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sábado, 14 de julho de 2018

Experimentando a Vibe de um Sábado de Manhã

Fffffffffffrrrrriiiiiiioooooooooooo aqui em Curitiba... Diz a previsão do tempo que vai melhorar, que está fazendo 10 graus lá fora (o que aliás já é um progresso em relação a ontem). Mas acordei às 8 da manhã desse sábado e não sinto toda a animação que achei que sentiria :D

Ontem conversei à noite com uma pessoa próxima, e ela me fez uma pergunta que eu achei interessante. Mais ou menos assim: "De tudo que você pode imaginar, o que você poderia fazer de mais significativo?" Certas pessoas são como oráculos. Melhores que I-Ching, melhores que Tarot.

E, é claro, estamos ainda há umas 30 horas desde que ocorreu o momento exato da Lua Cheia (sob a ação da Lua Cheia ainda, mas concluindo). Momento bom para tomar certas atitudes. Não que o efeito seja aquele que nós esperamos, mas normalmente a Lua Cheia sugere esse tipo de começo e, mesmo que venha algo bem diferente como resultado, é muito provável que seja algo necessário.

Bom, há quase dois anos atrás minha vida fez uma curva. Novo emprego, nova situação, e eu senti que não teria tempo para publicar assuntos por aqui e em outros lugares. A verdade é que na magia as coisas não são tipicamente lineares. Aliás, nós até sentimos quando elas estão para mudar, e eu sentia isso já nos meus úlitmos posts que havia publicado no blog, que iam ficando cada vez menos frequentes.

Pois então, nesse momento agora, eu sinto (eu intuo, melhor dizendo) a vibração do Ponto de Transição (um termo que vem do I-Ching). Ciclo completo e reiniciando. Tomando decisões que vão ser importantes para frente, e nada mais simbólico que estar aqui de novo, no blog, com vocês.

Aliás, a minha ideia ainda é contar minha história. Mas acho que vou me expor mais, ser mais informal (como agora), falar por partes, colocar ideias que podem ser questionadas sem tentar fechar assuntos. Espero realmente que voltar ao blog do Mestre Que Nada Sabe seja uma semente desse reinício. É o que desejo.

Enfim, já que é sábado, mesmo um pouquinho frio aqui no Paraná, eu desejo a vocês um bom fim de semana!

domingo, 27 de julho de 2014

Quando a Experiência Física Não é Tão Física

Quem nunca ouviu falar a respeito de uma história real em que alguma coisa acontece que não se pode explicar pelas leis da física? Tal como um objeto que flutua sozinho, ou um ruído que vem detrás da porta do armário que, quando aberto, está com todo seu interior bagunçado, embora ninguém estivesse próximo ao mesmo. O mais intrigante é que, com frequência, após se deixar a cena original e se retornar depois, tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Este retorno à normalidade costuma ser desconcertante. Afinal, a visão percebida anteriormente é geralmente tão nítida e quando se toca os objetos, eles são tão concretos. Tão físicos. Sente-se a pressão nos dedos. Sente-se o peso, a textura e a umidade. Junto com esta experiência vem a sensação de certeza de se estar vivendo o paranormal. No entanto, porque tudo retorna à situação que estava antes?

Certa vez, ao acordar de manhã cedo, vi diante de mim a silhueta de um corpo absolutamente negro, tal como uma sombra, só que sem transparência nenhuma. Embora já houvesse claridade, eu não conseguia distinguir traço algum. Até mesmo os olhos eram totalmente negros. Eu sentia sua pressão contra meu próprio corpo. Estava me beijando.

Minha primeira reação foi de espanto. Depois senti medo. No entanto, decidi não reagir. Curioso, quis ver o que aconteceria, afinal não é sempre que se tem uma experiência desse tipo. Meu olhar se movia teimosamente, procurando detalhes de quem (ou do que) estava à minha frente. Minha mão estava levantada, firme, porém sem propósito.

De repente a aparição sumiu. Minha mão estava relaxada. No entanto, eu não a havia repousado. Não houve transição. Em certo momento ela estava levantada e tensa. Instantaneamente depois, estava repousada. Meu corpo, que antes também estava tenso, de repente e sem transição, estava relaxado. Como se tivesse acordado naquele mesmo momento. Ainda assim, eu sabia que já estava desperto há mais tempo. A luminosidade e o ambiente não haviam mudado. Apenas aquela estranha visitante havia desaparecido, bem como não havia vestígio algum de minhas próprias reações físicas.

Foi por causa deste evento que percebi quão ilusória pode ser uma experiência cuja vivência aparenta ser tão física, porém não o é. Refletindo sobre aqueles instantes, percebi que estava vivendo um estado de transição em que existiam sensações reais (a luminosidade do ambiente, a posição de alguns objetos, etc) mas, ao mesmo tempo, algo não físico estava projetado ali (apesar de parecer, a mim, tão sólido). Assim, acabei aprendendo sobre a natureza deste tipo de fenômeno: um estado intermediário de consciência com uma mescla de estímulos físicos e não-físicos, embora com uma percepção de sensações concretas muito acentuada.

No entanto, o que se projetou diante de mim temporariamente? Uma imagem de meu subconsciente? Ou seria do inconsciente (algo externo a mim)? Não sei dizer. São questões para as quais é difícil se obter respostas.

Um amigo meu vive este tipo de situação pelo menos uma vez por mês. Há um nome científico para esta forma de despertar porém, me desculpem, eu não me recordo. O fato é que para ele sempre é desagradável quando ocorre. Ele se assusta e às vezes pula sobressaltado da cama, apenas para perceber, instantes depois, que tratava-se de uma ilusão. Realmente meu amigo não dorme bem, por este e por outros motivos.

Só que isso me faz pensar em outras situações em que ocorrem acontecimentos incríveis na vida das pessoas, cujos traços desaparecem misteriosamente quando se vai tentar comprová-los. Então criam-se hipóteses rebuscadas, por sua vez também difíceis de obter comprovação. As pessoas tendem a acreditar no que aparenta ser fantástico. Deixam-se seduzir.

É difícil opor-se a essa sedução. Quem não prefere acreditar ter vivido algo realmente especial e construir crenças em torno disso, unindo-se a outras pessoas que se deixam seduzir da mesma forma? Como dizer aos outros que os fundamentos de suas atitudes podem estar equivocados? Quem facilmente aceita a possibilidade de ter investido todo o tempo de uma vida (ou de um longo período da vida) em algo que não é verdade? É uma questão de sobrevivência. A negação é, em larga medida, normal. De repente, algo significa tudo e então se torna nada.

Não que o fantástico não exista. Não é isso. Se eu não acreditasse em algo além da percepção mundana, eu não estaria aqui, escrevendo sobre minha história na magia. Sim, o extraordinário existe e pode-se vivê-lo de forma concreta. No entanto, nossas ilusões nos impedem de percebê-lo. É preciso que saibamos reconhecer nossa própria tendência a nos deixar impressionar e assim consigamos avaliar de forma realmente objetiva cada fato e cada informação.

Por exemplo, um dos critérios para esta avaliação é que haja evidências que não tenham desaparecido (para as quais não tenham sido criadas explicações não verificáveis). Se as evidências forem questionáveis, deve-se questioná-las e buscar as respostas, não importa o tempo que seja necessário para isso. É preciso ser sincero consigo mesmo nessa busca.

Coloquei, como ponto de partida, um tipo de experiência que pode ocorrer ao se despertar. Contudo, há outras explicações e considerações também relacionadas a ilusões que podem parecer muito reais. Em breve, em alguns posts que se seguirão, eu pretendo abordar um pouco mais esta questão.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sonhos Repetidos

Na magia, o caminho a seguir não é sempre homogêneo e linear. Às vezes mergulha-se fundo no inconsciente por um longo tempo (e isso é muito importante para se estruturar psiquicamente); às vezes vivencia-se a realidade prática do dia-a-dia (que é o fruto externo do que se planta interiormente); e às vezes passa-se por um período de deterioração (de deixar para trás o que não tem mais a ver consigo mesmo). Usualmente são longos períodos, os quais só reconhecemos com o passar dos anos (pois são cíclicos e, por isso mesmo, podem ser reconhecidos ao se tornarem recorrentes). Há quem afirme que existe um início e um fim no caminho do mago, mas estou desconfiado de que ele nunca acaba. Talvez seja apenas o caso do "mapa" estar incompleto.

Recentemente eu demonstrei, através de meus posts,  um pouco do que é mergulhar no inconsciente e amadurecer as relações internas. Acredito que agora já é hora de dar uma pausa e continuar abordando outros temas também relacionados à minha própria história no ocultismo. No entanto, para quem aprecia os sonhos que narrei, não se preocupem. Haverão mais sonhos a serem descritos, em momentos propícios. Hoje, para encerrar (por enquanto) este assunto dos sonhos, vou falar sobre um tipo de sonho especial: o sonho repetido. Quem nunca teve um sonho repetido? Não vale dizer "Não" se você não lembra dos sonhos que tem. Porque será que, de vez em quando, nossa mente repete experiências inteiras?

O motivo é que os sonhos deste tipo representam questões a respeito de aspectos que ainda não conseguimos equilibrar, harmonizar, ou dar uma resposta satisfatória em nossas vidas. Por exemplo, quando eu era pequeno meus pais haviam me dado um robô de brinquedo de presente. Ele tinha um funcionamento simples: buzinava muito e mudava sua direção quando eu acionava o controle remoto (do mesmo jeito que os carrinhos de brinquedo fazem). Ele também tinha uns braços estilizados (que não se moviam sozinhos) e luzes vermelhas que piscavam. Tudo isso junto em um brinquedo me impressionava.

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Robô Arthur, da Estrela

Por um tempo eu considerei aquele robozinho mais importante até mesmo que as pessoas ao meu redor. Eu queria protegê-lo, guardá-lo para mim, não deixar outros brincarem. Ainda que isso ferisse os sentimentos alheios. Então, certo dia percebi claramente o que tinha: pequenos truques. Nada dele era tão misterioso e fantástico, e eu percebi isso. Percebi também que havia deixado as pessoas de lado. Naquele mesmo dia sonhei que todos em minha família haviam sido transformados em robôs e que não possuíam mais sentimentos. O sonho demonstrava minha inversão de valores.

Este sonho se repetiu na época da minha adolescência. Foi quando ganhei meu primeiro computador. Na realidade, nada sofisticado quando comparado aos computadores atuais, mas foi com ele que comecei a aprender a criar software. Eu visualizei alí possibilidades praticamente infinitas que dependiam apenas do que eu pudesse elaborar. Todo dia eu me confinava no quarto, como se aquele fosse meu tesouro (“meu precioso”, numa analogia à trilogia Senhor dos Anéis). Não levou muito tempo para que eu percebesse que faltava consciência naquela máquina (pois o computador não era um ser pensante, da mesma forma que faltava consciência no robô de brinquedo que tive quando criança). Naquela noite tive o mesmo sonho, apontando a mim uma inversão de valores semelhante à vez anterior. Então entendi seu significado e o sonho nunca mais retornou (como se a mensagem enfim tivesse sido entregue).

tk85.JPG
TK85 - Um clone do ZX-81 da Sinclair
Eu tinha apenas o computador (á esquerda). Eu não possuía o joystick (á direita).

Apenas para “fechar”, existe também outro tipo de sonhos que se repetem, só que variando em alguns aspectos (ou seja: não são exatamente iguais). Esta variação indica que algo se transformou e, possivelmente, continua se transformando. Pode ser uma metamorfose naquele que sonha (revelando uma mudança de consciência), ou então uma transformação na situação em que se está inserido (revelando uma mudança de contexto). Nesse caso, o sonho demonstra uma dinâmica que pode ser tanto interna quanto relacionada a eventos externos (em ambos os casos, usualmente acontecendo de forma sutil, por se dar ao longo do tempo).

Fica então uma questão para você, meu leitor: você já teve (ou tem) um sonho repetido? Sobre o significado desse sonho, você já o compreendeu?

domingo, 8 de setembro de 2013

O Que Está Dentro é Como o Que Está Fora

Estou retornando de minha pausa em relação ao blog (reconheço, bem antes do que havia imaginado). Por mais que haja objetivos pessoais concorrentes com os quais preciso lidar, não consigo ficar tanto tempo sem escrever (velhos hábitos nunca mudam). A verdade é que já comecei a aprender alguns macetes para administrar melhor meu tempo, sendo que um deles (mas não o único) é tornar a frequência com que escrevo um pouco mais flexível e mais espaçada (foi o que acabei fazendo para compor este post, aproveitando um esboço que já havia começado e desenvolvendo-o quando tive tempo disponível). Assim, ao invés de escrever semanalmente, eu vou fazê-lo mais ou menos mensalmente (precisarei controlar meu impulso de sempre querer rever e acrescentar algo quase que de imediato). Desculpem-me por meu post anterior (Uma Pausa) ter sido tão dramático. Afinal, como ser humano, às vezes eu também faço algumas “tempestades em copo d’água” (e armo alguns barracos também, em situações mais práticas, às vezes). 

Como resultado colateral desta mudança de ritmo, vou levar muito mais tempo lhes contando minha história pessoal no caminho da magia. Mas, na realidade, não tenho pressa e sempre considerei mais interessante apreciar o caminho do que simplesmente chegar aos objetivos pretendidos. As histórias vêm daí, dos caminhos. 

Volto então ao tema da goécia (que iniciei no post Goécia: Refletindo Sobre o que Marginalizamos no Inconsciente). Vamos lá… Certa noite sonhei com uma demônia. Demônia, mas não que tivesse algum defeito na aparência ou que inspirasse algo de desagradável. Na verdade era atraente e invulgar. O conhecimento de que se tratava de uma demônia estava implícito, já em minha mente, sem que tivesse sido comunicado claramente no sonho.

Ela fez uma proposta a mim. Demônios sempre fazem propostas. Normalmente nós temos aquele velho chavão “pacto com o demônio”, e talvez haja algo de verdadeiro nisto, porém normalmente trata-se de exagero. O que eles propõem é usualmente um trato, pura e simplesmente, e quase sempre sem aquela conotação de coisa eterna, para sempre.

No caso, ela propunha me ajudar a entender as pessoas. Ela disse que poderia revelar-me o que realmente motiva os seres humanos, por detrás da aparência das palavras, e por detrás até mesmo da fachada do que alguns acreditam ser suas verdadeiras razões. Segundo ela, assim eu poderia agir com segurança diante do que surgisse diante de mim no dia-a-dia. Não me propunha coisa alguma em troca. Enfim completou: “Então, o que acha dessa ideia?”. Eu não respondi nem com um “Sim”, nem com um “Não” e o sonho terminou assim, com um desfecho em branco.

O leitor pode considerar com uma certa estranheza esta narração que aqui estou expondo. A ideia de perceber o que as pessoas escondem (até mesmo de si mesmas), tendo acesso a algum tipo de informação (sobre a qual não se supõe que deveríamos ter) causa, em geral, uma certa repulsa. Afinal não gostaríamos que fizessem isso conosco. Não gostaríamos que as pessoas soubessem (com um alto grau de certeza) do que realmente pensamos a respeito delas, do mundo, de nossas estratégias. Acreditamos que devemos ocultar-nos, seja para sermos melhor aceitos, seja para nos protegermos. A proposta da demônia, portanto, fere este instinto de ocultação.

No entanto, nos aprofundemos nesta proposta. Consideremos que há duas formas de se conhecer as motivações das pessoas (sem que perguntemos diretamente a elas). A primeira é olhando para dentro de nós mesmos e verificando como reagimos às pessoas, porque sabemos que os efeitos que sentimos interiormente podem corresponder a causas exteriores. Como se o exterior tivesse (e tem) ramificações dentro de nós. É a noção de que somos interligados e que, justamente por isso, não existem segredos de fato.

A segunda forma é pela via inversa. Explico: se somos interligados uns aos outros, toda nossa expressão é transmitida (para outros) e recebida (por outros), em virtude de nos comunicarmos. Dessa maneira temos raízes nas demais mentes (ramificações de nós mesmos em tudo o que nos é receptivo). Por este motivo (e em certa medida) o universo corresponde ao que esperamos dele (equivale a saber como o universo se sente tendo como base como nós mesmos nos sentimos). Entretanto, em tal situação, as demais pessoas nem sempre estão conscientes de nossa influência específica em suas vidas (quando desejamos algo em relação às mesmas). Frequentemente, se esta influência é percebida (e não corresponda a padrões de pensamento e comportamento que o indivíduo considere aceitáveis, ou seja: conforme seus egos), o pensamento é rejeitado, e muitas vezes reconhecido como que de origem externa. Ocorrendo esta rejeição, quem provocou o estímulo é considerado como o tentador (voltando à alusão aos demônios), não importando o quão agradáveis possam ter sido os efeitos enquanto eram meramente inconscientes. Daí se deduz que, neste tipo de situação, uma transformação que permanece fora do limiar da consciência pode ser mais eficaz do que alguma que se evidencie conscientemente.

Tudo se resume no contraste entre consciência e inconsciência. Eu, pessoalmente, sou parte do seu inconsciente (de você, leitor), assim como quase tudo o mais o é. Da mesma forma você é parte do meu inconsciente (assim como quase tudo o mais o é). O que nos impede de vermos isto claramente são nossos egos, os quais tendem a rejeitar tudo que lhes foge à compreensão. Na verdade, o que denominamos demônios é pura e simplesmente aquilo que não se encaixa em nossos estereótipos, incluindo aí nossas noções de moral, do bem e da religião (pois são conceitos que têm relação entre si). A moral deriva do que acreditamos ser o bem, da mesma forma que a religião tem a mesma derivação. Quanto à percepção que cada um tem a respeito da divindade, esta tende a alinhar-se da mesma forma.

O que em geral não se percebe é que a noção comum de bem e mal é baseada na distinção entre os seres (entre uma pessoa e outra, ou entre Deus e o Diabo em um escopo mais amplo), e não na comunhão entre tudo o que há (onde a divindade metamorfoseia-se em tudo, não existindo nada que não seja divino - veja o post Quando tudo é Divino: um Universo sem criador e sem criatura). Estas são percepções opostas e que acabam por provocar uma distorção na consciência do que é o bem (e o mal por extensão). Acabam também por distorcer nossos conceitos morais e, enfim, distorcem a noção da própria natureza da divindade. É precisamente esta distorção que leva à violência explícita (onde um fere o outro, ao invés de unir-se ao outro), da mesma forma que leva aos preconceitos raciais, ao machismo (e também a algumas formas negativas de feminismo, pois nem todas são negativas) e a diversas outras expressões de preconceito. Percebemos, assim, como “demoníaco” o que desafia nossa persistência no isolamento.

Afinal, porque nos parece tão perigoso quando alguém é capaz de perceber realmente o que pensamos ou o que pretendemos realizar? Certamente é porque vemos uns aos outros como que isolados, como em eterno conflito, competindo mutuamente. Desejamos muitas vezes sermos sinceros, mas não ousamos sê-lo.

Embora o contato com os demônios suscite em nós reações egóicas, certamente este não é o propósito destes seres. O objetivo real é que reconheçamos o que nos atrai, ao invés de o negarmos. Nossas necessidades não cessarão se jogarmos para debaixo do tapete o que não conseguimos aceitar em nós mesmos. Pelo contrário, apenas se tornarão mais intensas e falharemos, e nos confessaremos (nas religiões onde a prática se aplica), e falharemos de novo, e permaneceremos em um eterno ciclo onde nada essencialmente se transforma.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências

Certa noite sonhei com um nome (simplesmente um nome que eu ouvi, em meio a nenhuma outra imagem ou som, ou seja: sem qualquer outra referência além do mesmo) ao qual vou chamar de AS. Tratava-se na realidade de nome e sobrenome, e soava estrangeiro ou de origem estrangeira. No momento seguinte, tornei-me consciente de que estava sonhando. Movido pela curiosidade e pelo desejo de testar limites na magia (o que já me motivou diversas vezes), especulei que talvez pudesse encontrar essa pessoa se eu expressasse (ali no sonho) esta intenção e queria confirmar se, de fato, isto seria possível (pois eu já conhecia o valor deste tipo de expressão em sonhos - para compreender isto, leia o post Uma Esfera de Consciência Mais Ampla, o qual diz respeito a esta espécie de sonho que tem relação com o futuro).

Assim, expressei esta intenção. Na manhã seguinte, quando acordei, não me lembrava do sonho (só o recordaria quando se concretizasse), porém a semente estava magicamente lançada. Conforme esta semente se desenvolvia, transformações na minha vida (especificamente em aspectos profissionais) se seguiriam a partir daí. Estas me levariam enfim a encontrar este senhor cujo nome é AS. Observo que eu sempre tive uma tendência à experimentação na magia, envolvendo uma certa dose de risco (algumas vezes os resultados assustaram um pouco). Isso não é exatamente um modo de ser prudente, porém acaba gerando experiências interessantes, que ampliam o conhecimento e, muitas vezes, são estimulantes.

Porém, como eu mencionei acima, transformações iriam ocorrer nos aspectos profissionais de minha vida. Para entender estas mudanças, talvez seja interessante colocar aqui uma breve restrospectiva de como estava sendo minha carreira até aquele momento.

Inicio esta restrospectiva em 1992, quando havia começado a trabalhar para a empresa J, em Londrina, na qual permaneci por oito anos. Eu desenvolvia software porém, após tanto tempo, os desafios já não me estimulavam mais, bem como eu não sentia mais paixão pelo trabalho que realizava. Eu já sabia quais eram as perspectivas ali e não tinha uma grande expectativa de modificá-las. Eu queria encontrar novamente o tipo de trabalho no qual eu me sentisse realizado. Buscando possibilidades novas, eu mudei de residência para Curitiba, onde havia sido convidado para trabalhar como terceiro em uma empresa do ramo jornalístico.

Tendo permanecido seis meses na mesma empresa, encontrei um velho amigo enquanto passeava por um shopping. Seu nome era PC e havia onze anos que não o via. Na época que eu o conheci, estudávamos na mesma turma na faculdade. Ele era então tenente do exército mas, neste reencontro, eu descobri que havia se tornado presidente de uma rede farmacêutica. Ele perguntou a mim a respeito de qual tecnologia eu tinha experiência no desenvolvimento de software, e eu lhe passei esta informação. Então ele me disse que tratava-se da mesma tecnologia que era utilizada na rede de farmácias e que havia uma vaga disponível. Eu levei meu currículo, passei pelos trâmites necessários de avaliação e, pouco tempo depois, estava em um novo emprego. Quase dois anos se passaram então (encerrando-se esta pequena retrospectiva).

Mas qual a importância destes detalhes profissionais dentro de um blog de ocultismo? Pelos detalhes em si, nenhuma. Mas o trabalho é um dos aspectos do que forma o Eu (em um sentido mais amplo, não confundir com o ego) de cada um. Em um curto período de tempo, diversas experiências de transição vinham ocorrendo: o encontro com meu Sagrado Anjo Guardião (no post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia); o encontro com Choronzon (siga este link para os posts relacionados); a atribuição do nome “O Mestre Que Nada Sabe” (no post A Origem de “O Mestre Que Nada Sabe”); as primeiras experiências no amor (nos posts Transformando a Vida Afetiva e Primeiros Passos no Amor); e agora também transições no que diz respeito ao trabalho.

Minha mudança para Curitiba não teve um propósito relacionado apenas à minha carreira. Este foi um passo importante também para que eu pudesse ter o isolamento necessário para me dedicar a criar a fundamentação do meu caminho na magia. Como esta fundamentação já estava definida em grande parte, estava chegando o momento em que eu me decidiria a voltar para Londrina.

Retorno agora ao ponto em que tive o sonho com o nome de AS. No próximo post vou expor as mudanças que ocorreram a partir daí, impulsionadas pelo objetivo que eu havia criado no meu destino ao plantar uma semente em um sonho. Este objetivo era encontrar AS (fosse quem fosse AS).

sábado, 8 de junho de 2013

A Deterioração e sua Relação com o Número 3

Continuando a descrição do sistema de numerologia de 18 símbolos (18 números) que comecei a definir a partir do post Algumas Bases Numerológicas, vou introduzir agora o número 3. Eu venho descrevendo as percepções que tive da influência de cada número no meu próprio caminho de magia, começando com o encontro com o Sagrado Anjo Guardião (que descrevi no post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia, e que relacionei ao número 1 em Compreendendo o Número 1 no Sistema de Numerologia de 18 Símbolos), e prosseguindo depois para o número 2 (no post O Número 2 e sua Relação com meus Primeiros Contatos com a Bruxaria).

O número 1 é cardinal (gera o esforço para criar algo novo, ainda inexistente). O número 2 é fixo (estabelece e mantém algo, tendo um sentido de persistência). Já o número 3 é mutável (tem o sentido de desfazer algo, abrindo possibilidades novas). Quando o número 3 se manifesta, logo a princípio tudo parece idêntico ao que se estava acostumado a fazer antes de viver a experiência nova que o número 2 havia propiciado. Como se a novidade (a imersão em novos e estimulantes contextos e desafios) tivesse apenas deixado de existir e tudo voltasse a ser como antes. Porém esta é uma impressão enganosa.

Sim, a experiência do número 2 passou e a rotina parece ter retornado, mas o número 2 revelou algo sobre si mesmo, algo do que se é capaz, e nós mesmos estamos transformados após termos vivido o número 2. Não somos mais iguais. Assim, embora o número 3 comece se manifestando como uma mesma rotina que retorna, não nos encaixamos mais nessa rotina, e começa um processo de deterioração. As pessoas e situações começam a revelar dissonâncias, com pequenos atritos surgindo e, muito embora todos possam estar fisicamente presentes, começam a se separar e o que era antes um todo coeso passa a se fragmentar. Nesse processo, verdades são reveladas, sejam verdades de si mesmo (e que ocultava-se dos outros), ou verdades de outras pessoas (das quais não se tinha consciência). Como resultado, o que sobra no final é mais verdadeiro, sendo uma base firme para por mãos a obra e começar um processo de reconstrução.

O número 3, quando associado à data de nascimento de uma pessoa, estimula os atributos mencionados acima na forma de pensar e agir desta pessoa, tornando-a alguém que valoriza muito mais a essência do que a aparência nas relações com os demais, nas mais diversas situações. Pessoas que têm a influência deste número percebem facilmente a hipocrisia quando interagem e revelam claramente quais são seus princípíos, mesmo que isto lhes custe quebrar alguns laços. O que quer que estas pessoas construam é fundamentado em relações sinceras e, caso tenham construído algo que tenha se encaminhado para relações superficiais, simplesmente se desligam gradualmente do que realizaram.

No meu caminho da magia, o número 3 começou com a finalização da minha participação no site YogaBrasil (que descrevi no post Sabedoria e Entendimento e também em O Número 2 e sua Relação com meus Primeiros Contatos com a Bruxaria). Eu já não estava mais em ressonância com as pessoas que vinha travando contato e um de meus artigos já havia sido rejeitado (ou melhor, não foi publicado). Eu percebi minha própria dissonância e fui diminuindo o contato com o passar do tempo. De repente, a novidade que o número 2 havia trazido à minha vida passou, e eu tinha retornado à minha rotina simples do tipo casa/trabalho, e trabalho/casa. Continuava só, consciente que havia vivido algo especial, mas me perguntava: “Qual o sentido disso? Porque, ao invés de me envolver mais, eu acabei retornando ao ponto de partida?”.

Eu não sabia ainda reconhecer a qualidade de cada momento (que estou expondo aqui, ao explicar este sistema de numerologia). O número 3 estava apenas começando a se revelar e minha rotina estava prestes a começar a se deteriorar. Nos posts que se seguirão eu vou descrever detalhadamente como foi esse processo.

Para quem deseja ver todos meus posts relacionados à numerologia, fica aqui este link. Eu vou disponibilizá-lo sempre que eu tratar deste tema.

sábado, 25 de maio de 2013

Percebendo as Diversas Relações Dentro de Si

No post anterior (Compreendendo o número 1 no Sistema de Numerologia de 18 Símbolos), eu demonstrei uma forma de calcular o número ressonante à uma data de nascimento utilizando o sistema de 18 símbolos, com a ressalva de que este número diz respeito ao ego na personalidade humana (aquela parte de nós que se relaciona com nossas atitudes e pensamentos mais frequentes), e não ao ser humano como um todo. Há outros aspectos da personalidade que podem ser (ou não) harmoniosos com o ego. Vou expor alguns destes aqui, utilizando a astrologia:

* o ego em si, definindo a forma de pensar e agir de uma pessoa - na astrologia, diz respeito ao Sol;
* os laços emotivos em geral, incluindo os laços de amizade - a Lua;
* o uso da razão, e portanto também a sua capacidade de aprendizado - Mercúrio;
* a capacidade de amar e admirar. A “química” amorosa entre duas pessoas, porém também a capacidade de admiração desinteressada por alguém (verdadeiramente platônica) - Vênus.
* a habilidade de se impor: o uso de sua agressividade (não é necessariamente algo negativo pois sempre há momentos em que precisamos nos impor) - Marte;
* o poder de sentir-se estimulado e motivado - Júpiter;
* o poder de contribuir com seu trabalho, em sua profissão - Saturno;
* o poder de dar sentido à sua própria vida (sentido este que sempre é transcendente à lógica comum) - Urano;
* o poder de mudar os rumos de sua própria vida, quebrando planos pré-definidos e seguindo caminhos não-lineares - Netuno;
* as necessidades e aquilo que lhe satisfaz - Plutão.

Cada planeta diz respeito, portanto, a um aspecto específico de sua própria personalidade, sendo, o ego, o seu centro (o Sol). É óbvio que esta é uma lista ultra-simplificada, e até mesmo questionável, mas existe uma vantagem no fato dela ser assim: é que, com o passar do tempo, você vai poder analisá-la e acrescentar seus próprios detalhes, refinando-a, e poderá definir também o que cada um destes termos significa em sua própria vida.

O exercício que vou propor é, ao mesmo tempo, numerológico e astrológico. No post Verificando Afinidades Entre as Pessoas Através da Numerologia, eu demonstrei que existem relações harmoniosas entre os números quando considerados de três em três. Ou seja: [1, 4, 7, 10, 13 e 16] são ressonantes entre si e, da mesma forma, [2, 5, 8, 11, 14 e 17] têm também ressonância entre si e, igualmente [3, 6, 9, 12, 15 e 18] têm o mesmo tipo de ressonância. Quando pensamos nos anos (tais como 2010, 2011, 2012, 2013, etc), devemos considerar que estes também possuem uma influência numerológica e, a cada três anos, esta influência apresenta semelhanças (embora não sejam influências idênticas).

Podemos afirmar, então, que o ano de 2013 é ressonante com 2010, com 2007, com 2004 e com outros anteriores, sempre variando de três em três. E também podemos dizer que 2012 é ressonante com 2009, com 2006, com 2003 e outros que se passaram, de acordo com o padrão de três em três anos. E, é claro, podemos dizer que 2011 é ressonante com 2008, e com 2005, e com 2002, e outros anteriores variando de três em três.

Tomemos, por exemplo, o ano de 2012. Como foi em relação às amizades? Foi um ano bom ou não? Como este ano foi no amor? Como foi no uso de sua agressividade? Como foi em relação à sua motivação? E em relação ao trabalho? E às suas necessidades?
Se você verificar a influência de 2009 (que é ressonante com 2012) verá que há uma certa semelhança na qualidade de cada um dos aspectos simbolizados pelos planetas em sua vida (e também em 2006, 2003, etc).
Com este exercício você poderá aprender até mesmo sobre aspectos mais sutis, como sua capacidade de raciocinar e aprender, sobre o sentido de sua própria vida, e sobre sua capacidade de mudar os rumos que definiu para si.

E talvez consiga separar todos estes aspectos, distinguindo-os de seu próprio ego, conseguindo compreender quem é este ego à parte de tudo isso. Normalmente é difícil realizar esta tarefa. Comumente há setores de nossas vidas com os quais nos identificamos (o trabalho, as amizades, e o amor, por exemplo) e que acabamos acreditando que somos estes setores, quando na realidade eles se relacionam conosco. Na verdade não somos o ego: somos todos estes aspectos e muito mais. Porém, uma forma de começar a aprender sobre si mesmo principia pelo entendimento destas estruturas que existem dentro de nós e que se manifestam externamente.

Utilizando o ano de 2012 como referência (e comparando com 2009, 2006, 2003, etc), realize o exercício descrito acima. Procure escrever o que descobrir.
Faça o mesmo também utilizando o ano de 2011 como referência (e comparando com 2008, 2005, 2002, etc) para perceber outro padrão de influências.
E faça o mesmo com 2010, 2007, 2004, etc. Assim poderá realizar uma previsão para 2013.

Os aspectos que forem influenciados positivamente de forma simultânea (ou negativamente de forma simultânea)  são relacionados e se harmonizam. Já a situação de um aspecto que é influenciado positivamente enquanto outro é influenciado de forma negativa, revela aspectos dissonantes entre si.  Também haverá situações em que você perceberá que o início de um estimúlo positivo (ou negativo) não ocorre exatamente no começo do ano. Com esta informação você saberá em que período do ano uma transição ocorre.

No entanto, é preciso ter alguns cuidados. Cada ano tem seu estímulo, mas os resultados dependem de sua resposta a estes estímulos. Se você perceber que não há respostas positivas em algum setor de sua vida (em todos os anos que tenha verificado), isso significa que é um setor reprimido ou que apresenta grandes dificuldades de expressão. Por outro lado, se você perceber um padrão que considere negativo e conseguir prevê-lo, você pode se precaver no sentido de amenizá-lo.

Este não é um exercício fácil mas pode contribuir muito para o conhecimento de si próprio e, ao mesmo tempo, proporcionar um melhor entendimento sobre o efeito cíclico da passagem dos anos nos diversos aspectos de sua vida. Rever os anos vividos pode parecer difícil mas é uma prática essencial para amadurecer o conhecimento na numerologia e na astrologia pois, em ambos os casos, aprende-se muito quando se é capaz de ter a si mesmo como referência.

sábado, 20 de abril de 2013

Amadurecendo na Forma de Buscar o Conhecimento

No post Sabedoria e Entendimento, eu expus como estes dois atributos da consciência começam a ser instilados, no mago e em sua rede de ressonância, como um dos primeiros “efeitos”, por assim dizer, do encontro com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia). Assim, eu coloquei como eu próprio percebi esta experiência. No entanto, o que eu não me aprofundei foram alguns erros de julgamento pelos quais eu me deixei levar na época.

De fato, por sentir que tinha um acesso diferente ao conhecimento que não era a via comum, eu cheguei a extrapolar até onde eu poderia me desenvolver no que diz respeito ao conhecimento, e se um dia eu poderia me considerar extremamente culto... Esses pensamentos, é claro, foram expressões da minha própria vaidade naquele momento: ilusões (a verdade é que nunca se está livre de ilusões, e iludido está quem acreditar que está livre delas). O que estava acontecendo não se tratava da imersão em um conhecimento enciclopédico e sim de um exercício maior de atributos humanos (como se fossem “músculos” que se pode utilizar melhor) que se referem à consciência, mas que também são frutos da comunhão com algo além de nós mesmos. Eu levei alguns anos até que percebesse a vaidade do que estava sentindo.

Eu acabei descobrindo a respeito de minha própria forma de aprender. Por exemplo, eu me sinto compelido a ler sobre algo quando eu percebo uma possibilidade de aplicar o conhecimento sobre o qual a leitura se refere, mesmo que seja uma aplicação ainda que apenas remotamente possível (afinal, não é porque algo não pode ser aplicado numa situação imediata que não tenha sentido como um objetivo, ou meta).

Eu também sempre me senti estimulado a ler escritos antigos, como o Apocalipse, ou então O Evangelho de Tomé, encontrado junto aos manuscritos do Mar Morto, em uma caverna de Nag Hammadi. Isso em 1945. É interessante como que textos escritos em uma linguagem simbólica nos tocam interiormente. Quanto mais vivemos e quanto mais aprendemos, mais tais textos nos revelam. Quanto aos comentários modernos que os acompanham, eventualmente eu até leio um ou outro, ou então artigos a respeito, mas quando eu me proponho a ler uma destas obras, eu tento focalizar na mensagem da forma que foi escrita, para poder sentir como ela (a mensagem) interage comigo e aprender com essa interação. É claro que há muito que permanece oculto a mim quando me aventuro a ler um texto destes, mas isto é normal. Anos depois, quando eu tentar relê-lo, eu fico satisfeito quando consigo extrair um pouco mais. É sinal de que amadureci mais um pouco.

Outro livro que vale a pena ler, e reler, e que (apesar disto não ser claro para muitos) possui muitos conceitos ocultos é As Mil e Uma Noites, em que muitos conceitos dos sufis são colocados ali. O sufismo tem paralelos com a busca de um mago principalmente no que diz respeito a buscar a comunhão com o Círculo maior, o qual representa a essência da divindade que em tudo se manifesta (veja o post O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar para conferir minhas próprias definições a este respeito). Nas Mil e Uma Noites existem muitas estórias, que alguns percebem apenas como meras estórias, mas há padrões que se repetem inúmeras vezes e, prestando atenção, pode-se tornar capaz de compreendê-los. Ali você percebe que o Islamismo é muito mais do que a postura radical que se faz destacar atualmente.

Na realidade eu tenho o que se chama de perfil generalista. Eu possuo mais facilidade em encontrar relações dentro de um contexto amplo, ou entre diversos contextos, mas eu não tenho a profundidade da visão especialista, a qual é muito rica em detalhes mas é concentrada em contextos específicos. No mundo atual ambos os perfis são úteis. Porém foi justamente por causa do meu perfil que eu criei meu blog da forma que é. Eu percebi que seria muito difícil para mim escrever extensivamente sobre qualquer tema mas que, por outro lado, seria muito simples contar algo a respeito de mim mesmo, e de minha própria história em larga medida, e que assim eu conseguiria demonstrar um ponto de vista generalista.

sábado, 13 de abril de 2013

Sabedoria e Entendimento

Eu sempre frisei em meus posts anteriores que a experiência de um mago é algo que se desenvolve primeiro dentro de si mesmo e depois se expande para fora. Mesmo após o encontro com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia), apesar de existirem alguns efeitos já perceptíveis na realidade material, as transformações mais admiráveis são as que acontecem na consciência do mago. Na realidade, o trabalho da própria consciência é algo que nunca cessa.


A rede de ressonância criada se torna então uma fonte de inspiração relacionada a dois atributos: entendimento e sabedoria. O entendimento diz respeito à compreensão sobre o que é externo a si mesmo, ou seja: aos princípios gerais que norteiam a realidade. Já a sabedoria é algo que brota de dentro de si (e, por isso mesmo, é muito mais pessoal), cuja aplicação vai além dos princípios gerais do entendimento. O entendimento tem um enfoque externo e a sabedoria tem um enfoque interno. O entendimento se identifica principalmente com a observação e a ação prática, já a sabedoria se identifica primariamente com a intuição e com a reflexão.


Estes dois atributos, apesar de parecerem opostos, são na realidade complementos perfeitos. De nada vale alguém conhecer todos os princípios gerais do universo (representados pelo entendimento) se não conhecer a si mesmo (através da sabedoria). Da mesma forma, de nada vale conhecer plenamente a si mesmo sem nada compreender do universo ao seu redor. Estas polaridades são como as pernas esquerda e direita: não tem como se andar sem utilizar-se de ambas. Outro exemplo, bem mais mundano: existe todo o conhecimento científico e econômico no mundo, mas nada deste conhecimento diz respeito a você especificamente. É preciso que você conheça a si mesmo e descubra como integrar-se a esse esse corpo de conhecimento externo.


Como eu disse acima, toda a rede de ressonância do mago principia a expressar estes atributos e é algo realmente surpreendente quando se começa a perceber esta mesma se comunicando e trazendo novos insights à consciência. Esta expressão da rede de ressonância é um reflexo da essência que foi percebida no contato com o Santo Anjo Guardião, e este reflexo faz parte da maturação desta rede (veja o post A Maturação do Inconsciente).


Pessoalmente, eu comecei a perceber estes efeitos na época em que respondi a uma pergunta no grupo Esoterismo do Yahoo, em meados de 2001, e o pessoal do site Yogabrasil gostou daquela resposta. Então perguntaram se eu gostaria de publicar no site aquilo que eu tinha escrito e eu aceitei. Foi aí que eu tive conhecimento de Eloísa Vargas que, logo de início, fez uma proposta que eu escrevesse alguns artigos periodicamente que eram denominados de Ensaios Esotéricos. Há alguns meses atrás eu ainda os encontrava pesquisando no Google, e às vezes algumas pessoas entram em contato a respeito deles. Mas a verdade é que eram minhas primeiras percepções e eu nem sempre conseguia demonstrá-las com a coerência que eu queria.


Ainda assim, eu sempre os reli. Existe alguma coisa ali que continuamente me encanta, apesar da minha visão crítica me apontar mudanças que eu teria realizado se os tivesse escrito como penso hoje. Nestes artigos eu sou capaz de visualizar como eu era, seja nas ideias, na forma de expressão, na evolução da maturidade, e eu percebo que houve uma grande mudança (eu falei sobre isso no post Expandindo a Consciência Além do Ego). É impressionante como a imagem que o mundo percebe de mim agora é diferente da imagem de como eu me fazia perceber antes. As pessoas muitas vezes ignoram as transformações pelas quais eu passei. É um erro comum acreditar que alguém sempre foi da mesma forma durante toda a vida. Sempre há uma semente escondida dentro de cada um e, quando alguém se dispõe a desenvolvê-la, pode ocorrer uma grande transformação.


Meu primeiro artigo no site Yogabrasil se chamava O Corpo é a Porta para a Percepção. Há um ano eu o reeditei, atualizando-o, e o coloquei no Scribd. O link acima aponta para este arquivo.

sábado, 2 de março de 2013

Quando a Evolução Leva à Desarmonia

Uma crença comum é que, uma vez que se esteja em um caminho evolutivo na magia, as relações com as pessoas em geral tendam a se harmonizar, com uma consequente redução de conflitos. No entanto, a busca pelo transcendente sempre é, em larga medida, solitária, uma vez que a grande maioria das pessoas permanece de forma estacionária, presa em questões cotidianas do mundo que percebe como concreto. Assim, desenvolver-se significa opor-se eventualmente.

Este é um dos motivos de não ser simples para um observador externo, mesmo sendo experiente na magia, avaliar corretamente a “eficiência” de outra pessoa (ou a correção de seus princípios) através de resultados ruins que sejam verificados. Os resultados ruins podem variar desde a falta de resultados (o que é comum em períodos em que o foco é a preparação interna) até resultados claramente contrários. Pode ser o caso de se estar iludido quanto às bases do que se está construindo, mas há também outra possibilidade. Ocorre que a melhor forma da magia se realizar é pelo caminho mais simples, de menor resistência, e esse caminho sempre passa pela transformação da consciência individual. Afinal não faz sentido ter atitudes e pensamentos contrários ao que se pretende realizar, sendo sempre necessário harmonizar a própria consciência.

É preciso que se perca ilusões sobre a aparente harmonia que existe com outras pessoas, uma vez que esta harmonia não se origina de naturezas que se complementam, e sim de naturezas que não se expressam. Então essa expressão deve ocorrer, surgindo conflitos, até que seja possível existir o discernimento entre as ressonâncias e as dissonâncias, e a consciência assim se amplie. É comum, então, perceber-se “isolado na multidão”. Este isolamento é uma sensação que periodicamente volta a ocorrer, e o aprendizado do propósito deste ciclo não é algo meramente teórico, envolvendo diversas experiências pessoais que frequentemente levam muito tempo e são difíceis, até que se adquira compreensão, e dessa forma, não se sinta tanto sofrimento com as dissonâncias que eventualmente ocorram, e sim se perceba que trata-se de uma dinâmica natural cujo fim é sempre levar ao aprendizado.

Enquanto o aprendizado não vem, sempre há uma possibilidade maior de erros. Um dos erros mais frequentes é a insistência em padrões antigos de decisão e de ação que aguçam ainda mais os conflitos, tornando-os mais danosos e, possivelmente, até mesmo irreversíveis. Se de fato o mago está criando uma sólida rede de ressonância, esta irá apoiá-lo e ajudá-lo a amenizar o impacto de suas falhas. Daí que, embora não seja possível avaliar com segurança alguém por seus erros de julgamento, é possível ter uma demonstração positiva da solidez do que foi construído pelo mago (em termos de ressonâncias internas) através da forma que supera os obstáculos, tornando-se melhor, e menos suscetível aos mesmos erros, à medida que o faz.