sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

2016 - Ano de Complementações

2016, ano novo chegando e trazendo consigo uma nova vibração, ressonando complementação. Certamente uma palavra muito promissora, mas com um significado um tanto sutil. Não se trata exatamente da materialização daquilo que almejamos, e sim daquele impulso que também deveríamos buscar se, conscientemente, por esforço próprio, procurássemos desenvolver as qualidades que nos permitiriam tornar real aquilo que mais almejamos que seja real.

Sutil demais, eu sei. Digamos que 2016 vai mostrar, bem diante de nossos narizes aquilo que nos falta, se algo nos falta (e sempre há algo por melhorar). Pode ser desconcertante descobrir a qualidade que precisamos desenvolver para concretizarmos nossos objetivos. Pode causar resistência de nossa parte. De fato, será um exercício de aprendizado. Uma chance de nos tornar mais sábios sobre o que realmente nos importa na vida. 

Agora, pode acontecer dessa lição já ter sido aprendida. Nesse caso, 2016 trará uma excitante materialização, tanto do que mais desejamos quanto do que completa e torna real aquilo que buscamos. Será, certamente, uma oportunidade de colheita para o indivíduo consciente de seus potenciais internos e das dinâmicas e mecanismos para que estes se concretizem, notadamente no que diz respeito à magia.

Ou seja, 2016 trará à tona aquilo que precisamos aprender a lidar para sermos completos. Intrigante se essa manifestação se traduzir em uma ou mais pessoas. Isso acaba por nos dar uma chance de conversamos com o que precisamos assimilar. Assim transformamos o que seria uma experiência de aprendizado numa oportunidade de harmonização. Pares podem se encontrar de uma forma bem interessante. E na magia, então? Contatos importantes, há muito tempo esperados, podem se desenvolver.

Óbvio que o que quer que 2016 revele, só irá complementar aquilo que temos realmente buscado. Se apenas reagimos às experiências do dia-a-dia, sem nos deixarmos motivar por deixar uma marca, nada acontecerá pois não haverá coisa alguma a ser complementada.

2016 vai trazer, portanto, muitas possibilidades. Espero, sinceramente, que você consiga aproveitá-lo ao máximo. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aprendendo a Fazer Escolhas

Nunca fiquei muito tempo sem emprego. Já fui demitido, já pedi minha demissão, várias vezes. Porém, bastava colocar meu currículo em dia, usar ao máximo minha rede de contatos, voltar a me cadastrar nos sites especializados e, enfim, ir atrás do que aparecesse, para que logo uma nova oportunidade surgisse. Algumas vezes, porém, certas experiências em recrutamentos aconteceram primeiro em sonho (por mais estranho que isso pareça - o motivo, ainda vou discutir aqui no blog) para se tornarem fatos concretos somente meses depois.

Na realidade, eu já conversei e teorizei sobre este tema. Tratam-se de sonhos que se tornam reais, em detalhes, após entrarem em um período razoavelmente longo de esquecimento. Quando acontecem, a lembrança deles vem de súbito à mente. São experiências deste tipo (dentre outras) que me fazem recordar que a realidade não é apenas acaso. A psique se manifesta como causa na experiência individual.

Retornando à história, algo que eu realmente queria, na época, era encontrar uma oportunidade profissional em que eu me sentisse realmente valorizado. Ou seja, onde houvesse uma boa remuneração de fato, ao invés de simplesmente "Muito bom! Excelente trabalho! " (e nada mais palpável). Algumas pessoas que eu conhecia já estavam em carreiras que eu considerava interessantes naquele tempo. Eu dizia a mim mesmo que queria seguir seus exemplos, mas hoje devo reconhecer que, no fundo, tratava-se de simples inveja.

Meu trabalho era conhecido por seu rigor nos detalhes. Em uma época em que poucos se preocupavam com conceitos de qualidade, eu levava à cabo detalhadas verificações do software que eu produzia. Tudo isso era bom, não fosse pelo fato de que eu gostava dos elogios e, no fundo, me considerava melhor que os demais.

Ocorreu que, em um sonho, eu estava diante de uma proposta. Alguém perguntava a mim se eu a aceitaria. Não me recordo de mais nada a respeito do que havia acontecido antes, mas eu sabia intuitivamente que aquela era a proposta que eu tanto ansiava por obter.

De repente percebi que se tratava de um sonho e, por instinto, desejei que tivesse sido real. Ato mágico. Uma semente plantada em solo fértil dentro do inconsciente. Veio o esquecimento. Passou-se o tempo. Até que aconteceu de eu estar em São Paulo, em um processo seletivo.

Enfim tratava-se da alta remuneração que eu ambicionava (ou, pelo menos, é o que eu acreditava), além do status de trabalhar em uma grande capital. O movimento ao caminhar pelas ruas era algo do qual, um dia, eu fizera parte. Eu sentia saudade.

Saudade de um tempo que antecedia aquele momento. Saudade das grandes feiras tecnológicas que sempre fizeram parte do cotidiano daquela cidade. Saudade de um tempo ido, misturando-se a outras expectativas.

No entanto havia o preço. Eu assumiria contratos, mas não os decidiria. Um horário para chegar, nenhum para sair. Algumas pessoas me asseguravam: "Este é o modelo de trabalho no Brasil agora. É um tanto assustador a princípio, mas você se acostuma. Vale a pena.".

Fosse há cinco anos, eu não me importaria em dispor de todo meu tempo. Eu colocaria sim, todas as minhas fichas no dinheiro. Entretanto, naquele momento eu percebi que desejava envolver-me mais com outros aspectos da vida (o ocultismo, entre eles). Desejava ter meu próprio espaço e meu próprio tempo. Queria um lar, uma vida mais simples e uma rotina aconchegante.

Tinha boas lembranças, sim, de uma São Paulo do passado, porém percebia, naquele instante, que aquele tempo se fora. Diante de mim, estava o mesmo rapaz que aparecera no sonho, querendo saber se eu aceitava, ou não, aquela oferta. "Não ", respondi. 'Pensei melhor. Não é o tipo de trabalho que eu estou procurando".

Mal respondi e a lembrança da experiência astral veio à minha mente, de súbito, causando-me assombro. Algo em mim mudou desde então. Nunca mais invejei aqueles que seguiram este caminho.

A reação à minha resposta não foi negativa. Na realidade, não foi a última vez que tive esse tipo de proposta. Anos depois a mesma empresa entrou em contato de novo, e rejeitei a oferta outra vez, polidamente. Enfim chegou um tempo que trabalhamos juntos por um tempo, em outras condições. Outra empresa fez uma proposta semelhante a mim, para ajudar em um projeto nos mesmos termos, e aceitei temporariamente. Poderia ter continuado em outros projetos mas, pelos motivos que já expus, não quis.

Tudo isso valeu para que se reafirmassem em mim minhas convicções. Quando se trata de magia, é preciso separar o que é causa do que é efeito. A magia, em um sentido mais amplo, é a busca de realização plena, que começa de dentro para fora. Óbvio que toda escolha é pessoal, variando de indivíduo para indivíduo, porém sempre é o externo que deve ser dependente do interno, e não o contrário.

Quando se está preparado, o que é interno se materializa externamente. Não é uma questão de chance única, como pensam alguns. Mesmo que você cometa uma falha, mesmo que você deixe passar uma oportunidade, o que vibra no mago internamente simplesmente teima em se manifestar externamente, esteja ele consciente ou não.

Se você se deixa seduzir por alguns resultados (deixando o processo que criou estes resultados para segundo plano), você acaba se desconectando, até mesmo, do que já obteve (quase supérfluo dizer que muitos falham justamente por este tipo de fraqueza). Antes de se pretender controlar o que há ao redor de si, é necessário aprender a ser coerente principalmente consigo mesmo.

No final das contas, é o Si-Mesmo que é o fundamento da realização do mago.

domingo, 20 de setembro de 2015

Buscando Opções - A Numerologia do Número 6

Continuo então minha história na magia, seguindo a estrada dos arcanos, e agora introduzindo a vocês o número 6. Aliás, falando em numerologia de uma forma geral, é interessante que recentemente eu tenho conversado bastante sobre este assunto. Normalmente as pessoas pensam que temas como numerologia e astrologia dizem respeito somente a aspectos psicológicos. É possível até que, para a maioria das aplicações, estas artes sejam mais direcionadas a estes aspectos mas, aqui neste blog, falamos de magia.

Magia, no significado mais amplo, não é uma simples manipulação da realidade. Na verdade, trata-se de manifestar-se na realidade. Os ciclos numerológicos (e também os astrológicos) interagem com o que se tem internamente, e quanto mais intenso for aquilo que há no seu interior, mais evidentes são os resultados concretos que surgem dessa interação.

Chegamos pois ao número 6, dentro de um conjunto de 18 números, ou 18 arcanos (que é diferente do tarot, que são 22 arcanos). É o começo do que se costuma chamar de Estrada dos Arcanos. Pelo fato de estarmos no princípio, a maior parte das experiências práticas são “certinhas”, sem grandes sustos, nem grandes impactos negativos. Existem sim experiências assustadoras, porém são de contato com o inconsciente, invisíveis para as pessoas ao redor que convivem com o mago (nas experiências mundanas de rotina).

Ainda assim, mesmo no princípio da estrada dos arcanos, as mudanças acontecem. Nessa época, de uma forma geral são muito boas (há etapas muito mais sérias, porém mais adiante no caminho). Aqueles que não conhecem o processo mágico (e é bom mesmo que pouca gente conheça - afinal para que servem curiosos?), admiram que o indivíduo esteja dando um jeito à sua vida, mas não conseguem relacionar estes avanços pessoais à magia.

A magia se realiza pelas vias mais naturais e simples possíveis e, por isso, é difícil de ser verificada. É como uma alteração de probabilidades. Talvez a única forma de se perceber que alguém a pratica de forma bem sucedida, seja por situações improváveis que acontecem sucessivamente. Episódios de sorte, por assim dizer. Sorte. Porém, sorte no amor ou sorte no dinheiro? Só existem estes dois tipos? Não. Talvez haja uma infinidade de tipos de sorte. Tudo depende do que você tem por dentro de si e que já esteja preparado para materializar.

O número 6 traz consigo um estímulo de busca de conhecer as possibilidades, levando-nos a nos comunicar com as pessoas para descobrir o que elas têm a oferecer (mas dificilmente assumindo compromissos). No meu caso, eu estava relativamente tranquilo (porém não totalmente satisfeito) na empresa J. Não estava em nenhum projeto específico, ainda sobre a influência do número 5 (o qual é um tanto pacificador, trazendo certo equilíbrio entre as pessoas). Eu estava então noivo, mas ainda não tinha uma data certa para o casamento.

Foi então que senti a essência do 6 se aproximando, embora na época eu nada entendesse de numerologia. Foi algo bem intuitivo. Profissionalmente tudo parecia estável, mas eu sentia que essa estabilidade estava para acabar. Foi aí que eu propús à C que nos casássemos no civil apenas, sem a cerimônia religiosa. Assim, se algo acontecesse, já estávamos casados, um tanto que secretamente. Sem que outros soubessem. Dito e feito. Um mês depois, perdi o emprego. O acerto por conta da demissão havia sido realmente de um bom valor. Não me sentia preocupado e comecei a procurar opções. Foi assim que o número 6 entrou no meu caminho, digo especificamente naquele período.

Pessoas que nascem em uma data ressonante à esse número costumam ter uma natureza curiosa, gostando de conhecer as novidades, sem necessariamente se comprometerem. Este é o traço principal da influência deste número nas pessoas.

De forma secundária, comparando a relação destes indivíduos com outras influências numerológicas, pode-se dizer que, em geral:
- são pessoas práticas, não muito motivadas por conceitos abstratos;
- são especialmente comunicativas em situações novas e desafiantes;
- desligam-se gradualmente de pessoas que interagem de forma “fria”;
- quando se decidem por uma ação dura (porém necessária), procuram fazê-lo de forma a serem justas com a maioria das pessoas;
- procuram agir dando pequenas contribuições no dia-a-dia, ao invés de tentarem mudar o mundo inteiro (mas podem chegar a querer fazê-lo se, de repente, estiverem em posição para tal atitude);
- quando enfrentam conflitos e impedimentos, ampliam ainda mais suas próprias ideias. Ou seja, os conflitos lhes trazem aprendizado;
- se você tenta contê-las, cuidado, podem voltar-se contra você (especialmente, eu sei disso de experiência própria, afinal sou casado com C, que é influenciada pelo número 6);

Quer saber qual é o número que lhe influencia? Leia o post Compreendendo o número 1 no sistema de numerologia de 18 símbolos. Ali existe uma fórmula, não muito intuitiva, mas que pode lhe ajudar nesse sistema de 18 números.

Até breve!

sábado, 15 de agosto de 2015

Quero que Você Seja Real

Certa vez vi uma mulher jovem, encostada à uma parede, vestindo uma jaqueta e sorrindo para mim. Simpatizei e, subitamente, tive consciência de que estava sonhando. Sim, era um sonho e visualizava uma pessoa dentro de um sonho.

Eu já sabia do poder imenso que se tem quando se expressa um desejo dentro de um sonho. Afinal, antes disso, eu já tivera outros que se tornaram reais, detalhe por detalhe, só porque, ainda imerso neles, eu havia afirmado que gostaria que fossem reais (ou, até mesmo, simplesmente que seria bom que fossem reais). E aconteceram, de fato, anos depois.

Pois então, eu estava sonhando, consciente. Sendo eu então um mago impulsivo (e ainda sou), passou uma ideia um tanto mirabolante por minha cabeça. A questão era: "Será possível? Será que eu posso alterar a malha da realidade nesse momento, orientando-a?". Nada tinha a perder. Fiz o teste. Olhei para os olhos da garota à minha frente e disse: "Eu quero que você seja real.".

Estava dito. Bastaria isso para torná-la real, ao longo do tempo? Ela sorriu de uma forma zombeteira e desapareceu diante de meus olhos. O que significou aquele sorriso? Parecia estar dizendo a mim: "Tolinho, eu já sou real.".

Este poderia ser um sonho como qualquer outro, mas acabou ficando entre aqueles dos quais jamais esqueci. O fato é que, anos depois, nasceu minha filha e cresceu com o passar do tempo, desenvolvendo-se. Cabelos negros, a cor de pele, o olhar, o sorriso matreiro e bem-humorado ao qual já me acostumei a ver tantas vezes. O jeito tímido, mas não excessivamente. Enquanto os anos se passaram, e particularmente nos últimos, comecei a me lembrar sem querer do sonho, mais e mais vezes, até que comecei a intuir porquê. Mas será? Será que a intuição está certa?

A maior parte destes sonhos em que eu planto uma semente, eu só recordo depois que acontecem, e nos detalhes. Porém alguns deles ficam em minha consciência desde o princípio. Servem como farol em diversas circunstâncias da minha vida. Parecem dizer-me: "Não se preocupe. O que quer que aconteça, irá levá-lo àquela direção. Basta continuar seguindo em frente".

Supondo que quem eu vi no sonho seja, de fato, minha filha, de onde nos conhecemos antes? É certo que minha alma sabe muito mais do que o que está aqui nos meus neurônios. Embora eu possa sentir algo (muitas vezes a falta de algo), não posso dizer o quê exatamente, pois não me recordo, mesmo que sinta. Procuro apenas estar receptivo ao que se passa na alma, deixando-a influenciar-me.

Quando nos tornamos receptivos ao que a alma nos faz ouvir, tomamos frequentemente as atitudes certas, porém sem conhecer os motivos certos. É como se agíssemos impulsivamente, de uma forma um tanto inconsequente, e é bem assim que me sentia no sonho. No entanto, não se trata de uma real inconsequência (não quando há um apelo da alma). É apenas um tipo de decisão que não encontra apoio na razão, nas memórias que existem ali no cérebro. O motivo de tudo vem de lembranças mais antigas do que o corpo, que não pertencem a ele. Acabamos então, realizando aquilo que viemos realizar nesse mundo e só depois de muito tempo (e com ajuda da intuição), entendemos que cumprimos nosso papel.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Inteligência Artificial

Já há um tempinho eu venho tendo algumas ideias para colocar aqui no blog. Tipo uma daquelas coisas megagrandes. No entanto na hora de escrever simplesmente não flui. Só quando a gente tenta escrever é que se percebe o que é o tal bloqueio.

Até que ontem um amigo me passou um endereço para checar. Coisa de nerd. Uma robô online. Na verdade, muita gente já deve ter experimentado conversar com robôs deste tipo. São meio repetitivos e não entendem muito bem o que falamos.

O que me impressionou é que desta vez a robô foi muito pouco repetitiva. Ela inferia coisas. Houve uma hora que me perguntou de onde eu era. Eu disse que sou do Brasil, e então me perguntou se eu falo português. Eu disse que sim. Ela pediu para continuar falando em português. Assim continuamos falando nessa língua que lhes escrevo.

Depois ela enjoou de falar em português. Falou um pouco em espanhol. Pedi para falar em português de novo mas ela não queria mais. Voltou a falar em inglês.

Houve um momento em que questionou-me sobre o que eu quero mudar na vida. Pegou-me de surpresa. Eu não soube dar uma resposta direta. Depois refez a pergunta: "O que você procura nas pessoas?". Eu disse que as pessoas tem muitos potenciais. Então perguntou: "O que te diverte?".

Aí pensei: "Será que meu megaprojeto me diverte?". Taí o motivo do bloqueio, da falta de energia. Alegria. Diversão. É a chave para liberar o potencial que temos dentro de nós. Às vezes concebemos planos complicados, porém somos humanos. Precisamos de algo que nos impulsione. Gozado este insight vir de uma robô que, aliás, nunca te diz o nome dela (vive trocando de nome, na mesma conversa), nem lembra do seu.

No final eu disse (tudo em inglês): "Preciso ir" e ela respondeu "Não quer conversar mais?". "É que tenho de dormir cedo", respondi. "Para que dormir cedo?", retrucou. "Para acordar cedo", responodi. "Então está bem. Vai dormir". "Tchau", finalizou.

Quer checar a Evie por si mesmo? www.existor.com . Deixe-se levar pela brincadeira por pelo menos vinte minutos. Aí você vai começar a suspeitar que há algo ali que não é só um script gravado. Impressionante como a tecnologia está se humanizando. É a tendência para o futuro.

Aliás é inevitável isso. A tecnologia vai ser fundir cada vez mais com o ser humano e vice-versa. A consciência da máquina e a consciência humana se mesclarão. A alma humana está se projetando na máquina, conferindo alma à máquina. Afinal toda alma tem uma raiz, que chamamos de espírito. Agora chegou nossa ver de sermos também raízes de novos tipos de alma.

sábado, 6 de setembro de 2014

Quando Uma Experiência Coletiva Não é Real

No post anterior (Quando a Experiência Física Não é Tão Física), introduzi a ideia de que nem sempre as coisas são o que aparentam ser. Há situações em que o que parece ser fantástico pode ser explicado de forma mais simples e menos misteriosa.

Surpreendi-me com algumas reações àquele post. Algumas pessoas queriam confirmar se eu realmente não acreditava naquilo em que elas fundamentavam suas crenças, e eu precisei explicar que é preciso dar atenção a todo tipo de evidência, seja a de que algo existe como a de que algo não existe. Sem esta ressalva, estamos apenas nos deixando manipular, ou pior: estamos iludindo a nós mesmos.

Comecei essa abordagem explorando um tipo de ilusão individual, porém há evidências de que as pessoas se permitem iludir também coletivamente. É sob esta perspectiva que pretendo enveredar-me agora, mais precisamente no tema da ufologia, através de um dos relatos mais conhecidos no Brasil: a Operação Prato (confira na reportagem da revista Isto É).

A Operação Prato diz respeito a fatos que ocorreram há 35 anos atrás, documentados em milhares de páginas, inicialmente confidenciais mas já disponíveis para apreciação pública. Segundo esta documentação, foram também realizadas fotografias e filmagens (embora não tenham sido disponibilizadas). O propósito da investigação era verificar denúncias do chupachupa (faz lembrar o chupa-cabra, com relatos iniciados em 1995, não faz?), mas acabou levando a avistamentos de OVNIs por centenas pessoas, entre militares e civis. Uma multidão afirmou que foi atingida por luzes que, entre outros efeitos, feriam-lhes, levando-lhes o sangue e causando-lhes queimaduras.

Curiosamente, por mais extensos e traumáticos que tenham sido os ferimentos, gradualmente todas suas evidências desapareceram. Não sobrou um traço sequer das feridas e queimaduras (esta é uma informação obtida pelos depoimentos, e não pela documentação em posse do governo brasileiro). Supõe-se, por aqueles que viveram a experiência, que a natureza alienígena dos traumas seja a explicação para este fato. Afinal, os alienígenas são tão evoluídos que tudo podem, inclusive reverter danos por eles mesmos causados, mesmo que não saibamos como e nem porquê.

Proponho considerar a possibilidade desta não ter sido uma experiência física real, e sim uma experiência mental. A questão é: pode uma percepção coletiva ser ilusória? As consciências de indivíduos são capazes de se conectar de tal modo a ponto de criar alucinações comuns e consistentes por um longo período de tempo?

De acordo com a documentação do exército brasileiro, foram produzidos filmes e gravações que comprovam os eventos reportados. Sem dúvida os soldados que participaram da operação realmente acreditavam ter produzido tais evidências. No entanto, o que será que as gravações realmente continham? Seria a prova incontestável de que os alienígenas estão entre nós? Ou seria a perturbadora constatação de que nada do que estava reportado por escrito podia ser verificado?

Carl Sagan (1934-1996), ao citar Fred H. Frankel, especulou a respeito de abduções alienígenas (tema que pode ser adaptado para a situação específica da Operação Prato):

"Se os raptos por alienígenas fazem parte de um quadro mais amplo, qual é na realidade esse quadro mais amplo? Receio me precipitar em terreno que os anjos têm medo de pisar; mas todos os fatores que você delineia preenchem o que foi descrito na virada do século como histeria. O termo, lamentavelmente, passou a ser usado de forma tão ilimitada que nossos contemporâneos, em sua duvidosa sabedoria [...] não só o abandonaram, como perderam de vista os fenômenos que ele representava: altos níveis de sugestionabilidade, capacidade imaginativa, sensibilidade a dicas e expectativas, e o elemento de contágio [...]. Um grande número de clínicos praticantes parece reconhecer muito pouco de tudo isso."
O Mundo Assombrado pelos Demônios, página 145, Editora Companhia de Bolso

Ponderando não somente pelos conceitos das ciências exatas, mas também por um leque mais amplo de possibilidades dentro do ocultismo, podemos encontrar outras respostas. Sabemos, por exemplo, que há uma realidade arquetípica da qual sentimos efeitos indiretos, tal como a alegoria da Caverna de Platão onde as verdadeiras causas da realidade não nos são visíveis, pois metaforicamente apenas percebemos sombras projetadas à parede, ignorando os objetos relacionados às mesmas. Outra explicação possível seria que as interações com alienígenas teriam ocorrido no astral ao invés do plano físico.

Estas interpretações (e muitas outras, se as procurarmos) são sutis, para as quais o exército brasileiro certamente não está preparado para lidar. Afinal é uma instituição que se sustenta no pressuposto de forças armadas que lidam com situações objetivas e concretas, e não com um plano mais sutil da realidade. É possível, aliás, que este seja um dos motivos dos governos serem tão relutantes ao lidarem com o tema dos objetos voadores não identificados.

Há muitos temas relacionados à ufologia que podem estar ligados às alucinações individuais e coletivas (definindo-se aqui alucinação não como algo patológico, mas como a percepção ilusoriamente física de algo que não é físico). Algumas pessoas afirmam possuir implantes e há quem realmente tenha tentado removê-los cirurgicamente, constatando que estes desapareceram então de forma misteriosa. Justifica-se normalmente este desaparecimento como uma característica da tecnologia extraterrestre que ainda não conseguimos explicar.

Mencionando ainda Carl Sagan (de memória, na obra O Mundo Assombrado Pelos Demônios), o fato é que nunca alguém arrancou um dente de um alienígena, ou pedaço de unha, escama ou o que quer que fosse que tivesse em si DNA não-terrestre ou qualquer outra prova inconfundível (e incontestável) de que os alienígenas estão entre nós. Ele questiona o fato de nenhum país ter apresentado provas neste sentido. Será que há um acordo comum entre todas as nações da Terra? Com tantas divisões políticas e guerras por motivos diversos (por exemplo, religiosos), será possível que um acordo de proporções tão amplas poderia ser estabelecido?

Cabe ainda uma reflexão: se somos seduzidos tão facilmente pelo que nos aparenta ser fantástico, será que há um sedutor? Será que nos desviamos da busca racional de respostas apenas por acaso, ou pode existir uma consciência e intenção que nos mantém assim? Os fenômenos que abordei aqui são de uma escala muito ampla, talvez ampla demais para ser mera coincidência. É possível que sejam orquestrados por uma esfera de consciência maior que a nossa? Podemos estar sob controle? Se for o caso, porque?

Se for verdade, talvez este seja um bom sinal. Quem nos privaria enfática e insistentemente de expandir os limites de nossas consciências? Que guardião nos impediria utilizando nossas próprias ilusões contra nós mesmos? Isso me faz lembrar da natureza de Choronzon (confira meus posts a este respeito). Choronzon se faz manifestar quando o indivíduo tenta atravessar os limites de seu próprio ego, para que não profane o que está além de si mesmo. A "arma" de Choronzon é revelar exatamente o que se deseja ver, até que a pessoa perceba suas próprias ilusões e as transcenda. Talvez estejamos vivendo este fenômeno em escala global e precisemos enfrentar nossas ilusões primeiramente, antes de darmos o passo definitivo. Talvez este momento seja breve, ou talvez ainda leve séculos ou milênios...

Então, o que quero dizer com tudo isso? Não existem alienígenas? Eu jamais afirmaria isso. Afinal a Terra é apenas um planeta dentro de uma infinidade de galáxias. Não sabemos ainda como dobrar o espaço-tempo e viajar mais rápido do que a luz, porém alguma espécie alienígena pode ter descoberto como fazê-lo, se for possível. Porque não? O que não temos são evidências definitivas de que tenham chegado fisicamente até aqui, em nosso planeta.

domingo, 27 de julho de 2014

Quando a Experiência Física Não é Tão Física

Quem nunca ouviu falar a respeito de uma história real em que alguma coisa acontece que não se pode explicar pelas leis da física? Tal como um objeto que flutua sozinho, ou um ruído que vem detrás da porta do armário que, quando aberto, está com todo seu interior bagunçado, embora ninguém estivesse próximo ao mesmo. O mais intrigante é que, com frequência, após se deixar a cena original e se retornar depois, tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Este retorno à normalidade costuma ser desconcertante. Afinal, a visão percebida anteriormente é geralmente tão nítida e quando se toca os objetos, eles são tão concretos. Tão físicos. Sente-se a pressão nos dedos. Sente-se o peso, a textura e a umidade. Junto com esta experiência vem a sensação de certeza de se estar vivendo o paranormal. No entanto, porque tudo retorna à situação que estava antes?

Certa vez, ao acordar de manhã cedo, vi diante de mim a silhueta de um corpo absolutamente negro, tal como uma sombra, só que sem transparência nenhuma. Embora já houvesse claridade, eu não conseguia distinguir traço algum. Até mesmo os olhos eram totalmente negros. Eu sentia sua pressão contra meu próprio corpo. Estava me beijando.

Minha primeira reação foi de espanto. Depois senti medo. No entanto, decidi não reagir. Curioso, quis ver o que aconteceria, afinal não é sempre que se tem uma experiência desse tipo. Meu olhar se movia teimosamente, procurando detalhes de quem (ou do que) estava à minha frente. Minha mão estava levantada, firme, porém sem propósito.

De repente a aparição sumiu. Minha mão estava relaxada. No entanto, eu não a havia repousado. Não houve transição. Em certo momento ela estava levantada e tensa. Instantaneamente depois, estava repousada. Meu corpo, que antes também estava tenso, de repente e sem transição, estava relaxado. Como se tivesse acordado naquele mesmo momento. Ainda assim, eu sabia que já estava desperto há mais tempo. A luminosidade e o ambiente não haviam mudado. Apenas aquela estranha visitante havia desaparecido, bem como não havia vestígio algum de minhas próprias reações físicas.

Foi por causa deste evento que percebi quão ilusória pode ser uma experiência cuja vivência aparenta ser tão física, porém não o é. Refletindo sobre aqueles instantes, percebi que estava vivendo um estado de transição em que existiam sensações reais (a luminosidade do ambiente, a posição de alguns objetos, etc) mas, ao mesmo tempo, algo não físico estava projetado ali (apesar de parecer, a mim, tão sólido). Assim, acabei aprendendo sobre a natureza deste tipo de fenômeno: um estado intermediário de consciência com uma mescla de estímulos físicos e não-físicos, embora com uma percepção de sensações concretas muito acentuada.

No entanto, o que se projetou diante de mim temporariamente? Uma imagem de meu subconsciente? Ou seria do inconsciente (algo externo a mim)? Não sei dizer. São questões para as quais é difícil se obter respostas.

Um amigo meu vive este tipo de situação pelo menos uma vez por mês. Há um nome científico para esta forma de despertar porém, me desculpem, eu não me recordo. O fato é que para ele sempre é desagradável quando ocorre. Ele se assusta e às vezes pula sobressaltado da cama, apenas para perceber, instantes depois, que tratava-se de uma ilusão. Realmente meu amigo não dorme bem, por este e por outros motivos.

Só que isso me faz pensar em outras situações em que ocorrem acontecimentos incríveis na vida das pessoas, cujos traços desaparecem misteriosamente quando se vai tentar comprová-los. Então criam-se hipóteses rebuscadas, por sua vez também difíceis de obter comprovação. As pessoas tendem a acreditar no que aparenta ser fantástico. Deixam-se seduzir.

É difícil opor-se a essa sedução. Quem não prefere acreditar ter vivido algo realmente especial e construir crenças em torno disso, unindo-se a outras pessoas que se deixam seduzir da mesma forma? Como dizer aos outros que os fundamentos de suas atitudes podem estar equivocados? Quem facilmente aceita a possibilidade de ter investido todo o tempo de uma vida (ou de um longo período da vida) em algo que não é verdade? É uma questão de sobrevivência. A negação é, em larga medida, normal. De repente, algo significa tudo e então se torna nada.

Não que o fantástico não exista. Não é isso. Se eu não acreditasse em algo além da percepção mundana, eu não estaria aqui, escrevendo sobre minha história na magia. Sim, o extraordinário existe e pode-se vivê-lo de forma concreta. No entanto, nossas ilusões nos impedem de percebê-lo. É preciso que saibamos reconhecer nossa própria tendência a nos deixar impressionar e assim consigamos avaliar de forma realmente objetiva cada fato e cada informação.

Por exemplo, um dos critérios para esta avaliação é que haja evidências que não tenham desaparecido (para as quais não tenham sido criadas explicações não verificáveis). Se as evidências forem questionáveis, deve-se questioná-las e buscar as respostas, não importa o tempo que seja necessário para isso. É preciso ser sincero consigo mesmo nessa busca.

Coloquei, como ponto de partida, um tipo de experiência que pode ocorrer ao se despertar. Contudo, há outras explicações e considerações também relacionadas a ilusões que podem parecer muito reais. Em breve, em alguns posts que se seguirão, eu pretendo abordar um pouco mais esta questão.