Mostrando postagens com marcador Metafísica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Metafísica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de março de 2016

Se Eu Fosse Deus

Uma reflexão. Talvez um tanto que poética, simplificada demais, imprecisa, mas eu acredito que é bem adequada até mesmo como metáfora para repensar a natureza do divino.

***********

Se Eu Fosse Deus

Se eu fosse Deus, eu me entediaria de saber tudo sobre o futuro, sobre as coisas, sobre ser tão perfeito.

Eu me entediaria de mim mesmo. Eu dissiparia a mim mesmo, desintegrando-me em pura luz, espalhando em todas as direções, tal como um quebra-cabeças, sem olhos, sem ouvidos, sem boca, sem nada.

Só o impulso de unir-me e o impulso de separar-me. Só a habilidade de perceber, a habilidade de estimular, revelar energia, para gradualmente integrar de novo. Só para formar de novo um quadro e, talvez, um quadro diferente.

Cada fragmento de mim seria como um ser novo, tornando-se mais consciente a medida que se unisse a outros fragmentos, tornando-se mais inconsciente a medida que se separasse de outros (mais tarde eu chamaria isso de Bem e Mal). Eu olharia para mim mesmo e não me reconheceria. Acharia ressonâncias dentro de mim. Feriria a mim mesmo, sem mesmo perceber que seria eu lidando comigo mesmo.

Muito de mim iria reconstruir estrelas, e das estrelas novas estrelas, e daquelas estrelas planetas. Galáxias, buracos negros, buracos de verme. Eu os reconstruiria todos.

Algumas vezes eu me tornaria seres especialmente conscientes, capazes de replicar a si mesmos, mas eles não perceberiam que cada um deles simplesmente seria eu. Lutariam pela sobrevivência, ainda sem entender que não poderiam realmente morrer, porque seriam eu (e eu não poderia morrer como um todo). De fato, como eu os seria, no fim das contas sou eu que não seria capaz de entender nada disso.

Alguns seres que me tornaria seriam ainda mais conscientes. Até mesmo iriam suspeitar que se assemelhavam a mim.

Eu adoraria a mim mesmo, oraria a mim mesmo. Odiaria a mim mesmo. Causaria guerras por causa de mim mesmo mas, de repente, iria perceber que era apenas eu mesmo.

Surpreendente.

Uma intuição. No começo eu não acreditaria mas então, mais e mais, isso retornaria à minha mente, pela mente dos mais diversos seres que eu teria me tornado.

Eventualmente eu reintegraria a mim mesmo, e talvez eu me lembrasse de algo do começo. Finalmente, eu acredito que me entediaria de novo e começaria tudo mais uma vez...

domingo, 8 de setembro de 2013

O Que Está Dentro é Como o Que Está Fora

Estou retornando de minha pausa em relação ao blog (reconheço, bem antes do que havia imaginado). Por mais que haja objetivos pessoais concorrentes com os quais preciso lidar, não consigo ficar tanto tempo sem escrever (velhos hábitos nunca mudam). A verdade é que já comecei a aprender alguns macetes para administrar melhor meu tempo, sendo que um deles (mas não o único) é tornar a frequência com que escrevo um pouco mais flexível e mais espaçada (foi o que acabei fazendo para compor este post, aproveitando um esboço que já havia começado e desenvolvendo-o quando tive tempo disponível). Assim, ao invés de escrever semanalmente, eu vou fazê-lo mais ou menos mensalmente (precisarei controlar meu impulso de sempre querer rever e acrescentar algo quase que de imediato). Desculpem-me por meu post anterior (Uma Pausa) ter sido tão dramático. Afinal, como ser humano, às vezes eu também faço algumas “tempestades em copo d’água” (e armo alguns barracos também, em situações mais práticas, às vezes). 

Como resultado colateral desta mudança de ritmo, vou levar muito mais tempo lhes contando minha história pessoal no caminho da magia. Mas, na realidade, não tenho pressa e sempre considerei mais interessante apreciar o caminho do que simplesmente chegar aos objetivos pretendidos. As histórias vêm daí, dos caminhos. 

Volto então ao tema da goécia (que iniciei no post Goécia: Refletindo Sobre o que Marginalizamos no Inconsciente). Vamos lá… Certa noite sonhei com uma demônia. Demônia, mas não que tivesse algum defeito na aparência ou que inspirasse algo de desagradável. Na verdade era atraente e invulgar. O conhecimento de que se tratava de uma demônia estava implícito, já em minha mente, sem que tivesse sido comunicado claramente no sonho.

Ela fez uma proposta a mim. Demônios sempre fazem propostas. Normalmente nós temos aquele velho chavão “pacto com o demônio”, e talvez haja algo de verdadeiro nisto, porém normalmente trata-se de exagero. O que eles propõem é usualmente um trato, pura e simplesmente, e quase sempre sem aquela conotação de coisa eterna, para sempre.

No caso, ela propunha me ajudar a entender as pessoas. Ela disse que poderia revelar-me o que realmente motiva os seres humanos, por detrás da aparência das palavras, e por detrás até mesmo da fachada do que alguns acreditam ser suas verdadeiras razões. Segundo ela, assim eu poderia agir com segurança diante do que surgisse diante de mim no dia-a-dia. Não me propunha coisa alguma em troca. Enfim completou: “Então, o que acha dessa ideia?”. Eu não respondi nem com um “Sim”, nem com um “Não” e o sonho terminou assim, com um desfecho em branco.

O leitor pode considerar com uma certa estranheza esta narração que aqui estou expondo. A ideia de perceber o que as pessoas escondem (até mesmo de si mesmas), tendo acesso a algum tipo de informação (sobre a qual não se supõe que deveríamos ter) causa, em geral, uma certa repulsa. Afinal não gostaríamos que fizessem isso conosco. Não gostaríamos que as pessoas soubessem (com um alto grau de certeza) do que realmente pensamos a respeito delas, do mundo, de nossas estratégias. Acreditamos que devemos ocultar-nos, seja para sermos melhor aceitos, seja para nos protegermos. A proposta da demônia, portanto, fere este instinto de ocultação.

No entanto, nos aprofundemos nesta proposta. Consideremos que há duas formas de se conhecer as motivações das pessoas (sem que perguntemos diretamente a elas). A primeira é olhando para dentro de nós mesmos e verificando como reagimos às pessoas, porque sabemos que os efeitos que sentimos interiormente podem corresponder a causas exteriores. Como se o exterior tivesse (e tem) ramificações dentro de nós. É a noção de que somos interligados e que, justamente por isso, não existem segredos de fato.

A segunda forma é pela via inversa. Explico: se somos interligados uns aos outros, toda nossa expressão é transmitida (para outros) e recebida (por outros), em virtude de nos comunicarmos. Dessa maneira temos raízes nas demais mentes (ramificações de nós mesmos em tudo o que nos é receptivo). Por este motivo (e em certa medida) o universo corresponde ao que esperamos dele (equivale a saber como o universo se sente tendo como base como nós mesmos nos sentimos). Entretanto, em tal situação, as demais pessoas nem sempre estão conscientes de nossa influência específica em suas vidas (quando desejamos algo em relação às mesmas). Frequentemente, se esta influência é percebida (e não corresponda a padrões de pensamento e comportamento que o indivíduo considere aceitáveis, ou seja: conforme seus egos), o pensamento é rejeitado, e muitas vezes reconhecido como que de origem externa. Ocorrendo esta rejeição, quem provocou o estímulo é considerado como o tentador (voltando à alusão aos demônios), não importando o quão agradáveis possam ter sido os efeitos enquanto eram meramente inconscientes. Daí se deduz que, neste tipo de situação, uma transformação que permanece fora do limiar da consciência pode ser mais eficaz do que alguma que se evidencie conscientemente.

Tudo se resume no contraste entre consciência e inconsciência. Eu, pessoalmente, sou parte do seu inconsciente (de você, leitor), assim como quase tudo o mais o é. Da mesma forma você é parte do meu inconsciente (assim como quase tudo o mais o é). O que nos impede de vermos isto claramente são nossos egos, os quais tendem a rejeitar tudo que lhes foge à compreensão. Na verdade, o que denominamos demônios é pura e simplesmente aquilo que não se encaixa em nossos estereótipos, incluindo aí nossas noções de moral, do bem e da religião (pois são conceitos que têm relação entre si). A moral deriva do que acreditamos ser o bem, da mesma forma que a religião tem a mesma derivação. Quanto à percepção que cada um tem a respeito da divindade, esta tende a alinhar-se da mesma forma.

O que em geral não se percebe é que a noção comum de bem e mal é baseada na distinção entre os seres (entre uma pessoa e outra, ou entre Deus e o Diabo em um escopo mais amplo), e não na comunhão entre tudo o que há (onde a divindade metamorfoseia-se em tudo, não existindo nada que não seja divino - veja o post Quando tudo é Divino: um Universo sem criador e sem criatura). Estas são percepções opostas e que acabam por provocar uma distorção na consciência do que é o bem (e o mal por extensão). Acabam também por distorcer nossos conceitos morais e, enfim, distorcem a noção da própria natureza da divindade. É precisamente esta distorção que leva à violência explícita (onde um fere o outro, ao invés de unir-se ao outro), da mesma forma que leva aos preconceitos raciais, ao machismo (e também a algumas formas negativas de feminismo, pois nem todas são negativas) e a diversas outras expressões de preconceito. Percebemos, assim, como “demoníaco” o que desafia nossa persistência no isolamento.

Afinal, porque nos parece tão perigoso quando alguém é capaz de perceber realmente o que pensamos ou o que pretendemos realizar? Certamente é porque vemos uns aos outros como que isolados, como em eterno conflito, competindo mutuamente. Desejamos muitas vezes sermos sinceros, mas não ousamos sê-lo.

Embora o contato com os demônios suscite em nós reações egóicas, certamente este não é o propósito destes seres. O objetivo real é que reconheçamos o que nos atrai, ao invés de o negarmos. Nossas necessidades não cessarão se jogarmos para debaixo do tapete o que não conseguimos aceitar em nós mesmos. Pelo contrário, apenas se tornarão mais intensas e falharemos, e nos confessaremos (nas religiões onde a prática se aplica), e falharemos de novo, e permaneceremos em um eterno ciclo onde nada essencialmente se transforma.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Uma Esfera de Consciência Mais Ampla

Muitas vezes em meus posts eu tenho feito referências a sonhos com conotações mágicas. Estes relatos podem soar um tanto estranhos para quem os lê, afinal frequentemente a magia é associada a rituais elaborados, e não a sonhos. Pessoalmente eu devo dizer que não procurei desenvolver-me na aplicação de ritos documentados e publicamente reconhecidos. Na verdade, com o tempo, acabei criando minhas próprias técnicas.

O termo “sonho” talvez se tornasse mais elegante se eu o substituísse por algo mais específico, como projeção ou viagem astral. Mas eu nunca consegui realizar uma projeção consciente e, justamente por isso, eu reluto em utilizar estes termos (embora ainda possam ser considerados verdadeiros). Assim, é como sonhos que qualifico as experiências que venho citando. A vantagem de utilizar esta expressão é que trata-se de uma referência mais comum para o leitor em geral, podendo ajudá-lo em uma eventual comparação com sua própria experiência.

Ressalto que passou-se muito tempo até que eu começasse a diversificar os meios para a realização de operações mágicas. Na realidade eu experimentei muito poucos, e adotei uma quantidade menor ainda para o uso corrente. Eu vou abordá-los gradualmente, dentro de uma cronologia específica na história pessoal que venho contando. Desse modo, vou prosseguir ainda por um período razoável escrevendo a respeito de sonhos.

No post anterior eu havia mencionado que começaria a descrever acontecimentos em aspectos profissionais que se manifestaram na minha vida, tudo isso ao mesmo tempo em que transformações na vida afetiva também estavam ocorrendo (veja o post Primeiros Passos no Amor para saber mais a este respeito). Mas o que têm os sonhos a ver com transformações na vida profissional?

A resposta é que um tipo de sonho muito específico ocorreu neste período que estou narrando (um sonho que tinha a ver com o futuro). Na realidade, eu já escrevi alguns comentários a este respeito na primeira parte de meu blog (no post Reflexões Sobre o Tempo) e agora eu pretendo acrescentar alguns insights a mais sobre este assunto. Digamos que é um conceito que preciso passar agora para que seja possível o entendimento de fatos objetivos que se seguirão. Ou seja, é preciso explicar a causa para que se possa compreender o efeito que segue à esta causa.

O que pretendo expor é talvez uma quebra de paradígmas para muitas pessoas. O fato é que costuma-se acreditar que nós (a humanidade) somos responsáveis pelas grandes transformações no mundo. Explico: os políticos acreditam que detêm o poder sobre a vida das pessoas e sobre o destino das nações. Igualmente, os líderes religiosos tendem a nutrir este tipo de imagem a respeito de si mesmos. Já em relação às pessoas comuns, muitos agem de forma irrefletida enquanto outros são extremamente conscientes a respeito das implicações da ação do ser humano no planeta Terra (seja diretamente na qualidade de vida das pessoas, ou então no que diz respeito ao impacto causado na natureza como um todo). E, é claro, existem aqueles que, comparando-se com outras pessoas, acreditam possuir maior importância, mesmo quando este julgamento é baseado em uma mera questão de diferença de status. Tudo isso parece ser uma mistura caótica, mas a insuspeita verdade é que tudo segue um plano bem elaborado.

Pessoalmente eu só comecei a compreender isso a partir de experiências que tive em sonhos e que, meses ou anos depois, se tornaram reais (detalhe por detalhe concretizado na realidade física). Eram experiências que inclusive envolviam outras pessoas (que apareciam nestes sonhos, sendo que algumas eu desconhecia) e que, quando se concretizavam, traziam à minha mente a recordação do sonho. Nas primeiras vezes em que isto aconteceu, durante o sonho, eu eventualmente descobria que não era uma experiência real (ou melhor dizendo, não era física) mas algo me atraía naquilo que eu havia experimentado. Então eu me expressava afirmando que realmente gostaria que aquela experiência tivesse ocorrido de fato. A minha expressão era como uma confirmação (uma aceitação daqueles eventos que haviam sido percebidos).

Por um tempo eu me questionei se eu realmente tinha estes sonhos, ou se simplesmente tinha a impressão de ter sonhado. Eu só vim ter certeza deste tipo de experiência quando ocorreram algumas situações em que eu era capaz de antecipar o futuro em alguns segundos (ou até mesmo minutos) pelo fato da lembrança do sonho ser revelada à minha mente pouco antes que os fatos se completassem na realidade física. Eu soube, então, que não se tratava de mera impressão.

No entanto, em alguns destes sonhos eu reagia com repulsa (quando estes me pareciam mais pesadelos do que sonhos) e foi justamente nestas situações que aconteceu algo intrigante: outros dialogavam comigo, dentro dos sonhos, sem que eu pudesse ver suas faces. Estes me acalmavam, dizendo-me que aquelas possibilidades podiam ser alteradas e que eu não precisava me preocupar com relação às mesmas.

Ocorre que normalmente não conhecemos os objetivos traçados além do aparente caos mundano, porém existem consciências que os organizam e, de vez em quando, podemos realizar contatos com esta esfera mais ampla de percepção. Foi percebendo estes diálogos que passei a compreender que há sempre metas definidas em meio à realidade que nos parece sem sentido. Estes contatos vieram acontecendo comigo desde 1994 (aproximadamente, pois não me recordo exatamente quando começaram), bem antes de eu me decidir pelo caminho na magia. Isso me faz pensar na possibilidade de ter sido orientado para esse caminho, mesmo quando sequer imaginava segui-lo.

Uma questão: porque é necessário esquecer o sonho? O que ocorre é que esta esfera mais ampla de percepção e consciência só pode atingir um objetivo específico se concentrar-se nele constantemente até que o resultado almejado ocorra. Ou seja, esta esfera precisa realizar algum esforço e trabalho. Porém este trabalho cessa sempre que a lembrança do sonho se revela a quem o sonhou (isto é algo que só compreendi há pouco tempo). No exato instante da lembrança, o esforço e trabalho referentes ao objetivo em questão são encerrados.

No caso de uma lembrança antecipada, a partir do momento em que ocorre, pode existir até uma inércia que leve à concretização do sonho, mas não há um esforço ativo para este fim. Na verdade, a antecipação é uma das maneiras que esta esfera de consciência utiliza para modificar a conclusão inicial dos fatos (no caso, por exemplo, em que o que o sonho propôs é algo desagradável, causando a recusa de quem o sonhou). Como regra, quanto mais antecipada for a lembrança em relação à concretização dos fatos, menor a probabilidade de que aconteçam.

Uma outra forma de se interpretar os momentos em que ocorrem estas lembranças é definindo-os como transições. Afinal os instantes exatos em que os objetivos deixam de existir podem ser considerados como estágios completados. É interessante anotar as datas destes momentos e procurar identificar que mudanças ocorreram em seus intervalos. Curiosamente, há um mês atrás, eu tive uma destas lembranças de sonho, mas o que se concretizou foi bem diferente da conclusão que havia acontecido no sonho (a revelação foi bem antecipada). A partir daí algumas mudanças começaram a ocorrer na minha vida, mas eu ainda não sei avaliá-las porque são muito recentes. Obviamente eu não tenho ideia de qual é o próximo objetivo a atingir e só o saberei quando me lembrar do próximo sonho. Nem mesmo sei se já sonhei sobre este novo objetivo.

Enfim, dados estes conceitos, vou deixar a continuação para o próximo post, no qual irei descrever o sonho que teve impacto em minha vida profissional (ao que me referi no começo do post atual) e também descreverei algumas de suas consequências. Há também outros sonhos deste tipo que igualmente tiveram impactos profissionalmente, mas sobre estes vou falar no devido tempo.

sábado, 1 de junho de 2013

O Número 2 e sua Relação com Meus Primeiros Contatos com a Bruxaria

Após estudarmos o número 1 (no post Compreendendo o Número 1 no Sistema de Numerologia de 18 símbolos), vamos então para o número 2. O número 2, com sua natureza fixa, estabelece algo, concretizando-o, mas aquilo que é concretizado não é exatamente sólido (estrutural), nem é uma experiência emocional, nem é um estado de consciência especial. Na realidade, o que é concretizado pelo número 2 é uma vivência: uma experiência nova, dentro de um contexto diferente, que é vivida intensa e extensamente. Nesta vivênvia você percebe algo de si mesmo e do que realmente é capaz de realizar. É a descoberta de seu próprio mérito quando diante de um desafio realmente novo.

As pessoas que têm este número associado às suas datas de nascimento (descubra como calcular também no post Compreendendo o Número 1 no Sistema de Numerologia de 18 símbolos) são pessoas cujas atitudes e pensamentos se identificam com o número 2, e que se permitem mergulhar de cabeça em experiências novas e intensas, aprendendo algo sobre si mesmas, e frequentemente têm a sensação de terem realizado algo especial, ou seja: de terem provado seu próprio valor. Isso inúmeras vezes.

No meu caminho pessoal na magia, eu vivi nitidamente o número 2 quando me aventurei a escrever os Ensaios Esotéricos para o site Yogabrasil. Eu contei parte desta história aqui, no post Sabedoria e Entendimento do blog O Mestre Que Nada Sabe, mas certamente há mais a dizer do que foi exposto ali, tão sumariamente. Na realidade, o contato que eu tive com a Eloísa Vargas, e com outras pessoas, trouxe à minha consciência o que de fato é a Bruxaria.

Durante a minha infância, eu cresci com aquelas ideias de contos de fadas onde eram separadas as fadas e as bruxas, nos quais as fadas sempre eram boas e as bruxas sempre más, ainda que, pensando um pouco na literatura infantil, no livro O Maravilhoso Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz) de Lyman Frank Baum, já apareciam os termos “bruxa boa” e “bruxa má” (revelando talvez um início de dissolução do preconceito em relação à Bruxaria). Essa era então a bagagem que eu tinha em minha mente sobre as bruxas até quase meus 30 anos de idade. Então aconteceu de que eu de fato conheci duas amigas bruxas e, mais tarde, no breve período em que estive em contato com o Yogabrasil, eu pude compreender do que realmente se trata a Bruxaria.

A Bruxaria é extremamente bela em seus conceitos, mas de uma forma que não parece tão clara para quem a vê de fora. Nela existem a Deusa (a qual representa todas as deusas) e o Deus Cornífero (o qual representa todos os deuses), sendo este o consorte da Deusa. A princípio pode parecer que a Deusa e o Deus sejam distintos dos outros seres (como que meros mortais), mas a ideia não é essa. Na realidade a Deusa é a consciência que interliga e harmoniza todas as coisas, identificada com o planeta Terra e com a Lua. É por isso que ela é tão grandiosa, e tão central na Bruxaria. E também é por isso que o papel das mulheres é tão valorizado e distinto na mesma: as mulheres representam a Deusa.

Já o Deus Cornífero simboliza a totalidade dos atos individuais que buscam renovar o todo. Ele nasce da Deusa, sendo seu filho, e mais tarde será também representado no masculino que corteja o feminino, e também no masculino que se une ao feminino, fecundando-o e renovando-o. Toda essa simbologia é associada aos ciclos da passagem do ano, que se relacionam com os incessantes movimentos de nascimento e morte representados pelas estações do ano (primavera, verão, outono e inverno).

Se há algo que não há na Bruxaria (quando interpretada de forma consciente), é a idolatria. Idolatria é adorar algo acima de si mesmo, colocando-se abaixo. É desvalorizar a si para valorizar outro objeto. Na Bruxaria, Deusa e Deus são vivos em todos os seres. Somos Deusa e Deus. É como se fizéssemos parte de um mesmo corpo. Só que, nessa analogia, existem partes distintas, umas mais conscientes e outras menos (da mesma forma Deusa e Deus existem também como consciências, e são acessíveis). A Bruxaria, portanto, é essencialmente uma visão panteísta, onde tudo é divino. O meu post Quando Tudo é Divino: um Universo sem Criador e sem Criatura expõe também uma visão panteísta, porém não relacionada diretamente com a simbologia da Bruxaria, embora não seja contraditória à mesma.

Revendo a ação do número 2 no meu caminho da magia, eu me sinto bem ao perceber que foi justo no contexto da Bruxaria que eu vivi o desafio que este número me propôs, travando contato com pessoas ligadas à antiga religião, e ao mesmo tempo escrevendo meus Ensaios Esotéricos, que eram então publicados. Eu devo dizer que não conseguiria descrever toda a extensão da Bruxaria neste post se eu assim o desejasse. Há muitos mistérios, sendo que alguns eu tive o mérito de compreender, e há uma multitude que estão além do meu alcance. Somente como exemplo, perceba que a Bruxaria envolve certamente a magia com elementos da natureza porque ela diz respeito a tudo o que há, mas ela não nega outros tipos de crença e de expressão pois, ao envolver tudo, também aceita esta diversidade. Assim, rotulá-la é sempre um erro.

No próximo post, eu vou falar a respeito do número 3 no sistema de numerologia de 18 símbolos e, a partir deste número, vou dar continuidade à narrativa do meu caminho na magia, contando novos fatos. Como eu citei uma vez, no post Algumas Bases Numerológicas, o caminho de um mago sempre é pautado por um ciclo que envolve constantemente buscar algo novo, sedimentar e estabelecer algo, e então desvencilhar-se do que fez para poder prosseguir adiante. Estas três ações são as bases de um sistema de numerologia e eu procurei mostrar que isso já vem sendo percebido pela humanidade há muitos milênios (no post Goécia: Refletindo Sobre o que Marginalizamos no Inconsciente).

sábado, 20 de abril de 2013

Amadurecendo na Forma de Buscar o Conhecimento

No post Sabedoria e Entendimento, eu expus como estes dois atributos da consciência começam a ser instilados, no mago e em sua rede de ressonância, como um dos primeiros “efeitos”, por assim dizer, do encontro com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia). Assim, eu coloquei como eu próprio percebi esta experiência. No entanto, o que eu não me aprofundei foram alguns erros de julgamento pelos quais eu me deixei levar na época.

De fato, por sentir que tinha um acesso diferente ao conhecimento que não era a via comum, eu cheguei a extrapolar até onde eu poderia me desenvolver no que diz respeito ao conhecimento, e se um dia eu poderia me considerar extremamente culto... Esses pensamentos, é claro, foram expressões da minha própria vaidade naquele momento: ilusões (a verdade é que nunca se está livre de ilusões, e iludido está quem acreditar que está livre delas). O que estava acontecendo não se tratava da imersão em um conhecimento enciclopédico e sim de um exercício maior de atributos humanos (como se fossem “músculos” que se pode utilizar melhor) que se referem à consciência, mas que também são frutos da comunhão com algo além de nós mesmos. Eu levei alguns anos até que percebesse a vaidade do que estava sentindo.

Eu acabei descobrindo a respeito de minha própria forma de aprender. Por exemplo, eu me sinto compelido a ler sobre algo quando eu percebo uma possibilidade de aplicar o conhecimento sobre o qual a leitura se refere, mesmo que seja uma aplicação ainda que apenas remotamente possível (afinal, não é porque algo não pode ser aplicado numa situação imediata que não tenha sentido como um objetivo, ou meta).

Eu também sempre me senti estimulado a ler escritos antigos, como o Apocalipse, ou então O Evangelho de Tomé, encontrado junto aos manuscritos do Mar Morto, em uma caverna de Nag Hammadi. Isso em 1945. É interessante como que textos escritos em uma linguagem simbólica nos tocam interiormente. Quanto mais vivemos e quanto mais aprendemos, mais tais textos nos revelam. Quanto aos comentários modernos que os acompanham, eventualmente eu até leio um ou outro, ou então artigos a respeito, mas quando eu me proponho a ler uma destas obras, eu tento focalizar na mensagem da forma que foi escrita, para poder sentir como ela (a mensagem) interage comigo e aprender com essa interação. É claro que há muito que permanece oculto a mim quando me aventuro a ler um texto destes, mas isto é normal. Anos depois, quando eu tentar relê-lo, eu fico satisfeito quando consigo extrair um pouco mais. É sinal de que amadureci mais um pouco.

Outro livro que vale a pena ler, e reler, e que (apesar disto não ser claro para muitos) possui muitos conceitos ocultos é As Mil e Uma Noites, em que muitos conceitos dos sufis são colocados ali. O sufismo tem paralelos com a busca de um mago principalmente no que diz respeito a buscar a comunhão com o Círculo maior, o qual representa a essência da divindade que em tudo se manifesta (veja o post O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar para conferir minhas próprias definições a este respeito). Nas Mil e Uma Noites existem muitas estórias, que alguns percebem apenas como meras estórias, mas há padrões que se repetem inúmeras vezes e, prestando atenção, pode-se tornar capaz de compreendê-los. Ali você percebe que o Islamismo é muito mais do que a postura radical que se faz destacar atualmente.

Na realidade eu tenho o que se chama de perfil generalista. Eu possuo mais facilidade em encontrar relações dentro de um contexto amplo, ou entre diversos contextos, mas eu não tenho a profundidade da visão especialista, a qual é muito rica em detalhes mas é concentrada em contextos específicos. No mundo atual ambos os perfis são úteis. Porém foi justamente por causa do meu perfil que eu criei meu blog da forma que é. Eu percebi que seria muito difícil para mim escrever extensivamente sobre qualquer tema mas que, por outro lado, seria muito simples contar algo a respeito de mim mesmo, e de minha própria história em larga medida, e que assim eu conseguiria demonstrar um ponto de vista generalista.

sábado, 6 de abril de 2013

Expandindo a Consciência Além do Ego

Uma mudança realmente profunda que ocorre após a experiência de congruência (a qual culmina com o contato com o SAG - veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia) é a transformação da identidade do mago em si. Mas quando digo uma mudança de identidade, não me refiro somente à percepção de ser iniciado na magia (que também é uma mudança), mas também me refiro à forma como alguém se relaciona com o mundo ao seu redor, e também sobre como se define em relação a este mesmo mundo. Mas isso não é algo que se percebe de uma vez, e sim com o passar do tempo, com o passar dos anos mais precisamente falando.

A verdade é que se experimenta um dom, mas não no sentido comum da palavra que sugere algo inato. Não, não é algo inato, mas é algo que lhe é dado, e é nesse sentido que é um dom. Nem tampouco é a única vez que isto ocorre. Pelo contrário, trata-se de um ciclo que pode repetir-se inúmeras vezes. E a visão externa que as demais pessoas têm de alguém que vive este processo também muda. Em certas circunstâncias pode ser dolorido quando nos veem de forma diferente e se decepcionam conosco, embora isso certamente é algo necessário, uma vez que, se nos enxergam como não somos, todos os laços que se mantém não são verdadeiros e, por isso mesmo, cedo ou tarde revelam-se frágeis. Mas a mudança a que me refiro agora não tem esta conotação pesada, nem de forma alguma negativa. Na realidade, tem mais a ver com as restrições às quais acreditamos estar sujeitos, sobre o que poderíamos ser mas, por causa de um histórico de fracassos, não o somos e acreditamos não ser capazes de nos tornarmos. Na realidade esta voz que insiste em nos dizer o que não podemos ser é o ego, o qual interpreta a realidade por um ponto de vista muito restrito.

Não que o ego seja malígno em si, mas o fato é que ele é apenas o princípio da consciência, e surge das percepções mais físicas que temos do mundo, as quais são mais aparentes e, por isso mesmo, nos parecem ser “mais certas”. Mas a percepção física tende a nos fazer acreditar que a realidade é feita de objetos e seres isolados, sobre os quais se tem pouca influência e, por essa razão, somos levados a temer o que é diferente de nós e do qual não podemos prever como se comportará. Às vezes o medo prepondera e nos sentimos incapazes de nos realizar. Contudo, frequentemente optamos por agir de forma agressiva, pensando que se tivermos mais força ou, se pelo menos aparentarmos mais força, podemos nos impor àquilo que não conhecemos. A ânsia de enriquecer, por exemplo, é um meio de tentar impor-se pela força. Em suma: o ego não é malígno em si mas sustentar-se nele, pura e simplesmente, leva à uma sucessão de efeitos que podem ser considerados malígnos por muitos. É necessário perceber essa dinâmica e ser capaz de compreender o ego tal como ele é, com todas as suas limitações.

O mago, após ter comungado com seu Sagrado Anjo Guardião, começa a ter contato com sua Sombra (um termo de Carl Gustav Jung) a qual é formada por tudo aquilo que negamos pela limitação do ego, ou seja: tudo aquilo que afirmamos que não podemos ser. Parte dessa Sombra é tocada pela rede de ressonância interna que foi criada pelo mago e a experiência de congruência faz com que ela comece a se manifestar mais visivelmente. E, quando isso acontece, possibilidades que antes pareciam “fechadas” na vida alguém, começam a se abrir. E o mundo ao redor percebe isso. A vida então se divide entre um Antes e um Depois.

Pessoalmente, minha vida era bem diferente antes de eu realizar minha própria congruência. Eu era excessivamente tímido e me escondia atrás do que parecia ser mais fácil lidar: computadores ao invés de pessoas. Meu vocabulário, meus assuntos, tudo era muito restrito. E eu me afundava ainda mais na minha concha, cada vez mais estranha ao mundo ao meu redor. Mas, as pessoas me consideravam extremamente inteligente e competente, principalmente no que dizia respeito a desenvolver software, e eu tentava fazer juz a essa imagem. Só que tudo isso era apenas um estereótipo. As pessoas não percebiam que eu só era daquela forma porque eu não ousava ser de outra maneira.

Conforme a Sombra foi se manifestando cada vez mais em minha vida, experiências novas foram surgindo. O namoro, o casamento, novos desafios profissionais, os filhos, novas atitudes em relação às pessoas (mais confiantes, menos inibidas), um uso melhor do meu lado direito do cérebro (enfim aprendi a desenhar...). Tudo isso aconteceu aos poucos e eu pretendo me referir a estas experiências, às vezes mais claramente e às vezes menos, dentro do contexto da minha busca na magia. Na realidade, o desafio que eu me imponho é justamente este: relembrar, etapa por etapa, colocando detalhes e cuidando para não ir muito além do ponto em que eu os tinha percebido até então.

Isso não quer dizer que eu tinha abandonado de todo minha timidez, ou que não consiga usar o vocabulário que usava antes, ou que tenha deixado de desenvolver software. Só que tudo isso era a única faceta que eu expressava e agora há outras facetas que equilibram as anteriores, mudando a minha expressão como um todo. É claro que nem tudo foi feito de flores. Houve quedas enormes. Há um período negro que aguarda todo aquele que busca expandir sua consciência mais e mais. É a chamada Noite Escura da Alma, ou Dark Night of the Soul como é dito em inglês, a qual trata de um período realmente difícil. Eu já até mesmo conhecia o termo quando eu havia realizado minha própria congruência, mas estava tão encantado por tê-la realizado que nem pensava a respeito. De fato, levou realmente um longo período até que eu vivesse minha própria Noite Escura. Como é um tema ainda fora de sequência, ainda não vou expor a este respeito, mas fica aí a ressalva de que, embora haja situações muito agradáveis, as fases mudam. Porém, com o tempo, nos tornamos melhores em antecipá-las e agir em relação às mesmas.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A Maturação do Inconsciente

Ultimamente eu tenho falado a respeito daquela que seria a experiência de contato com o SAG (Sagrado Anjo Guardião) ou HGA (que é o termo em inglês) ou KIA (usando a terminologia do Austin Osman Spare na Magia do Caos), sempre com a ressalva de que estes termos são apenas rótulos. Eu procurei definir esta experiência tanto de uma forma impessoal (O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar) como também passando um relato pessoal (Falando de Minha Própria Iniciação na Magia), sendo que estes dois posts pretendem descrever até o momento em que se tem a comunhão com o SAG. Anteriormente eu vim escrevendo sobre como explorar o subconsciente, com alguns princípios para se criar uma verdadeira rede de ressonâncias interiores. A questão é: o que acontece com esta rede que foi desenvolvida? O que vem depois?

Como eu coloquei no meu relato pessoal, o que se passou foi algo muito intenso e foi de fato uma congruência tanto minha quanto de toda a rede de ressonância que eu estava criando. Quando essa congruência aconteceu, foi como se aquela percepção daquele Círculo maior se espalhasse por toda essa rede interna, deixando uma imagem deste Círculo dentro de mim. Da mesma forma, uma imagem minha se formou também, mais nitidamente, só que na consciência que forma o Círculo (ou seja, no Cìrculo em si). Daí o fato de que, apesar daquele estado de consciência que durou alguns minutos ter passado, ainda assim meu caminho na magia foi totalmente reorientado por aquela experiência. Eu só consigo entender isso como uma mudança de dois lados, de forma que eles se aproximem cada vez mais, por ambos terem sido mudados.

Essa não é, de forma alguma uma vivência única, de poucas pessoas. Muitos a tiveram e muitos a continuam tendo. De fato, quando se fala em magia, em tornar-se um mago, ela é primordial. É o primeiro passo: a iniciação. Por mais especial que ela possa parecer (e é), ela é só o princípío e as pessoas não deveriam estranhá-la ou mistificá-la. Mas, ainda assim, o princípio é importante porque sem ele o restante não se segue e, falando nisso, o que vem logo em seguida é a maturação do relacionamento com a rede de ressonância que se veio criando, e é sobre isso que eu pretendo começar a escrever a partir de agora. Eu vou deixar o contato com o SAG de lado por um tempo, mencionando talvez apenas eventualmente, quando for apropriado. Afinal não há porquê ficar prolongando demais a narração de um momento específico. A partir de agora, eu vou me concentrar por um bom tempo na relação com a rede de ressonância que havia sido criada antes deste contato, enfocando como esta relação muda.

Depois da intensidade da congruência, que pode ser comparada a uma “descarga de energia” interior, a rede de ressonância se acalma, e os próprios propósitos individuais do mago se acalmam também. Isso porque, depois do impacto, deve vir uma maturação e uma reestruturação. Isso leva vários anos e é comparativamente bem mais agradável do que o estágio inicial de busca da congruência interna (embora tenha seus nuances, às vezes mais prazerosos e às vezes menos). Já de início, os conflitos que se sentia até então são aliviados, em parte porque a rede de ressonância interna do mago já produz alguns futos concretos (embora de uma forma um tanto que autônoma), mas também porque, em outra instância, no Círculo em que o mago se iniciou, também ficou mais nítida a marca do mago em si, e este Círculo toca toda a realidade. Assim na Terra como no Céu. Ou, o que está acima é como o que está abaixo.

sábado, 16 de março de 2013

O Maior Círculo em que Alguém Pode se Iniciar

No post Preparando-se para Iniciar-se como um Mago, eu coloquei algumas considerações a respeito da iniciação, a qual significa passar a comungar com uma egrégora, tornando-se parte de um círculo, entendendo por círculo algo que une e protege o que está dentro de si, de uma forma distinta daquilo que está fora do mesmo, existindo uma infinidade de egrégoras (formas-pensamento, ou redes de ressonâncias criadas por uma coletividade de seres). Hoje em dia, o termo Mago tem múltiplas conotações, de forma que há os que se consideram magos brancos ou magos negros, e outros um tanto indiferentes a estas classificações, principalmente no que diz respeito a muitos magos do caos. No entanto, existe uma acepção mais nobre desta palavra e simplesmente fazer parte de uma egrégora não qualifica alguém neste sentido.

Na verdade há um Círculo maior, cuja natureza eu já comecei a discutir no post Quando Tudo é Divino: um Universo sem Criador e sem Criatura, onde coloquei o postulado de que a divindade está em tudo, e assim de fato tudo é a divindade, de forma que não existe nada que não a seja. A totalidade do que existe pode ser comparada a um organismo e, neste organismo, cada parte tem funções distintas. Se pensarmos neste como o ser humano, o Círculo seria o centro da consciência, o cérebro por assim dizer. A iniciação em relação a este Círculo, esta sim, é o que caracteriza um verdadeiro mago. Não que esta iniciação seja exclusiva, mas ela deve ser a base para as demais. Quando esta fundamenta o desenvolvimento na magia, tudo o mais que se segue é essencialmente branco.

A essência do Círculo é incognoscível se tentarmos dissecá-la em partes lógicas menores, tentando assim detalhar toda sua estrutura. O motivo é que não se trata de uma construção estagnada, sendo na realidade um objetivo constante, um ideal, sempre aliado à criatividade e inteligência em movimento. O fato é que todos os pontos do universo são perceptivos ao universo inteiro, com cada ponto sentindo este universo, mesmo que inconscientemente. Assim, todo o universo encontra-se representado em todas as partes que o formam. O que está acima é como o que está abaixo. Ou, tal como na oração cristã, assim na Terra como no Céu. Dentro de cada parte, representa-se a totalidade (a essência de cada parte é, dessa forma, a totalidade). Ou seja, a essência de tudo o que há é tudo o que há. Esta mesma essência, quando criou sinergias em si mesma, criou o Círculo. A consciência brotou da inconsciência (que era consciência potencial).

Hà um conceito de vida que vai além dos processos biológicos. Tudo é energia e consciência em potencial. Quando esta energia se organiza, a consciência se organiza. A partícula que faz um átomo é um ser em si, da mesma forma que o átomo é um ser em si, mesmo sendo uma pluralidade de partículas. O mesmo vale para as moléculas e para as células e para os seres multicelulares. Somos todos comunicantes e integrados. A dor de um reflete-se no todo. A satisfação de um reflete-se no todo. Daí que um dos fundamentos do Círculo, é a realização de todos os seres, em qualquer nível de abstração. Isso é impossível de explicar, mas não é impossível como objetivo. Quando existe um objetivo, você pode até falhar, mas vai continuar tentando. Assim, a essência do Círculo não é um mecanismo intrincado, e sim uma direção comum. Quanto mais sinergia surge nesse sentido, mais forte este se torna, e mais perfeitos são seus resultados. Essa essência visa afirmar a tudo e nada consegue negá-la. Nesta essência não há a separação entre os seres: não existe mal, nem bem. Existe apenas a unidade. O Círculo está acima das tradições, acima de todas as religiões, e de todas as separações. Tudo emana dele e não há nada que não emane do mesmo.

Todos os posts que escrevi até agora dizem respeito a congruir quem se é, descobrindo o próprio significado e encontrando, assim, o Círculo em si mesmo. É intrigante como encontramos estes conceitos dentro de nós quando os procuramos com todo nosso esforço e imaginação. É mais intrigante quando percebemos que não estamos sós nestas conclusões (pois outros chegam e já chegaram às mesmas) e verificamos assim que o universo realmente é comunicante e partilha de uma consciência comum. Quando esta congruência de si mesmo acontece em toda sua intensidade é o verdadeiro momento de iniciação em relação ao Círculo. Eu suspeito que não exista como prever o exato momento em que isso acontece. Esta iniciação é uma experiência de contato com o que se passou a chamar, em português, o SAG (Sagrado Anjo Guardião), ou HGA (Holy Guardian Angel, em inglês). Se bem que estes termos são apenas interpretações desta experiência, ligadas a crenças específicas. A experiência real, frequentemente, nada tem a ver com as noções de anjos que nos foram incutidas. Os posts que vou escrever a partir de agora vão se focalizar no que vem após esse momento da iniciação com o Círculo embora, é claro, muitos ainda terão um teor reflexivo que pode ser utilizado na congruência inicial.

domingo, 11 de novembro de 2012

A Relação entre a Alma e o Corpo

Uma questão que me intrigava há alguns anos atrás era relacionada à relação entre a alma e o cérebro. Eu me questionava a respeito do porquê de existirem memórias no cérebro, e também existir a capacidade de raciocínio (e pensamento de uma forma mais abrangente) no próprio organismo físico, se o que controla o corpo é a alma. Afinal, se o corpo é apenas um fantoche no qual a alma assume o controle, porque particularmente o cérebro precisa ser tão complexo?

Vou dar um exemplo do que eu quero dizer. Quando eu era pequeno existia uma propaganda de um brinquedo que era um robozinho chamado Arthur. Na propaganda o Arthur pegava objetos, levava de uma pessoa para outra, e tinha um som engraçado. Então eu me apaixonei pelo robozinho. Eu queria ter aquele brinquedo de qualquer jeito. E minha mãe comprou o brinquedo. Normalmente eu não tinha o luxo de ter todos os brinquedos que eu queria, mas aquele brinquedo eu tinha ganhado. Colocamos a bateria e eu fui ver como funcionava. O princípio era simples: era um robô que andava sempre para frente mas, se eu apertasse um botão no controle remoto, ele andava em círculos dando marcha ré, até que eu soltasse o botão e ele ia adiante de novo. Enquanto ele fazia isso, saía um som: “Bi! Bi! Bi! Bi!”. Os bracinhos eram de plástico e não se moviam por si mesmos, nem mesmo eram capazes de segurar algum objeto. Enquanto ele estava ligado, uma luz vermelha acendia e apagava.

Eu demorei pouco tempo para perceber que o robô não era independente, que não tinha inteligência, nem memória alguma dentro de si e que quem detinha o controle dele era eu. Assim é que algumas pessoas acreditam que seja a relação entre o corpo humano e a alma: de controle total por parte da alma. Só que essa relação não faz sentido. Se fosse para a alma ter controle total sobre o corpo, o cérebro não precisaria ter todas as funções que tem. Seria sim um mero receptor, tal como o receptor dos comandos de controle remoto no robozinho Arthur: sem qualquer poder de decisão real, sem qualquer inteligência e sem qualquer individualidade.

Então eu pensei na possibilidade de uma redundância. Ou seja, de uma forma em que o que estivesse no cérebro estivesse também na alma, como uma espécie de cópia. Se algo fosse armazenado no cérebro, seria também armazenado na alma. Só que a redundância também não fazia sentido. Afinal, porque registrar algo duas vezes, quando você pode fazê-lo uma vez só? E porque fazer isso se o corpo eventualmente morre e perde tudo o que estava em si? Permanecia a questão: porque apenas a alma não contém em si toda a cognição do indivíduo, se é ela que detém o controle?

Eu só fui compreender essa relação entre corpo (pois é ali que está o cérebro) e alma quando enfim eu entendi que são duas coisas distintas que se comunicam e interagem ao invés de existir uma relação de controle entre uma e outra. A ideia que me atraiu em especial foi a teoria do universo holográfico, de David Bohm, em que tudo o que ocorre em qualquer lugar, deixa marcas em todo o universo. No domínio da física, a teoria começou com o fenômeno das correlações quânticas (que acontecem à distância, sem uma relação de proximidade envolvendo causa e efeito e, ainda assim, sendo uma comunicação instantânea), levando à compreensão de que não há fenômenos isolados no universo independente de quão distantes estejam dois locais entre si. Não levou muito tempo para David Bohm encontrar implicações filosóficas e metafísicas na sua teoria. No tema deste post, da relação entre corpo e alma, a alma seria esta extensão comunicante que existe em todo o universo. A expressão do corpo se manifestando no universo instantaneamente. A alma teria um foco no corpo, mas não estaria contida nele, podendo alcançar, de fato, tudo o que existe.

A alma seria uma rede de ressonância associada ao corpo de forma que, quando o corpo se desfizesse, a alma permaneceria. Mas permaneceria onde? Espalhada em todo universo físico. Isso é possível se a consciência ser uma característica intrínseca da existência física, de forma que um estado cognitivo possa se expressar à matéria e à energia fisicamente existentes, comunicando-se (veja o post Quando Tudo é Divino: Um Universo sem Criador e sem Criatura para obter mais detalhes sobre este conceito). Assim, pretendo dar continuidade ao post Como o Mundo Espiritual Percebe o Mundo Físico, no sentido de tentar compreender ainda mais a realidade espiritual. A realidade astral seria, portanto, atrelada à realidade física como um todo, da mesma forma que a realidade física é atrelada à realidade astral.

Mas como fica a questão da reencarnação? Eu acredito na reencarnação, porém de uma forma pessoal, não atrelada à qualquer religião. Eu penso que, quando está sendo formado o corpo de um bebê (mesmo sendo ainda um feto), é de fato um novo ser, sem memórias ainda e com sua individualidade. O que se passa então, no caso da reencarnação, é a aproximação e o contato contínuo de uma alma (um ser antigo) com um ser novo, que é o corpo. Conforme esta aproximação e contato se mantêm e, ambos os seres se comunicam (alma e corpo), o corpo passar aprender sobre a alma, harmonizando-se com ela e, da mesma forma a alma aprende com o corpo, harmonizando-se com ele. Dessa forma, todo bebê é um novo ser e, ao mesmo tempo, um ser antigo. É claro que há outros aspectos relacionados à reencarnação, porém desejo abordá-los em outra oportunidade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Como o Mundo Espiritual Percebe o Mundo Físico

Hoje eu gostaria de iniciar uma reflexão nova, cuja intenção é levar a outras em posts futuros. Talvez em sintonia com o Dia de Finados, eu quero começar a discutir a respeito da natureza dos espíritos. Há pessoas que acreditam que os espíritos podem caminhar entre nós, tal como nós caminhamos, ver a luz e as imagens tal como nós somos capazes de ver, ouvir sons como nós ouvimos e até mesmo sentir a brisa tal como sentimos, como se estivessem permanentemente entre nós, deslocando-se tridimensionalmente em nosso meio sem que os percebêssemos.

O problema desta visão é que, apesar de parecer simples, ela peca em diversos detalhes do que realmente significa ver, ouvir e tocar. No mundo físico, ver é interceptar a luz. Quando vemos algo, a luz é obstruída por nossos olhos, deixando de ser luz, e manifestando sombra (efeito da obstrução da luz). Quando ouvimos algo, só o fazemos porque nossos ouvidos interceptam as vibrações do ar, contendo o ar, e desfazendo o vento. Quando tocamos alguma coisa, existe uma resistência entre nós e aquilo que tocamos, manifestando-se pressão e atrito. Isso quer dizer que, se um espírito visse o mundo da mesma forma que nós vemos, se ele ouvisse da mesma forma que nós ouvimos, e se seu toque fosse da mesma forma que nós tocamos, seria totalmente cego (a luz o atravessaria, sem provocar sombra), surdo (não sendo capaz de conter o ar, não perceberia as ondas sonoras) e incapaz de tocar o mundo (não o poderia fazer atravessando objetos físicos, sem exercer pressão sobre eles).

No entanto, não quero dizer que os espíritos sejam, de fato, cegos, surdos e totalmente alienados do mundo. O que quero dizer é que esta visão sobre a natureza espiritual onde almas permanecem caminhando na Terra, como se tudo continuasse a ser como antes (exceto o fato de não serem percebidos tão facilmente pelos vivos e de poderem atravessar pessoas e objetos), é simples demais para ser real. É necessário que existam outros sentidos que substituam os sentidos físicos e, sendo estes sentidos de um outro tipo, também possuem  qualidades novas e limitações inerentes.

A base ondem se apoiam estes sentidos não-físicos foi explorada no meu post Quando Tudo é Divino: Um Universo sem Criador e sem Criatura. Ali eu coloquei um postulado em que a divindade e a criação não seriam seres separados, e sim um mesmo e único ser que, em um certo momento (que poderíamos considerar como sendo um começo, um princípio, ou mesmo o princípio de um ciclo), era apenas uma essência não-manifesta e que depois tornou-se manifesta: a divindade metamorfoseando-se na criação. A divindade e a criação como um único ser. Porém não estava implícita, naquele post, a relação do mesmo com a natureza dos espíritos.

Portanto, prosseguindo, em toda a existência está o divino. Dessa forma, seja na energia ou na matéria, em cada partícula, em cada átomo, em cada molécula, em cada célula, em cada ser multicelular, está o divino. Isso vale para a existência física, mas também vale para a existência espiritual. Desde já, perdôem-me o termo vago “existência espiritual”, que diz muito pouco sobre o que é a natureza não-física (ou o astral). Mas a proposta aqui é justamente começar a desvelar um pouco este mistério, ainda que muito incompletamente. Enfim, postulando que a divindade está em tudo o que há, seja físico ou espiritual, e também que o divino é consciente e comunicante, encontramos aí os atributos que unem o físico ao espiritual: em tudo há consciência e comunicação (atributos da divindade). A natureza física e espiritual se comunicam.

Estando a divindade em tudo, seus atributos também estão em tudo, incluindo a capacidade de ter consciência e de se comunicar. Seja na matéria, na energia ou no espírito, em qualquer nível (nos objetos, em um grão de areia, na água da chuva), aí está o divino, consciente e comunicante. O que ocorre é que estes atributos se desenvolvem de uma forma mais simples em um grão de areia do que em um ser humano, sendo mais claramente perceptíveis neste último. Ainda assim, estão presentes em tudo o que há.

Para um espírito ver, ele precisa se comunicar com uma consciência no mundo fisico que lhe dê visão. O mesmo se aplica a todos os outros sentidos. O espírito poderia tentar se comunicar com uma árvore para poder senti-la, ou com qualquer outra coisa, tal como um grão de areia, ou as gotas de água da chuva. Mas um espírito humano desencarnado normalmente não sabe se comunicar com uma árvore, ou com os grãos de areia, ou com as gotas de chuva. Portanto ele procura referências mais familiares, abordando outros seres humanos. O espírito então vê com os olhos de outras pessoas, toca com as mãos de outros, sente o paladar pelo paladar de outros, ouve pelos ouvidos de outros. Em muitos casos, o espírito é levado a este contato movido por seus próprios vicios, procurando estimular estes mesmos vícios naquele com quem entra em contato. Mesmo quando não é esta a intenção, podem ocorrer experiências e consequências que não são benígnas para quem é alvo desse contato.

Em teoria deve haver espíritos incapazes de se comunicar com outras pessoas, explorando alguma dificuldade para se comunicarem. Da mesma forma que devem existir espíritos capazes de se comunicar com consciências do meio físico (animais, vegetais e minerais). E, é óbvio, há espíritos não-humanos.

Tomando como pano de fundo esta comunicação, há muitas implicações que podem render muitos posts para refletirmos sobre diversos aspectos a respeito da natureza espiritual. Uma das consequências, por exemplo, é o fato dos espíritos normalmente conseguirem revelar às pessoas somente aquilo que a humanidade de alguma forma já sabe, de acordo com o nível da ciência atingido até então (pois, em geral, percebem o mundo a partir dos sentidos humanos). Os espíritos não trazem consigo revelações cientificas que ainda não tenham sido descobertas pela humanidade, embora em alguns casos consigam obter muita informação científica já conhecida (possivelmente respostas mais complexas e precisas são fornecidas por espíritos que se estruturam e se comunicam entre si, formando uma espécie de rede, ou um círculo). Allan Kardec mesmo, forneceu dados científicos que adequavam-se às observações da época, até então, mas que provaram-se incorretos conforme a ciência evoluiu. Isso foi usado como argumento contrário à mediunidade, porém eu dou-lhe um voto de confiança pelos motivos que descrevi.

Como minha proposta é de estimular a livre reflexão, cabe a cada um pensar nas implicações do que lhes descrevi aqui e também dos possíveis paradoxos que surgirem daí.