur. Na propaganda o Arthur pegava objetos, levava de uma pessoa para outra, e tinha um som engraçado. Então eu me apaixonei pelo robozinho. Eu queria ter aquele brinquedo de qualquer jeito. E minha mãe comprou o brinquedo. Normalmente eu não tinha o luxo de ter todos os brinquedos que eu queria, mas aquele brinquedo eu tinha ganhado. Colocamos a bateria e eu fui ver como funcionava. O princípio era simples: era um robô que andava sempre para frente mas, se eu apertasse um botão no controle remoto, ele andava em círculos dando marcha ré, até que eu soltasse o botão e ele ia adiante de novo. Enquanto ele fazia isso, saía um som: “Bi! Bi! Bi! Bi!”. Os bracinhos eram de plástico e não se moviam por si mesmos, nem mesmo eram capazes de segurar algum objeto. Enquanto ele estava ligado, uma luz vermelha acendia e apagava.

Eu demorei pouco tempo para perceber que o robô não era independente, que não tinha inteligência, nem memória alguma dentro de si e que quem detinha o controle dele era eu. Assim é que algumas pessoas acreditam que seja a relação entre o corpo humano e a alma: de controle total por parte da alma. Só que essa relação não faz sentido. Se fosse para a alma ter controle total sobre o corpo, o cérebro não precisaria ter todas as funções que tem. Seria sim um mero receptor, tal como o receptor dos comandos de controle remoto no robozinho Arthur: sem qualquer poder de decisão real, sem qualquer inteligência e sem qualquer individualidade.

Então eu pensei na possibilidade de uma redundância. Ou seja, de uma forma em que o que estivesse no cérebro estivesse também na alma, como uma espécie de cópia. Se algo fosse armazenado no cérebro, seria também armazenado na alma. Só que a redundância também não fazia sentido. Afinal, porque registrar algo duas vezes, quando você pode fazê-lo uma vez só? E porque fazer isso se o corpo eventualmente morre e perde tudo o que estava em si? Permanecia a questão: porque apenas a alma não contém em si toda a cognição do indivíduo, se é ela que detém o controle?

Eu só fui compreender essa relação entre corpo (pois é ali que está o cérebro) e alma quando enfim eu entendi que são duas coisas distintas que se comunicam e interagem ao invés de existir uma relação de controle entre uma e outra. A ideia que me atraiu em especial foi a teoria do universo holográfico, de David Bohm, em que tudo o que ocorre em qualquer lugar, deixa marcas em todo o universo. No domínio da física, a teoria começou com o fenômeno das correlações quânticas (que acontecem à distância, sem uma relação de proximidade envolvendo causa e efeito e, ainda assim, sendo uma comunicação instantânea), levando à compreensão de que não há fenômenos isolados no universo independente de quão distantes estejam dois locais entre si. Não levou muito tempo para David Bohm encontrar implicações filosóficas e metafísicas na sua teoria. No tema deste post, da relação entre corpo e alma, a alma seria esta extensão comunicante que existe em todo o universo. A expressão do corpo se manifestando no universo instantaneamente. A alma teria um foco no corpo, mas não estaria contida nele, podendo alcançar, de fato, tudo o que existe.

A alma seria uma rede de ressonância associada ao corpo de forma que, quando o corpo se desfizesse, a alma permaneceria. Mas permaneceria onde? Espalhada em todo universo físico. Isso é possível se a consciência ser uma característica intrínseca da existência física, de forma que um estado cognitivo possa se expressar à matéria e à energia fisicamente existentes, comunicando-se (veja o post Quando Tudo é Divino: Um Universo sem Criador e sem Criatura para obter mais detalhes sobre este conceito). Assim, pretendo dar continuidade ao post Como o Mundo Espiritual Percebe o Mundo Físico, no sentido de tentar compreender ainda mais a realidade espiritual. A realidade astral seria, portanto, atrelada à realidade física como um todo, da mesma forma que a realidade física é atrelada à realidade astral.

Mas como fica a questão da reencarnação? Eu acredito na reencarnação, porém de uma forma pessoal, não atrelada à qualquer religião. Eu penso que, quando está sendo formado o corpo de um bebê (mesmo sendo ainda um feto), é de fato um novo ser, sem memórias ainda e com sua individualidade. O que se passa então, no caso da reencarnação, é a aproximação e o contato contínuo de uma alma (um ser antigo) com um ser novo, que é o corpo. Conforme esta aproximação e contato se mantêm e, ambos os seres se comunicam (alma e corpo), o corpo passar aprender sobre a alma, harmonizando-se com ela e, da mesma forma a alma aprende com o corpo, harmonizando-se com ele. Dessa forma, todo bebê é um novo ser e, ao mesmo tempo, um ser antigo. É claro que há outros aspectos relacionados à reencarnação, porém desejo abordá-los em outra oportunidade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Como o Mundo Espiritual Percebe o Mundo Físico

Hoje eu gostaria de iniciar uma reflexão nova, cuja intenção é levar a outras em posts futuros. Talvez em sintonia com o Dia de Finados, eu quero começar a discutir a respeito da natureza dos espíritos. Há pessoas que acreditam que os espíritos podem caminhar entre nós, tal como nós caminhamos, ver a luz e as imagens tal como nós somos capazes de ver, ouvir sons como nós ouvimos e até mesmo sentir a brisa tal como sentimos, como se estivessem permanentemente entre nós, deslocando-se tridimensionalmente em nosso meio sem que os percebêssemos.

O problema desta visão é que, apesar de parecer simples, ela peca em diversos detalhes do que realmente significa ver, ouvir e tocar. No mundo físico, ver é interceptar a luz. Quando vemos algo, a luz é obstruída por nossos olhos, deixando de ser luz, e manifestando sombra (efeito da obstrução da luz). Quando ouvimos algo, só o fazemos porque nossos ouvidos interceptam as vibrações do ar, contendo o ar, e desfazendo o vento. Quando tocamos alguma coisa, existe uma resistência entre nós e aquilo que tocamos, manifestando-se pressão e atrito. Isso quer dizer que, se um espírito visse o mundo da mesma forma que nós vemos, se ele ouvisse da mesma forma que nós ouvimos, e se seu toque fosse da mesma forma que nós tocamos, seria totalmente cego (a luz o atravessaria, sem provocar sombra), surdo (não sendo capaz de conter o ar, não perceberia as ondas sonoras) e incapaz de tocar o mundo (não o poderia fazer atravessando objetos físicos, sem exercer pressão sobre eles).

No entanto, não quero dizer que os espíritos sejam, de fato, cegos, surdos e totalmente alienados do mundo. O que quero dizer é que esta visão sobre a natureza espiritual onde almas permanecem caminhando na Terra, como se tudo continuasse a ser como antes (exceto o fato de não serem percebidos tão facilmente pelos vivos e de poderem atravessar pessoas e objetos), é simples demais para ser real. É necessário que existam outros sentidos que substituam os sentidos físicos e, sendo estes sentidos de um outro tipo, também possuem  qualidades novas e limitações inerentes.

A base ondem se apoiam estes sentidos não-físicos foi explorada no meu post Quando Tudo é Divino: Um Universo sem Criador e sem Criatura. Ali eu coloquei um postulado em que a divindade e a criação não seriam seres separados, e sim um mesmo e único ser que, em um certo momento (que poderíamos considerar como sendo um começo, um princípio, ou mesmo o princípio de um ciclo), era apenas uma essência não-manifesta e que depois tornou-se manifesta: a divindade metamorfoseando-se na criação. A divindade e a criação como um único ser. Porém não estava implícita, naquele post, a relação do mesmo com a natureza dos espíritos.

Portanto, prosseguindo, em toda a existência está o divino. Dessa forma, seja na energia ou na matéria, em cada partícula, em cada átomo, em cada molécula, em cada célula, em cada ser multicelular, está o divino. Isso vale para a existência física, mas também vale para a existência espiritual. Desde já, perdôem-me o termo vago “existência espiritual”, que diz muito pouco sobre o que é a natureza não-física (ou o astral). Mas a proposta aqui é justamente começar a desvelar um pouco este mistério, ainda que muito incompletamente. Enfim, postulando que a divindade está em tudo o que há, seja físico ou espiritual, e também que o divino é consciente e comunicante, encontramos aí os atributos que unem o físico ao espiritual: em tudo há consciência e comunicação (atributos da divindade). A natureza física e espiritual se comunicam.

Estando a divindade em tudo, seus atributos também estão em tudo, incluindo a capacidade de ter consciência e de se comunicar. Seja na matéria, na energia ou no espírito, em qualquer nível (nos objetos, em um grão de areia, na água da chuva), aí está o divino, consciente e comunicante. O que ocorre é que estes atributos se desenvolvem de uma forma mais simples em um grão de areia do que em um ser humano, sendo mais claramente perceptíveis neste último. Ainda assim, estão presentes em tudo o que há.

Para um espírito ver, ele precisa se comunicar com uma consciência no mundo fisico que lhe dê visão. O mesmo se aplica a todos os outros sentidos. O espírito poderia tentar se comunicar com uma árvore para poder senti-la, ou com qualquer outra coisa, tal como um grão de areia, ou as gotas de água da chuva. Mas um espírito humano desencarnado normalmente não sabe se comunicar com uma árvore, ou com os grãos de areia, ou com as gotas de chuva. Portanto ele procura referências mais familiares, abordando outros seres humanos. O espírito então vê com os olhos de outras pessoas, toca com as mãos de outros, sente o paladar pelo paladar de outros, ouve pelos ouvidos de outros. Em muitos casos, o espírito é levado a este contato movido por seus próprios vicios, procurando estimular estes mesmos vícios naquele com quem entra em contato. Mesmo quando não é esta a intenção, podem ocorrer experiências e consequências que não são benígnas para quem é alvo desse contato.

Em teoria deve haver espíritos incapazes de se comunicar com outras pessoas, explorando alguma dificuldade para se comunicarem. Da mesma forma que devem existir espíritos capazes de se comunicar com consciências do meio físico (animais, vegetais e minerais). E, é óbvio, há espíritos não-humanos.

Tomando como pano de fundo esta comunicação, há muitas implicações que podem render muitos posts para refletirmos sobre diversos aspectos a respeito da natureza espiritual. Uma das consequências, por exemplo, é o fato dos espíritos normalmente conseguirem revelar às pessoas somente aquilo que a humanidade de alguma forma já sabe, de acordo com o nível da ciência atingido até então (pois, em geral, percebem o mundo a partir dos sentidos humanos). Os espíritos não trazem consigo revelações cientificas que ainda não tenham sido descobertas pela humanidade, embora em alguns casos consigam obter muita informação científica já conhecida (possivelmente respostas mais complexas e precisas são fornecidas por espíritos que se estruturam e se comunicam entre si, formando uma espécie de rede, ou um círculo). Allan Kardec mesmo, forneceu dados científicos que adequavam-se às observações da época, até então, mas que provaram-se incorretos conforme a ciência evoluiu. Isso foi usado como argumento contrário à mediunidade, porém eu dou-lhe um voto de confiança pelos motivos que descrevi.

Como minha proposta é de estimular a livre reflexão, cabe a cada um pensar nas implicações do que lhes descrevi aqui e também dos possíveis paradoxos que surgirem daí.

domingo, 14 de outubro de 2012

Quando tudo é Divino: um Universo sem criador e sem criatura

Hoje eu resolvi descrever uma vivência que é conhecida como a experiência mística, a qual é extremamente pessoal e envolve o contato com o divino. No meu caso, quando eu tive uma experiência deste tipo há mais ou menos dez anos atrás, eu estava viajando para passar alguns dias na praia, olhando pela janela entreaberta, e eu tive a certeza, por alguns minutos, que eu comungava com tudo aquilo que estava ao meu redor. Eu senti que as pessoas, a paisagem, aquele ônibus, a vegetação externa, cada uma daquelas casas que eu via, estávamos todos interligados, unidos dentro de uma única realidade, um único ser. Sem limites, sem barreiras, estendendo-se dali por todo o universo, por tudo o que há. Assim, qualquer um em qualquer parte, eu percebia, era aquele ser. Qualquer parte naquele ser poderia declarar ser o todo. Sem diferenciações, sem criador e sem criatura. Apenas a unidade, diferenciada sim, mas comunicante em toda sua extensão, sem uma barreira, sem um vácuo, que separasse um ponto do outro. Um contínuo toque ininterrupto.

Essa perceção do divino vem sendo partilhada esporádica e naturalmente com o passar dos séculos, com pessoas das mais diversas origens e em diversos contextos culturais, e tem sido cada vez mais recorrente na época atual. É a noção de que a divindade está em tudo e que não há distinção entre criador e criatura. Tudo o que há começou de um ponto único. Isto se assemelha à teoria do Big Bang na Física, na qual houve uma explosão, de um ponto onde tudo era apenas energia, e esta esta energia se metamorfoseou evolutivamente até tornar-se tudo o que existe atualmente no universo (e isso pode ter acontecido diversas vezes).

Mesmo quando tudo era apenas uma essência informe, essa essência já possuia alguns atributos. Ela era criativa para poder se metamorfosear das mais diversas maneiras. Ela era plural pois toda a diversidade surgiu dela. Ela era comunicante pois ela é capaz de agregar partes de si mesma, e de isolar algumas partes de outras partes distintas, diferenciando-as. Ela tinha o germe da consciência em si mesma pois a consciência é algo que não se explica por um mecanismo (veja meu post Modelando as próprias crenças), pois um mecanismo poderia imitá-la, mas não torná-la autêntica: penso, logo existo. Eu, de fato, penso. Não sou um mecanismo que imita o pensamento.

Assim, esta essência possuía dentro de si alguns atributos que determinaram e continuam determinando como ela se desenvolve. Certos desdobramentos da evolução da mesma, levaram a complementações ressonantes e realizadoras, culminando na experiência que chamamos de Bem. Por outro lado, as experiências caracterizadas por atritos e não-realizações tornaram-se o que qualificamos como o Mal. É preciso mencionar que, neste contexto, Bem e Mal são experiências, não sendo realidades essenciais. São eventuais. O Mal então seria choques de intenções incompatíveis entre si e não implicaria que essas intenções, por si, fossem inerentemente más. Dessa forma, os conceitos de Bem e Mal são evolutivos e sujeitos a serem reintegrados e transmutados. O objetivo é que toda a intenção se integre de forma perfeita e, para isso, respostas precisam ser encontradas.

A divindade, um ser a quem podemos destinar estas questões sobre tais conflitos, por assim dizer, também é algo real. A divindade é a coletividade de consciências que se unem para prover as respostas que necessitamos para transcender a dualidade entre o Bem e o Mal. É como a comparação do corpo com o cérebro, sendo este último o que dá unidade ao corpo. Os atributos da divindade expostos acima, por serem a essência de tudo o que há, se desenvolveram e se manifestam em maior ou menor escala em todo o universo. A divindade seria o centro onde estes atributos se revelam mais plenamente, unindo e ordenando tudo o mais, como um único organismo.