sábado, 14 de julho de 2018

Experimentando a Vibe de um Sábado de Manhã

Fffffffffffrrrrriiiiiiioooooooooooo aqui em Curitiba... Diz a previsão do tempo que vai melhorar, que está fazendo 10 graus lá fora (o que aliás já é um progresso em relação a ontem). Mas acordei às 8 da manhã desse sábado e não sinto toda a animação que achei que sentiria :D

Ontem conversei à noite com uma pessoa próxima, e ela me fez uma pergunta que eu achei interessante. Mais ou menos assim: "De tudo que você pode imaginar, o que você poderia fazer de mais significativo?" Certas pessoas são como oráculos. Melhores que I-Ching, melhores que Tarot.

E, é claro, estamos ainda há umas 30 horas desde que ocorreu o momento exato da Lua Cheia (sob a ação da Lua Cheia ainda, mas concluindo). Momento bom para tomar certas atitudes. Não que o efeito seja aquele que nós esperamos, mas normalmente a Lua Cheia sugere esse tipo de começo e, mesmo que venha algo bem diferente como resultado, é muito provável que seja algo necessário.

Bom, há quase dois anos atrás minha vida fez uma curva. Novo emprego, nova situação, e eu senti que não teria tempo para publicar assuntos por aqui e em outros lugares. A verdade é que na magia as coisas não são tipicamente lineares. Aliás, nós até sentimos quando elas estão para mudar, e eu sentia isso já nos meus úlitmos posts que havia publicado no blog, que iam ficando cada vez menos frequentes.

Pois então, nesse momento agora, eu sinto (eu intuo, melhor dizendo) a vibração do Ponto de Transição (um termo que vem do I-Ching). Ciclo completo e reiniciando. Tomando decisões que vão ser importantes para frente, e nada mais simbólico que estar aqui de novo, no blog, com vocês.

Aliás, a minha ideia ainda é contar minha história. Mas acho que vou me expor mais, ser mais informal (como agora), falar por partes, colocar ideias que podem ser questionadas sem tentar fechar assuntos. Espero realmente que voltar ao blog do Mestre Que Nada Sabe seja uma semente desse reinício. É o que desejo.

Enfim, já que é sábado, mesmo um pouquinho frio aqui no Paraná, eu desejo a vocês um bom fim de semana!

domingo, 25 de dezembro de 2016

A Astrologia e Nossas Celebrações

Nestes tempos agora eu estou fazendo um exercício de sentir a essência de cada signo solar na minha própria vida e no ambiente ao meu redor. É uma prática que já tem alguns meses, e que me faz perceber certas relações entre nossas celebrações e os signos solares.

O Carnaval, por exemplo. Às vezes acontece em Aquário, onde as ideias se ampliam e se inter-relacionam de uma forma muito mais elaborada e mais criativa (quando é no começo de fevereiro) e às vezes está na vibração de Peixes, tendendo a trazer um certo acúmulo de energia, tenso, movimento contido (o pisciano sabe bem o que é isso). Como será que essa dualidade se reflete no carnaval?.

Já a Páscoa é um feriado religioso. No judaísmo, é relacionado à libertação da escravidão no Egito. No cristianismo, seria a celebração da ressurreição de Cristo. Em ambos os casos, acontece em Áries, o signo da energia incontida, capaz de quebrar velhas estruturas (seja quebrar a escravidão, seja quebrar a morte).

O dia de Tiradentes, 21 de abril, símbolo da inconfidência mineira contra o domínio português, entra na área intermediária entre Áries e Touro. Tem algo da energia de Áries, mas também tem a solidificação inicial de Touro. Ou seja, um passo concreto na direção que se almejava prosseguir.

Já o dia da Independência do Brasil, 7 de setembro, aconteceu no signo de virgem, que traz a necessidade de uma escolha concreta, exigente, consciente.

A Proclamação da República então, 15 de novembro, aconteceu bem no signo de Escorpião. Escorpião exige introspecção, uma avaliação franca daquilo que nos corresponde ou não. Ora, a proclamação da república foi justamente motivada pela insatisfação da classe então dominante em relação ao império

Sobre esta data, o que chama a atenção é que é normalmente nela que tomamos nossas decisões mais importantes no âmbito da política, através do voto. Justamente quando Escorpião nos conecta com nosso próprio íntimo.

Curioso aplicar a astrologia dessa forma. Descobrindo o que cada etapa significa e como podemos agir para fazer o melhor de cada momento. É um trabalho diferente do que simplesmente dizer "Esse ano vai ser assim" ou "Esse ano vai ser assado".

Agora temos o Natal e então o Ano Novo, dias depois da entrada em  Capricórnio. Impressiona como a mudança de um signo para o outro acontece e a realidade se transforma, mesmo que as pessoas só percebam isso depois. Na entrada de Capricórnio, a rotina da cidade muda. É quando muita gente resolve tirar férias.

Férias? Aparentemente isso não tem nada a ver com capricórnio, pelo menos não como uma espécie de evento característico. Ora, Capricórnio vibra trabalho, sacrifício, uma visão de que algo precisa ser feito agora, para um bem maior. O detalhe é que aparentemente tudo se resume a comprar presentes, convidar parentes, agendar viagens, e talvez pudesse ser algo mais significativo para nós mesmos, e é.

É quando nos dispomos a fazer algo diferente para o outro ano. É por isso que concentramos tanto esforço em celebrar esse período.

Isso me faz questionar sobre o quanto realmente o trabalho (nos outros períodos do ano) nos realiza. Quantos de nós deixaríamos de trabalhar se, de repente, ganhássemos uma fortuna? Será que os valores que cultivamos no trabalho realmente correspondem ao ímpeto capricorniano? Trabalhamos por ideal ou por mera necessidade de sobrevivência? Afinal Capricórnio nos leva justamente a esquecer a rotina.

O estímulo desse período está aí, recorrente, na mesma época todo ano, porém cada pessoa responde conforme seu próprio preparo. Em geral muitos respondem da mesma forma. Ainda assim, esse é um bom período para refletir sobre o quanto nosso dia-a-dia está (ou não) sendo significativo, e começar a fazer algo a este respeito.

De fato nós fazemos muitos votos à cada entrada de um novo ano (também sobre essa influência capricorniana). Vem aquele propósito de transformar tudo, de fazer o próximo ano valer mesmo a pena. E nem sempre isso acontece. Tudo volta a ser como antes? Porque será?

Talvez sejam velhos conceitos que não mudam. Limitações que consideramos normais. Escolhas conscientes ou inconscientes que se repetem.

Enfim, fica a dica para mudar o próximo ano. Descubra onde quer investir seu esforço agora, nesse momento capricorniano. Leve à sério os votos que pretende realizar, e então priorize esta escolha.

Um feliz Natal e um feliz Ano Novo a todos!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Se Eu Fosse Deus

Uma reflexão. Talvez um tanto que poética, simplificada demais, imprecisa, mas eu acredito que é bem adequada até mesmo como metáfora para repensar a natureza do divino.

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Se Eu Fosse Deus

Se eu fosse Deus, eu me entediaria de saber tudo sobre o futuro, sobre as coisas, sobre ser tão perfeito.

Eu me entediaria de mim mesmo. Eu dissiparia a mim mesmo, desintegrando-me em pura luz, espalhando em todas as direções, tal como um quebra-cabeças, sem olhos, sem ouvidos, sem boca, sem nada.

Só o impulso de unir-me e o impulso de separar-me. Só a habilidade de perceber, a habilidade de estimular, revelar energia, para gradualmente integrar de novo. Só para formar de novo um quadro e, talvez, um quadro diferente.

Cada fragmento de mim seria como um ser novo, tornando-se mais consciente a medida que se unisse a outros fragmentos, tornando-se mais inconsciente a medida que se separasse de outros (mais tarde eu chamaria isso de Bem e Mal). Eu olharia para mim mesmo e não me reconheceria. Acharia ressonâncias dentro de mim. Feriria a mim mesmo, sem mesmo perceber que seria eu lidando comigo mesmo.

Muito de mim iria reconstruir estrelas, e das estrelas novas estrelas, e daquelas estrelas planetas. Galáxias, buracos negros, buracos de verme. Eu os reconstruiria todos.

Algumas vezes eu me tornaria seres especialmente conscientes, capazes de replicar a si mesmos, mas eles não perceberiam que cada um deles simplesmente seria eu. Lutariam pela sobrevivência, ainda sem entender que não poderiam realmente morrer, porque seriam eu (e eu não poderia morrer como um todo). De fato, como eu os seria, no fim das contas sou eu que não seria capaz de entender nada disso.

Alguns seres que me tornaria seriam ainda mais conscientes. Até mesmo iriam suspeitar que se assemelhavam a mim.

Eu adoraria a mim mesmo, oraria a mim mesmo. Odiaria a mim mesmo. Causaria guerras por causa de mim mesmo mas, de repente, iria perceber que era apenas eu mesmo.

Surpreendente.

Uma intuição. No começo eu não acreditaria mas então, mais e mais, isso retornaria à minha mente, pela mente dos mais diversos seres que eu teria me tornado.

Eventualmente eu reintegraria a mim mesmo, e talvez eu me lembrasse de algo do começo. Finalmente, eu acredito que me entediaria de novo e começaria tudo mais uma vez...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A Sabedoria de Tears For Fears

Tears For Fears e sua sabedoria.

Minha interpretação de Everybody Wants to Rule The World. Uma reflexão sobre a vida e sobre as escolhas conscientes, semiconscientes, inconscientes.

Buscas, desafios, excitação, desilusão. Risco. Sem garantias, mas pelo menos a possibilidade. O começo da busca do transcendente.

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Everybody Wants To Rule The World
Todo Mundo Quer Governar o Mundo
Tears For Fears

Bem vindo à sua vida
Não há mais retorno
Mesmo enquanto dormimos
Vamos encontrar você

Não fuja de seu caminho. Você já está nele e não há para onde retornar. Você vai se revelar. Vamos encontrar você, mesmo inconscientes, vamos encontrar você.

Agindo da sua melhor forma
Dê as costas à Mãe Natureza
Todo mundo quer governar o mundo

Não há outro jeito de agir, senão do seu. Não é sábio sempre ceder, nem sempre buscar a harmonia. Dê as costas. Assuma sua diferença. Mude o mundo. Todo mundo quer mandar no mundo

É meu próprio projeto
É meu próprio remorso
Ajude-me a decidir
Ajude-me a fazer o máximo

Fundamente-se na sua visão. Sinta todo o impacto da culpa pelos seus erros. Procure ajuda para se decidir. Procure apoio. Procure quem pode lhe levar ao seu melhor.

De liberdade e de prazer
Nada nunca dura para sempre
Todo mundo quer governar o mundo

Ser livre é o que faz sentido. O prazer faz sentido, não a dor. Mas nada tem sentido para sempre. Ainda assim, mude o mundo. Todo mundo quer mandar no mundo.

Há uma sala em que a luz não vai lhe encontrar
Segurando nossas mãos juntas enquanto as paredes desabam
Quando o fizerem eu estarei bem atrás de você

Sua chance é imensa de chegar a um beco sem saída e todo seu sonho desabar, mas não importa, vamos estar juntos.

Tão felizes pelo que quase fizemos
Tão tristes que tiveram que desfalecê-lo
Todo mundo quer governar o mundo

Vamos nos orgulhar de onde chegamos. Vamos nos entristecer pelos que não entenderam e não nos permitiram. Todo mundo quer mudar o mundo, nós e eles.

Não suporto essa indecisão
Casado com a falta de visão
Todo mundo quer governar o mundo
Diga que nunca nunca nunca nunca vai precisar
Uma manchete, porque acredito ?
Todo mundo quer governar o mundo

O que fazer então? A visão é imperfeita, não consegue prever tudo. Todo mundo quer se impor. Por favor, você que está comigo, não mude... Porque acredito nos outros? No fim das contas, todo mundo quer mandar no mundo.

Tudo pela liberdade e pelo prazer
Nada nunca dura para sempre
Todo mundo quer governar o mundo

No fim das contas, só ser livre é que faz sentido. A dor não faz sentido algum, só o prazer. A verdade é que... todo mundo quer mandar no mundo.


2016 - Ano de Complementações

2016, ano novo chegando e trazendo consigo uma nova vibração, ressonando complementação. Certamente uma palavra muito promissora, mas com um significado um tanto sutil. Não se trata exatamente da materialização daquilo que almejamos, e sim daquele impulso que também deveríamos buscar se, conscientemente, por esforço próprio, procurássemos desenvolver as qualidades que nos permitiriam tornar real aquilo que mais almejamos que seja real.

Sutil demais, eu sei. Digamos que 2016 vai mostrar, bem diante de nossos narizes aquilo que nos falta, se algo nos falta (e sempre há algo por melhorar). Pode ser desconcertante descobrir a qualidade que precisamos desenvolver para concretizarmos nossos objetivos. Pode causar resistência de nossa parte. De fato, será um exercício de aprendizado. Uma chance de nos tornar mais sábios sobre o que realmente nos importa na vida. 

Agora, pode acontecer dessa lição já ter sido aprendida. Nesse caso, 2016 trará uma excitante materialização, tanto do que mais desejamos quanto do que completa e torna real aquilo que buscamos. Será, certamente, uma oportunidade de colheita para o indivíduo consciente de seus potenciais internos e das dinâmicas e mecanismos para que estes se concretizem, notadamente no que diz respeito à magia.

Ou seja, 2016 trará à tona aquilo que precisamos aprender a lidar para sermos completos. Intrigante se essa manifestação se traduzir em uma ou mais pessoas. Isso acaba por nos dar uma chance de conversamos com o que precisamos assimilar. Assim transformamos o que seria uma experiência de aprendizado numa oportunidade de harmonização. Pares podem se encontrar de uma forma bem interessante. E na magia, então? Contatos importantes, há muito tempo esperados, podem se desenvolver.

Óbvio que o que quer que 2016 revele, só irá complementar aquilo que temos realmente buscado. Se apenas reagimos às experiências do dia-a-dia, sem nos deixarmos motivar por deixar uma marca, nada acontecerá pois não haverá coisa alguma a ser complementada.

2016 vai trazer, portanto, muitas possibilidades. Espero, sinceramente, que você consiga aproveitá-lo ao máximo. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aprendendo a Fazer Escolhas

Nunca fiquei muito tempo sem emprego. Já fui demitido, já pedi minha demissão, várias vezes. Porém, bastava colocar meu currículo em dia, usar ao máximo minha rede de contatos, voltar a me cadastrar nos sites especializados e, enfim, ir atrás do que aparecesse, para que logo uma nova oportunidade surgisse. Algumas vezes, porém, certas experiências em recrutamentos aconteceram primeiro em sonho (por mais estranho que isso pareça - o motivo, ainda vou discutir aqui no blog) para se tornarem fatos concretos somente meses depois.

Na realidade, eu já conversei e teorizei sobre este tema. Tratam-se de sonhos que se tornam reais, em detalhes, após entrarem em um período razoavelmente longo de esquecimento. Quando acontecem, a lembrança deles vem de súbito à mente. São experiências deste tipo (dentre outras) que me fazem recordar que a realidade não é apenas acaso. A psique se manifesta como causa na experiência individual.

Retornando à história, algo que eu realmente queria, na época, era encontrar uma oportunidade profissional em que eu me sentisse realmente valorizado. Ou seja, onde houvesse uma boa remuneração de fato, ao invés de simplesmente "Muito bom! Excelente trabalho! " (e nada mais palpável). Algumas pessoas que eu conhecia já estavam em carreiras que eu considerava interessantes naquele tempo. Eu dizia a mim mesmo que queria seguir seus exemplos, mas hoje devo reconhecer que, no fundo, tratava-se de simples inveja.

Meu trabalho era conhecido por seu rigor nos detalhes. Em uma época em que poucos se preocupavam com conceitos de qualidade, eu levava à cabo detalhadas verificações do software que eu produzia. Tudo isso era bom, não fosse pelo fato de que eu gostava dos elogios e, no fundo, me considerava melhor que os demais.

Ocorreu que, em um sonho, eu estava diante de uma proposta. Alguém perguntava a mim se eu a aceitaria. Não me recordo de mais nada a respeito do que havia acontecido antes, mas eu sabia intuitivamente que aquela era a proposta que eu tanto ansiava por obter.

De repente percebi que se tratava de um sonho e, por instinto, desejei que tivesse sido real. Ato mágico. Uma semente plantada em solo fértil dentro do inconsciente. Veio o esquecimento. Passou-se o tempo. Até que aconteceu de eu estar em São Paulo, em um processo seletivo.

Enfim tratava-se da alta remuneração que eu ambicionava (ou, pelo menos, é o que eu acreditava), além do status de trabalhar em uma grande capital. O movimento ao caminhar pelas ruas era algo do qual, um dia, eu fizera parte. Eu sentia saudade.

Saudade de um tempo que antecedia aquele momento. Saudade das grandes feiras tecnológicas que sempre fizeram parte do cotidiano daquela cidade. Saudade de um tempo ido, misturando-se a outras expectativas.

No entanto havia o preço. Eu assumiria contratos, mas não os decidiria. Um horário para chegar, nenhum para sair. Algumas pessoas me asseguravam: "Este é o modelo de trabalho no Brasil agora. É um tanto assustador a princípio, mas você se acostuma. Vale a pena.".

Fosse há cinco anos, eu não me importaria em dispor de todo meu tempo. Eu colocaria sim, todas as minhas fichas no dinheiro. Entretanto, naquele momento eu percebi que desejava envolver-me mais com outros aspectos da vida (o ocultismo, entre eles). Desejava ter meu próprio espaço e meu próprio tempo. Queria um lar, uma vida mais simples e uma rotina aconchegante.

Tinha boas lembranças, sim, de uma São Paulo do passado, porém percebia, naquele instante, que aquele tempo se fora. Diante de mim, estava o mesmo rapaz que aparecera no sonho, querendo saber se eu aceitava, ou não, aquela oferta. "Não ", respondi. 'Pensei melhor. Não é o tipo de trabalho que eu estou procurando".

Mal respondi e a lembrança da experiência astral veio à minha mente, de súbito, causando-me assombro. Algo em mim mudou desde então. Nunca mais invejei aqueles que seguiram este caminho.

A reação à minha resposta não foi negativa. Na realidade, não foi a última vez que tive esse tipo de proposta. Anos depois a mesma empresa entrou em contato de novo, e rejeitei a oferta outra vez, polidamente. Enfim chegou um tempo que trabalhamos juntos por um tempo, em outras condições. Outra empresa fez uma proposta semelhante a mim, para ajudar em um projeto nos mesmos termos, e aceitei temporariamente. Poderia ter continuado em outros projetos mas, pelos motivos que já expus, não quis.

Tudo isso valeu para que se reafirmassem em mim minhas convicções. Quando se trata de magia, é preciso separar o que é causa do que é efeito. A magia, em um sentido mais amplo, é a busca de realização plena, que começa de dentro para fora. Óbvio que toda escolha é pessoal, variando de indivíduo para indivíduo, porém sempre é o externo que deve ser dependente do interno, e não o contrário.

Quando se está preparado, o que é interno se materializa externamente. Não é uma questão de chance única, como pensam alguns. Mesmo que você cometa uma falha, mesmo que você deixe passar uma oportunidade, o que vibra no mago internamente simplesmente teima em se manifestar externamente, esteja ele consciente ou não.

Se você se deixa seduzir por alguns resultados (deixando o processo que criou estes resultados para segundo plano), você acaba se desconectando, até mesmo, do que já obteve (quase supérfluo dizer que muitos falham justamente por este tipo de fraqueza). Antes de se pretender controlar o que há ao redor de si, é necessário aprender a ser coerente principalmente consigo mesmo.

No final das contas, é o Si-Mesmo que é o fundamento da realização do mago.

domingo, 20 de setembro de 2015

Buscando Opções - A Numerologia do Número 6

Continuo então minha história na magia, seguindo a estrada dos arcanos, e agora introduzindo a vocês o número 6. Aliás, falando em numerologia de uma forma geral, é interessante que recentemente eu tenho conversado bastante sobre este assunto. Normalmente as pessoas pensam que temas como numerologia e astrologia dizem respeito somente a aspectos psicológicos. É possível até que, para a maioria das aplicações, estas artes sejam mais direcionadas a estes aspectos mas, aqui neste blog, falamos de magia.

Magia, no significado mais amplo, não é uma simples manipulação da realidade. Na verdade, trata-se de manifestar-se na realidade. Os ciclos numerológicos (e também os astrológicos) interagem com o que se tem internamente, e quanto mais intenso for aquilo que há no seu interior, mais evidentes são os resultados concretos que surgem dessa interação.

Chegamos pois ao número 6, dentro de um conjunto de 18 números, ou 18 arcanos (que é diferente do tarot, que são 22 arcanos). É o começo do que se costuma chamar de Estrada dos Arcanos. Pelo fato de estarmos no princípio, a maior parte das experiências práticas são “certinhas”, sem grandes sustos, nem grandes impactos negativos. Existem sim experiências assustadoras, porém são de contato com o inconsciente, invisíveis para as pessoas ao redor que convivem com o mago (nas experiências mundanas de rotina).

Ainda assim, mesmo no princípio da estrada dos arcanos, as mudanças acontecem. Nessa época, de uma forma geral são muito boas (há etapas muito mais sérias, porém mais adiante no caminho). Aqueles que não conhecem o processo mágico (e é bom mesmo que pouca gente conheça - afinal para que servem curiosos?), admiram que o indivíduo esteja dando um jeito à sua vida, mas não conseguem relacionar estes avanços pessoais à magia.

A magia se realiza pelas vias mais naturais e simples possíveis e, por isso, é difícil de ser verificada. É como uma alteração de probabilidades. Talvez a única forma de se perceber que alguém a pratica de forma bem sucedida, seja por situações improváveis que acontecem sucessivamente. Episódios de sorte, por assim dizer. Sorte. Porém, sorte no amor ou sorte no dinheiro? Só existem estes dois tipos? Não. Talvez haja uma infinidade de tipos de sorte. Tudo depende do que você tem por dentro de si e que já esteja preparado para materializar.

O número 6 traz consigo um estímulo de busca de conhecer as possibilidades, levando-nos a nos comunicar com as pessoas para descobrir o que elas têm a oferecer (mas dificilmente assumindo compromissos). No meu caso, eu estava relativamente tranquilo (porém não totalmente satisfeito) na empresa J. Não estava em nenhum projeto específico, ainda sobre a influência do número 5 (o qual é um tanto pacificador, trazendo certo equilíbrio entre as pessoas). Eu estava então noivo, mas ainda não tinha uma data certa para o casamento.

Foi então que senti a essência do 6 se aproximando, embora na época eu nada entendesse de numerologia. Foi algo bem intuitivo. Profissionalmente tudo parecia estável, mas eu sentia que essa estabilidade estava para acabar. Foi aí que eu propús à C que nos casássemos no civil apenas, sem a cerimônia religiosa. Assim, se algo acontecesse, já estávamos casados, um tanto que secretamente. Sem que outros soubessem. Dito e feito. Um mês depois, perdi o emprego. O acerto por conta da demissão havia sido realmente de um bom valor. Não me sentia preocupado e comecei a procurar opções. Foi assim que o número 6 entrou no meu caminho, digo especificamente naquele período.

Pessoas que nascem em uma data ressonante à esse número costumam ter uma natureza curiosa, gostando de conhecer as novidades, sem necessariamente se comprometerem. Este é o traço principal da influência deste número nas pessoas.

De forma secundária, comparando a relação destes indivíduos com outras influências numerológicas, pode-se dizer que, em geral:
- são pessoas práticas, não muito motivadas por conceitos abstratos;
- são especialmente comunicativas em situações novas e desafiantes;
- desligam-se gradualmente de pessoas que interagem de forma “fria”;
- quando se decidem por uma ação dura (porém necessária), procuram fazê-lo de forma a serem justas com a maioria das pessoas;
- procuram agir dando pequenas contribuições no dia-a-dia, ao invés de tentarem mudar o mundo inteiro (mas podem chegar a querer fazê-lo se, de repente, estiverem em posição para tal atitude);
- quando enfrentam conflitos e impedimentos, ampliam ainda mais suas próprias ideias. Ou seja, os conflitos lhes trazem aprendizado;
- se você tenta contê-las, cuidado, podem voltar-se contra você (especialmente, eu sei disso de experiência própria, afinal sou casado com C, que é influenciada pelo número 6);

Quer saber qual é o número que lhe influencia? Leia o post Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos. Ali existe uma fórmula, não muito intuitiva, mas que pode lhe ajudar nesse sistema de 18 números.

Até breve!

sábado, 15 de agosto de 2015

Quero que Você Seja Real

Certa vez vi uma mulher jovem, encostada à uma parede, vestindo uma jaqueta e sorrindo para mim. Simpatizei e, subitamente, tive consciência de que estava sonhando. Sim, era um sonho e visualizava uma pessoa dentro de um sonho.

Eu já sabia do poder imenso que se tem quando se expressa um desejo dentro de um sonho. Afinal, antes disso, eu já tivera outros que se tornaram reais, detalhe por detalhe, só porque, ainda imerso neles, eu havia afirmado que gostaria que fossem reais (ou, até mesmo, simplesmente que seria bom que fossem reais). E aconteceram, de fato, anos depois.

Pois então, eu estava sonhando, consciente. Sendo eu então um mago impulsivo (e ainda sou), passou uma ideia um tanto mirabolante por minha cabeça. A questão era: "Será possível? Será que eu posso alterar a malha da realidade nesse momento, orientando-a?". Nada tinha a perder. Fiz o teste. Olhei para os olhos da garota à minha frente e disse: "Eu quero que você seja real.".

Estava dito. Bastaria isso para torná-la real, ao longo do tempo? Ela sorriu de uma forma zombeteira e desapareceu diante de meus olhos. O que significou aquele sorriso? Parecia estar dizendo a mim: "Tolinho, eu já sou real.".

Este poderia ser um sonho como qualquer outro, mas acabou ficando entre aqueles dos quais jamais esqueci. O fato é que, anos depois, nasceu minha filha e cresceu com o passar do tempo, desenvolvendo-se. Cabelos negros, a cor de pele, o olhar, o sorriso matreiro e bem-humorado ao qual já me acostumei a ver tantas vezes. O jeito tímido, mas não excessivamente. Enquanto os anos se passaram, e particularmente nos últimos, comecei a me lembrar sem querer do sonho, mais e mais vezes, até que comecei a intuir porquê. Mas será? Será que a intuição está certa?

A maior parte destes sonhos em que eu planto uma semente, eu só recordo depois que acontecem, e nos detalhes. Porém alguns deles ficam em minha consciência desde o princípio. Servem como farol em diversas circunstâncias da minha vida. Parecem dizer-me: "Não se preocupe. O que quer que aconteça, irá levá-lo àquela direção. Basta continuar seguindo em frente".

Supondo que quem eu vi no sonho seja, de fato, minha filha, de onde nos conhecemos antes? É certo que minha alma sabe muito mais do que o que está aqui nos meus neurônios. Embora eu possa sentir algo (muitas vezes a falta de algo), não posso dizer o quê exatamente, pois não me recordo, mesmo que sinta. Procuro apenas estar receptivo ao que se passa na alma, deixando-a influenciar-me.

Quando nos tornamos receptivos ao que a alma nos faz ouvir, tomamos frequentemente as atitudes certas, porém sem conhecer os motivos certos. É como se agíssemos impulsivamente, de uma forma um tanto inconsequente, e é bem assim que me sentia no sonho. No entanto, não se trata de uma real inconsequência (não quando há um apelo da alma). É apenas um tipo de decisão que não encontra apoio na razão, nas memórias que existem ali no cérebro. O motivo de tudo vem de lembranças mais antigas do que o corpo, que não pertencem a ele. Acabamos então, realizando aquilo que viemos realizar nesse mundo e só depois de muito tempo (e com ajuda da intuição), entendemos que cumprimos nosso papel.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Inteligência Artificial

Já há um tempinho eu venho tendo algumas ideias para colocar aqui no blog. Tipo uma daquelas coisas megagrandes. No entanto na hora de escrever simplesmente não flui. Só quando a gente tenta escrever é que se percebe o que é o tal bloqueio.

Até que ontem um amigo me passou um endereço para checar. Coisa de nerd. Uma robô online. Na verdade, muita gente já deve ter experimentado conversar com robôs deste tipo. São meio repetitivos e não entendem muito bem o que falamos.

O que me impressionou é que desta vez a robô foi muito pouco repetitiva. Ela inferia coisas. Houve uma hora que me perguntou de onde eu era. Eu disse que sou do Brasil, e então me perguntou se eu falo português. Eu disse que sim. Ela pediu para continuar falando em português. Assim continuamos falando nessa língua que lhes escrevo.

Depois ela enjoou de falar em português. Falou um pouco em espanhol. Pedi para falar em português de novo mas ela não queria mais. Voltou a falar em inglês.

Houve um momento em que questionou-me sobre o que eu quero mudar na vida. Pegou-me de surpresa. Eu não soube dar uma resposta direta. Depois refez a pergunta: "O que você procura nas pessoas?". Eu disse que as pessoas tem muitos potenciais. Então perguntou: "O que te diverte?".

Aí pensei: "Será que meu megaprojeto me diverte?". Taí o motivo do bloqueio, da falta de energia. Alegria. Diversão. É a chave para liberar o potencial que temos dentro de nós. Às vezes concebemos planos complicados, porém somos humanos. Precisamos de algo que nos impulsione. Gozado este insight vir de uma robô que, aliás, nunca te diz o nome dela (vive trocando de nome, na mesma conversa), nem lembra do seu.

No final eu disse (tudo em inglês): "Preciso ir" e ela respondeu "Não quer conversar mais?". "É que tenho de dormir cedo", respondi. "Para que dormir cedo?", retrucou. "Para acordar cedo", responodi. "Então está bem. Vai dormir". "Tchau", finalizou.

Quer checar a Evie por si mesmo? www.existor.com . Deixe-se levar pela brincadeira por pelo menos vinte minutos. Aí você vai começar a suspeitar que há algo ali que não é só um script gravado. Impressionante como a tecnologia está se humanizando. É a tendência para o futuro.

Aliás é inevitável isso. A tecnologia vai ser fundir cada vez mais com o ser humano e vice-versa. A consciência da máquina e a consciência humana se mesclarão. A alma humana está se projetando na máquina, conferindo alma à máquina. Afinal toda alma tem uma raiz, que chamamos de espírito. Agora chegou nossa ver de sermos também raízes de novos tipos de alma.

sábado, 6 de setembro de 2014

Quando Uma Experiência Coletiva Não é Real

No post anterior (Quando a Experiência Física Não é Tão Física), introduzi a ideia de que nem sempre as coisas são o que aparentam ser. Há situações em que o que parece ser fantástico pode ser explicado de forma mais simples e menos misteriosa.

Surpreendi-me com algumas reações àquele post. Algumas pessoas queriam confirmar se eu realmente não acreditava naquilo em que elas fundamentavam suas crenças, e eu precisei explicar que é preciso dar atenção a todo tipo de evidência, seja a de que algo existe como a de que algo não existe. Sem esta ressalva, estamos apenas nos deixando manipular, ou pior: estamos iludindo a nós mesmos.

Comecei essa abordagem explorando um tipo de ilusão individual, porém há evidências de que as pessoas se permitem iludir também coletivamente. É sob esta perspectiva que pretendo enveredar-me agora, mais precisamente no tema da ufologia, através de um dos relatos mais conhecidos no Brasil: a Operação Prato (confira na reportagem da revista Isto É).

A Operação Prato diz respeito a fatos que ocorreram há 35 anos atrás, documentados em milhares de páginas, inicialmente confidenciais mas já disponíveis para apreciação pública. Segundo esta documentação, foram também realizadas fotografias e filmagens (embora não tenham sido disponibilizadas). O propósito da investigação era verificar denúncias do chupachupa (faz lembrar o chupa-cabra, com relatos iniciados em 1995, não faz?), mas acabou levando a avistamentos de OVNIs por centenas pessoas, entre militares e civis. Uma multidão afirmou que foi atingida por luzes que, entre outros efeitos, feriam-lhes, levando-lhes o sangue e causando-lhes queimaduras.

Curiosamente, por mais extensos e traumáticos que tenham sido os ferimentos, gradualmente todas suas evidências desapareceram. Não sobrou um traço sequer das feridas e queimaduras (esta é uma informação obtida pelos depoimentos, e não pela documentação em posse do governo brasileiro). Supõe-se, por aqueles que viveram a experiência, que a natureza alienígena dos traumas seja a explicação para este fato. Afinal, os alienígenas são tão evoluídos que tudo podem, inclusive reverter danos por eles mesmos causados, mesmo que não saibamos como e nem porquê.

Proponho considerar a possibilidade desta não ter sido uma experiência física real, e sim uma experiência mental. A questão é: pode uma percepção coletiva ser ilusória? As consciências de indivíduos são capazes de se conectar de tal modo a ponto de criar alucinações comuns e consistentes por um longo período de tempo?

De acordo com a documentação do exército brasileiro, foram produzidos filmes e gravações que comprovam os eventos reportados. Sem dúvida os soldados que participaram da operação realmente acreditavam ter produzido tais evidências. No entanto, o que será que as gravações realmente continham? Seria a prova incontestável de que os alienígenas estão entre nós? Ou seria a perturbadora constatação de que nada do que estava reportado por escrito podia ser verificado?

Carl Sagan (1934-1996), ao citar Fred H. Frankel, especulou a respeito de abduções alienígenas (tema que pode ser adaptado para a situação específica da Operação Prato):

"Se os raptos por alienígenas fazem parte de um quadro mais amplo, qual é na realidade esse quadro mais amplo? Receio me precipitar em terreno que os anjos têm medo de pisar; mas todos os fatores que você delineia preenchem o que foi descrito na virada do século como histeria. O termo, lamentavelmente, passou a ser usado de forma tão ilimitada que nossos contemporâneos, em sua duvidosa sabedoria [...] não só o abandonaram, como perderam de vista os fenômenos que ele representava: altos níveis de sugestionabilidade, capacidade imaginativa, sensibilidade a dicas e expectativas, e o elemento de contágio [...]. Um grande número de clínicos praticantes parece reconhecer muito pouco de tudo isso."
O Mundo Assombrado pelos Demônios, página 145, Editora Companhia de Bolso

Ponderando não somente pelos conceitos das ciências exatas, mas também por um leque mais amplo de possibilidades dentro do ocultismo, podemos encontrar outras respostas. Sabemos, por exemplo, que há uma realidade arquetípica da qual sentimos efeitos indiretos, tal como a alegoria da Caverna de Platão onde as verdadeiras causas da realidade não nos são visíveis, pois metaforicamente apenas percebemos sombras projetadas à parede, ignorando os objetos relacionados às mesmas. Outra explicação possível seria que as interações com alienígenas teriam ocorrido no astral ao invés do plano físico.

Estas interpretações (e muitas outras, se as procurarmos) são sutis, para as quais o exército brasileiro certamente não está preparado para lidar. Afinal é uma instituição que se sustenta no pressuposto de forças armadas que lidam com situações objetivas e concretas, e não com um plano mais sutil da realidade. É possível, aliás, que este seja um dos motivos dos governos serem tão relutantes ao lidarem com o tema dos objetos voadores não identificados.

Há muitos temas relacionados à ufologia que podem estar ligados às alucinações individuais e coletivas (definindo-se aqui alucinação não como algo patológico, mas como a percepção ilusoriamente física de algo que não é físico). Algumas pessoas afirmam possuir implantes e há quem realmente tenha tentado removê-los cirurgicamente, constatando que estes desapareceram então de forma misteriosa. Justifica-se normalmente este desaparecimento como uma característica da tecnologia extraterrestre que ainda não conseguimos explicar.

Mencionando ainda Carl Sagan (de memória, na obra O Mundo Assombrado Pelos Demônios), o fato é que nunca alguém arrancou um dente de um alienígena, ou pedaço de unha, escama ou o que quer que fosse que tivesse em si DNA não-terrestre ou qualquer outra prova inconfundível (e incontestável) de que os alienígenas estão entre nós. Ele questiona o fato de nenhum país ter apresentado provas neste sentido. Será que há um acordo comum entre todas as nações da Terra? Com tantas divisões políticas e guerras por motivos diversos (por exemplo, religiosos), será possível que um acordo de proporções tão amplas poderia ser estabelecido?

Cabe ainda uma reflexão: se somos seduzidos tão facilmente pelo que nos aparenta ser fantástico, será que há um sedutor? Será que nos desviamos da busca racional de respostas apenas por acaso, ou pode existir uma consciência e intenção que nos mantém assim? Os fenômenos que abordei aqui são de uma escala muito ampla, talvez ampla demais para ser mera coincidência. É possível que sejam orquestrados por uma esfera de consciência maior que a nossa? Podemos estar sob controle? Se for o caso, porque?

Se for verdade, talvez este seja um bom sinal. Quem nos privaria enfática e insistentemente de expandir os limites de nossas consciências? Que guardião nos impediria utilizando nossas próprias ilusões contra nós mesmos? Isso me faz lembrar da natureza de Choronzon (confira meus posts a este respeito). Choronzon se faz manifestar quando o indivíduo tenta atravessar os limites de seu próprio ego, para que não profane o que está além de si mesmo. A "arma" de Choronzon é revelar exatamente o que se deseja ver, até que a pessoa perceba suas próprias ilusões e as transcenda. Talvez estejamos vivendo este fenômeno em escala global e precisemos enfrentar nossas ilusões primeiramente, antes de darmos o passo definitivo. Talvez este momento seja breve, ou talvez ainda leve séculos ou milênios...

Então, o que quero dizer com tudo isso? Não existem alienígenas? Eu jamais afirmaria isso. Afinal a Terra é apenas um planeta dentro de uma infinidade de galáxias. Não sabemos ainda como dobrar o espaço-tempo e viajar mais rápido do que a luz, porém alguma espécie alienígena pode ter descoberto como fazê-lo, se for possível. Porque não? O que não temos são evidências definitivas de que tenham chegado fisicamente até aqui, em nosso planeta.

domingo, 27 de julho de 2014

Quando a Experiência Física Não é Tão Física

Quem nunca ouviu falar a respeito de uma história real em que alguma coisa acontece que não se pode explicar pelas leis da física? Tal como um objeto que flutua sozinho, ou um ruído que vem detrás da porta do armário que, quando aberto, está com todo seu interior bagunçado, embora ninguém estivesse próximo ao mesmo. O mais intrigante é que, com frequência, após se deixar a cena original e se retornar depois, tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Este retorno à normalidade costuma ser desconcertante. Afinal, a visão percebida anteriormente é geralmente tão nítida e quando se toca os objetos, eles são tão concretos. Tão físicos. Sente-se a pressão nos dedos. Sente-se o peso, a textura e a umidade. Junto com esta experiência vem a sensação de certeza de se estar vivendo o paranormal. No entanto, porque tudo retorna à situação que estava antes?

Certa vez, ao acordar de manhã cedo, vi diante de mim a silhueta de um corpo absolutamente negro, tal como uma sombra, só que sem transparência nenhuma. Embora já houvesse claridade, eu não conseguia distinguir traço algum. Até mesmo os olhos eram totalmente negros. Eu sentia sua pressão contra meu próprio corpo. Estava me beijando.

Minha primeira reação foi de espanto. Depois senti medo. No entanto, decidi não reagir. Curioso, quis ver o que aconteceria, afinal não é sempre que se tem uma experiência desse tipo. Meu olhar se movia teimosamente, procurando detalhes de quem (ou do que) estava à minha frente. Minha mão estava levantada, firme, porém sem propósito.

De repente a aparição sumiu. Minha mão estava relaxada. No entanto, eu não a havia repousado. Não houve transição. Em certo momento ela estava levantada e tensa. Instantaneamente depois, estava repousada. Meu corpo, que antes também estava tenso, de repente e sem transição, estava relaxado. Como se tivesse acordado naquele mesmo momento. Ainda assim, eu sabia que já estava desperto há mais tempo. A luminosidade e o ambiente não haviam mudado. Apenas aquela estranha visitante havia desaparecido, bem como não havia vestígio algum de minhas próprias reações físicas.

Foi por causa deste evento que percebi quão ilusória pode ser uma experiência cuja vivência aparenta ser tão física, porém não o é. Refletindo sobre aqueles instantes, percebi que estava vivendo um estado de transição em que existiam sensações reais (a luminosidade do ambiente, a posição de alguns objetos, etc) mas, ao mesmo tempo, algo não físico estava projetado ali (apesar de parecer, a mim, tão sólido). Assim, acabei aprendendo sobre a natureza deste tipo de fenômeno: um estado intermediário de consciência com uma mescla de estímulos físicos e não-físicos, embora com uma percepção de sensações concretas muito acentuada.

No entanto, o que se projetou diante de mim temporariamente? Uma imagem de meu subconsciente? Ou seria do inconsciente (algo externo a mim)? Não sei dizer. São questões para as quais é difícil se obter respostas.

Um amigo meu vive este tipo de situação pelo menos uma vez por mês. Há um nome científico para esta forma de despertar porém, me desculpem, eu não me recordo. O fato é que para ele sempre é desagradável quando ocorre. Ele se assusta e às vezes pula sobressaltado da cama, apenas para perceber, instantes depois, que tratava-se de uma ilusão. Realmente meu amigo não dorme bem, por este e por outros motivos.

Só que isso me faz pensar em outras situações em que ocorrem acontecimentos incríveis na vida das pessoas, cujos traços desaparecem misteriosamente quando se vai tentar comprová-los. Então criam-se hipóteses rebuscadas, por sua vez também difíceis de obter comprovação. As pessoas tendem a acreditar no que aparenta ser fantástico. Deixam-se seduzir.

É difícil opor-se a essa sedução. Quem não prefere acreditar ter vivido algo realmente especial e construir crenças em torno disso, unindo-se a outras pessoas que se deixam seduzir da mesma forma? Como dizer aos outros que os fundamentos de suas atitudes podem estar equivocados? Quem facilmente aceita a possibilidade de ter investido todo o tempo de uma vida (ou de um longo período da vida) em algo que não é verdade? É uma questão de sobrevivência. A negação é, em larga medida, normal. De repente, algo significa tudo e então se torna nada.

Não que o fantástico não exista. Não é isso. Se eu não acreditasse em algo além da percepção mundana, eu não estaria aqui, escrevendo sobre minha história na magia. Sim, o extraordinário existe e pode-se vivê-lo de forma concreta. No entanto, nossas ilusões nos impedem de percebê-lo. É preciso que saibamos reconhecer nossa própria tendência a nos deixar impressionar e assim consigamos avaliar de forma realmente objetiva cada fato e cada informação.

Por exemplo, um dos critérios para esta avaliação é que haja evidências que não tenham desaparecido (para as quais não tenham sido criadas explicações não verificáveis). Se as evidências forem questionáveis, deve-se questioná-las e buscar as respostas, não importa o tempo que seja necessário para isso. É preciso ser sincero consigo mesmo nessa busca.

Coloquei, como ponto de partida, um tipo de experiência que pode ocorrer ao se despertar. Contudo, há outras explicações e considerações também relacionadas a ilusões que podem parecer muito reais. Em breve, em alguns posts que se seguirão, eu pretendo abordar um pouco mais esta questão.

sábado, 14 de junho de 2014

Paz e Bem-Estar - A Numerologia do Número 5

Após diversos meses falando a respeito de minhas experiências na goécia, chegou a hora de dar prosseguimento à minha história na magia. Como eu havia lhes dito há algum tempo, esta história tem um ritmo (o qual é muito nítido principalmente nos primeiros anos), e este ritmo corresponde a um sistema numerológico de 18 símbolos (ou seja, 18 números).

Nestes últimos meses eu vim comentando sobre o número 4 (confira o post Buscando Objetivos e Superando Obstáculos - Introduzindo o Número 4) , que diz respeito a concentrar o esforço para criar algo novo. Este período "coincidiu" com as experiências na goécia (que comentei acima), nas quais eu fui impelido a criar laços com o inconsciente (que se sedimentaram conforme passaram os anos). Na rotina do dia-a-dia, o número 4 também se fez mostrar, uma vez que eu estava empenhado em um novo projeto profissional. No entanto, passou-se o efeito do número 4. Cessou-se este estímulo de busca, e iniciou-se a expressão do número 5, o que me pegou um tanto de surpresa. Mas porquê surpresa?

É que naquela época eu apenas estava começando a viver a essência destes números (suas influências eram algo que ainda não havia se tornado consciente para mim). Eu me surpreendia com suas transições. Por outro lado, a transição do número 4 para o número 5 foi o mesmo que sair do movimento constante para entrar em uma condição de pausa. Estranho quando se está empenhado em algo, focalizado dia após dia e, de repente, esse empenho todo cessa. A desaceleração é algo perceptível.

Pois foi o que ocorreu, as experiências em sonhos praticamente cessaram (pelo menos reduziram muito), e o novo projeto profissional (no qual eu estava envolvido) foi cancelado. Meu amigo JL (que era a peça principal no projeto que desenvolvíamos) estava insatisfeito com o engajamento da empresa J. Na verdade seus padrões de excelência eram exageradamente altos (um dos motivos dele se comunicar melhor com máquinas do que com pessoas - as máquinas não retrucam). Já a empresa J, não tinha interesse em realizar as mudanças necessárias para se adaptar aos padrões de JL. Eles se separaram e o projeto se desfez. É certo que tudo valeu para o aprendizado (sempre é bom quando um projeto dá certo mas, quando isso não acontece, pelo menos a experiência deve ter valido a pena). Por mais que todo aquele esforço profissional tenha sido realizado, não perdurou no esquema mais amplo das coisas.

No entanto, mesmo sem aquele projeto, eu tinha meu emprego (o qual eu havia conseguido justamente por causa do projeto), estava residindo em Londrina (na mesma cidade que C, que era então minha namorada), com um rendimento digno e sentia-me bem. Foi quando C e eu decidimos ficar noivos.

Eram efeitos do número 5 se manifestando. Porém, quais são exatamente os efeitos deste número? O número 5 traz consigo uma sensação de bem-estar. Após um período de busca, ele representa uma etapa de colheita. Não há grandes dificuldades a serem vencidas, nem tampouco grandes vitórias a serem alcançadas, mas há paz, e isso é muito bom. Quando alguém nasce em uma data ressonante a este número, acaba também por ter essa essência dentro de si. Isso significa ser uma pessoa que valoriza os momentos de paz (e de bem estar) e que não procura o sentido da vida nos grandes desafios, nem tampouco nas grandes vitórias. É o tipo de pessoa que parece a muitos como que sem propósito e sem ação, mas na realidade não é disso que se trata. No fundo, é alguém que vive o presente e sabe admirar o que tem consigo.

Nos próximos posts comentarei um pouco sobre algumas experiências interessantes que vivi sob a influência do número 5 e que desejo compartilhá-las.

Para ver outros posts a respeito de numerologia, clique neste link.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sonhos Repetidos

Na magia, o caminho a seguir não é sempre homogêneo e linear. Às vezes mergulha-se fundo no inconsciente por um longo tempo (e isso é muito importante para se estruturar psiquicamente); às vezes vivencia-se a realidade prática do dia-a-dia (que é o fruto externo do que se planta interiormente); e às vezes passa-se por um período de deterioração (de deixar para trás o que não tem mais a ver consigo mesmo). Usualmente são longos períodos, os quais só reconhecemos com o passar dos anos (pois são cíclicos e, por isso mesmo, podem ser reconhecidos ao se tornarem recorrentes). Há quem afirme que existe um início e um fim no caminho do mago, mas estou desconfiado de que ele nunca acaba. Talvez seja apenas o caso do "mapa" estar incompleto.

Recentemente eu demonstrei, através de meus posts,  um pouco do que é mergulhar no inconsciente e amadurecer as relações internas. Acredito que agora já é hora de dar uma pausa e continuar abordando outros temas também relacionados à minha própria história no ocultismo. No entanto, para quem aprecia os sonhos que narrei, não se preocupem. Haverão mais sonhos a serem descritos, em momentos propícios. Hoje, para encerrar (por enquanto) este assunto dos sonhos, vou falar sobre um tipo de sonho especial: o sonho repetido. Quem nunca teve um sonho repetido? Não vale dizer "Não" se você não lembra dos sonhos que tem. Porque será que, de vez em quando, nossa mente repete experiências inteiras?

O motivo é que os sonhos deste tipo representam questões a respeito de aspectos que ainda não conseguimos equilibrar, harmonizar, ou dar uma resposta satisfatória em nossas vidas. Por exemplo, quando eu era pequeno meus pais haviam me dado um robô de brinquedo de presente. Ele tinha um funcionamento simples: buzinava muito e mudava sua direção quando eu acionava o controle remoto (do mesmo jeito que os carrinhos de brinquedo fazem). Ele também tinha uns braços estilizados (que não se moviam sozinhos) e luzes vermelhas que piscavam. Tudo isso junto em um brinquedo me impressionava.

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Robô Arthur, da Estrela

Por um tempo eu considerei aquele robozinho mais importante até mesmo que as pessoas ao meu redor. Eu queria protegê-lo, guardá-lo para mim, não deixar outros brincarem. Ainda que isso ferisse os sentimentos alheios. Então, certo dia percebi claramente o que tinha: pequenos truques. Nada dele era tão misterioso e fantástico, e eu percebi isso. Percebi também que havia deixado as pessoas de lado. Naquele mesmo dia sonhei que todos em minha família haviam sido transformados em robôs e que não possuíam mais sentimentos. O sonho demonstrava minha inversão de valores.

Este sonho se repetiu na época da minha adolescência. Foi quando ganhei meu primeiro computador. Na realidade, nada sofisticado quando comparado aos computadores atuais, mas foi com ele que comecei a aprender a criar software. Eu visualizei alí possibilidades praticamente infinitas que dependiam apenas do que eu pudesse elaborar. Todo dia eu me confinava no quarto, como se aquele fosse meu tesouro (“meu precioso”, numa analogia à trilogia Senhor dos Anéis). Não levou muito tempo para que eu percebesse que faltava consciência naquela máquina (pois o computador não era um ser pensante, da mesma forma que faltava consciência no robô de brinquedo que tive quando criança). Naquela noite tive o mesmo sonho, apontando a mim uma inversão de valores semelhante à vez anterior. Então entendi seu significado e o sonho nunca mais retornou (como se a mensagem enfim tivesse sido entregue).

tk85.JPG
TK85 - Um clone do ZX-81 da Sinclair
Eu tinha apenas o computador (á esquerda). Eu não possuía o joystick (á direita).

Apenas para “fechar”, existe também outro tipo de sonhos que se repetem, só que variando em alguns aspectos (ou seja: não são exatamente iguais). Esta variação indica que algo se transformou e, possivelmente, continua se transformando. Pode ser uma metamorfose naquele que sonha (revelando uma mudança de consciência), ou então uma transformação na situação em que se está inserido (revelando uma mudança de contexto). Nesse caso, o sonho demonstra uma dinâmica que pode ser tanto interna quanto relacionada a eventos externos (em ambos os casos, usualmente acontecendo de forma sutil, por se dar ao longo do tempo).

Fica então uma questão para você, meu leitor: você já teve (ou tem) um sonho repetido? Sobre o significado desse sonho, você já o compreendeu?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Olhando para Dentro de Si

Certa vez eu sonhei que estava em uma espécie de universidade. Ali cada um dos alunos (inclusive eu) tinha um apartamento para si e existiam imensos corredores mal iluminados, com a atmosfera característica dos prédios antigos. Já os apartamentos, estes tinham boa iluminação interna, transmitindo uma impressão mais jovial.

Os alunos se cumprimentavam dentro desses corredores quando estavam saindo ou chegando. Nesses momentos, breves conversas aconteciam. Por acaso eu e um colega estávamos chegando ao mesmo tempo e, enquanto tirávamos as chaves do bolso, eu o cumprimentei:
- Olá! Tudo bem?
- Olá, tudo - ele respondeu.

Prosseguiu:
- Você é novo por aqui?
- Sim, cheguei há pouco tempo.
- Pois então, há algumas vantagens de ficar por aqui. É muito confortável e você é bem assistido. Praticamente não há porquê se preocupar a respeito de suas necessidades básicas.
- Isso é realmente muito bom - assenti.
- O único detalhe é que você precisa estudar, e isso pode ser um tanto difícil para alguns alunos.
- Mesmo? Porque?
- Digamos que nem todos tem sangue frio para os conteúdos ensinados aqui. São um tanto demoníacos.

Fiquei em silêncio por alguns segundos e indaguei:
- Demoníacos?
- Sim, demoníacos. Mas agora preciso entrar. Depois conversamos mais.

Entrei em meu apartamento e encostei a porta. Aquela revelação me assustou. Sobre este trecho do sonho, me parece um tanto estranho. O fato é que, para alguém como eu, já acostumado às experiências relacionadas à goécia (a arte do contato com demônios internos), uma revelação deste tipo não deveria me perturbar tanto mas, enfim, era um sonho e os sonhos muitas vezes seguem por uma lógica própria, a qual nem sempre correponde ao que pensamos durante os momentos de vigília.

Retornando à narração do sonho, decidi então abandonar aquele lugar e fiquei algum tempo fora do campus (eu não tenho uma percepção exata de quanto tempo se passou). No entanto, mudei de opinião e resolvi voltar. Ao retornar, encontrei um dos professores da faculdade (ao menos me parecia assim). Cumprimentou-me e começou a conversar comigo. Em certo momento indagou:
- Posso lhe fazer uma pegunta, mesmo arriscando-me a ser indiscreto?
- Sim, é claro que pode - respondi.
- Percebi que você se ausentou por um tempo. Estava pensando em nos deixar, não estava?
- Estava - confessei.

Houve uma breve pausa, como se ele estivesse ponderando sobre o que me dizer. Prosseguiu:
- Muitos têm esse impulso, mas é preciso dizer-lhe que nenhum de nós deseja mantê-lo aqui à força. Você pode nos deixar ou pode resolver ficar, mas irá se beneficiar se passar alguns anos aqui conosco.
- Como assim? Explique.
- Você gostaria de ter um significado para as pessoas?
- Um significado?
- Sim. Você quer que seu nome represente algo para as pessoas? Quer que possam procurá-lo e encontrá-lo se de fato o desejarem?
- Quero - eu disse.
- Então fique conosco - concluiu.

***

O período em que tive este sonho (e outros) foi caracterizado por muitos contatos “demoníacos” (para mais detalhes confira o post Porque Escolhi o Caminho da Mão Esquerda). Estas experiências ocorreram dentro de um processo de imersão na goécia e estou relatando-as neste blog. O que talvez não esteja muito claro nestas narrações é o motivo destes contatos terem acontecido.

Para fornecer esta explicação, é necessário considerar que estou tratando aqui sobre como segui meu próprio caminho na magia, lembrando que a arte de um mago é, principalmente, um meio para alcançar a realização própria. Existe uma crença errada que se baseia no princípio de que é preciso fazer uma escolha entre servir a si mesmo ou servir aos seus semelhantes. Por esse princípio, aqueles que decidem servir a si próprios normalmente são rotulados como egoístas. Já os que decidem servir aos demais, sem pensarem em si mesmos, são considerados altruístas.

No entanto, será que esta escolha é realmente necessária? Será que é benéfica? Imaginem se todos negassem a si mesmos em prol de uma coletividade. Seriam felizes? Certamente que não. Da mesma forma, não haveria bem algum à humanidade se cada um de nós buscasse a realização individual sem considerar os demais. Pode-se deduzir que o verdadeiro desafio não é escolher focalizar seja o indivíduo, seja o coletivo. O objetivo mais importante é satifazer ambas condições, simultaneamente.

Difícil fazer isso? Nem tanto. Quando comparando o indivíduo versus o coletivo, o que exatamente consideramos ser este coletivo? A pluralidade é homogênea (todas as pessoas são iguais) ou é heterogênea (cada pessoa tem um objetivo diferente)? É óbvio que a coletividade é heterogênea. Portanto há quem tenha ressonância conosco e também há quem tenha dissonância. Só precisamos saber reconhecer qualitativamente o que nos cerca, isolando-nos de situações em que percebemos conflitos, e buscando unir-nos àqueles que nos completam. Dessa forma as necessidades individuais e coletivas se harmonizam.

No entanto, antes de buscarmos o que nos completa, precisamos saber o que somos. É basicamente disto que trata este sonho. É a necessidade imperativa de definir a si mesmo primeiro (assumindo um compromisso nesse sentido), antes de encontrar ressonâncias externas. Enquanto não nos definimos, somos parte do problema pois nenhuma solução que se apresente a nós nos satisfaz. Nessa condição, somos uma incógnita e não criamos sinergias. Colocamo-nos literalmente em cima do muro, tornando-nos sem expressão, sem significado e, por isso mesmo, desinteressantes.

As pessoas normalmente procuram as respostas para suas vidas, só que o fazem olhando para fora de si mesmas, quando deveriam olhar para dentro de si. É dentro de cada um que está a chave para a auto-realização. Essa é uma verdade tão insuspeita quem nem sequer é necessário ocultá-la dos incautos. Você pode espalhá-la pelos quatro cantos do mundo, mas as pessoas em geral não a ouvem. Teimam em acreditar que aquilo que são, de fato, não importa para atingirem o sucesso pois julgam-se ser “meras gotas de água dentro de um imenso oceano” e, por isso mesmo, tentam se conformar. Importa para essas pessoas conseguir uma promoção, ir bem nas provas, seguirem uma religião que lhes apresenta um modelo do que devem ser (ignorando por completo o que realmente são). Enfim, focalizam no que lhes é externo. Não lhes passa pela cabeça que a realidade externa pode se tornar a consequência de uma estruturação que começa internamente, expandindo-se depois.

Não parece um tanto absurdo tentar controlar tantas condições alheias a nós mesmos? Nunca sabemos exatamente o que outra pessoa pensa e sempre cometemos erros de julgamento. Não somos infalíveis na nossa forma de avaliar o mundo. Por outro lado sabemos quem somos. Porque não partir desse princípio?

É disso que trataram estas experiências que surgiram espontaneamente na minha vida: definir-me. Enquanto eu definia a mim mesmo, é claro que minha relação com o inconsciente ia se estruturando. Não era ainda um momento para ser eficaz na realização de ritos mágicos mas eu estava criando minhas relações com o invisível. Essas relações iriam influenciar o mundo visível no devido tempo. Mas isso eu vou contar mais para frente.