Quase
todos nós estamos acostumados a ver o mundo como se sempre fosse da
forma que ele é hoje. O cristianismo atual, por exemplo, condena a
astrologia quando, na verdade, no livro do Apocalipse, que é um livro
cristão, há inúmeros símbolos astrológicos. Olhe o trecho abaixo, por
exemplo:
À
frente do trono, havia como que um mar vítreo, semelhante ao cristal.
No meio do trono" e ao seu redor estavam quatro Seres vivos, cheios de
olhos pela frente e por trás. O primeiro Ser vivo é semelhante a um
leão; o segundo Ser vivo, a um touro; o terceiro tem a face como de
homem; o quarto Ser vivo é semelhante a uma águia em vôo. Os quatro
Seres vivos têm cada um seis asas e são cheios de olhos ao redor e por
dentro. E, dia e noite sem parar, proclamam: "Santo, Santo, Santo,
Senhor, Deus todo-poderoso, 'Aquele-que-era, Aquele-que-é e
Aquele-que-vem'".
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 4, 6-8)
Neste
trecho há referência a quatro seres vivos: o leão (astrologicamente
ligado ao elemento Fogo), o touro (ligado ao elemento Terra), o homem
(um pouco mais difícil de interpretar, que é ligado à emoção e ao
sentimento, relacionando-se ambos com o elemento Água) e a águia
(claramente o elemento Ar). Reforçando ainda mais o enfoque astrológico,
que diz respeito ao tempo, existem três títulos de Deus: Aquele-que-era
(passado), Aquele-que-é (presente) e Aquele-que-vem (futuro).
Também no Apocalipse há uma referência bem clara aos signos:
Vi
quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos, e ouvi o primeiro
dos quatro Seres vivos dizer como o estrondo dum trovão: "Vem!" Vi então
aparecer um cavalo branco, cujo montador tinha um arco. Deram-lhe uma
coroa e ele partiu, vencedor e para vencer ainda.
Quando
abriu o segundo selo, ouvi o segundo Ser vivo dizer: "Vem!" Apareceu
então um outro cavalo, vermelho, e ao seu montador foi concedido o poder
de tirar a paz da terra, para que os homens se matassem entre si.
Entregaram-lhe também uma grande espada.
Quando
abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro Ser vivo dizer: "Vem!" Eis que
apareceu um cavalo negro, cujo montador tinha na mão uma balança. Ouvi
então uma voz, vinda do meio dos quatro Seres vivos, que dizia: "Um
litro de trigo por um denário e três litros de cevada
por um denário! Quanto ao óleo e ao vinho, não causes prejuízo".
Quando
abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto Ser vivo que dizia: "Vem!" Vi
aparecer um cavalo esverdeado. Seu montador chamava-se "a Morte" e o
Hades o acompanhava.
Bíblia de Jerusalém (Apocalipse, 6, 1-8)
O
montador com arco é o claramente o arqueiro de Sagitário (elemento
Fogo). O montador que trazia uma balança também é simples de decifrar:
Libra (o elemento Ar). O quarto selo se relaciona com o cavaleiro que
traz a morte (é Escorpião com seu veneno, do elemento Água).
Resta
um a interpretar, o montador ligado ao segundo selo, que parece estar
um pouco mais oculto. Ele vem em um cavalo vermelho, portando uma
espada, com o poder de tirar a paz na Terra. Vamos interpretar por
exclusão: já encontramos os elementos Fogo, Ar e Água, e portanto que
resta é Terra.
Vamos,
também por exclusão, encontrar o signo correspondente. Já vimos
Sagitário (o nono signo), Libra (o sétimo signo) e Escorpião (o oitavo
signo). Minha melhor aposta é no signo de Capricórnio (o décimo signo),
que diz respeito a sacrifícios e esforços concretos (possivelmente
simbolizando a força do metal na espada), em busca de um ideal, estando
relacionado ao elemento Terra.
Ou
seja, uma das chaves para a interpretação do Apocalipse é a astrologia,
e a astrologia está sendo condenada atualmente como, no mínimo, um
misticismo infundado, principalmente dentro do cristianismo. A chave
para a interpretação deste livro cristão é, cada vez mais,
desestimulada. Mas será que, de fato, a astrologia é condenável? Ou será
que é de interesse de alguns poucos que não se possua conhecimento, nem
memória, e assim possamos ser manipulados mais facilmente? Mas o ponto
neste post não é a astrologia em si. Trata-se na realidade da reflexão
de como em uma época algo é considerado bom e até mesmo essencial, e em
outra época torna-se condenável, malígno. Os conceitos mudam e desmudam
de acordo com as conveniências de cada época. Inversões nos são
apresentadas sem que as questionemos.
Uma
das mudanças que a maior parte das pessoas nem sequer suspeita é que a
divindade nem sempre foi um ser masculino, como parece tão natural
acreditar hoje em dia. Na pré-história, principalmente porque as pessoas
não sabiam explicar o mistério do nascimento (o porquê do ser humano
nascer através das mulheres), as mulheres eram consideradas com assombro
e reverência. Isso, principalmente nas sociedades agrícolas, que não se
caracterizavam tanto pela caça, pois a caça era uma atividade
preponderantemente masculina.
Levou
muito tempo para que os homens percebessem que tinham participação na
reprodução humana (os homens não sabiam que eram pais), o que ocorreu
quase no final da pré-história (4000 a.C.), e quando o perceberam,
empenharam-se em acabar por completo com a reverência às mulheres. No
conceito que se criou então, o homem (apenas o homem) tinha a essência
do novo ser em sua semente (o sêmen) e à mulher cabia ser fértil (tal
como a terra deve ser fértil quando se planta nela uma semente). A
posição política, religiosa, social e familiar das mulheres passou a ser
secundária, inferior. E a divindade, que até então era Deusa nas
sociedades agrícolas da pré-história, tornou-se Deus. Sim, foi uma
mudança de sexo divina.
Quem começou a mudar esta desigualdade absurda foi um padre, Gregor Mendel (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mendel)
quando, no século XIX, fundou as bases da genética através de suas
experiências com espécies vegetais, descobrindo que a informação
genética de um novo ser é a combinação dos genes de ambos os gêneros
(masculino e feminino). Dessa descoberta o conhecimento científico se
transformou, bem como também o papel da mulher na sociedade humana, cada
vez mais adquirindo condições de igualdade em relação ao homem. Porém,
este equilíbrio está longe ainda de se tornar perfeito. Em muitas
sociedades, as mulheres permanecem desvalorizadas e discriminadas. Às
vezes também, buscando o equilíbrio, criam-se novos desequilíbrios.
Enfim, estamos aprendendo a coexistir.
É
importante desconfiarmos de toda forma de julgamento com base em
valores absolutos que nos são passados, pois a verdade absoluta que nos
oferecem pode ser apenas uma tentativa de manipulação, um véu sobre
nossos olhos.
Um blog que pretende investigar as possibilidades do ser humano. Cronologicamente, estou contando nele a história de meu próprio caminho na magia.
domingo, 30 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
A Bíblia e a Experiência Mística
Este
post pretende ser uma introdução da relação da Bíblia à experiência
mística nas mais diversas tradições. Há muito que se possa encontrar na
Bíblia para dar apoio à busca da sabedoria e do entendimento. Trata-se
da história de um povo escrita por diversas pessoas, mostrando suas
crenças, emoções, conflitos, leis, decisões políticas, poesia, críticas,
enfim..., um depoimento. Seria preconceituoso afirmar que não há valor
na Bíblia apenas porque muitos a utilizam mal, arraigando-se a conceitos
que precisam ser questionados e comumente não o são. Ao citar a Bíblia
aqui, neste post e em outros que eu o fizer, eu não estou assumindo de
forma alguma uma postura dogmática (o que seria totalmente contrário à
minha proposta). O que pretendo fazer de fato é não ter discriminação em
relação à Bíblia, da mesma forma que não pretendo ter em relação às
outras fontes, quando for útil referenciá-las. Eu acredito que a forma
mais benígna de se utilizar a Bíblia, assim como qualquer outra fonte,
seja continuar fazendo perguntas sinceras, e jamais aceitar respostas
sem que as tenhamos verificado e chegado por nossos próprios meios às
conclusões do que aceitamos ou não.
Especialmente no caso de Jesus, tratam-se de impressões que outras pessoas tiveram dele, uma vez que ele jamais escreveu sobre si mesmo. O que é uma pena porque as pessoas sempre percebem os fatos a partir dos filtros de seus próprios entendimentos. Para fazer tudo mais difícil, muitos evangelhos foram tornados apócrifos e destruídos. Ou seja, o filtro das impressões sobre Jesus tornou-se ainda mais fechado.
A ideia que vamos explorar, relacionada à experiência mística (e que procuraremos associações bíblicas) diz respeito a dois tipos de mudança possíveis em relação às pessoas. Uma se refere às atitudes externas, e a outra é a mudança interior, ligada às crenças individuais. Normalmente é mais fácil mudarmos nossas atitudes do que nossas crenças, especialmente quando percebemos ser conveniente transformá-las em função de situações concretas, tentando obter melhores resultados da realidade ao nosso redor. Já as mudanças interiores, estas são mais difíceis porque dependem de conseguirmos nos desligarmos dos incessantes eventos externos que concorrem para tirar a atenção de nosso próprio ser.
Quanto mais somos estimulados externamente, menor a chance de realizarmos a pausa que é necessária para uma transformação interna. Faz sentido, para aqueles que buscam uma transformação espiritual, optar pelo isolamento, tal como muitos monges o fazem, assim como padres, freiras, e outros praticantes das mais diversas religiões (embora o isolamento não seja o único meio de fazê-lo). Por esse ponto de vista, o trecho bíblico abaixo adquire um significado especial:
Então Jesus disse aos seus discípulos: "Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus".
Mateus (19, 23) - Bíblia de Jerusalém
Há um certo questionamento se trata-se de camelo ou corda (por uma questão de tradução), mas isto não é tão relevante a princípio. Essencialmente acredito que não haja algo errado em ser rico, a princípio. Não é essa a questão. Mas a transformação espiritual que é necessária justamente para começar o caminho é muito desfavorecida quando se é suscetível a uma ampla gama de estímulos.
De fato é, justamente com as pessoas que (intencionalmente ou não) passaram por privações, que a experiência mística ocorre mais frequentemente. Essa experiência é o contato com uma realidade que não é fisicamente aparente (transcendendo as relações físicas), embora essa realidade interaja e transforme os aspectos físicos sem que o percebamos. No que diz respeito a esta experiência, é difícil alguém se despojar ao ponto da mente entrar em repouso sem deixar-se perturbar, mas ainda assim isso pode ser feito, com uma grande dificuldade, pela parte das pessoas que se baseiam muito naquilo que possuem (ricas, conforme o termo bíblico). A Bíblia mesmo se refere a essa condição como uma dificuldade, não uma impossibilidade.
Mas qual exatamente é a importância de atingir este estado de repouso? É porque é aí (na percepção de si mesmo sem interferência do que é externo) que é criada a base para uma nova identidade, uma iniciação. Então segue um desenvolvimento interior e exterior que, com certeza, vai envolver também relações com o mundo físico, porém essa base inicial, esse renascer tem que ser realizado perfeitamente.
O trecho bíblico abaixo reforça ainda mais este aspecto da necessidade de ausência de estímulos (no caso, rejeição):
Disse-lhes então Jesus: "Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos'? Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que produza seus frutos".
Mateus (21, 42-43) - Bíblia de Jerusalém
Ainda sobre a iniciação, há um trecho bíblico neste sentido:
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: "Rabi, sabemos que vens da parte de Deus
como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele". Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus".
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?"
Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito".
Perguntou-lhe Nicodemos: "Como isso pode acontecer?"
Respondeu-lhe Jesus: "És o mestre de Israel e ignoras essas coisas? "Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso testemunho. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como ireis crer quando vos falar das coisas do céu?
João (3, 1-12) - Bíblia de Jerusalém
É muito útil (como exercício para ajudar a renovar as próprias ideias) rever os trechos bíblicos citados neste post, dentro de seus contextos específicos, e procurar analisá-los, comparando-os com os conceitos que foram apresentados.
Especialmente no caso de Jesus, tratam-se de impressões que outras pessoas tiveram dele, uma vez que ele jamais escreveu sobre si mesmo. O que é uma pena porque as pessoas sempre percebem os fatos a partir dos filtros de seus próprios entendimentos. Para fazer tudo mais difícil, muitos evangelhos foram tornados apócrifos e destruídos. Ou seja, o filtro das impressões sobre Jesus tornou-se ainda mais fechado.
A ideia que vamos explorar, relacionada à experiência mística (e que procuraremos associações bíblicas) diz respeito a dois tipos de mudança possíveis em relação às pessoas. Uma se refere às atitudes externas, e a outra é a mudança interior, ligada às crenças individuais. Normalmente é mais fácil mudarmos nossas atitudes do que nossas crenças, especialmente quando percebemos ser conveniente transformá-las em função de situações concretas, tentando obter melhores resultados da realidade ao nosso redor. Já as mudanças interiores, estas são mais difíceis porque dependem de conseguirmos nos desligarmos dos incessantes eventos externos que concorrem para tirar a atenção de nosso próprio ser.
Quanto mais somos estimulados externamente, menor a chance de realizarmos a pausa que é necessária para uma transformação interna. Faz sentido, para aqueles que buscam uma transformação espiritual, optar pelo isolamento, tal como muitos monges o fazem, assim como padres, freiras, e outros praticantes das mais diversas religiões (embora o isolamento não seja o único meio de fazê-lo). Por esse ponto de vista, o trecho bíblico abaixo adquire um significado especial:
Então Jesus disse aos seus discípulos: "Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus".
Mateus (19, 23) - Bíblia de Jerusalém
Há um certo questionamento se trata-se de camelo ou corda (por uma questão de tradução), mas isto não é tão relevante a princípio. Essencialmente acredito que não haja algo errado em ser rico, a princípio. Não é essa a questão. Mas a transformação espiritual que é necessária justamente para começar o caminho é muito desfavorecida quando se é suscetível a uma ampla gama de estímulos.
De fato é, justamente com as pessoas que (intencionalmente ou não) passaram por privações, que a experiência mística ocorre mais frequentemente. Essa experiência é o contato com uma realidade que não é fisicamente aparente (transcendendo as relações físicas), embora essa realidade interaja e transforme os aspectos físicos sem que o percebamos. No que diz respeito a esta experiência, é difícil alguém se despojar ao ponto da mente entrar em repouso sem deixar-se perturbar, mas ainda assim isso pode ser feito, com uma grande dificuldade, pela parte das pessoas que se baseiam muito naquilo que possuem (ricas, conforme o termo bíblico). A Bíblia mesmo se refere a essa condição como uma dificuldade, não uma impossibilidade.
Mas qual exatamente é a importância de atingir este estado de repouso? É porque é aí (na percepção de si mesmo sem interferência do que é externo) que é criada a base para uma nova identidade, uma iniciação. Então segue um desenvolvimento interior e exterior que, com certeza, vai envolver também relações com o mundo físico, porém essa base inicial, esse renascer tem que ser realizado perfeitamente.
O trecho bíblico abaixo reforça ainda mais este aspecto da necessidade de ausência de estímulos (no caso, rejeição):
Disse-lhes então Jesus: "Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos'? Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que produza seus frutos".
Mateus (21, 42-43) - Bíblia de Jerusalém
Ainda sobre a iniciação, há um trecho bíblico neste sentido:
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: "Rabi, sabemos que vens da parte de Deus
como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele". Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus".
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?"
Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito".
Perguntou-lhe Nicodemos: "Como isso pode acontecer?"
Respondeu-lhe Jesus: "És o mestre de Israel e ignoras essas coisas? "Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso testemunho. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como ireis crer quando vos falar das coisas do céu?
João (3, 1-12) - Bíblia de Jerusalém
É muito útil (como exercício para ajudar a renovar as próprias ideias) rever os trechos bíblicos citados neste post, dentro de seus contextos específicos, e procurar analisá-los, comparando-os com os conceitos que foram apresentados.
domingo, 16 de setembro de 2012
Libertando a Si Mesmo
Se
há um primeiro princípio, que considero básico, é o de que cada um deve
ser livre para ser o que deseja ser. Isso mesmo, mas observe que,
quando eu digo “ser” é um limite pessoal, afinal “Eu sou” não é o mesmo
que “Eu tenho” ou “Eu faço”. É simplesmente “Eu sou”. É o domínio de si
mesmo, das próprias ideias, desejos e sentimentos. Esse deveria ser um
domínio inviolável, sobre o qual a coletividade não tem precedência pois
o que uma pessoa pensa, ou deixa de pensar, diz respeito somente a si
mesma. É claro que nas etapas iniciais da vida, enquanto somos crianças
dependentes, é útil uma certa orientação na forma de se pensar, sendo
esta válida quando se tem o objetivo de se estabelecer condições seguras
enquanto se desenvolve a maturidade. No entanto, estas condições devem
ser removidas gradualmente, para que se possa exercer cada vez mais
autoridade e responsabilidade sobre a própria vida.
Para alguns, a definição de autoridade sobre a própria vida soa estranha. Estamos acostumados a sermos responsáveis porém, em diversas situações da vida, esta responsabilidade não é acompanhada de autoridade equivalente. Ou seja, precisamos responder pelos nossos atos mas não temos liberdade para decidir que atos são esses. A causa disso é que existem diferenças de status, alheias a nós, que com o tempo passamos a considerar quase como que naturais, mas não são naturais. É o poder, por exemplo, da religião quando impõe regras e não garante a satisfação das necessidades individuais. Mas, é claro, isso não diz respeito à religião apenas, mas a todo tipo de instituição que procura coibir a ação das pessoas sem procurar satisfazê-las verdadeiramente. E hoje em dia são muitas instituições que assumem esta postura. O problema é que toda essa ação institucionalizada percebeu que é mais fácil controlar a ação das pessoas quando as pessoas se deixam controlar não só nas suas atitudes, na sua forma de agir, mas também na sua forma de pensar. Assim, para muitos, as instituições são indiscutíveis, como que portando o direito divino e natural de serem o que são, tornando-se parte destes indivíduos, infiltrando-se dentro deles, tornando-se uma falsa imagem, o superego agredindo o ego, distorcendo-o, sem que este o perceba.
Não que o ego, essa nossa consciência em estado de vigília que nós temos, deveria ser muito importante em si. Há uma infinidade de respostas debaixo do limiar da consciência, além dos limites do ego. Mas o ser humano se torna mais fechado quando o ego bloqueia o inconsciente, e a forma mais comum de fazer isso é dando valor demais à algo que se considera verdadeiro, em detrimento de tudo o que mais que entra em conflito com essa pressuposta “verdade”. É uma forma das pessoas se tornarem estéreis, reduzindo cada vez mais suas possibilidades de realização, tornando-se insatisfeitas.
A insatisfação muitas vezes é acompanhada pela raiva. Quando contemplamos a raiva em nós mesmos, frequentemente a rejeitamos e também rejeitamos a nós mesmos por considerarmos esta reação instintiva como um sinal de imperfeição, de desequilíbrio. No entanto, o equilíbrio não é a ausência de opostos, e sim a harmonia entre opostos. O equilíbrio pressupõe em ser capaz de vivenciar plenamente toda a gama de capacidades humanas, de forma que estas se complementem. Nenhuma emoção ou atitude é completa em si mesma. É na pluralidade que a perfeição é possível. Entretanto a sociedade teima em valorizar algumas qualidades em detrimento de outras (que, muitas vezes, nem sequer considera como qualidades), tornando algumas virtuosas e outras tornando-as defeitos, ou vícios. Equilibrar-se não é se posicionar em um ou outro lado, e sim centrar-se. Esse “centrar-se” também não é viver o vazio de não viver coisa alguma, e sim explorar a riqueza de ser tudo aquilo que se pode ser.
Para alguns, a definição de autoridade sobre a própria vida soa estranha. Estamos acostumados a sermos responsáveis porém, em diversas situações da vida, esta responsabilidade não é acompanhada de autoridade equivalente. Ou seja, precisamos responder pelos nossos atos mas não temos liberdade para decidir que atos são esses. A causa disso é que existem diferenças de status, alheias a nós, que com o tempo passamos a considerar quase como que naturais, mas não são naturais. É o poder, por exemplo, da religião quando impõe regras e não garante a satisfação das necessidades individuais. Mas, é claro, isso não diz respeito à religião apenas, mas a todo tipo de instituição que procura coibir a ação das pessoas sem procurar satisfazê-las verdadeiramente. E hoje em dia são muitas instituições que assumem esta postura. O problema é que toda essa ação institucionalizada percebeu que é mais fácil controlar a ação das pessoas quando as pessoas se deixam controlar não só nas suas atitudes, na sua forma de agir, mas também na sua forma de pensar. Assim, para muitos, as instituições são indiscutíveis, como que portando o direito divino e natural de serem o que são, tornando-se parte destes indivíduos, infiltrando-se dentro deles, tornando-se uma falsa imagem, o superego agredindo o ego, distorcendo-o, sem que este o perceba.
Não que o ego, essa nossa consciência em estado de vigília que nós temos, deveria ser muito importante em si. Há uma infinidade de respostas debaixo do limiar da consciência, além dos limites do ego. Mas o ser humano se torna mais fechado quando o ego bloqueia o inconsciente, e a forma mais comum de fazer isso é dando valor demais à algo que se considera verdadeiro, em detrimento de tudo o que mais que entra em conflito com essa pressuposta “verdade”. É uma forma das pessoas se tornarem estéreis, reduzindo cada vez mais suas possibilidades de realização, tornando-se insatisfeitas.
A insatisfação muitas vezes é acompanhada pela raiva. Quando contemplamos a raiva em nós mesmos, frequentemente a rejeitamos e também rejeitamos a nós mesmos por considerarmos esta reação instintiva como um sinal de imperfeição, de desequilíbrio. No entanto, o equilíbrio não é a ausência de opostos, e sim a harmonia entre opostos. O equilíbrio pressupõe em ser capaz de vivenciar plenamente toda a gama de capacidades humanas, de forma que estas se complementem. Nenhuma emoção ou atitude é completa em si mesma. É na pluralidade que a perfeição é possível. Entretanto a sociedade teima em valorizar algumas qualidades em detrimento de outras (que, muitas vezes, nem sequer considera como qualidades), tornando algumas virtuosas e outras tornando-as defeitos, ou vícios. Equilibrar-se não é se posicionar em um ou outro lado, e sim centrar-se. Esse “centrar-se” também não é viver o vazio de não viver coisa alguma, e sim explorar a riqueza de ser tudo aquilo que se pode ser.
sábado, 8 de setembro de 2012
A Linha Tênue entre o Bem e o Mal
Uma
das questões mais comuns a respeito de se causar transformações na
realidade se refere a como optar conscientemente pelo bem ou pelo mal. A
explicação mais simples para esta questão, e excessivamente óbvia, é que uma ação benígna
causa o bem, e uma ação malígna causa o mal. Porém, apesar desta ser
uma definição simples, quando a observamos em detalhes, encontramos
diversos pontos questionáveis. Isso porquê frequentemente vivemos
situações em que impera a competição, onde o sucesso de um implica no
fracasso de outro, de forma que, se por um lado é realizado um bem para
alguém, por outro se realiza um mal para outra pessoa.
O bem puro, fora de condições competitivas, em muitas situações práticas, parece estar relacionado às situações de abnegação, as quais não são o interesse exclusivo da maioria das pessoas, pois praticamente todos desejam realizar algo para si mesmos. A primeira noção que surge é de que existe uma contradição intrínseca entre o bem do indivíduo e o bem coletivo. Se focalizarmos no bem do indivíduo, a coletividade se prejudica. Por outro lado, se focalizarmos apenas no bem coletivo, a individualidade se prejudica. Assim, temos um paradoxo e, se pretendemos nos sentir bem com nossas consciências, precisamos descobrir formas de transcendê-lo.
É claro que podemos optar por não agir intencionalmente, uma vez que não sabemos como lidar com esse paradoxo mas, dessa forma, apenas deixamos de agir conscientemente para agir inconscientemente, sem pensarmos nas consequências do que criamos. Agir assim é saber que se pode causar o mal e sedar a consciência para que as decisões se tornem mais fáceis. Porém isto não nos isenta de nossa responsabilidade, de termos de responder por nossos atos.
A partir de agora, os posts deste blog serão menores: mais reflexivos, menos conclusivos. Resolvi fazer desta forma porque as pessoas precisam de tempo para pensar, para relembrar suas experiências e para experimentarem. Não tenho interesse em escrever palavras finais e indiscutíveis, mesmo porquê o que estou expondo não é final, nem muito menos indiscutível. O melhor mesmo é que seja um diálogo. O único ponto neste diálogo que torno obrigatório é que as pessoas se identifiquem. Não acho justa a expressão protegida pelo anonimato. Afinal, se mostro minha cara também considero justo o mesmo tratamento,não é?
O bem puro, fora de condições competitivas, em muitas situações práticas, parece estar relacionado às situações de abnegação, as quais não são o interesse exclusivo da maioria das pessoas, pois praticamente todos desejam realizar algo para si mesmos. A primeira noção que surge é de que existe uma contradição intrínseca entre o bem do indivíduo e o bem coletivo. Se focalizarmos no bem do indivíduo, a coletividade se prejudica. Por outro lado, se focalizarmos apenas no bem coletivo, a individualidade se prejudica. Assim, temos um paradoxo e, se pretendemos nos sentir bem com nossas consciências, precisamos descobrir formas de transcendê-lo.
É claro que podemos optar por não agir intencionalmente, uma vez que não sabemos como lidar com esse paradoxo mas, dessa forma, apenas deixamos de agir conscientemente para agir inconscientemente, sem pensarmos nas consequências do que criamos. Agir assim é saber que se pode causar o mal e sedar a consciência para que as decisões se tornem mais fáceis. Porém isto não nos isenta de nossa responsabilidade, de termos de responder por nossos atos.
A partir de agora, os posts deste blog serão menores: mais reflexivos, menos conclusivos. Resolvi fazer desta forma porque as pessoas precisam de tempo para pensar, para relembrar suas experiências e para experimentarem. Não tenho interesse em escrever palavras finais e indiscutíveis, mesmo porquê o que estou expondo não é final, nem muito menos indiscutível. O melhor mesmo é que seja um diálogo. O único ponto neste diálogo que torno obrigatório é que as pessoas se identifiquem. Não acho justa a expressão protegida pelo anonimato. Afinal, se mostro minha cara também considero justo o mesmo tratamento,não é?
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Reflexões sobre o Tempo
Se há experiências que nos impressionam quando sonhamos, são aquelas vividas em sonhos específicos que nos revelam o futuro. Porém eu não me refiro àqueles sonhos meramente simbólicos para os quais, utilizando a imaginação e criando analogias, encontramos relações coincidentes com os fatos do mundo físico. Não estou negando que estes sonhos simbólicos são muitas vezes verdadeiros, mas o que me refiro como revelações do futuro são experiências vividas em sonhos que se repetem em detalhes quando estamos em estado de vigília, mesmo que isto ocorra meses ou anos após termos tido o sonho. Estes sonhos podem ser indícios de que o futuro existe de alguma forma, pois não poderíamos visualizar ou interagir com algo que não existe de fato. Ainda assim, apesar dos indícios, essa é uma conclusão apressada. O que é exatamente este futuro que percebemos nos sonhos? Será que a lembrança de um sonho que aconteceu em uma experiência em vigília não é apenas uma memória falsa, tal como a sensação de ter sonhado algo, sem que necessariamente se tenha sonhado de fato? Ou será que sonhamos tantas coisas que inevitavelmente deve existir um sonho que se iguale a algumas experiências que vivemos, por uma mera questão de coincidência?
Na verdade, a razão pode apontar diversas questões, todas igualmente pertinentes, porém ainda não é capaz de apresentar respostas à grande maioria delas. A ciência, que é talvez o expoente máximo da razão pura ao qual a humanidade já atingiu, cada vez amplia mais seu corpo de conhecimento a respeito do ser humano, e certamente evoluirá muito nesse sentido, em séculos ou milênios de pesquisa. Porém, como indivíduos, precisamos de um método que nos permita ampliar, validar e corrigir o conhecimento, de maneira que possamos aplicá-lo em nossas vidas, ou seja, de uma forma que seja humanamente possível fazê-lo no tempo de nossas vidas. Este método envolve obter uma prova pessoal, a partir das próprias experiências, cruzando observações objetivas, percebendo a si próprio, e enfim, utilizando todas as percepções físicas e não-físicas, avaliando também pensamentos e emoções de todos os tipos, além de fatos concretos. Nesta busca, qualquer dúvida merece ser analisada e todas as possibilidades precisam ser minuciosamente investigadas. Gradualmente um núcleo de ideias vai se tornar menos volátil, mais constantemente se mantendo apesar do incessante questionamento. Depois de um tempo, ideias se tornam atitudes, que se tornam atos e depois realizações. Isso significa que esta busca de conhecimento não é meramente teórica pois envolver viver, experimentando possibilidades e concluindo a partir dos resultados percebidos. Este é o motivo do que se expõe aqui não se tratar de conhecimentos que podem ser avaliados pela razão somente. Na realidade só podem ser compreendidos totalmente se vivenciados. O momento de se tentar, ou seja, de se correr o risco, é algo pessoal, porém é uma etapa necessária para se obter as provas pessoais e, certamente, há a possibilidade de falha. Este método é básico na realização de praticamente tudo que se expõe neste artigo e nos que o seguirão.
No que diz respeito às minhas experiências pessoais, eu tive diversos sonhos que se realizaram em detalhes, com uma frequência que variava de meses a anos entre um e outro. As situações muitas vezes eram sobre acontecimentos triviais mas que continham algo de fascinante por serem incomuns, às vezes envolvendo fatos inusitados no ambiente de trabalho e às vezes relacionados a pessoas desconhecidas que eu encontrei eventualmente e nunca a mais as vi de novo. No entanto, alguns sonhos envolviam situações mais complexas, onde surgiam resultados de projetos ou desafios que eu sequer imaginava que se tornariam reais na época em que eu os havia sonhado. Algumas vezes eram sonhos divididos em partes, dentro do mesmo sonho e, quando se tornaram reais, aconteceram também em partes, em momentos diferentes da minha vida mas que, apesar do intervalo de tempo entre si, relacionavam-se a um mesmo assunto, por assim dizer.
O que eu percebi de comum neles é que, dentro do sonho, eu chegava a notar que não era a realidade objetiva que eu vivia ali, ou seja, eu sabia que estava sonhando e ficava admirado com o que tinha sonhado. Nesse momento eu sentia que seria realmente interessante se aquele acontecimento tivesse ocorrido e manifestava esse sentimento, dizendo isso claramente no sonho. Depois de acordar eu não me lembrava do que tinha se passado na minha mente. Então se decorriam meses, às vezes anos, e aquele fato acontecia com precisão, na minha vida e, após tudo ter se concluído, eu lembrava do sonho, como se fosse uma mensagem sendo comunicada, mostrando a mim que algo havia sido feito desde o momento que eu tinha sonhado e até o fim daquele momento que tinha acontecido concretamente. O padrão era inicialmente o esquecimento após o sonho, até que acontecesse, e então eu me lembrava. Ou seja, para que o sonho se realizasse, ele precisava ser oculto de mim mesmo. Os sonhos que eram separados em partes, quando estes se tornavam reais, ocorriam em momentos separados da minha vida, embora relacionados entre si, e eu me lembrava de cada parte do sonho a medida que acontecia.
Particularmente, os sonhos que ocorreram em partes chamaram mais a minha atenção, justamente porque, por se tratarem de situações mais complexas, tinham uma probabilidade menor de ocorrer por simples coincidência. E, é claro, conforme mais sonhos deste tipo se repetiam, menor ainda era a probabilidade do mero acaso e aumentava a chance de ser algo mais. Porém esse "algo mais" poderia ser meu cérebro fabricando lembranças (imaginando-as) estimulado por sugestões da realidade ao meu redor. Eu encontrei a resposta a esta dúvida por causa de alguns sonhos em que pude lembrar de como terminariam antes que acontecessem por completo e, assim, fui capaz de antecipar o final de alguns acontecimentos reais, embora este tipo de sonho tenha sido mais raro. Dessa forma, eu obtive indícios ainda mais fortes de que não se tratava meramente de um exercício de imaginação. Foi assim que eu obtive uma prova pessoal de que é possível ver o futuro através dos sonhos.
Mas ficava a questão: o que é exatamente isso, ver o futuro? Será que o tempo é uma outra dimensão? Se partirmos da hipótese do tempo como dimensão real, primeiro é útil definir o que significa esta palavra: dimensão. Na física clássica, todo corpo (qualquer objeto, animal, pessoa, etc) é dimensionado em termos de largura, altura e profundidade. Tudo tem uma largura, uma altura e uma profundidade. Da mesma forma, pode-se localizar com precisão a posição espacial de um objeto específico através de coordenadas de largura, altura e profundidade. Pode-se ir para cima ou para baixo (variando-se a altura), ir para um lado ou para o outro (variando-se a largura), ou ir para frente ou para trás (variando-se a profundidade). Dois corpos não podem existir simultaneamente, nas mesmas coordenadas nestas três dimensões, ou seja, ambos ocupando a mesma largura, mesma altura e mesma profundidade porque, para isso, precisariam ocupar o mesmo lugar no espaço. Agora, se o tempo é uma dimensão real, então dois corpos podem ocupar sim a mesma posição no espaço, desde que existam em tempos diferentes (um existindo no presente e outro no passado, por exemplo). Essa é a teoria da quarta dimensão (da dimensão do tempo) e esta teoria implica na noção que tudo existe simultaneamente, em todos os tempos, jamais cessando de existir. O passado e o futuro seriam reais, não meras lembranças e possibilidades. Ver o futuro poderia significar acessar estes tempos. Mas será que isto é o que realmente ocorre?
Uma quarta dimensão é uma ideia sedutora. Todos nós já imaginamos algumas vezes, em nossas vidas, sobre o que faríamos se pudéssemos viajar para o passado ou para o futuro. Existe também muita ficção científica a este respeito, estimulando ainda mais a imaginação das pessoas. Na realidade, há muitas teorias científicas sobre o tempo, só que, até agora, a maior parte são meras teorias. A teoria da Relatividade, de Albert Einstein, se destaca entre as demais porque já há experimentos que a confirmam. Ainda assim, Einstein não via uma possibilidade de retorno no tempo. Na realidade, o ponto em que ele inovou foi perceber que o tempo pode passar mais rápido ou mais lento dependendo de certas condições (as quais não entram no mérito deste artigo). Assim, o ritmo da passagem do tempo não é uniforme no universo. O tempo tem um ritmo mais lento ou mais rápido mas, como nossa experiência diz respeito somente ao planeta Terra, onde há condições razoavelmente uniformes, parece a nós que o tempo é uniforme e constante. Para decepção de muitos que sonham com viagens temporais, na concepção de Einstein, como não existe o retorno no tempo, também não existe a dimensão do tempo, sendo real apenas o presente.
A ideia que me parece a mais sensata é a de que o tempo não é de fato uma dimensão pois, se o tempo fosse realmente uma dimensão, e se o futuro e o passado existissem de fato, de uma forma tão concreta quanto o presente existe, surgiriam pessoas e objetos vindos do futuro (sendo o tempo considerado como uma dimensão, você pode se deslocar tanto em um sentido como em outro, para o passado e para o futuro) e seria possível, até mesmo, encontrar uma versão futura de si próprio. Por nossas experiências triviais nós sabemos que isso não acontece pois nunca vimos algo surgir do nada. Nunca vimos um efeito surgir antes da causa.O que me parece ser a verdade é que o tempo é apenas um conceito abstrato, um ritmo de causas e efeitos, e o que há de concreto, de fato, é apenas o presente. Só que dentro do presente reside o passado como memória. E também dentro do presente reside o futuro, que é uma ideia ou intenção a respeito da possibilidade de realização de algo. Visualizar o futuro em um sonho é perceber uma ideia que, de alguma forma, irá se desenvolver e se tornar real.
Para a experiência vivida no sonho se tornar real, a ideia da mesma precisa se propagar para além dos limites físicos daquele que sonhou. Isso implica necessariamente no contato com algo que permeia a realidade, ampliando-se de tal forma que é capaz de influir sobre a mesma. Ou seja, deve haver uma rede de ressonância. Quanto mais complexos forem os sonhos que se tornam reais, mais abrangente e mais complexa é essa rede. Da forma inversa, se forem experiências simples do cotidiano que se tornam reais, este é um indicador de que se trata de uma rede pouco extensa ou muito simples.
A atitude em relação à rede de ressonância pode ser ativa ou passiva. A atitude é ativa quando a reação expressa no sonho, por parte daquele que sonha, interfere na realização do sonho, favorecendo (ou não) sua concretização. É de se supor que, neste tipo de relacionamento, o indivíduo tenha uma participação direta na concretização do sonho, pelo menos como um dos personagens que participa da trama principal.
Já em um relacionamento passivo, a reação do indivíduo não é importante e não interfere na concretização do sonho. Nesse caso, a participação individual na trama em desenvolvimento não é tão necessária. É importante mencionar que a passividade é sempre uma escolha. Se alguém se sente constrangido pelo contato com uma rede de ressonância, é possível lutar contra essa rede. O artigo Sonhos, deste blog, trata a esse respeito.
A rede de ressonância pode ser também expansiva, estagnada ou em retração. Se a rede de ressonância estiver se expandindo, seus efeitos serão cada vez mais eficientes e, provavelmente, o intervalo de tempo até a realização do sonho tenderá a se tornar menor. Por outro lado, se a rede estiver estagnada, irá se perceber pouco ou nenhum efeito em relação à sua eficiência e eficácia. E, na situação da rede estar em retração, ela se tornará cada vez menos eficiente e menos eficaz.
Existe também o aspecto do esquecimento até a realização do sonho. A rede de ressonância pode estar ligada a aspectos emocionais, destoantes das racionalizações da mente em vigília. A mente em vigília pode criar diversos obstáculos e estes obstáculos podem interferir na realização do sonho, isto principalmente quando o sonhador tem participação ativa nessa realização, ocupando um papel na mesma. Nesse caso, o esquecimento é necessário, para que a mente racional não interfira na realização do sonho.
É claro que a consciência do indivíduo pode se desenvolver, tornando-se cada vez mais unificada e congruente, de forma que a mente em estado de vigília já não mais se oponha à realização dos sonhos. Conforme este desenvolvimento ocorre, o indivíduo torna-se capaz de se lembrar dos sonhos, antes mesmo que a realização se conclua, antecipando o final do que ainda está por acontecer. E se a consciência continuar se desenvolvendo, é possível até mesmo mudar o final da realização dos sonhos, de tão ampla que será a harmonia entre o indivíduo e a rede de ressonância. O objetivo deste artigo e dos demais que se seguirão é auxiliar no desenvolvimento da consciência, conferindo cada vez mais às pessoas, o poder sobre o futuro de suas vidas.
Na verdade, a razão pode apontar diversas questões, todas igualmente pertinentes, porém ainda não é capaz de apresentar respostas à grande maioria delas. A ciência, que é talvez o expoente máximo da razão pura ao qual a humanidade já atingiu, cada vez amplia mais seu corpo de conhecimento a respeito do ser humano, e certamente evoluirá muito nesse sentido, em séculos ou milênios de pesquisa. Porém, como indivíduos, precisamos de um método que nos permita ampliar, validar e corrigir o conhecimento, de maneira que possamos aplicá-lo em nossas vidas, ou seja, de uma forma que seja humanamente possível fazê-lo no tempo de nossas vidas. Este método envolve obter uma prova pessoal, a partir das próprias experiências, cruzando observações objetivas, percebendo a si próprio, e enfim, utilizando todas as percepções físicas e não-físicas, avaliando também pensamentos e emoções de todos os tipos, além de fatos concretos. Nesta busca, qualquer dúvida merece ser analisada e todas as possibilidades precisam ser minuciosamente investigadas. Gradualmente um núcleo de ideias vai se tornar menos volátil, mais constantemente se mantendo apesar do incessante questionamento. Depois de um tempo, ideias se tornam atitudes, que se tornam atos e depois realizações. Isso significa que esta busca de conhecimento não é meramente teórica pois envolver viver, experimentando possibilidades e concluindo a partir dos resultados percebidos. Este é o motivo do que se expõe aqui não se tratar de conhecimentos que podem ser avaliados pela razão somente. Na realidade só podem ser compreendidos totalmente se vivenciados. O momento de se tentar, ou seja, de se correr o risco, é algo pessoal, porém é uma etapa necessária para se obter as provas pessoais e, certamente, há a possibilidade de falha. Este método é básico na realização de praticamente tudo que se expõe neste artigo e nos que o seguirão.
No que diz respeito às minhas experiências pessoais, eu tive diversos sonhos que se realizaram em detalhes, com uma frequência que variava de meses a anos entre um e outro. As situações muitas vezes eram sobre acontecimentos triviais mas que continham algo de fascinante por serem incomuns, às vezes envolvendo fatos inusitados no ambiente de trabalho e às vezes relacionados a pessoas desconhecidas que eu encontrei eventualmente e nunca a mais as vi de novo. No entanto, alguns sonhos envolviam situações mais complexas, onde surgiam resultados de projetos ou desafios que eu sequer imaginava que se tornariam reais na época em que eu os havia sonhado. Algumas vezes eram sonhos divididos em partes, dentro do mesmo sonho e, quando se tornaram reais, aconteceram também em partes, em momentos diferentes da minha vida mas que, apesar do intervalo de tempo entre si, relacionavam-se a um mesmo assunto, por assim dizer.
O que eu percebi de comum neles é que, dentro do sonho, eu chegava a notar que não era a realidade objetiva que eu vivia ali, ou seja, eu sabia que estava sonhando e ficava admirado com o que tinha sonhado. Nesse momento eu sentia que seria realmente interessante se aquele acontecimento tivesse ocorrido e manifestava esse sentimento, dizendo isso claramente no sonho. Depois de acordar eu não me lembrava do que tinha se passado na minha mente. Então se decorriam meses, às vezes anos, e aquele fato acontecia com precisão, na minha vida e, após tudo ter se concluído, eu lembrava do sonho, como se fosse uma mensagem sendo comunicada, mostrando a mim que algo havia sido feito desde o momento que eu tinha sonhado e até o fim daquele momento que tinha acontecido concretamente. O padrão era inicialmente o esquecimento após o sonho, até que acontecesse, e então eu me lembrava. Ou seja, para que o sonho se realizasse, ele precisava ser oculto de mim mesmo. Os sonhos que eram separados em partes, quando estes se tornavam reais, ocorriam em momentos separados da minha vida, embora relacionados entre si, e eu me lembrava de cada parte do sonho a medida que acontecia.
Particularmente, os sonhos que ocorreram em partes chamaram mais a minha atenção, justamente porque, por se tratarem de situações mais complexas, tinham uma probabilidade menor de ocorrer por simples coincidência. E, é claro, conforme mais sonhos deste tipo se repetiam, menor ainda era a probabilidade do mero acaso e aumentava a chance de ser algo mais. Porém esse "algo mais" poderia ser meu cérebro fabricando lembranças (imaginando-as) estimulado por sugestões da realidade ao meu redor. Eu encontrei a resposta a esta dúvida por causa de alguns sonhos em que pude lembrar de como terminariam antes que acontecessem por completo e, assim, fui capaz de antecipar o final de alguns acontecimentos reais, embora este tipo de sonho tenha sido mais raro. Dessa forma, eu obtive indícios ainda mais fortes de que não se tratava meramente de um exercício de imaginação. Foi assim que eu obtive uma prova pessoal de que é possível ver o futuro através dos sonhos.
Mas ficava a questão: o que é exatamente isso, ver o futuro? Será que o tempo é uma outra dimensão? Se partirmos da hipótese do tempo como dimensão real, primeiro é útil definir o que significa esta palavra: dimensão. Na física clássica, todo corpo (qualquer objeto, animal, pessoa, etc) é dimensionado em termos de largura, altura e profundidade. Tudo tem uma largura, uma altura e uma profundidade. Da mesma forma, pode-se localizar com precisão a posição espacial de um objeto específico através de coordenadas de largura, altura e profundidade. Pode-se ir para cima ou para baixo (variando-se a altura), ir para um lado ou para o outro (variando-se a largura), ou ir para frente ou para trás (variando-se a profundidade). Dois corpos não podem existir simultaneamente, nas mesmas coordenadas nestas três dimensões, ou seja, ambos ocupando a mesma largura, mesma altura e mesma profundidade porque, para isso, precisariam ocupar o mesmo lugar no espaço. Agora, se o tempo é uma dimensão real, então dois corpos podem ocupar sim a mesma posição no espaço, desde que existam em tempos diferentes (um existindo no presente e outro no passado, por exemplo). Essa é a teoria da quarta dimensão (da dimensão do tempo) e esta teoria implica na noção que tudo existe simultaneamente, em todos os tempos, jamais cessando de existir. O passado e o futuro seriam reais, não meras lembranças e possibilidades. Ver o futuro poderia significar acessar estes tempos. Mas será que isto é o que realmente ocorre?
Uma quarta dimensão é uma ideia sedutora. Todos nós já imaginamos algumas vezes, em nossas vidas, sobre o que faríamos se pudéssemos viajar para o passado ou para o futuro. Existe também muita ficção científica a este respeito, estimulando ainda mais a imaginação das pessoas. Na realidade, há muitas teorias científicas sobre o tempo, só que, até agora, a maior parte são meras teorias. A teoria da Relatividade, de Albert Einstein, se destaca entre as demais porque já há experimentos que a confirmam. Ainda assim, Einstein não via uma possibilidade de retorno no tempo. Na realidade, o ponto em que ele inovou foi perceber que o tempo pode passar mais rápido ou mais lento dependendo de certas condições (as quais não entram no mérito deste artigo). Assim, o ritmo da passagem do tempo não é uniforme no universo. O tempo tem um ritmo mais lento ou mais rápido mas, como nossa experiência diz respeito somente ao planeta Terra, onde há condições razoavelmente uniformes, parece a nós que o tempo é uniforme e constante. Para decepção de muitos que sonham com viagens temporais, na concepção de Einstein, como não existe o retorno no tempo, também não existe a dimensão do tempo, sendo real apenas o presente.
A ideia que me parece a mais sensata é a de que o tempo não é de fato uma dimensão pois, se o tempo fosse realmente uma dimensão, e se o futuro e o passado existissem de fato, de uma forma tão concreta quanto o presente existe, surgiriam pessoas e objetos vindos do futuro (sendo o tempo considerado como uma dimensão, você pode se deslocar tanto em um sentido como em outro, para o passado e para o futuro) e seria possível, até mesmo, encontrar uma versão futura de si próprio. Por nossas experiências triviais nós sabemos que isso não acontece pois nunca vimos algo surgir do nada. Nunca vimos um efeito surgir antes da causa.O que me parece ser a verdade é que o tempo é apenas um conceito abstrato, um ritmo de causas e efeitos, e o que há de concreto, de fato, é apenas o presente. Só que dentro do presente reside o passado como memória. E também dentro do presente reside o futuro, que é uma ideia ou intenção a respeito da possibilidade de realização de algo. Visualizar o futuro em um sonho é perceber uma ideia que, de alguma forma, irá se desenvolver e se tornar real.
Para a experiência vivida no sonho se tornar real, a ideia da mesma precisa se propagar para além dos limites físicos daquele que sonhou. Isso implica necessariamente no contato com algo que permeia a realidade, ampliando-se de tal forma que é capaz de influir sobre a mesma. Ou seja, deve haver uma rede de ressonância. Quanto mais complexos forem os sonhos que se tornam reais, mais abrangente e mais complexa é essa rede. Da forma inversa, se forem experiências simples do cotidiano que se tornam reais, este é um indicador de que se trata de uma rede pouco extensa ou muito simples.
A atitude em relação à rede de ressonância pode ser ativa ou passiva. A atitude é ativa quando a reação expressa no sonho, por parte daquele que sonha, interfere na realização do sonho, favorecendo (ou não) sua concretização. É de se supor que, neste tipo de relacionamento, o indivíduo tenha uma participação direta na concretização do sonho, pelo menos como um dos personagens que participa da trama principal.
Já em um relacionamento passivo, a reação do indivíduo não é importante e não interfere na concretização do sonho. Nesse caso, a participação individual na trama em desenvolvimento não é tão necessária. É importante mencionar que a passividade é sempre uma escolha. Se alguém se sente constrangido pelo contato com uma rede de ressonância, é possível lutar contra essa rede. O artigo Sonhos, deste blog, trata a esse respeito.
A rede de ressonância pode ser também expansiva, estagnada ou em retração. Se a rede de ressonância estiver se expandindo, seus efeitos serão cada vez mais eficientes e, provavelmente, o intervalo de tempo até a realização do sonho tenderá a se tornar menor. Por outro lado, se a rede estiver estagnada, irá se perceber pouco ou nenhum efeito em relação à sua eficiência e eficácia. E, na situação da rede estar em retração, ela se tornará cada vez menos eficiente e menos eficaz.
Existe também o aspecto do esquecimento até a realização do sonho. A rede de ressonância pode estar ligada a aspectos emocionais, destoantes das racionalizações da mente em vigília. A mente em vigília pode criar diversos obstáculos e estes obstáculos podem interferir na realização do sonho, isto principalmente quando o sonhador tem participação ativa nessa realização, ocupando um papel na mesma. Nesse caso, o esquecimento é necessário, para que a mente racional não interfira na realização do sonho.
É claro que a consciência do indivíduo pode se desenvolver, tornando-se cada vez mais unificada e congruente, de forma que a mente em estado de vigília já não mais se oponha à realização dos sonhos. Conforme este desenvolvimento ocorre, o indivíduo torna-se capaz de se lembrar dos sonhos, antes mesmo que a realização se conclua, antecipando o final do que ainda está por acontecer. E se a consciência continuar se desenvolvendo, é possível até mesmo mudar o final da realização dos sonhos, de tão ampla que será a harmonia entre o indivíduo e a rede de ressonância. O objetivo deste artigo e dos demais que se seguirão é auxiliar no desenvolvimento da consciência, conferindo cada vez mais às pessoas, o poder sobre o futuro de suas vidas.
terça-feira, 24 de julho de 2012
O Prazer e a Dor
Prazer
e dor. Polos opostos cujas gradações populam não apenas a experiência
humana, mas também a experiência da vida em si, de todo tipo de vida. A
dor nos leva a repelir algo, nos mostrando o que é dissonante de nós, e o
prazer nos impulsiona para que nos aproximemos de alguma coisa,
revelando o que nos é ressonante.
E, talvez estranhamente, estas sensações não acontecem necessariamente porque algo realmente nos cause prazer ou dor. Na verdade a consciência destes estados não se sente somente com um estímulo imediato, e sim, muitas vezes, como a memória de algo que se sentiu, a lembrança de uma experiência, gerando a expectativa de ter novo prazer, ou de sofrer dor, tal como diz aquele ditado popular: “Gato escaldado tem medo de água fria”. Assim estas sensações não são apenas reações momentâneas, e sim algo que passa a fazer parte de cada um, constituindo a base do nosso aprendizado e dando forma a quem nós somos. Pode-se dizer que as ressonâncias (o prazer) representam respostas que nos completam, expandindo nossa expressão para o exterior, e que as dissonâncias (dor) mostram nossos limites, os quais não nos permitem passar adiante, o ponto a partir do qual cessa o “eu” e começa algo diferente do “eu”.
A princípio, o prazer e a dor parecem opostos, contraditórios em suas naturezas porém, em uma análise mais profunda, percebe-se que estão interligados, sendo complementares entre si. O prazer (que aponta para a expressão de quem somos, a qual diz respeito ao nosso aspecto interior) é complementado pela natureza do que existe ao nosso redor, a qual corresponde à visão do que difere do “eu” (sendo este o aspecto exterior a nós que é revelado pela dor). O interior é complementado pelo exterior. Dessa forma, o desenvolvimento da consciência só é completo na vivência de ambas as percepções. O interior, percebemos por nossos próprios impulsos. O exterior, percebemos pela negação destes impulsos.
No sistema nervoso, os neurônios acrescentam novas considerações à questão da percepção. O neurônio sempre reage a uma certa intensidade mínima de estímulos de forma que, abaixo desse limiar, novas sinapses não ocorrem. No entanto, quando um mesmo estímulo é intenso o bastante mas repetido com frequencia, ele passa a ser ignorado. O motivo disso é o que se chama de imagem consecutiva negativa que é mantida por um tempo, de forma residual, em cada neurônio e que, sendo a imagem negativa do estimulo, ela o cancela. Para se compreender o que é a imagem consecutiva negativa, basta observar alguma cena com cores iluminadas e brilhantes por alguns segundos, e fechar os olhos. Então se verá uma imagem em negativo, a qual é a imagem consecutiva negativa do que se viu.
Há muitas outras experiências físicas nesse sentido como, por exemplo, a percepção do frio ou do calor que tende a se amenizar com o passar do tempo, o eco dos sons que nos incomoda a princípio mas que o ignoramos depois de um certo período, um ruído insistente que passa despercebido quando nos habituamos a ele, e, é claro, isso também se aplica às sensações de prazer e dor e, até mesmo, às experiências subjetivas da rotina do dia-a-dia, as quais não são necessariamente físicas. Na verdade, é este mecanismo que permite que nos acostumemos às mais diversas situações ao nosso redor porém, ao mesmo tempo, nos torna cada vez mais incapazes de perceber o que nos cerca, a menos que os estímulos se tornem mais intensos, ou que sejam intercalados pela ausência de estímulos. Essa é a base da dinâmica do vício: a busca de um estímulo cada vez maior para produzir o mesmo efeito de prazer. É a escravidão de si mesmo à paixão, não no sentido romântico, mas no sentido de tornar-se dependente das próprias sensações.
O vício se origina com uma experiência prazerosa que gera a expectativa da repetição dessa experiência. Seguem então tentativas de reproduzi-la, porém cada nova tentativa tende a proporcionar menos prazer do que as anteriores, justamente pelo fato da pessoa acostumar-se a elas. Como compensação, procura-se experiências cada vez mais fortes para se manter a mesma intensidade de satisfação. Em certo estágio, realiza-se freneticamente diversas tentativas, as quais não produzem qualquer tipo de satisfação real. Quando se percebe a falta de sentido do vício, tenta-se negá-lo e conte-lo, mas aspectos subconscientes foram estimulados por muito tempo até então, adquirindo uma espécie de aprendizado inercial sobre como gerar o prazer através do vício. A abstinência gera insatisfação e a mente começa a sugerir os passos que aprendeu para obter o prazer. Por um tempo, existe uma resistência consciente a estes estímulos porém, gradualmente, começa-se a ceder a atitudes aparentemente sem consequências, porém sedutoras. Estas atitudes provocam ainda mais a imaginação, diminuindo o poder sobre os próprios pensamentos e, por consequência, reduzindo também o auto-controle. E assim, após um período de abstinência que pode ser até mesmo razoavelmente longo, há a recaída, e após a recaída, toda a auto-estima adquirida neste período se esvai, até que se tente novamente vencer o vício. Este processo se aplica a todo tipo de vício, seja o vício de comer exageradamente, usar drogas, fazer sexo, fazer compras, ou qualquer outro.
Na sociedade, o vício provoca deteriorações das mais diversas formas, seja na saúde, nos aspectos financeiros, ou nos relacionamentos pessoais, familiares, sociais e profissionais. Para contrabalançar estas consequências, existem regras para moderar as possibilidades individuais de obtenção do prazer. São as convenções religiosas, morais e legais que têm a função de fixar limites, criar contextos estáveis, e assim estabelecer ciclos que intercalam a satisfação por um lado e o cumprimento de uma função social por outro. O problema está no fato de que estas convenções não conseguem abranger as necessidades pessoais de uma forma plena e homogênea para todos os indivíduos, gerando uma crescente insatisfação na sociedade e provocando conflitos com relação às convenções pré-estabelecidas, nas esferas pessoal, familiar, social e profissional. De fato, é frequente que estes atritos e desequilíbrios sejam transportados para dentro das pessoas, tornando-as indivíduos de “duas faces”, sendo uma destas faces a demonstração de perfeição religiosa e moral, e a outra, de uma natureza oculta, intencionalmente escondida. E também existem as pessoas consideradas virtuosas, embora sejam difíceis de se diferenciar daquelas que são hipócritas, ou seja, das que aparentam ser algo que não são (a não ser pelas contradições inerentes da hipocrisia). Ainda assim, mesmo para o verdadeiramente virtuoso, ainda pesa a insatisfação.
A forma como o prazer e a dor se manifestam (e as condições que se repetem nesse processo) abrange muitos contextos, seja o próprio indivíduo (introspectivamente), ou no ambiente familiar, ou na sociedade de uma maneira mais ampla. Compreender estes aspectos em si mesmo é o primeiro passo para se adquirir o auto-controle e também o controle sobre as possibilidades de transformação da realidade ao redor de si. É necessário que se seja capaz de se ver tal como um observador externo, percebendo a dinâmica de pensamentos, sensações e emoções interna, bem como as interações externas, e então procurar conscientemente interferir nesta dinâmica. Com este tipo de intervenção, através de pensamentos, atitudes e ações, é possível assumir o controle de si próprio para então ser capaz de interagir e orientar melhor o mundo ao redor de si, na direção de uma realização cada vez mais plena. Os resultados são, com frequência, quase desanimadores à princípio e, em meio a um processo de tentativa-e-erro, não há garantia de que nunca surjam motivos para arrependimento mas, para cada ilusão e erro sempre há um aprendizado quando os percebemos e, assim, nos tornamos melhores pelo simples fato de tentarmos sê-lo.
O que se busca é permitir que a satisfação ocorra de forma equilibrada. O filósofo grego Epicuro (341 - 271/270 a.C) criou um método relativamente simples de ser aplicado na busca da realização plena do prazer com equilíbrio, cujo sentido original se deturpou já nos seus primórdios, por seus próprios seguidores: o hedonismo. O hedonismo, na concepção de Epicuro, partia do princípio de que o ser humano tem três dimensões: física, mental e espiritual. A dimensão física diz respeito à satisfação ou insatisfação física; a dimensão mental diz respeito às satisfações ou insatisfações apontadas pelo uso da razão, a qual envolve o intelecto e também a capacidade de imaginar possibilidades; a dimensão espiritual, no entanto, envolve os sentimentos e, em particular, aqueles que nos ligam às outras pessoas e à natureza ao nosso redor, nos tornando capazes de sentirmos satisfação ou insatisfação não apenas por nós mesmos, mas também nos permitindo desenvolver empatia por outras pessoas, nos motivando a agir também pelo bem-estar de outros. Nessa concepção, o hedonismo é ético e pressupõe que, se buscarmos maximizar o prazer nestas três dimensões, permanecendo sensíveis às mesmas, estaremos em equilíbrio. O hedonismo é uma bússola interna para procurar a verdade pois implica na atenção plena às fontes primárias do conhecimento de si próprio e do mundo: o prazer e a dor.
E, talvez estranhamente, estas sensações não acontecem necessariamente porque algo realmente nos cause prazer ou dor. Na verdade a consciência destes estados não se sente somente com um estímulo imediato, e sim, muitas vezes, como a memória de algo que se sentiu, a lembrança de uma experiência, gerando a expectativa de ter novo prazer, ou de sofrer dor, tal como diz aquele ditado popular: “Gato escaldado tem medo de água fria”. Assim estas sensações não são apenas reações momentâneas, e sim algo que passa a fazer parte de cada um, constituindo a base do nosso aprendizado e dando forma a quem nós somos. Pode-se dizer que as ressonâncias (o prazer) representam respostas que nos completam, expandindo nossa expressão para o exterior, e que as dissonâncias (dor) mostram nossos limites, os quais não nos permitem passar adiante, o ponto a partir do qual cessa o “eu” e começa algo diferente do “eu”.
A princípio, o prazer e a dor parecem opostos, contraditórios em suas naturezas porém, em uma análise mais profunda, percebe-se que estão interligados, sendo complementares entre si. O prazer (que aponta para a expressão de quem somos, a qual diz respeito ao nosso aspecto interior) é complementado pela natureza do que existe ao nosso redor, a qual corresponde à visão do que difere do “eu” (sendo este o aspecto exterior a nós que é revelado pela dor). O interior é complementado pelo exterior. Dessa forma, o desenvolvimento da consciência só é completo na vivência de ambas as percepções. O interior, percebemos por nossos próprios impulsos. O exterior, percebemos pela negação destes impulsos.
No sistema nervoso, os neurônios acrescentam novas considerações à questão da percepção. O neurônio sempre reage a uma certa intensidade mínima de estímulos de forma que, abaixo desse limiar, novas sinapses não ocorrem. No entanto, quando um mesmo estímulo é intenso o bastante mas repetido com frequencia, ele passa a ser ignorado. O motivo disso é o que se chama de imagem consecutiva negativa que é mantida por um tempo, de forma residual, em cada neurônio e que, sendo a imagem negativa do estimulo, ela o cancela. Para se compreender o que é a imagem consecutiva negativa, basta observar alguma cena com cores iluminadas e brilhantes por alguns segundos, e fechar os olhos. Então se verá uma imagem em negativo, a qual é a imagem consecutiva negativa do que se viu.
Há muitas outras experiências físicas nesse sentido como, por exemplo, a percepção do frio ou do calor que tende a se amenizar com o passar do tempo, o eco dos sons que nos incomoda a princípio mas que o ignoramos depois de um certo período, um ruído insistente que passa despercebido quando nos habituamos a ele, e, é claro, isso também se aplica às sensações de prazer e dor e, até mesmo, às experiências subjetivas da rotina do dia-a-dia, as quais não são necessariamente físicas. Na verdade, é este mecanismo que permite que nos acostumemos às mais diversas situações ao nosso redor porém, ao mesmo tempo, nos torna cada vez mais incapazes de perceber o que nos cerca, a menos que os estímulos se tornem mais intensos, ou que sejam intercalados pela ausência de estímulos. Essa é a base da dinâmica do vício: a busca de um estímulo cada vez maior para produzir o mesmo efeito de prazer. É a escravidão de si mesmo à paixão, não no sentido romântico, mas no sentido de tornar-se dependente das próprias sensações.
O vício se origina com uma experiência prazerosa que gera a expectativa da repetição dessa experiência. Seguem então tentativas de reproduzi-la, porém cada nova tentativa tende a proporcionar menos prazer do que as anteriores, justamente pelo fato da pessoa acostumar-se a elas. Como compensação, procura-se experiências cada vez mais fortes para se manter a mesma intensidade de satisfação. Em certo estágio, realiza-se freneticamente diversas tentativas, as quais não produzem qualquer tipo de satisfação real. Quando se percebe a falta de sentido do vício, tenta-se negá-lo e conte-lo, mas aspectos subconscientes foram estimulados por muito tempo até então, adquirindo uma espécie de aprendizado inercial sobre como gerar o prazer através do vício. A abstinência gera insatisfação e a mente começa a sugerir os passos que aprendeu para obter o prazer. Por um tempo, existe uma resistência consciente a estes estímulos porém, gradualmente, começa-se a ceder a atitudes aparentemente sem consequências, porém sedutoras. Estas atitudes provocam ainda mais a imaginação, diminuindo o poder sobre os próprios pensamentos e, por consequência, reduzindo também o auto-controle. E assim, após um período de abstinência que pode ser até mesmo razoavelmente longo, há a recaída, e após a recaída, toda a auto-estima adquirida neste período se esvai, até que se tente novamente vencer o vício. Este processo se aplica a todo tipo de vício, seja o vício de comer exageradamente, usar drogas, fazer sexo, fazer compras, ou qualquer outro.
Na sociedade, o vício provoca deteriorações das mais diversas formas, seja na saúde, nos aspectos financeiros, ou nos relacionamentos pessoais, familiares, sociais e profissionais. Para contrabalançar estas consequências, existem regras para moderar as possibilidades individuais de obtenção do prazer. São as convenções religiosas, morais e legais que têm a função de fixar limites, criar contextos estáveis, e assim estabelecer ciclos que intercalam a satisfação por um lado e o cumprimento de uma função social por outro. O problema está no fato de que estas convenções não conseguem abranger as necessidades pessoais de uma forma plena e homogênea para todos os indivíduos, gerando uma crescente insatisfação na sociedade e provocando conflitos com relação às convenções pré-estabelecidas, nas esferas pessoal, familiar, social e profissional. De fato, é frequente que estes atritos e desequilíbrios sejam transportados para dentro das pessoas, tornando-as indivíduos de “duas faces”, sendo uma destas faces a demonstração de perfeição religiosa e moral, e a outra, de uma natureza oculta, intencionalmente escondida. E também existem as pessoas consideradas virtuosas, embora sejam difíceis de se diferenciar daquelas que são hipócritas, ou seja, das que aparentam ser algo que não são (a não ser pelas contradições inerentes da hipocrisia). Ainda assim, mesmo para o verdadeiramente virtuoso, ainda pesa a insatisfação.
A forma como o prazer e a dor se manifestam (e as condições que se repetem nesse processo) abrange muitos contextos, seja o próprio indivíduo (introspectivamente), ou no ambiente familiar, ou na sociedade de uma maneira mais ampla. Compreender estes aspectos em si mesmo é o primeiro passo para se adquirir o auto-controle e também o controle sobre as possibilidades de transformação da realidade ao redor de si. É necessário que se seja capaz de se ver tal como um observador externo, percebendo a dinâmica de pensamentos, sensações e emoções interna, bem como as interações externas, e então procurar conscientemente interferir nesta dinâmica. Com este tipo de intervenção, através de pensamentos, atitudes e ações, é possível assumir o controle de si próprio para então ser capaz de interagir e orientar melhor o mundo ao redor de si, na direção de uma realização cada vez mais plena. Os resultados são, com frequência, quase desanimadores à princípio e, em meio a um processo de tentativa-e-erro, não há garantia de que nunca surjam motivos para arrependimento mas, para cada ilusão e erro sempre há um aprendizado quando os percebemos e, assim, nos tornamos melhores pelo simples fato de tentarmos sê-lo.
O que se busca é permitir que a satisfação ocorra de forma equilibrada. O filósofo grego Epicuro (341 - 271/270 a.C) criou um método relativamente simples de ser aplicado na busca da realização plena do prazer com equilíbrio, cujo sentido original se deturpou já nos seus primórdios, por seus próprios seguidores: o hedonismo. O hedonismo, na concepção de Epicuro, partia do princípio de que o ser humano tem três dimensões: física, mental e espiritual. A dimensão física diz respeito à satisfação ou insatisfação física; a dimensão mental diz respeito às satisfações ou insatisfações apontadas pelo uso da razão, a qual envolve o intelecto e também a capacidade de imaginar possibilidades; a dimensão espiritual, no entanto, envolve os sentimentos e, em particular, aqueles que nos ligam às outras pessoas e à natureza ao nosso redor, nos tornando capazes de sentirmos satisfação ou insatisfação não apenas por nós mesmos, mas também nos permitindo desenvolver empatia por outras pessoas, nos motivando a agir também pelo bem-estar de outros. Nessa concepção, o hedonismo é ético e pressupõe que, se buscarmos maximizar o prazer nestas três dimensões, permanecendo sensíveis às mesmas, estaremos em equilíbrio. O hedonismo é uma bússola interna para procurar a verdade pois implica na atenção plena às fontes primárias do conhecimento de si próprio e do mundo: o prazer e a dor.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Sonhos
De
todas as experiências de contato com o universo não-físico, há uma que
se destaca por ser comum a todas as pessoas: o sonho. Mesmo
considerando-se que há alguns que afirmam não sonhar, está comprovado:
todos sonham. O que acontece é que muitas pessoas não conseguem se
lembrar que sonharam. Estranho isso, não é? Não se lembrar que sonhou.
Mas como descobriram isso, que todos sonham?
Quando nós dormimos, primeiro há um relaxamento e, geralmente, algum tempo depois, segue o movimento rápido dos olhos (o movimento REM, Rapid Eye Movement), com os olhos fechados, e é esse movimento que marca o início do sonho. Sabemos que todos sonham porque, em experimentos, pessoas foram despertadas nesse instante e reportaram que tinham começado a sonhar, mesmo quem acreditava nunca sonhar. Não sei porquê as pessoas quase não reparam nesse movimento. Eu mesmo me lembro de tê-lo visto apenas uma vez, quando eu olhava para uma pessoa dormindo.
O sonho não é uma necessidade do organismo físico porque o organismo pode relaxar sem o sonho. No entanto, ele é essencial para nosso equilíbrio. Os estímulos da rotina diária sempre nos estressam, mesmo que sutilmente, sem que percebamos. O sonho é a reação no sentido de obtermos experiências que nos centram novamente. Estas experiências envolvem perceber elementos do subconsciente, expressar-se a eles, e também ser observados sem que percebamos. A mente humana tem uma complexidade imensa, constituída por uma imensidade de "subconsciências" e "inconsciências", seres dentro de nós mesmos, seres a que nos unimos ou repelimos inconscientemente. De fato, uma rede invisível de contatos e recursos é criada quando sonhamos. Durante o sonho, criamos impressões, afastando-nos ou aproximando-nos de toda uma pluralidade de seres cuja existência muitas vezes as pessoas nem sequer suspeitam que seja real.
O que afirmamos nos sonhos tende a se unir a nós e o que negamos em sonhos tende a se isolar de nós. No entanto, não podemos controlar o desenrolar dos sonhos, embora possamos tentar estimulá-los um pouco antes de dormir, e isso até funciona no começo de um sonho, mas não no sono profundo que é onde as estruturações mais fortes acontecem. Nesse caso, como orientar os sonhos? Se o sonho é, em larga medida, a expressão de quem você é, a melhor forma de conduzi-lo é enriquecendo sua própria consciência através de um processo de reflexão durante o período de vigília, interferindo em quem você é e, por extensão, interferindo na sua expressão no sonho. Essa reflexão pode ser auxiliada por uma boa leitura, por assistir um filme, e por outros meios e estímulos, porém sempre se deve considerar estes meios como meros auxiliares, uma vez que o que conta realmente é sua experiência pessoal.
Qualquer pessoa, rica ou pobre, com ou sem livros para ler, pode refletir e obter entendimento e sabedoria neste processo. São os fatos do dia a dia na vida de cada um, os altos e baixos, as ilusões e desilusões, que devem ser considerados, são as emoções, os desejos, as conclusões em que aponta a razão, e também as dúvidas. Uma dúvida jamais deve ser respondida com a fé cega, e sim com uma resposta pertinente em seus próprios termos. Ou, então, com uma resposta que demonstre que a dúvida não é aplicável por não ter relevância em uma questão. Ser sincero consigo mesmo é essencial para criar uma rede de ressonância de maneira tal que não se arrependa mais tarde. É importante não se importar com o que se possa parecer, e sim assumir até mesmo as incoerências de quem se é. Assim o que for verdadeiramente ressonante ao praticante irá se associar a ele e, da mesma forma, o que for dissonante irá se dissociar. Sendo verdadeiro consigo mesmo, a rede criada irá se tornar também confiável e verdadeira com o passar do tempo, pois será esta a imagem de si próprio que estará sendo comunicada à rede. É um processo de unir-se como igual e não de dominar. É demorado, iniciando-se com um turbilhão de pensamentos e quase nada em que se apoiar mas, com o passar do tempo, um núcleo cada vez mais sólido vai surgindo e se expandindo. Este núcleo em expansão é sua própria consciência se desenvolvendo.
Na realidade, nossa individualidade, nossa separação em relação ao mundo, é uma ilusão de nosso ego. A realidade é contínua e tudo que existe se interliga. Como diz o princípio do hermetismo, "o que está acima é como o que está abaixo". Ou na tradução cristã: "assim na Terra como no Céu". Os primeiros efeitos visíveis certamente dirão respeito às transformações pessoais, na forma de pensar e na forma de sentir. Certamente haverão períodos de estímulo, contidos pela sensação de querer avançar e não saber como prosseguir mas, havendo perseverança e utilizando os recursos da inteligência e da imaginação, novas saídas serão descobertas, novos avanços e, de novo, obstáculos. Este é um ciclo que sempre irá existir. Mesmo que durante esta busca haja culpa e arrependimento por causa de erros provenientes de ilusões e de se ter tentado fazer algo (o que em uma visão mais ampla, não é um erro), sempre nos tornamos pessoas melhores no momento em que aprendemos com os erros, e sempre nos tornamos capazes de oferecer mais ao mundo e às nossas próprias vidas. As rosas sempre terão espinhos, mas será que vale a pena nunca provar do perfume delas apenas para não se ferir?
Para obter mais resultados nas experiências nos sonhos, uma excelente prática é manter um diário de sonhos. O melhor momento para realizar as anotações é assim que estiver desperto, para que não se venha a esquecer do que ocorreu no sonho. Dessa forma é possível perceber quais são os elementos e interações que surgem, tornando-se ainda mais consciente destas experiências e, por consequência, mais preparado para interagir de forma cada vez mais eficiente em novos sonhos, uma vez que se irá ser capaz de verificar avanços e também será possível definir perspectivas a serem buscadas. É comum que, quanto mais esta prática seja realizada, mais se seja capaz de recordar as experiências nos sonhos. O diário de sonhos também é muito útil para perceber a relação entre os sonhos em si e as experiências diárias nos momentos de vigília.
Quando nós dormimos, primeiro há um relaxamento e, geralmente, algum tempo depois, segue o movimento rápido dos olhos (o movimento REM, Rapid Eye Movement), com os olhos fechados, e é esse movimento que marca o início do sonho. Sabemos que todos sonham porque, em experimentos, pessoas foram despertadas nesse instante e reportaram que tinham começado a sonhar, mesmo quem acreditava nunca sonhar. Não sei porquê as pessoas quase não reparam nesse movimento. Eu mesmo me lembro de tê-lo visto apenas uma vez, quando eu olhava para uma pessoa dormindo.
O sonho não é uma necessidade do organismo físico porque o organismo pode relaxar sem o sonho. No entanto, ele é essencial para nosso equilíbrio. Os estímulos da rotina diária sempre nos estressam, mesmo que sutilmente, sem que percebamos. O sonho é a reação no sentido de obtermos experiências que nos centram novamente. Estas experiências envolvem perceber elementos do subconsciente, expressar-se a eles, e também ser observados sem que percebamos. A mente humana tem uma complexidade imensa, constituída por uma imensidade de "subconsciências" e "inconsciências", seres dentro de nós mesmos, seres a que nos unimos ou repelimos inconscientemente. De fato, uma rede invisível de contatos e recursos é criada quando sonhamos. Durante o sonho, criamos impressões, afastando-nos ou aproximando-nos de toda uma pluralidade de seres cuja existência muitas vezes as pessoas nem sequer suspeitam que seja real.
O que afirmamos nos sonhos tende a se unir a nós e o que negamos em sonhos tende a se isolar de nós. No entanto, não podemos controlar o desenrolar dos sonhos, embora possamos tentar estimulá-los um pouco antes de dormir, e isso até funciona no começo de um sonho, mas não no sono profundo que é onde as estruturações mais fortes acontecem. Nesse caso, como orientar os sonhos? Se o sonho é, em larga medida, a expressão de quem você é, a melhor forma de conduzi-lo é enriquecendo sua própria consciência através de um processo de reflexão durante o período de vigília, interferindo em quem você é e, por extensão, interferindo na sua expressão no sonho. Essa reflexão pode ser auxiliada por uma boa leitura, por assistir um filme, e por outros meios e estímulos, porém sempre se deve considerar estes meios como meros auxiliares, uma vez que o que conta realmente é sua experiência pessoal.
Qualquer pessoa, rica ou pobre, com ou sem livros para ler, pode refletir e obter entendimento e sabedoria neste processo. São os fatos do dia a dia na vida de cada um, os altos e baixos, as ilusões e desilusões, que devem ser considerados, são as emoções, os desejos, as conclusões em que aponta a razão, e também as dúvidas. Uma dúvida jamais deve ser respondida com a fé cega, e sim com uma resposta pertinente em seus próprios termos. Ou, então, com uma resposta que demonstre que a dúvida não é aplicável por não ter relevância em uma questão. Ser sincero consigo mesmo é essencial para criar uma rede de ressonância de maneira tal que não se arrependa mais tarde. É importante não se importar com o que se possa parecer, e sim assumir até mesmo as incoerências de quem se é. Assim o que for verdadeiramente ressonante ao praticante irá se associar a ele e, da mesma forma, o que for dissonante irá se dissociar. Sendo verdadeiro consigo mesmo, a rede criada irá se tornar também confiável e verdadeira com o passar do tempo, pois será esta a imagem de si próprio que estará sendo comunicada à rede. É um processo de unir-se como igual e não de dominar. É demorado, iniciando-se com um turbilhão de pensamentos e quase nada em que se apoiar mas, com o passar do tempo, um núcleo cada vez mais sólido vai surgindo e se expandindo. Este núcleo em expansão é sua própria consciência se desenvolvendo.
Na realidade, nossa individualidade, nossa separação em relação ao mundo, é uma ilusão de nosso ego. A realidade é contínua e tudo que existe se interliga. Como diz o princípio do hermetismo, "o que está acima é como o que está abaixo". Ou na tradução cristã: "assim na Terra como no Céu". Os primeiros efeitos visíveis certamente dirão respeito às transformações pessoais, na forma de pensar e na forma de sentir. Certamente haverão períodos de estímulo, contidos pela sensação de querer avançar e não saber como prosseguir mas, havendo perseverança e utilizando os recursos da inteligência e da imaginação, novas saídas serão descobertas, novos avanços e, de novo, obstáculos. Este é um ciclo que sempre irá existir. Mesmo que durante esta busca haja culpa e arrependimento por causa de erros provenientes de ilusões e de se ter tentado fazer algo (o que em uma visão mais ampla, não é um erro), sempre nos tornamos pessoas melhores no momento em que aprendemos com os erros, e sempre nos tornamos capazes de oferecer mais ao mundo e às nossas próprias vidas. As rosas sempre terão espinhos, mas será que vale a pena nunca provar do perfume delas apenas para não se ferir?
Para obter mais resultados nas experiências nos sonhos, uma excelente prática é manter um diário de sonhos. O melhor momento para realizar as anotações é assim que estiver desperto, para que não se venha a esquecer do que ocorreu no sonho. Dessa forma é possível perceber quais são os elementos e interações que surgem, tornando-se ainda mais consciente destas experiências e, por consequência, mais preparado para interagir de forma cada vez mais eficiente em novos sonhos, uma vez que se irá ser capaz de verificar avanços e também será possível definir perspectivas a serem buscadas. É comum que, quanto mais esta prática seja realizada, mais se seja capaz de recordar as experiências nos sonhos. O diário de sonhos também é muito útil para perceber a relação entre os sonhos em si e as experiências diárias nos momentos de vigília.
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