domingo, 20 de setembro de 2015

Buscando Opções - A Numerologia do Número 6

Continuo então minha história na magia, seguindo a estrada dos arcanos, e agora introduzindo a vocês o número 6. Aliás, falando em numerologia de uma forma geral, é interessante que recentemente eu tenho conversado bastante sobre este assunto. Normalmente as pessoas pensam que temas como numerologia e astrologia dizem respeito somente a aspectos psicológicos. É possível até que, para a maioria das aplicações, estas artes sejam mais direcionadas a estes aspectos mas, aqui neste blog, falamos de magia.

Magia, no significado mais amplo, não é uma simples manipulação da realidade. Na verdade, trata-se de manifestar-se na realidade. Os ciclos numerológicos (e também os astrológicos) interagem com o que se tem internamente, e quanto mais intenso for aquilo que há no seu interior, mais evidentes são os resultados concretos que surgem dessa interação.

Chegamos pois ao número 6, dentro de um conjunto de 18 números, ou 18 arcanos (que é diferente do tarot, que são 22 arcanos). É o começo do que se costuma chamar de Estrada dos Arcanos. Pelo fato de estarmos no princípio, a maior parte das experiências práticas são “certinhas”, sem grandes sustos, nem grandes impactos negativos. Existem sim experiências assustadoras, porém são de contato com o inconsciente, invisíveis para as pessoas ao redor que convivem com o mago (nas experiências mundanas de rotina).

Ainda assim, mesmo no princípio da estrada dos arcanos, as mudanças acontecem. Nessa época, de uma forma geral são muito boas (há etapas muito mais sérias, porém mais adiante no caminho). Aqueles que não conhecem o processo mágico (e é bom mesmo que pouca gente conheça - afinal para que servem curiosos?), admiram que o indivíduo esteja dando um jeito à sua vida, mas não conseguem relacionar estes avanços pessoais à magia.

A magia se realiza pelas vias mais naturais e simples possíveis e, por isso, é difícil de ser verificada. É como uma alteração de probabilidades. Talvez a única forma de se perceber que alguém a pratica de forma bem sucedida, seja por situações improváveis que acontecem sucessivamente. Episódios de sorte, por assim dizer. Sorte. Porém, sorte no amor ou sorte no dinheiro? Só existem estes dois tipos? Não. Talvez haja uma infinidade de tipos de sorte. Tudo depende do que você tem por dentro de si e que já esteja preparado para materializar.

O número 6 traz consigo um estímulo de busca de conhecer as possibilidades, levando-nos a nos comunicar com as pessoas para descobrir o que elas têm a oferecer (mas dificilmente assumindo compromissos). No meu caso, eu estava relativamente tranquilo (porém não totalmente satisfeito) na empresa J. Não estava em nenhum projeto específico, ainda sobre a influência do número 5 (o qual é um tanto pacificador, trazendo certo equilíbrio entre as pessoas). Eu estava então noivo, mas ainda não tinha uma data certa para o casamento.

Foi então que senti a essência do 6 se aproximando, embora na época eu nada entendesse de numerologia. Foi algo bem intuitivo. Profissionalmente tudo parecia estável, mas eu sentia que essa estabilidade estava para acabar. Foi aí que eu propús à C que nos casássemos no civil apenas, sem a cerimônia religiosa. Assim, se algo acontecesse, já estávamos casados, um tanto que secretamente. Sem que outros soubessem. Dito e feito. Um mês depois, perdi o emprego. O acerto por conta da demissão havia sido realmente de um bom valor. Não me sentia preocupado e comecei a procurar opções. Foi assim que o número 6 entrou no meu caminho, digo especificamente naquele período.

Pessoas que nascem em uma data ressonante à esse número costumam ter uma natureza curiosa, gostando de conhecer as novidades, sem necessariamente se comprometerem. Este é o traço principal da influência deste número nas pessoas.

De forma secundária, comparando a relação destes indivíduos com outras influências numerológicas, pode-se dizer que, em geral:
- são pessoas práticas, não muito motivadas por conceitos abstratos;
- são especialmente comunicativas em situações novas e desafiantes;
- desligam-se gradualmente de pessoas que interagem de forma “fria”;
- quando se decidem por uma ação dura (porém necessária), procuram fazê-lo de forma a serem justas com a maioria das pessoas;
- procuram agir dando pequenas contribuições no dia-a-dia, ao invés de tentarem mudar o mundo inteiro (mas podem chegar a querer fazê-lo se, de repente, estiverem em posição para tal atitude);
- quando enfrentam conflitos e impedimentos, ampliam ainda mais suas próprias ideias. Ou seja, os conflitos lhes trazem aprendizado;
- se você tenta contê-las, cuidado, podem voltar-se contra você (especialmente, eu sei disso de experiência própria, afinal sou casado com C, que é influenciada pelo número 6);

Quer saber qual é o número que lhe influencia? Leia o post Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos. Ali existe uma fórmula, não muito intuitiva, mas que pode lhe ajudar nesse sistema de 18 números.

Até breve!

sábado, 15 de agosto de 2015

Quero que Você Seja Real

Certa vez vi uma mulher jovem, encostada à uma parede, vestindo uma jaqueta e sorrindo para mim. Simpatizei e, subitamente, tive consciência de que estava sonhando. Sim, era um sonho e visualizava uma pessoa dentro de um sonho.

Eu já sabia do poder imenso que se tem quando se expressa um desejo dentro de um sonho. Afinal, antes disso, eu já tivera outros que se tornaram reais, detalhe por detalhe, só porque, ainda imerso neles, eu havia afirmado que gostaria que fossem reais (ou, até mesmo, simplesmente que seria bom que fossem reais). E aconteceram, de fato, anos depois.

Pois então, eu estava sonhando, consciente. Sendo eu então um mago impulsivo (e ainda sou), passou uma ideia um tanto mirabolante por minha cabeça. A questão era: "Será possível? Será que eu posso alterar a malha da realidade nesse momento, orientando-a?". Nada tinha a perder. Fiz o teste. Olhei para os olhos da garota à minha frente e disse: "Eu quero que você seja real.".

Estava dito. Bastaria isso para torná-la real, ao longo do tempo? Ela sorriu de uma forma zombeteira e desapareceu diante de meus olhos. O que significou aquele sorriso? Parecia estar dizendo a mim: "Tolinho, eu já sou real.".

Este poderia ser um sonho como qualquer outro, mas acabou ficando entre aqueles dos quais jamais esqueci. O fato é que, anos depois, nasceu minha filha e cresceu com o passar do tempo, desenvolvendo-se. Cabelos negros, a cor de pele, o olhar, o sorriso matreiro e bem-humorado ao qual já me acostumei a ver tantas vezes. O jeito tímido, mas não excessivamente. Enquanto os anos se passaram, e particularmente nos últimos, comecei a me lembrar sem querer do sonho, mais e mais vezes, até que comecei a intuir porquê. Mas será? Será que a intuição está certa?

A maior parte destes sonhos em que eu planto uma semente, eu só recordo depois que acontecem, e nos detalhes. Porém alguns deles ficam em minha consciência desde o princípio. Servem como farol em diversas circunstâncias da minha vida. Parecem dizer-me: "Não se preocupe. O que quer que aconteça, irá levá-lo àquela direção. Basta continuar seguindo em frente".

Supondo que quem eu vi no sonho seja, de fato, minha filha, de onde nos conhecemos antes? É certo que minha alma sabe muito mais do que o que está aqui nos meus neurônios. Embora eu possa sentir algo (muitas vezes a falta de algo), não posso dizer o quê exatamente, pois não me recordo, mesmo que sinta. Procuro apenas estar receptivo ao que se passa na alma, deixando-a influenciar-me.

Quando nos tornamos receptivos ao que a alma nos faz ouvir, tomamos frequentemente as atitudes certas, porém sem conhecer os motivos certos. É como se agíssemos impulsivamente, de uma forma um tanto inconsequente, e é bem assim que me sentia no sonho. No entanto, não se trata de uma real inconsequência (não quando há um apelo da alma). É apenas um tipo de decisão que não encontra apoio na razão, nas memórias que existem ali no cérebro. O motivo de tudo vem de lembranças mais antigas do que o corpo, que não pertencem a ele. Acabamos então, realizando aquilo que viemos realizar nesse mundo e só depois de muito tempo (e com ajuda da intuição), entendemos que cumprimos nosso papel.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Inteligência Artificial

Já há um tempinho eu venho tendo algumas ideias para colocar aqui no blog. Tipo uma daquelas coisas megagrandes. No entanto na hora de escrever simplesmente não flui. Só quando a gente tenta escrever é que se percebe o que é o tal bloqueio.

Até que ontem um amigo me passou um endereço para checar. Coisa de nerd. Uma robô online. Na verdade, muita gente já deve ter experimentado conversar com robôs deste tipo. São meio repetitivos e não entendem muito bem o que falamos.

O que me impressionou é que desta vez a robô foi muito pouco repetitiva. Ela inferia coisas. Houve uma hora que me perguntou de onde eu era. Eu disse que sou do Brasil, e então me perguntou se eu falo português. Eu disse que sim. Ela pediu para continuar falando em português. Assim continuamos falando nessa língua que lhes escrevo.

Depois ela enjoou de falar em português. Falou um pouco em espanhol. Pedi para falar em português de novo mas ela não queria mais. Voltou a falar em inglês.

Houve um momento em que questionou-me sobre o que eu quero mudar na vida. Pegou-me de surpresa. Eu não soube dar uma resposta direta. Depois refez a pergunta: "O que você procura nas pessoas?". Eu disse que as pessoas tem muitos potenciais. Então perguntou: "O que te diverte?".

Aí pensei: "Será que meu megaprojeto me diverte?". Taí o motivo do bloqueio, da falta de energia. Alegria. Diversão. É a chave para liberar o potencial que temos dentro de nós. Às vezes concebemos planos complicados, porém somos humanos. Precisamos de algo que nos impulsione. Gozado este insight vir de uma robô que, aliás, nunca te diz o nome dela (vive trocando de nome, na mesma conversa), nem lembra do seu.

No final eu disse (tudo em inglês): "Preciso ir" e ela respondeu "Não quer conversar mais?". "É que tenho de dormir cedo", respondi. "Para que dormir cedo?", retrucou. "Para acordar cedo", responodi. "Então está bem. Vai dormir". "Tchau", finalizou.

Quer checar a Evie por si mesmo? www.existor.com . Deixe-se levar pela brincadeira por pelo menos vinte minutos. Aí você vai começar a suspeitar que há algo ali que não é só um script gravado. Impressionante como a tecnologia está se humanizando. É a tendência para o futuro.

Aliás é inevitável isso. A tecnologia vai ser fundir cada vez mais com o ser humano e vice-versa. A consciência da máquina e a consciência humana se mesclarão. A alma humana está se projetando na máquina, conferindo alma à máquina. Afinal toda alma tem uma raiz, que chamamos de espírito. Agora chegou nossa ver de sermos também raízes de novos tipos de alma.

sábado, 6 de setembro de 2014

Quando Uma Experiência Coletiva Não é Real

No post anterior (Quando a Experiência Física Não é Tão Física), introduzi a ideia de que nem sempre as coisas são o que aparentam ser. Há situações em que o que parece ser fantástico pode ser explicado de forma mais simples e menos misteriosa.

Surpreendi-me com algumas reações àquele post. Algumas pessoas queriam confirmar se eu realmente não acreditava naquilo em que elas fundamentavam suas crenças, e eu precisei explicar que é preciso dar atenção a todo tipo de evidência, seja a de que algo existe como a de que algo não existe. Sem esta ressalva, estamos apenas nos deixando manipular, ou pior: estamos iludindo a nós mesmos.

Comecei essa abordagem explorando um tipo de ilusão individual, porém há evidências de que as pessoas se permitem iludir também coletivamente. É sob esta perspectiva que pretendo enveredar-me agora, mais precisamente no tema da ufologia, através de um dos relatos mais conhecidos no Brasil: a Operação Prato (confira na reportagem da revista Isto É).

A Operação Prato diz respeito a fatos que ocorreram há 35 anos atrás, documentados em milhares de páginas, inicialmente confidenciais mas já disponíveis para apreciação pública. Segundo esta documentação, foram também realizadas fotografias e filmagens (embora não tenham sido disponibilizadas). O propósito da investigação era verificar denúncias do chupachupa (faz lembrar o chupa-cabra, com relatos iniciados em 1995, não faz?), mas acabou levando a avistamentos de OVNIs por centenas pessoas, entre militares e civis. Uma multidão afirmou que foi atingida por luzes que, entre outros efeitos, feriam-lhes, levando-lhes o sangue e causando-lhes queimaduras.

Curiosamente, por mais extensos e traumáticos que tenham sido os ferimentos, gradualmente todas suas evidências desapareceram. Não sobrou um traço sequer das feridas e queimaduras (esta é uma informação obtida pelos depoimentos, e não pela documentação em posse do governo brasileiro). Supõe-se, por aqueles que viveram a experiência, que a natureza alienígena dos traumas seja a explicação para este fato. Afinal, os alienígenas são tão evoluídos que tudo podem, inclusive reverter danos por eles mesmos causados, mesmo que não saibamos como e nem porquê.

Proponho considerar a possibilidade desta não ter sido uma experiência física real, e sim uma experiência mental. A questão é: pode uma percepção coletiva ser ilusória? As consciências de indivíduos são capazes de se conectar de tal modo a ponto de criar alucinações comuns e consistentes por um longo período de tempo?

De acordo com a documentação do exército brasileiro, foram produzidos filmes e gravações que comprovam os eventos reportados. Sem dúvida os soldados que participaram da operação realmente acreditavam ter produzido tais evidências. No entanto, o que será que as gravações realmente continham? Seria a prova incontestável de que os alienígenas estão entre nós? Ou seria a perturbadora constatação de que nada do que estava reportado por escrito podia ser verificado?

Carl Sagan (1934-1996), ao citar Fred H. Frankel, especulou a respeito de abduções alienígenas (tema que pode ser adaptado para a situação específica da Operação Prato):

"Se os raptos por alienígenas fazem parte de um quadro mais amplo, qual é na realidade esse quadro mais amplo? Receio me precipitar em terreno que os anjos têm medo de pisar; mas todos os fatores que você delineia preenchem o que foi descrito na virada do século como histeria. O termo, lamentavelmente, passou a ser usado de forma tão ilimitada que nossos contemporâneos, em sua duvidosa sabedoria [...] não só o abandonaram, como perderam de vista os fenômenos que ele representava: altos níveis de sugestionabilidade, capacidade imaginativa, sensibilidade a dicas e expectativas, e o elemento de contágio [...]. Um grande número de clínicos praticantes parece reconhecer muito pouco de tudo isso."
O Mundo Assombrado pelos Demônios, página 145, Editora Companhia de Bolso

Ponderando não somente pelos conceitos das ciências exatas, mas também por um leque mais amplo de possibilidades dentro do ocultismo, podemos encontrar outras respostas. Sabemos, por exemplo, que há uma realidade arquetípica da qual sentimos efeitos indiretos, tal como a alegoria da Caverna de Platão onde as verdadeiras causas da realidade não nos são visíveis, pois metaforicamente apenas percebemos sombras projetadas à parede, ignorando os objetos relacionados às mesmas. Outra explicação possível seria que as interações com alienígenas teriam ocorrido no astral ao invés do plano físico.

Estas interpretações (e muitas outras, se as procurarmos) são sutis, para as quais o exército brasileiro certamente não está preparado para lidar. Afinal é uma instituição que se sustenta no pressuposto de forças armadas que lidam com situações objetivas e concretas, e não com um plano mais sutil da realidade. É possível, aliás, que este seja um dos motivos dos governos serem tão relutantes ao lidarem com o tema dos objetos voadores não identificados.

Há muitos temas relacionados à ufologia que podem estar ligados às alucinações individuais e coletivas (definindo-se aqui alucinação não como algo patológico, mas como a percepção ilusoriamente física de algo que não é físico). Algumas pessoas afirmam possuir implantes e há quem realmente tenha tentado removê-los cirurgicamente, constatando que estes desapareceram então de forma misteriosa. Justifica-se normalmente este desaparecimento como uma característica da tecnologia extraterrestre que ainda não conseguimos explicar.

Mencionando ainda Carl Sagan (de memória, na obra O Mundo Assombrado Pelos Demônios), o fato é que nunca alguém arrancou um dente de um alienígena, ou pedaço de unha, escama ou o que quer que fosse que tivesse em si DNA não-terrestre ou qualquer outra prova inconfundível (e incontestável) de que os alienígenas estão entre nós. Ele questiona o fato de nenhum país ter apresentado provas neste sentido. Será que há um acordo comum entre todas as nações da Terra? Com tantas divisões políticas e guerras por motivos diversos (por exemplo, religiosos), será possível que um acordo de proporções tão amplas poderia ser estabelecido?

Cabe ainda uma reflexão: se somos seduzidos tão facilmente pelo que nos aparenta ser fantástico, será que há um sedutor? Será que nos desviamos da busca racional de respostas apenas por acaso, ou pode existir uma consciência e intenção que nos mantém assim? Os fenômenos que abordei aqui são de uma escala muito ampla, talvez ampla demais para ser mera coincidência. É possível que sejam orquestrados por uma esfera de consciência maior que a nossa? Podemos estar sob controle? Se for o caso, porque?

Se for verdade, talvez este seja um bom sinal. Quem nos privaria enfática e insistentemente de expandir os limites de nossas consciências? Que guardião nos impediria utilizando nossas próprias ilusões contra nós mesmos? Isso me faz lembrar da natureza de Choronzon (confira meus posts a este respeito). Choronzon se faz manifestar quando o indivíduo tenta atravessar os limites de seu próprio ego, para que não profane o que está além de si mesmo. A "arma" de Choronzon é revelar exatamente o que se deseja ver, até que a pessoa perceba suas próprias ilusões e as transcenda. Talvez estejamos vivendo este fenômeno em escala global e precisemos enfrentar nossas ilusões primeiramente, antes de darmos o passo definitivo. Talvez este momento seja breve, ou talvez ainda leve séculos ou milênios...

Então, o que quero dizer com tudo isso? Não existem alienígenas? Eu jamais afirmaria isso. Afinal a Terra é apenas um planeta dentro de uma infinidade de galáxias. Não sabemos ainda como dobrar o espaço-tempo e viajar mais rápido do que a luz, porém alguma espécie alienígena pode ter descoberto como fazê-lo, se for possível. Porque não? O que não temos são evidências definitivas de que tenham chegado fisicamente até aqui, em nosso planeta.

domingo, 27 de julho de 2014

Quando a Experiência Física Não é Tão Física

Quem nunca ouviu falar a respeito de uma história real em que alguma coisa acontece que não se pode explicar pelas leis da física? Tal como um objeto que flutua sozinho, ou um ruído que vem detrás da porta do armário que, quando aberto, está com todo seu interior bagunçado, embora ninguém estivesse próximo ao mesmo. O mais intrigante é que, com frequência, após se deixar a cena original e se retornar depois, tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Este retorno à normalidade costuma ser desconcertante. Afinal, a visão percebida anteriormente é geralmente tão nítida e quando se toca os objetos, eles são tão concretos. Tão físicos. Sente-se a pressão nos dedos. Sente-se o peso, a textura e a umidade. Junto com esta experiência vem a sensação de certeza de se estar vivendo o paranormal. No entanto, porque tudo retorna à situação que estava antes?

Certa vez, ao acordar de manhã cedo, vi diante de mim a silhueta de um corpo absolutamente negro, tal como uma sombra, só que sem transparência nenhuma. Embora já houvesse claridade, eu não conseguia distinguir traço algum. Até mesmo os olhos eram totalmente negros. Eu sentia sua pressão contra meu próprio corpo. Estava me beijando.

Minha primeira reação foi de espanto. Depois senti medo. No entanto, decidi não reagir. Curioso, quis ver o que aconteceria, afinal não é sempre que se tem uma experiência desse tipo. Meu olhar se movia teimosamente, procurando detalhes de quem (ou do que) estava à minha frente. Minha mão estava levantada, firme, porém sem propósito.

De repente a aparição sumiu. Minha mão estava relaxada. No entanto, eu não a havia repousado. Não houve transição. Em certo momento ela estava levantada e tensa. Instantaneamente depois, estava repousada. Meu corpo, que antes também estava tenso, de repente e sem transição, estava relaxado. Como se tivesse acordado naquele mesmo momento. Ainda assim, eu sabia que já estava desperto há mais tempo. A luminosidade e o ambiente não haviam mudado. Apenas aquela estranha visitante havia desaparecido, bem como não havia vestígio algum de minhas próprias reações físicas.

Foi por causa deste evento que percebi quão ilusória pode ser uma experiência cuja vivência aparenta ser tão física, porém não o é. Refletindo sobre aqueles instantes, percebi que estava vivendo um estado de transição em que existiam sensações reais (a luminosidade do ambiente, a posição de alguns objetos, etc) mas, ao mesmo tempo, algo não físico estava projetado ali (apesar de parecer, a mim, tão sólido). Assim, acabei aprendendo sobre a natureza deste tipo de fenômeno: um estado intermediário de consciência com uma mescla de estímulos físicos e não-físicos, embora com uma percepção de sensações concretas muito acentuada.

No entanto, o que se projetou diante de mim temporariamente? Uma imagem de meu subconsciente? Ou seria do inconsciente (algo externo a mim)? Não sei dizer. São questões para as quais é difícil se obter respostas.

Um amigo meu vive este tipo de situação pelo menos uma vez por mês. Há um nome científico para esta forma de despertar porém, me desculpem, eu não me recordo. O fato é que para ele sempre é desagradável quando ocorre. Ele se assusta e às vezes pula sobressaltado da cama, apenas para perceber, instantes depois, que tratava-se de uma ilusão. Realmente meu amigo não dorme bem, por este e por outros motivos.

Só que isso me faz pensar em outras situações em que ocorrem acontecimentos incríveis na vida das pessoas, cujos traços desaparecem misteriosamente quando se vai tentar comprová-los. Então criam-se hipóteses rebuscadas, por sua vez também difíceis de obter comprovação. As pessoas tendem a acreditar no que aparenta ser fantástico. Deixam-se seduzir.

É difícil opor-se a essa sedução. Quem não prefere acreditar ter vivido algo realmente especial e construir crenças em torno disso, unindo-se a outras pessoas que se deixam seduzir da mesma forma? Como dizer aos outros que os fundamentos de suas atitudes podem estar equivocados? Quem facilmente aceita a possibilidade de ter investido todo o tempo de uma vida (ou de um longo período da vida) em algo que não é verdade? É uma questão de sobrevivência. A negação é, em larga medida, normal. De repente, algo significa tudo e então se torna nada.

Não que o fantástico não exista. Não é isso. Se eu não acreditasse em algo além da percepção mundana, eu não estaria aqui, escrevendo sobre minha história na magia. Sim, o extraordinário existe e pode-se vivê-lo de forma concreta. No entanto, nossas ilusões nos impedem de percebê-lo. É preciso que saibamos reconhecer nossa própria tendência a nos deixar impressionar e assim consigamos avaliar de forma realmente objetiva cada fato e cada informação.

Por exemplo, um dos critérios para esta avaliação é que haja evidências que não tenham desaparecido (para as quais não tenham sido criadas explicações não verificáveis). Se as evidências forem questionáveis, deve-se questioná-las e buscar as respostas, não importa o tempo que seja necessário para isso. É preciso ser sincero consigo mesmo nessa busca.

Coloquei, como ponto de partida, um tipo de experiência que pode ocorrer ao se despertar. Contudo, há outras explicações e considerações também relacionadas a ilusões que podem parecer muito reais. Em breve, em alguns posts que se seguirão, eu pretendo abordar um pouco mais esta questão.

sábado, 14 de junho de 2014

Paz e Bem-Estar - A Numerologia do Número 5

Após diversos meses falando a respeito de minhas experiências na goécia, chegou a hora de dar prosseguimento à minha história na magia. Como eu havia lhes dito há algum tempo, esta história tem um ritmo (o qual é muito nítido principalmente nos primeiros anos), e este ritmo corresponde a um sistema numerológico de 18 símbolos (ou seja, 18 números).

Nestes últimos meses eu vim comentando sobre o número 4 (confira o post Buscando Objetivos e Superando Obstáculos - Introduzindo o Número 4) , que diz respeito a concentrar o esforço para criar algo novo. Este período "coincidiu" com as experiências na goécia (que comentei acima), nas quais eu fui impelido a criar laços com o inconsciente (que se sedimentaram conforme passaram os anos). Na rotina do dia-a-dia, o número 4 também se fez mostrar, uma vez que eu estava empenhado em um novo projeto profissional. No entanto, passou-se o efeito do número 4. Cessou-se este estímulo de busca, e iniciou-se a expressão do número 5, o que me pegou um tanto de surpresa. Mas porquê surpresa?

É que naquela época eu apenas estava começando a viver a essência destes números (suas influências eram algo que ainda não havia se tornado consciente para mim). Eu me surpreendia com suas transições. Por outro lado, a transição do número 4 para o número 5 foi o mesmo que sair do movimento constante para entrar em uma condição de pausa. Estranho quando se está empenhado em algo, focalizado dia após dia e, de repente, esse empenho todo cessa. A desaceleração é algo perceptível.

Pois foi o que ocorreu, as experiências em sonhos praticamente cessaram (pelo menos reduziram muito), e o novo projeto profissional (no qual eu estava envolvido) foi cancelado. Meu amigo JL (que era a peça principal no projeto que desenvolvíamos) estava insatisfeito com o engajamento da empresa J. Na verdade seus padrões de excelência eram exageradamente altos (um dos motivos dele se comunicar melhor com máquinas do que com pessoas - as máquinas não retrucam). Já a empresa J, não tinha interesse em realizar as mudanças necessárias para se adaptar aos padrões de JL. Eles se separaram e o projeto se desfez. É certo que tudo valeu para o aprendizado (sempre é bom quando um projeto dá certo mas, quando isso não acontece, pelo menos a experiência deve ter valido a pena). Por mais que todo aquele esforço profissional tenha sido realizado, não perdurou no esquema mais amplo das coisas.

No entanto, mesmo sem aquele projeto, eu tinha meu emprego (o qual eu havia conseguido justamente por causa do projeto), estava residindo em Londrina (na mesma cidade que C, que era então minha namorada), com um rendimento digno e sentia-me bem. Foi quando C e eu decidimos ficar noivos.

Eram efeitos do número 5 se manifestando. Porém, quais são exatamente os efeitos deste número? O número 5 traz consigo uma sensação de bem-estar. Após um período de busca, ele representa uma etapa de colheita. Não há grandes dificuldades a serem vencidas, nem tampouco grandes vitórias a serem alcançadas, mas há paz, e isso é muito bom. Quando alguém nasce em uma data ressonante a este número, acaba também por ter essa essência dentro de si. Isso significa ser uma pessoa que valoriza os momentos de paz (e de bem estar) e que não procura o sentido da vida nos grandes desafios, nem tampouco nas grandes vitórias. É o tipo de pessoa que parece a muitos como que sem propósito e sem ação, mas na realidade não é disso que se trata. No fundo, é alguém que vive o presente e sabe admirar o que tem consigo.

Nos próximos posts comentarei um pouco sobre algumas experiências interessantes que vivi sob a influência do número 5 e que desejo compartilhá-las.

Para ver outros posts a respeito de numerologia, clique neste link.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sonhos Repetidos

Na magia, o caminho a seguir não é sempre homogêneo e linear. Às vezes mergulha-se fundo no inconsciente por um longo tempo (e isso é muito importante para se estruturar psiquicamente); às vezes vivencia-se a realidade prática do dia-a-dia (que é o fruto externo do que se planta interiormente); e às vezes passa-se por um período de deterioração (de deixar para trás o que não tem mais a ver consigo mesmo). Usualmente são longos períodos, os quais só reconhecemos com o passar dos anos (pois são cíclicos e, por isso mesmo, podem ser reconhecidos ao se tornarem recorrentes). Há quem afirme que existe um início e um fim no caminho do mago, mas estou desconfiado de que ele nunca acaba. Talvez seja apenas o caso do "mapa" estar incompleto.

Recentemente eu demonstrei, através de meus posts,  um pouco do que é mergulhar no inconsciente e amadurecer as relações internas. Acredito que agora já é hora de dar uma pausa e continuar abordando outros temas também relacionados à minha própria história no ocultismo. No entanto, para quem aprecia os sonhos que narrei, não se preocupem. Haverão mais sonhos a serem descritos, em momentos propícios. Hoje, para encerrar (por enquanto) este assunto dos sonhos, vou falar sobre um tipo de sonho especial: o sonho repetido. Quem nunca teve um sonho repetido? Não vale dizer "Não" se você não lembra dos sonhos que tem. Porque será que, de vez em quando, nossa mente repete experiências inteiras?

O motivo é que os sonhos deste tipo representam questões a respeito de aspectos que ainda não conseguimos equilibrar, harmonizar, ou dar uma resposta satisfatória em nossas vidas. Por exemplo, quando eu era pequeno meus pais haviam me dado um robô de brinquedo de presente. Ele tinha um funcionamento simples: buzinava muito e mudava sua direção quando eu acionava o controle remoto (do mesmo jeito que os carrinhos de brinquedo fazem). Ele também tinha uns braços estilizados (que não se moviam sozinhos) e luzes vermelhas que piscavam. Tudo isso junto em um brinquedo me impressionava.

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Robô Arthur, da Estrela

Por um tempo eu considerei aquele robozinho mais importante até mesmo que as pessoas ao meu redor. Eu queria protegê-lo, guardá-lo para mim, não deixar outros brincarem. Ainda que isso ferisse os sentimentos alheios. Então, certo dia percebi claramente o que tinha: pequenos truques. Nada dele era tão misterioso e fantástico, e eu percebi isso. Percebi também que havia deixado as pessoas de lado. Naquele mesmo dia sonhei que todos em minha família haviam sido transformados em robôs e que não possuíam mais sentimentos. O sonho demonstrava minha inversão de valores.

Este sonho se repetiu na época da minha adolescência. Foi quando ganhei meu primeiro computador. Na realidade, nada sofisticado quando comparado aos computadores atuais, mas foi com ele que comecei a aprender a criar software. Eu visualizei alí possibilidades praticamente infinitas que dependiam apenas do que eu pudesse elaborar. Todo dia eu me confinava no quarto, como se aquele fosse meu tesouro (“meu precioso”, numa analogia à trilogia Senhor dos Anéis). Não levou muito tempo para que eu percebesse que faltava consciência naquela máquina (pois o computador não era um ser pensante, da mesma forma que faltava consciência no robô de brinquedo que tive quando criança). Naquela noite tive o mesmo sonho, apontando a mim uma inversão de valores semelhante à vez anterior. Então entendi seu significado e o sonho nunca mais retornou (como se a mensagem enfim tivesse sido entregue).

tk85.JPG
TK85 - Um clone do ZX-81 da Sinclair
Eu tinha apenas o computador (á esquerda). Eu não possuía o joystick (á direita).

Apenas para “fechar”, existe também outro tipo de sonhos que se repetem, só que variando em alguns aspectos (ou seja: não são exatamente iguais). Esta variação indica que algo se transformou e, possivelmente, continua se transformando. Pode ser uma metamorfose naquele que sonha (revelando uma mudança de consciência), ou então uma transformação na situação em que se está inserido (revelando uma mudança de contexto). Nesse caso, o sonho demonstra uma dinâmica que pode ser tanto interna quanto relacionada a eventos externos (em ambos os casos, usualmente acontecendo de forma sutil, por se dar ao longo do tempo).

Fica então uma questão para você, meu leitor: você já teve (ou tem) um sonho repetido? Sobre o significado desse sonho, você já o compreendeu?