sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Transições - Concluindo a Interpretação do Número 3

No post anterior (Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências) eu expus como plantei uma semente dentro de um sonho, a qual iria me levar a encontrar AS (uma pessoa sobre a qual eu nada sabia, exceto o nome) através de mudanças em minha carreira profissional. Agora pretendo dar continuidade aos eventos que se seguiram àquela experiência (causados pela mesma, pois sem os quais não se concretizaria).

Eu começava a namorar com C (veja o post Primeiros Passos no Amor) e já estava diante de um obstáculo no que dizia respeito a este meu relacionamento: C estava apenas de licença em Curitiba, na casa de uma amiga, e logo teria que retornar para trabalhar em Londrina. Como eu trabalhava em Curitiba, isso significava que nos veríamos com uma frequência muito pequena (o que não era algo que eu desejava). Recebi, então, um telefonema da empresa J (a qual eu havia deixado havia mais de dois anos) e tive uma esperança de que se tratasse de uma nova oferta de trabalho (pois se situava em Londrina), mesmo sabendo que havia saído de lá justamente pela falta de perspectivas profissionais.

Mas não era disso que se tratava. Na realidade a empresa J passava por um desafio comum a grande parte das empresas do mundo naquele período (no início desse século). Eles possuíam um sistema informatizado (um software aplicativo de alta complexidade) que atendia aos mais diversos setores de empresas de médio e grande porte. Ocorria que havia sido projetado e construído na época em que não existiam monitores gráficos. Todos os caracteres tinham o mesmo tamanho, ocupando uma grade de 80 colunas por 25 linhas. O desafio que aquela empresa experimentava naquele momento era transformar esse software em outro novo, só que desta vez utilizando uma interface gráfica (o Windows), com caracteres de tamanho variável, com imagens, botões para se clicar, etc. Mas não era a intenção deles chamar a mim para este trabalho, afinal eu não tinha experiência em uma conversão deste porte. Eles queriam que eu indicasse alguém.

Eu não conhecia ninguém que possuísse a experiência que eles desejavam (e eu relatei isso a eles), mas eu tinha um conhecido cujo nome era JL. Ele simplesmente era a melhor referência técnica para desenvolver sistemas com quem eu já travei contato pessoalmente. Era do tipo que era capaz de fazer “mágica” no que diz respeito a software, pois o que criava causava uma admiração espantosa em mim e em outros por seus resultados. Como eu tinha um grande conceito por JL e gostaria que meus amigos o conhececem, eu propus a eles que se encontrassem e trocassem ideias. As pessoas da empresa J concordaram e mais tarde JL aceitou e viajou para Londrina (ele também residia em Curitiba).

Dias depois a empresa J entrou em contato por telefone. Haviam gostado de JL, porém estavam inseguros. O fato é que JL tem um QI de 135 e é muito difícil ganhar dele em uma discussão (digo, o tipo de discussão produtiva). Qualquer desentendimento se assemelhava a um jogo de xadrez em que você perde, no máximo, em dois minutos, não passando de alguns poucos lances ao todo. Eles queriam alguém junto a eles para intermediar com JL e confiavam em mim para isso. Ofereceram-me um emprego para que pudesse ajudar no início e depois na continuidade desse novo projeto. É claro que esta era apenas a perspectiva daquele momento (o destino ainda daria muitas voltas), mas estava assegurado que eu poderia pedir demissão do emprego que tinha até então e começar a trabalhar na empresa J após o aviso prévio, se eu assim desejasse. E eu aceitei a proposta.

Chego agora ao ponto em que eu já posso concluir a descrição do número 3 no sistema numerológico de 18 símbolos. Como eu havia colocado no post A Deterioração e sua Relação com o Número 3, este número marca um período em que relações obsoletas são gradualmente desfeitas, até que começa a surgir um núcleo sólido, o qual serve como uma base para o que se seguirá daí então. Na história pessoal que venho contando, esta deterioração não foi exatamente gradual (pois há uma certa diferença entre a influência numerológica e a reação individual à mesma), tendo se manifestado de uma forma intensa em meu encontro com Choronzon (siga este link para os posts relacionados a esta experiência). Já no que diz respeito às bases sólidas que surgiram, foram diversas: o nome “O Mestre Que Nada Sabe” (o qual pode ser considerado como uma referência para o que se seguiria no meu caminho na magia), o princípio da vida amorosa, e enfim um novo rumo profissional surgindo (eu relacionei links sobre estes temas no post anterior: Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências).

A descrição do número 3 foi densa e, justamente por isso, demorou bastante tempo. Mas este blog não conterá exatamente um minicurso de numerologia baseado apenas em informações resumidas. Eu pretendo passar aqui a experiência da forma que eu a vivi para que o leitor possa entendê-la e, assim, compreender com mais profundidade a essência de cada número.

No próximo post, eu irei começar a descrever o número 4. Este número diz respeito (entre outros assuntos) ao meu encontro com AS e, por isso, desculpo-me pelo suspense que a antecipação desse momento pode causar e peço também um pouquinho mais de paciência até que eu lhes passe os detalhes finais de como realmente ocorreu. Sinto dizer que não vou concluir este relato tão logo pois irei priorizar um conteúdo mais relacionado à magia e ao ocultismo nos próximos posts, uma vez que não quero perder este foco e acredito que o leitor também não deseja perdê-lo. Espero, assim, equilibrar o conteúdo do blog, mostrando tanto aspectos internos (relacionados ao inconsciente e às causas no que diz respeito à magia) quanto aspectos externos (eventos na realidade física, mais relacionados aos efeitos da magia).

Obviamente o post atual ainda faz parte da descrição do número 3 em um sistema numerológico de 18 números. Para quem deseja ver outros posts relacionados à numerologia, fica aqui este link.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Um Experimento em um Sonho e Suas Consequências

Certa noite sonhei com um nome (simplesmente um nome que eu ouvi, em meio a nenhuma outra imagem ou som, ou seja: sem qualquer outra referência além do mesmo) ao qual vou chamar de AS. Tratava-se na realidade de nome e sobrenome, e soava estrangeiro ou de origem estrangeira. No momento seguinte, tornei-me consciente de que estava sonhando. Movido pela curiosidade e pelo desejo de testar limites na magia (o que já me motivou diversas vezes), especulei que talvez pudesse encontrar essa pessoa se eu expressasse (ali no sonho) esta intenção e queria confirmar se, de fato, isto seria possível (pois eu já conhecia o valor deste tipo de expressão em sonhos - para compreender isto, leia o post Uma Esfera de Consciência Mais Ampla, o qual diz respeito a esta espécie de sonho que tem relação com o futuro).

Assim, expressei esta intenção. Na manhã seguinte, quando acordei, não me lembrava do sonho (só o recordaria quando se concretizasse), porém a semente estava magicamente lançada. Conforme esta semente se desenvolvia, transformações na minha vida (especificamente em aspectos profissionais) se seguiriam a partir daí. Estas me levariam enfim a encontrar este senhor cujo nome é AS. Observo que eu sempre tive uma tendência à experimentação na magia, envolvendo uma certa dose de risco (algumas vezes os resultados assustaram um pouco). Isso não é exatamente um modo de ser prudente, porém acaba gerando experiências interessantes, que ampliam o conhecimento e, muitas vezes, são estimulantes.

Porém, como eu mencionei acima, transformações iriam ocorrer nos aspectos profissionais de minha vida. Para entender estas mudanças, talvez seja interessante colocar aqui uma breve restrospectiva de como estava sendo minha carreira até aquele momento.

Inicio esta restrospectiva em 1992, quando havia começado a trabalhar para a empresa J, em Londrina, na qual permaneci por oito anos. Eu desenvolvia software porém, após tanto tempo, os desafios já não me estimulavam mais, bem como eu não sentia mais paixão pelo trabalho que realizava. Eu já sabia quais eram as perspectivas ali e não tinha uma grande expectativa de modificá-las. Eu queria encontrar novamente o tipo de trabalho no qual eu me sentisse realizado. Buscando possibilidades novas, eu mudei de residência para Curitiba, onde havia sido convidado para trabalhar como terceiro em uma empresa do ramo jornalístico.

Tendo permanecido seis meses na mesma empresa, encontrei um velho amigo enquanto passeava por um shopping. Seu nome era PC e havia onze anos que não o via. Na época que eu o conheci, estudávamos na mesma turma na faculdade. Ele era então tenente do exército mas, neste reencontro, eu descobri que havia se tornado presidente de uma rede farmacêutica. Ele perguntou a mim a respeito de qual tecnologia eu tinha experiência no desenvolvimento de software, e eu lhe passei esta informação. Então ele me disse que tratava-se da mesma tecnologia que era utilizada na rede de farmácias e que havia uma vaga disponível. Eu levei meu currículo, passei pelos trâmites necessários de avaliação e, pouco tempo depois, estava em um novo emprego. Quase dois anos se passaram então (encerrando-se esta pequena retrospectiva).

Mas qual a importância destes detalhes profissionais dentro de um blog de ocultismo? Pelos detalhes em si, nenhuma. Mas o trabalho é um dos aspectos do que forma o Eu (em um sentido mais amplo, não confundir com o ego) de cada um. Em um curto período de tempo, diversas experiências de transição vinham ocorrendo: o encontro com meu Sagrado Anjo Guardião (no post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia); o encontro com Choronzon (siga este link para os posts relacionados); a atribuição do nome “O Mestre Que Nada Sabe” (no post A Origem de “O Mestre Que Nada Sabe”); as primeiras experiências no amor (nos posts Transformando a Vida Afetiva e Primeiros Passos no Amor); e agora também transições no que diz respeito ao trabalho.

Minha mudança para Curitiba não teve um propósito relacionado apenas à minha carreira. Este foi um passo importante também para que eu pudesse ter o isolamento necessário para me dedicar a criar a fundamentação do meu caminho na magia. Como esta fundamentação já estava definida em grande parte, estava chegando o momento em que eu me decidiria a voltar para Londrina.

Retorno agora ao ponto em que tive o sonho com o nome de AS. No próximo post vou expor as mudanças que ocorreram a partir daí, impulsionadas pelo objetivo que eu havia criado no meu destino ao plantar uma semente em um sonho. Este objetivo era encontrar AS (fosse quem fosse AS).

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Uma Esfera de Consciência Mais Ampla

Muitas vezes em meus posts eu tenho feito referências a sonhos com conotações mágicas. Estes relatos podem soar um tanto estranhos para quem os lê, afinal frequentemente a magia é associada a rituais elaborados, e não a sonhos. Pessoalmente eu devo dizer que não procurei desenvolver-me na aplicação de ritos documentados e publicamente reconhecidos. Na verdade, com o tempo, acabei criando minhas próprias técnicas.

O termo “sonho” talvez se tornasse mais elegante se eu o substituísse por algo mais específico, como projeção ou viagem astral. Mas eu nunca consegui realizar uma projeção consciente e, justamente por isso, eu reluto em utilizar estes termos (embora ainda possam ser considerados verdadeiros). Assim, é como sonhos que qualifico as experiências que venho citando. A vantagem de utilizar esta expressão é que trata-se de uma referência mais comum para o leitor em geral, podendo ajudá-lo em uma eventual comparação com sua própria experiência.

Ressalto que passou-se muito tempo até que eu começasse a diversificar os meios para a realização de operações mágicas. Na realidade eu experimentei muito poucos, e adotei uma quantidade menor ainda para o uso corrente. Eu vou abordá-los gradualmente, dentro de uma cronologia específica na história pessoal que venho contando. Desse modo, vou prosseguir ainda por um período razoável escrevendo a respeito de sonhos.

No post anterior eu havia mencionado que começaria a descrever acontecimentos em aspectos profissionais que se manifestaram na minha vida, tudo isso ao mesmo tempo em que transformações na vida afetiva também estavam ocorrendo (veja o post Primeiros Passos no Amor para saber mais a este respeito). Mas o que têm os sonhos a ver com transformações na vida profissional?

A resposta é que um tipo de sonho muito específico ocorreu neste período que estou narrando (um sonho que tinha a ver com o futuro). Na realidade, eu já escrevi alguns comentários a este respeito na primeira parte de meu blog (no post Reflexões Sobre o Tempo) e agora eu pretendo acrescentar alguns insights a mais sobre este assunto. Digamos que é um conceito que preciso passar agora para que seja possível o entendimento de fatos objetivos que se seguirão. Ou seja, é preciso explicar a causa para que se possa compreender o efeito que segue à esta causa.

O que pretendo expor é talvez uma quebra de paradígmas para muitas pessoas. O fato é que costuma-se acreditar que nós (a humanidade) somos responsáveis pelas grandes transformações no mundo. Explico: os políticos acreditam que detêm o poder sobre a vida das pessoas e sobre o destino das nações. Igualmente, os líderes religiosos tendem a nutrir este tipo de imagem a respeito de si mesmos. Já em relação às pessoas comuns, muitos agem de forma irrefletida enquanto outros são extremamente conscientes a respeito das implicações da ação do ser humano no planeta Terra (seja diretamente na qualidade de vida das pessoas, ou então no que diz respeito ao impacto causado na natureza como um todo). E, é claro, existem aqueles que, comparando-se com outras pessoas, acreditam possuir maior importância, mesmo quando este julgamento é baseado em uma mera questão de diferença de status. Tudo isso parece ser uma mistura caótica, mas a insuspeita verdade é que tudo segue um plano bem elaborado.

Pessoalmente eu só comecei a compreender isso a partir de experiências que tive em sonhos e que, meses ou anos depois, se tornaram reais (detalhe por detalhe concretizado na realidade física). Eram experiências que inclusive envolviam outras pessoas (que apareciam nestes sonhos, sendo que algumas eu desconhecia) e que, quando se concretizavam, traziam à minha mente a recordação do sonho. Nas primeiras vezes em que isto aconteceu, durante o sonho, eu eventualmente descobria que não era uma experiência real (ou melhor dizendo, não era física) mas algo me atraía naquilo que eu havia experimentado. Então eu me expressava afirmando que realmente gostaria que aquela experiência tivesse ocorrido de fato. A minha expressão era como uma confirmação (uma aceitação daqueles eventos que haviam sido percebidos).

Por um tempo eu me questionei se eu realmente tinha estes sonhos, ou se simplesmente tinha a impressão de ter sonhado. Eu só vim ter certeza deste tipo de experiência quando ocorreram algumas situações em que eu era capaz de antecipar o futuro em alguns segundos (ou até mesmo minutos) pelo fato da lembrança do sonho ser revelada à minha mente pouco antes que os fatos se completassem na realidade física. Eu soube, então, que não se tratava de mera impressão.

No entanto, em alguns destes sonhos eu reagia com repulsa (quando estes me pareciam mais pesadelos do que sonhos) e foi justamente nestas situações que aconteceu algo intrigante: outros dialogavam comigo, dentro dos sonhos, sem que eu pudesse ver suas faces. Estes me acalmavam, dizendo-me que aquelas possibilidades podiam ser alteradas e que eu não precisava me preocupar com relação às mesmas.

Ocorre que normalmente não conhecemos os objetivos traçados além do aparente caos mundano, porém existem consciências que os organizam e, de vez em quando, podemos realizar contatos com esta esfera mais ampla de percepção. Foi percebendo estes diálogos que passei a compreender que há sempre metas definidas em meio à realidade que nos parece sem sentido. Estes contatos vieram acontecendo comigo desde 1994 (aproximadamente, pois não me recordo exatamente quando começaram), bem antes de eu me decidir pelo caminho na magia. Isso me faz pensar na possibilidade de ter sido orientado para esse caminho, mesmo quando sequer imaginava segui-lo.

Uma questão: porque é necessário esquecer o sonho? O que ocorre é que esta esfera mais ampla de percepção e consciência só pode atingir um objetivo específico se concentrar-se nele constantemente até que o resultado almejado ocorra. Ou seja, esta esfera precisa realizar algum esforço e trabalho. Porém este trabalho cessa sempre que a lembrança do sonho se revela a quem o sonhou (isto é algo que só compreendi há pouco tempo). No exato instante da lembrança, o esforço e trabalho referentes ao objetivo em questão são encerrados.

No caso de uma lembrança antecipada, a partir do momento em que ocorre, pode existir até uma inércia que leve à concretização do sonho, mas não há um esforço ativo para este fim. Na verdade, a antecipação é uma das maneiras que esta esfera de consciência utiliza para modificar a conclusão inicial dos fatos (no caso, por exemplo, em que o que o sonho propôs é algo desagradável, causando a recusa de quem o sonhou). Como regra, quanto mais antecipada for a lembrança em relação à concretização dos fatos, menor a probabilidade de que aconteçam.

Uma outra forma de se interpretar os momentos em que ocorrem estas lembranças é definindo-os como transições. Afinal os instantes exatos em que os objetivos deixam de existir podem ser considerados como estágios completados. É interessante anotar as datas destes momentos e procurar identificar que mudanças ocorreram em seus intervalos. Curiosamente, há um mês atrás, eu tive uma destas lembranças de sonho, mas o que se concretizou foi bem diferente da conclusão que havia acontecido no sonho (a revelação foi bem antecipada). A partir daí algumas mudanças começaram a ocorrer na minha vida, mas eu ainda não sei avaliá-las porque são muito recentes. Obviamente eu não tenho ideia de qual é o próximo objetivo a atingir e só o saberei quando me lembrar do próximo sonho. Nem mesmo sei se já sonhei sobre este novo objetivo.

Enfim, dados estes conceitos, vou deixar a continuação para o próximo post, no qual irei descrever o sonho que teve impacto em minha vida profissional (ao que me referi no começo do post atual) e também descreverei algumas de suas consequências. Há também outros sonhos deste tipo que igualmente tiveram impactos profissionalmente, mas sobre estes vou falar no devido tempo.

sábado, 27 de julho de 2013

Primeiros Passos no Amor

Certa noite, durante uma viagem de ônibus de Curitiba para Londrina, eu conheci C. Nós nos encontramos absolutamente por acaso e conversamos a noite toda. Quando chegamos ao nosso destino, trocamos nossos telefones. Ela, da mesma forma que eu, ficaria apenas poucos dias ali. Eu estava surpreso pois todas as minhas inibições que me “impediam” de começar um relacionamento (veja o post Transformando a Vida Afetiva para saber mais sobre estas inibições) simplesmente desligaram-se naquela viagem. Eu apenas me expus da forma que realmente era e não houve rejeição alguma por parte dela. Nós nos encontramos e nos reconhecemos, mesmo considerando que jamais tivéssemos nos visto antes. Ocorreu assim uma troca simples e inquestionável de energia. Logo retornaríamos, porém cada um de nós embarcando em ônibus diferentes na volta. Mais alguns dias se passaram, combinamos de nos encontrar e, então, estávamos namorando.

Eu contei a ela que era a primeira vez que eu me relacionava com uma mulher. Eu queria impressioná-la da mesma forma que sentia que ela queria impressionar a mim. Eu não contei a ela sobre como havia me sentido culpado, durante boa parte de minha vida, em função de instintos eróticos que eu reprimia (também no meu post Transformando a Vida Afetiva). Contei sobre minha busca na magia mas evitei entrar em detalhes sobre as experiências que já havia vivido. Eu queria evitar o que poderia afastá-la, afinal era apenas o princípio. Não me parecia fazer sentido relacionar todos os meus “possíveis defeitos” naquele momento.

No entanto, o fato de eu omitir demonstrar aspectos da minha personalidade talvez tenha ajudado a princípio, mas a verdade é que não é possível simplesmente descartar (ou ignorar) algo de si. Não existe meio de jogar fora uma versão antiga de quem se era e substituir-se por um outro “Eu” (ideal?). Não é tão fácil excluir algo de si, uma vez que tenha sido colocado e enraizado em si próprio. O melhor a se fazer é acrescentar algo novo ao próprio jeito de ser, um terceiro elemento que diminua os conflitos interiores e que permita que a expressão total que abrange o ser humano seja cada vez mais harmoniosa e livre de culpas.

Em outras palavras, recorrendo ao exemplo do Médico e o Monstro (Dr Jekyll e Mr Hyde respectivamente): não se trata de isolar um lado e destruí-lo, e sim de somar ambos e criar um novo ser, onde as qualidades de um complementam os defeitos do outro. Escondendo o que havia dentro de mim, eu me mostrava como o bom médico Dr Jekyll e, por outro lado, ocultava Mr Hyde por não saber como poderia apresentá-lo à luz para que outros o pudessem conhecer.

Eu não tinha ainda maturidade para compreender estes conceitos. O que havia em mim (no que diz respeito ao amor, à sexualidade e ao erotismo) estava encontrando ressonâncias na realidade invisível da magia e estas ressonâncias haviam começado a se manifestar na realidade física (nos fatos concretos). O processo de cura (e este foi um processo de cura) implica na expressão de quem se é (não na ocultação), para só então se compreender esta expressão e refiná-la. Só que a maioria das pessoas começaram este tipo de experiências ainda jovens, enquanto eu estava começando aos 31 anos.

Ocultar um lado meu teve efeitos a longo prazo pois, embora eu tentasse dissimular, a magia teria sempre ação sobre todo meu ser e não apenas sobre parte de mim (isso ficou nítido em meu contato com o Sagrado Anjo Guardião, descrito no post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia). O que estava oculto eventualmente se desenvolveria e se manifestaria. Inevitavelmente o que se escondia se tornaria claro e viriam recriminações às quais eu teria de dar respostas. Se eu tivesse exposto tudo isso já no princípio, não haveria o impacto da quebra das ilusões. Por outro lado, se eu tivesse agido com absoluta franqueza, talvez nenhum relacionamento tivesse tido sequência dali.

Fico pensando nos inúmeros casais que começam da mesma forma, com segredos ocultos, e com uma esperança de que tudo dê certo apesar de haver tanto escondido. Na realidade a grande maioria dos casais se separa por causa destes segredos. No entanto eu e C permanecemos juntos até hoje por mais doloridos que tenham sido alguns momentos que experimentamos.

Aquela velha frase “... na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” - o tempo passou e ela se mostrou mais verdadeira que tudo o mais. Cada um de nós sempre apoiou o outro quando havia questões de saúde, ou nos momentos de dificuldade financeira e em outros momentos difíceis. Da mesma forma sempre soubemos partilhar juntos os bons momentos. Sempre nos preocupamos um com o outro, mesmo quando nossos pontos de vista divergiam, mesmo quando nossas noções de certo e errado (envolvendo moral, ética e religião) divergiam, e frequentemente ainda divergem.

Sempre tivemos nossos atritos mas, nos momentos em que um ou outro precisava de apoio, o outro sempre estava disposto a dar tudo de si. O meu relacionamento com C é algo que ainda estamos dando forma, mas eu suspeito que não é apenas dessa vida que nos conhecemos. Quando nos vimos, pela primeira vez, foi um reencontro. Eu acredito que havíamos esperado a vida inteira para que nos encontrássemos, mas ainda não compreendi totalmente o significado que nós dois temos juntos. É algo que quero descobrir.

O próximo post irá tratar de mudanças profissionais que estavam acontecendo no mesmo período que estou narrando.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Transformando a Vida Afetiva

Ter um relacionamento afetivo com uma pessoa de outro sexo (ou mesmo com uma pessoa do mesmo sexo, dependendo da identidade sexual de cada um) é algo usualmente normal, que eventualmente acontece de forma espontânea para a maior parte das pessoas. No entanto, há quem seja retraído de tal forma que não consegue expor-se à uma outra pessoa, como que sempre temendo uma possível rejeição. São pessoas em que a natureza relacionada ao amor e à sexualidade é constantemente auto-reprimida.

No que diz respeito a mim, eu fui uma destas pessoas até meus 31 anos de idade. Eu jamais havia namorado até então, ou “ficado”, ou beijado uma mulher. Embora eu não tenha certeza de porquê me desenvolvi dessa forma, eu suspeito que tenha sido por minha falta de habilidades sociais na infância (associada ao fato de ter sofrido bullying) que acabou causando esta sensação de inadequação em mim. A insegurança me levou a algumas poucas tentativas mal-sucedidas de aproximação em relação às mulheres na adolescência, em que eu me senti rejeitado e cada vez mais insatisfeito no que dizia respeito ao amor.

Quanto maior era meu sentimento de inadequação, piores eram minhas tentativas de tentar me expressar neste sentido e piores eram os resultados de cada tentativa. Houve um tempo em que eu me sentia envergonhado apenas por estar ao lado de uma mulher (literalmente não sabia onde enfiar minha própria cabeça, feito um avestruz). Isto se suavizou quando eu comecei a trabalhar e tinha mais contato com mulheres (a partir de então eu já não era mais tão tímido), mas eu ainda não tinha uma vida amorosa. Na realidade eu me apaixonava constantemente, mas eram todas paixões impossíveis (projeções de minhas próprias fantasias a respeito do que eu considerava que deveria ser o amor). Eu havia me declarado uma vez, mas de uma forma tão abrupta que não tinha como ter sucesso.

Eu fingia não me importar com assuntos relacionados ao amor e ao sexo, mas o fato é que eu fantasiava muito sobre estes assuntos. Para tentar compensar a falta de tudo isso na minha vida, eu comprava material pornográfico e tentava suprir o que me faltava (com esse material). Eu tinha muita vergonha de mim mesmo, por sentir impulsos que considerava sujos. Às vezes minha mente se permitia preencher por estes impulsos, e às vezes eu os reprimia completamente. Eu me sentia como aquela estória do Médico e o Monstro, como se houvesse dois lados de mim que lutavam um contra o outro.

Durante muitos anos eu me condenei por considerar-me um pecador em virtude de pensamentos e atos escondidos que julgava pecaminosos. As pessoas que conviviam comigo conheciam apenas o lado que aparentava ser frio no que diz respeito ao amor e à atração sexual (eu temia ainda mais a rejeição das pessoas próximas). Alguém chegou até mesmo a me dizer que não se interessaria por mim porque eu era frio e distante (bom para lidar com computadores, mas não para lidar com pessoas).

Tudo isso deixou marcas muito profundas dentro de mim. Era uma fome que não se saciava. Eu não sabia como me adequar a modelo algum. Havia aqueles que pregavam relacionamentos dentro de um padrão “tradicional”, por assim dizer, fundamentado principalmente em um amor “puro”, com o sexo após o casamento. Também havia aqueles que se entregavam à luxúria. E havia quem estivesse em relacionamentos abertos, ou outros tipos de relacionamentos. Todas estas possibilidades me atraíam, como que minha própria natureza tentasse se expressar por qualquer porta que eventualmente se abrisse, mas eu não me encaixava nestas opções. Nada daquilo funcionava comigo.

Tudo isso havia surgido diante de mim na minha experiência com Choronzon (este link relaciona todos os posts relacionados ao mesmo, porém o post mais específico ao que me refiro aqui é este), embora eu tenha preferido mencionar estes fatos agora, ao invés de encaixá-los anteriormente. Ter vivido sob esta condição deixou marcas muito profundas dentro de mim, marcas com as quais hoje me relaciono melhor, mas que ainda são presentes. Eu precisava viver um processo de cura, e esse processo de cura se iniciou junto com o começo da exploração do inconsciente. A partir dali eu viria a namorar, casar, ter filhos, e alcançaria muitas outras realizações (eu vou falar sobre cada um destes momentos conforme vou contando minha própria história).

Porém, de forma alguma estas realizações representam algum tipo de troféu (como se nesse processo de cura eu tivesse sido invicto). Eu cometi muitos erros e tropeços, da mesma forma que também acertei em alguns pontos. Talvez, ao ler este post, as pessoas se perguntem: “Porque ele escreveu isso? Porque contou algo tão pessoal? Porque não começou a contar a partir do momento em que a vida começou a mudar?”

A resposta é que eu pretendo ajudar pessoas com meu blog. Eu sei que há outros que vivem tudo isso que eu passei, com mais ou com menos intensidade. Se eu mostrasse apenas as realizações positivas, eu não teria exemplo algum a oferecer para quem vive problemas. Afinal um exemplo já é de utilidade limitada (por se aplicar à vida de uma pessoa específica), mas se torna mais limitado ainda quando omite informações sobre erros e falhas. Eu posso dizer também que muitos já viveram as realizações no que diz respeito a namorar, formar uma família, ter filhos, e estas pessoas sabem que, embora sejam realizações, há diversos erros que se comete entre elas. Eu quero que estas pessoas também se identifiquem comigo e assim eu possa ajudá-las também.

É evidente que há muita informação pessoal que não pode ser dita (certos nomes, por exemplo), pois o sigilo nem sempre pertence apenas a nós, mas também a outros que fazem parte de nossas vidas. Por isso, em certas situações, eu vou mencionar apenas iniciais dos nomes de algumas pessoas e, às vezes, eu vou mencionar certos fatos apenas de forma abstrata. De vez em quando vou caminhar em uma corda bamba.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A Origem de "O Mestre Que Nada Sabe"

Certa noite, durante um sonho, eu estava diante de uma jovem bruxa. Ela era simpática e bela. Tinha uma baixa estatura (embora eu não pudesse vê-la de pé por estar sentada diante de mim, com pernas cruzadas e na mesma posição que eu estava em frente a ela). Ela esboçou um sorriso e me disse “Você é o mestre que nada sabe...”. E eu dei uma gargalhada. 

Eu acordei pensando no aspecto cômico daquele sonho. Afinal eu sentia um certo orgulho por ser um mago, mesmo que iniciante e, pensando bem, eu realmente nada sabia, e quanto menos deveria ter a pretensão de tornar-me um mestre em alguma coisa... Mas, ironias à parte, eu não podia deixar de achar graça de mim mesmo naquele sonho. O que eu não entendi naquele momento é que, por mais que me parecesse estranho ser chamado dessa forma (“O Mestre Que Nada Sabe”, convenhamos, não é muito elegante), aquela bruxinha simpática em meu sonho havia me dado um nome (que seria o primeiro de três que eu receberia com o passar dos anos, em condições semelhantes). Explico aqui que, nesse contexto, um nome representa um atributo que é associado a quem o recebe. É algo que atrai influências de um certo tipo para que se manifestem cada vez mais na vida de uma pessoa (tornando gradualmente real aquilo que é potencial). 

Tendo vivido a experiência com Choronzon, eu começava a explorar o que estava além de meu ego, mas eu estava ainda muito próximo (do ego). A linguagem que eu percebia nestas primeiras interações era ainda condicionada à minha própria forma de expressão e aos meus próprios símbolos. Então este nome acabou sendo formulado em termos familiares e não em grego, ou em outra língua mais erudita. 

É importante mencionar que tais nomes não necessitam ser únicos. O que eles precisam ser é simbólicos. Precisam conectá-lo a alguma coisa (algo que tenha ressonância com você) e, nesse sentido, a atribuição de um nome é um ato mágico que irá produzir resultados a partir dali (iniciando seu efeito de forma imediata), como uma semente plantada na terra fértil. Por ser simbólico, mais de uma pessoa (ou mais de um ser) podem eventualmente possuir um nome em comum (o que significa que possuem papéis semelhantes dentro de um círculo). Assim, quando um nome é atribuído em um sonho, ele constitui uma espécie de marca que acrescenta um significado a quem a possui. Um nome deste tipo não identifica alguém como indivíduo, e sim como parte de algo. 

A atribuição de um nome constitui um tipo de iniciação. Digo isso porque, com o passar do tempo, podem ocorrer diversas iniciações. O encontro com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia) foi minha iniciação mais importante, a qual me impulsionou de encontro ao meu inconsciente (confira aqui os posts a respeito de minha experiência com Choronzon: http://www.omestreqnadasabe.blogspot.com.br/search/label/Choronzon).
Mas o inconsciente é plural, com uma infinidade de possibilidades, e as iniciações ajudam a definir como alguém se integra com estas possibilidades. 

Porém o que significa “O Mestre Que Nada Sabe”? Eu acredito que parte do motivo de ser este o nome que foi sugerido vem de minha admiração pessoal pelo filósofo Sócrates, o qual se destacou não tanto por possuir respostas prontas, mas por sua sinceridade e perspicácia em fazer perguntas. "Só sei que nada sei" era seu lema. Na verdade, em virtude de eu admirá-lo como modelo, a atitude de perturbar as pessoas com perguntas e questionamentos sempre foi um traço meu (isso é particularmente visível nos primeiros posts de meu blog). 

Existe também uma vantagem no "Nada Saber" que é justamente não trazer consigo vícios antigos (ou preconceitos?) que dificultam o aprendizado. Assim pode-se estar aberto a ver o que quer que seja sem filtros que alterem a percepção, procurando perceber a realidade tal como é. Mas "Nada Saber" é algo que dificilmente combina com a palavra "Mestre", não é? 

Não me considero um mestre em qualquer que seja a especialidade. Na realidade eu sou um generalista ao invés de especialista (no post Amadurecendo na Forma de Buscar o Conhecimento eu faço uma referência a este perfil), de forma que percebo melhor as relações gerais do que os detalhes particulares de cada situação. O que eu realmente posso transmitir é minha própria história, e é nesse sentido que considero este “O Mestre Que Nada Sabe”. Explico: penso no mestre como aquele que comunica algo de si e que busca ajudar outros a se desenvolverem por seus próprios meios, e não como aquela pessoa que detém todo conhecimento. Não pretendo saber tudo, e sim oferecer algo meu, algo particular (minha história). Neste post estou abordando sobre minha própria identidade, e falando muito de mim mesmo, por assim dizer. Referir a si mesmo é algo inevitável às vezes, principalmente porque na magia as transformações são primeiramente internas (dizendo respeito ao que consideramos a identidade pessoal) e somente se tornam externas após o que é interno se desenvolver e ramificar-se. 

Sempre que um nome é atribuído em um sonho, ele precisa ser aceito (ou, pelo menos, não negado). Essa aceitação não precisa ser explícita (você não precisa dizer "Eu aceito") mas, para que lhe seja atribuído, você também não pode rejeitá-lo. Na realidade, basta um sorriso (ou algo igualmente sutil) para que essa aceitação ocorra, e essa atribuição é ainda mais forte se ambos os lados (tanto quem atribui o nome, quanto quem o recebe) manifestarem desejo nesse sentido. No meu caso, a jovem era simpática e demonstrava um sorriso, enquanto eu soltei uma gargalhada. A aceitação estava completada. Isso demonstra que este processo de aceitação é muito primitivo. Normalmente você apenas reage a uma situação sem saber que está agregando a si algo que terá implicações, mas é assim que acontece. Se você rejeita um nome, normalmente o sonho insiste em oferecer-lhe por um tempo, para que você tenha a chance de compreendê-lo e aceitá-lo. 

Quando receber um nome, o ideal é você não espalhá-lo pelo mundo afora (eu fiz exatamente o contrário, erro de principiante - a jovem bruxa, por exemplo, não revelou seu nome, nem tampouco Choronzon em meus contatos anteriores a este). Mas não me arrependi de ter exposto este nome (quem o atribuiu talvez já estivesse prevendo isso), tornando-se o nome que adotei como assinatura no mundo virtual. 

No próximo post vou abordar alguns fatos que ocorreram no que diz respeito à minha vida sentimental no mesmo período em que eu prosseguia nesta exploração do inconsciente (é importante sempre acompanhar o paralelo entre a realidade mágica e a realidade dos fatos concretos). 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Entendendo o Papel de Choronzon

Como eu já havia mencionado no post A Lição que se Aprende com Choronzon, hoje eu vou procurar descrever o propósito que percebi em Choronzon, tentando assim definir sua função.

Choronzon, embora aparentasse “transpirar” ódio (pois frequentemente fixava-se no tema da morte nos contatos que tive), não chegou a causar dano algum a mim que eu não aprendesse a contornar a médio prazo. É preciso considerar que houve um período em que eu estava altamente sugestionável enquanto vivi esta experiência de contato e, se ele desejasse (ou pudesse?) realmente me levar à minha própria destruição, seria algo muito fácil de acontecer naquele período. Pode ser que a fonte de minha proteção tenha sido exclusivamente a experiência de contato com o Sagrado Anjo Guardião (veja o post Falando de Minha Própria Iniciação na Magia), a qual poderia ter impedido a realização de certas possibilidades danosas. Eu não descarto esta explicação, porém eu também acredito que estas possibilidades igualmente podem ter sido evitadas pelo propósito de Choronzon não ser simplesmente odiar ou destruir.

Eu acredito que a repulsa que percebi naquele contato era reflexo do que meu próprio ego havia semeado durante toda a vida. O que eu percebia era minha própria expressão retornando a mim. Era uma expressão antiga (de anos passados), da qual eu já não me lembrava, mas era minha. Nesse caso o reflexo destrutivo que me encarava não tinha sido causado por Choronzon em si, e sim por mim. Isso me faz refletir sobre como o ódio (assim como seus nuances como, por exemplo, a antipatia e a aversão) pode se manifestar de uma forma sutil na vida de uma pessoa, evidenciando-se em alguns momentos, mas sempre presente como discriminação do que é diferente de si. Igualmente também penso naqueles momentos em que este sentimento explodiu (e às vezes continua explodindo). Que impressão tudo isso causou no meu inconsciente (que difere muito de meu ego e, portanto, foi negado por ele)? Ação leva à reação. Negação leva à negação como retorno.

Talvez a única responsabilidade que Choronzon teve naquele período foi a de obrigar-me a perceber meu próprio ego refletido, até que eu reconhecesse este reflexo, e só esse reconhecimento poderia amenizar o poder do ego sobre mim. Ou seja, ao reconhecer este aspecto de mim mesmo, eu me tornei capaz de isolar-me de parte da minha natureza destrutiva. Não fosse assim, eu manifestaria estes impulsos em relação ao que quer que fosse que encontrasse no inconsciente, e acabaria separando um lado do insconsciente que eu definiria como certo de outro lado que eu definiria como errado, em virtude de meus preconceitos. Choronzon, nesse caso, atuou como um guardião me impedindo de ter acesso ao que eu ainda não era digno de sequer começar a adentrar.

Hoje em dia não considero Choronzon como que sendo um ser malígno. Ele tem sua função e é necessário. O Sagrado Anjo Guardião, a princípio, me parecia ser o oposto de Choronzon, porém atualmente acredito que ambos são apenas manifestações diferentes de uma mesma essência. Se por um lado o Sagrado Anjo Guardião expande a essência de um círculo para além de seus limites, Choronzon, por sua vez, protege estes limites impedindo que sejam invadidos por quem lhes seja dissonante. Em poucas palavras: quem lhe estende a mão e quem lhe repele podem representar ações complementares de uma mesma essência.

Esta síntese de opostos é algo que só percebi anos depois desta experiência e, de certa forma, isso acabou criando uma dissonância entre mim e outras pessoas. O motivo desta dissonância é uma questão de crenças (e de valores, pois crenças são fundamentadas em valores). Ocorre que a maior parte das pessoas acredita que há duas polaridades distintas e incomunicáveis (que chamam de bem e mal), o que leva à crença em uma eterna disputa de facções. Para muitos, alguém se torna um adversário (alguém “do mal”) quando acredita que os “símbolos supremos” do bem e do mal (Deus e o Diabo, em linguagem popular) são apenas lados de um conflito, e que podem eventualmente dar-se as mãos em paz (ambos os extremos são visões parciais do todo). Ou seja: há a visão egóica (que acredita na destruição final de um lado do conflito, e que sempre é o lado em que não se está), enquanto a outra visão busca a harmonização. Mas isto eu ainda não percebia enquanto vivia este momento que estou relatando.

O contato com Choronzon revelou muito sobre mim, tanto para mim mesmo como para quem me observava (oculto no inconsciente). Nesse sentido, esta experiência também teve o significado de ser uma forma de expressão de mim mesmo, na qual eu me mostrei tal como de fato era, o que certamente serviria para orientar as interações que se seguiriam daí com o inconsciente. No próximo post vou começar a narrar o que aconteceu após esta revelação de mim mesmo.